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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Entenda o que é pressão arterial, os fatores de risco e as recomendações


Causas genéticas respondem por até 95% dos casos de hipertensão. 

Ingestão de sal, obesidade e falta de atividades físicas aumentam problema.

 A pressão arterial é a pressão exercida pelo sangue dentro dos vasos sanguíneos, com a força proveniente dos batimentos cardíacos. Quanto mais sangue for bombeado do coração por minuto, maior será esse valor, que tem dois números: um máximo, ou sistólico, e um mínimo, ou diastólico. O primeiro se refere à força de bombeamento do coração e o segundo, à pressão dos vasos sanguíneos periféricos (braços, pernas e abdome).
A pressão não é fixa e pode variar instantaneamente, dependendo do estado da pessoa no momento (se está em repouso, em atividade, nervosa ou falando alto, por exemplo). O valor é considerado normal quando o máximo atinge até 120 mmHg ou, popularmente, 12, e o mínimo fica na faixa de 80 mmHg, ou 8. É a almejada pressão 12/8.
Pressão arterial (Foto: Arte/G1)
Abaixo de 9/5, a pressão é considerada baixa, e não se trata de uma doença, mas pode causar mal estar, com tonturas, náuseas ou desmaios. Acima de 13,5/8,5, os valores já são considerados altos. Para alguém ser diagnosticado com hipertensão arterial, precisa ter a pressão medida em estado de repouso, deitado ou sentado, em ambiente calmo e repetir o resultado por mais duas vezes, três minutos após a avaliação anterior. O ideal é que essa confirmação também seja feita em outras ocasiões, para um resultado mais preciso.
A medição deve ser feita preferencialmente no consultório médico, por um cardiologista ou clínico geral. Na impossibilidade disso, é indicado um profissional de saúde capacitado. O paciente também pode fazer a aferição em casa, desde que saiba usar o aparelho (analógico ou digital). Recomenda-se que a pessoa esteja sentada, com o braço semidobrado em cima de uma mesa, cuja altura deve ficar acima do diafragma do indivíduo. É importante saber fazer essa verificação, para não ter uma falsa pressão alta.
Fatores de risco e medicação
Causas genéticas e familiares respondem por 95% da predisposição para pressão alta, potencializada pelo consumo de sal, gordura e alimentos industrializados, pela obesidade e pela falta de atividades físicas. As mulheres são mais diagnosticadas que os homens, que por sua vez costumam resistir a ir ao médico e tomar remédios. O sexo feminino morre mais de acidente vascular cerebral (AVC) em decorrência da hipertensão, enquanto eles apresentam mais infartos.
Na população adulta brasileira acima de 35 anos, de 20% a 30% têm pressão alta. Entre os idosos com mais de 60 anos, esse índice chega a 50% ou 60%. A maioria das pessoas desenvolve a doença depois dos 25 anos, mas há 3% dos casos entre crianças e adolescentes – motivados principalmente pelos hábitos da vida moderna.
O medicamento contra hipertensão é indicado para pacientes com problema crônico, ou seja, aquele que se estende por um longo período e independe do estado momentâneo da pessoa. Dependendo do caso, como em indivíduos com pressão diastólica mínima de 12, são prescritos até quatro remédios diferentes.
A medicação deve ser individualizada e é recomendada considerando-se fatores como sexo, idade e atividade física. Muitos hipertensos são resistentes a tomar remédio pela ausência, em até metade dos casos, de sintomas, e também pelo fato de alguns comprimidos causarem efeitos colaterais, como a redução da potência sexual entre homens em casos extremos. Segundo uma pesquisa internacional citada pelo cardiologista Nabil Ghorayeb, do Instituto Dante Pazzanese e do Hospital do Coração, as pessoas fazem uso correto dos medicamentos apenas nos primeiros três meses. Ao final de um ano, só 15% a 20% dão continuidade ao tratamento.
Recomendações
O Ministério da Saúde recomenda que as pessoas consumam no máximo 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colher de chá. A média de ingestão do brasileiro é de 10 a 14 gramas diários. Para saber a quantidade de sal em um alimento, basta multiplicar o valor de sódio no rótulo de um alimento por 2,5. Por exemplo: um produto com 500 mg de sódio tem 1,25 g de sal.
No ano passado, a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançou a campanha “Eu sou 12 por 8" para reduzir o consumo de sal entre a população, com foco em cantinas escolares e produtos industrializados. Estima-se que, se a indústria cortar 20% da concentração de sódio nos alimentos, o número de brasileiros hipertensos cairá cerca de 50%. Por isso, deve-se diminuir a ingestão de enlatados, conservas, temperos como molho shoyu, ketchup e picles, e comida pronta em geral. Para os hipertensos, é indicado ainda eliminar o consumo de bebidas isotônicas e energéticas.
O álcool também influencia na pressão arterial. O limite máximo permitido para que a bebida não cause danos à pressão é de uma dose diária (uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de uísque) para o homem e meia dose para a mulher. Mas, apesar da falta de risco cardiovascular, esse volume já pode ser suficiente para causar dependência.
Por fim, é importante fazer atividade física regularmente, de preferência quatro vezes por semana, durante uma hora cada (15 minutos de aquecimento, 30 minutos de exercício e mais 15 de desaquecimento). As atividades aeróbicas são as mais recomendadas, como caminhar, correr, nadar e andar de bicicleta, pois produzem substâncias que ajudam a controlar a pressão de 12h a 24h após os exercícios.
Os hipertensos devem cuidar com a musculação, pois, quando feita sem controle, pode desencadear o efeito contrário. Fortalecimento muscular também é eficaz duas vezes por semana, durante 30 minutos. Ultrapassar esses limites não trarão benefícios, apenas lesões.
 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Comer fora de casa aumenta risco de excesso de peso e hipertensão



Mais de 30% dos paulistanos fazem uma refeição fora de casa por dia. Entre eles, 59% estão acima do peso considerado ideal

Entre os paulistanos que fazem ao menos uma refeição por dia fora de casa, 26% têm hipertensão
Entre os paulistanos que fazem ao menos uma refeição por dia fora de casa, 26% têm hipertensão (Thinkstock)
Entre os paulistanos, quem tem o hábito de comer fora de casa tem também maior risco de estar acima do peso. Essa é a conclusão de um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), que ainda mostrou que a variedade de alimentos consumidos em restaurantes e lanchonetes, mais ricos em gordura, está associada a um maior índice de hipertensão. O estudo se baseou em dados do Inquérito de Saúde de Base Populacional no Município de São Paulo (ISA-Capital), feito entre 2008 e 2009 e financiado pela Secretaria Municipal da Saúde. Foram 834 pessoas entrevistadas, entre adolescentes, adultos e idosos, das quais 32% afirmaram fazer pelo menos uma refeição fora de casa por dia.
Segundo os resultados da pesquisa, 59% dos frequentadores de restaurantes apresentam excesso de peso ou obesidade. Já na população geral adulta da cidade de São Paulo, 47,9% se enquadra na categoria de excesso de peso, de acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2011. Ainda segundo o estudo, 26% dos que comem fora têm hipertensão. Na população geral, de acordo com a Vigitel, esse índice é de 22,5%.
As refeições mais frequentemente realizadas fora são as intermediárias, como o lanche da manhã ou o lanche da tarde: 45% dos que comem fora afirmaram ter consumido essas refeições em estabelecimentos comerciais; 30% consomem o almoço; 15% consomem o café da manhã e 10% consomem o jantar. A média de calorias consumidas fora de casa por refeição foi de 628 calorias.
Gordura — Segundo a nutricionista Bartira Gorgulho, autora do estudo, o consumo de alimentos gordurosos é facilitado em restaurantes e lanchonetes. “De maneira geral, as pessoas comem mal independentemente do lugar. "Observamos que, quando se come fora de casa, há um consumo maior de gordura. A oferta é maior e as pessoas procuram comer o que não têm tanta oportunidade de comer dentro de casa, como uma variedade maior de carnes e frituras"”, diz.

Na opinião do médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), quem come fora de casa não costuma observar o tamanho das porções e, com isso, corre o risco de exagerar. De acordo com ele, os pratos maiores oferecidos pelos restaurantes podem induzir as pessoas a pegar mais comida. "“A comida por quilo é uma grande invenção, mas é preciso refletir o que vai escolher"”, diz o nutrólogo. Um dos erros mais comuns, segundo ele, é servir-se de vários tipos de carboidratos — num mesmo prato arroz, purê de batata e macarrão, por exemplo — ou vários tipos de proteína, como carne bovina, linguiça e frango. “Por outro lado, o espaço para salada geralmente é pequeno. "Esse é o erro mais comum”", diz Ribas Filho.
Para a nutricionista Ariana Fernandes, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), um dos motivos que elevam a quantidade de calorias das refeições feitas fora de casa é a falta de tempo. “Muitas vezes, as pessoas optam por um lanche rápido, que quase sempre é bem mais calórico que uma refeição balanceada.
Desafio diário — Para quem tem de comer fora todo dia, manter uma dieta balanceada é um desafio. A assistente de marketing Karla Ikeda, de 25 anos, conta que a alimentação diária acaba variando conforme a companhia que ela escolhe. "Se saio com o pessoal que come besteira, acabo comendo também. Mas, sempre que posso, tento comer em restaurante por quilo"”, diz. A estratégia para balancear o cardápio, segundo Karla, é preencher metade do prato com salada e a outra metade com arroz, carne e algum legume cozido.
O brasileiro come fora cada vez mais. A Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) aponta que, em 2003, os gastos com alimentação fora do domicílio entre a população urbana representava 25,7% dos gastos totais com alimentação. Em 2009, essa parcela subiu para 33,1%.

domingo, 6 de janeiro de 2013

SINTOMAS DA HIPERTENSÃO


SINTOMAS DA HIPERTENSÃO


Autor do texto: Pedro Pinheiro 



A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é uma das doenças mais comuns em todo mundo, acometendo cerca de 1 a cada 5 pessoas. Em muitos países, mais da metade da população acima de 60 anos é hipertensa.

O que é pressão arterial? O que é hipertensão?

Antes de seguirmos com os sintomas da hipertensão arterial sistêmica, uma breve explicação para o leitor entender conceitos básicos.

A pressão arterial é a pressão que o sangue dentro das artérias exerce sobre suas paredes. A pressão arterial é pulsátil, ou seja, aumenta a cada batimento do coração e reduz quando o mesmo relaxa. Sístole é o nome dado à contração do músculo cardíaco, portanto, pressão sistólica é a pressão arterial durante cada batimento do coração. Diástole é o breve momento de relaxamento do coração entre cada batida. Logo, pressão diastólica é a pressão arterial durante a fase em que o músculo cardíaco está relaxado.

A pressão arterial é medida nestes dois momentos, por isso, é descrita sempre com dois valores, conhecidos como pressão máxima e pressão mínima. Na verdade, como acabamos de ver, o nome correto é pressão sistólica e pressão diastólica. Portanto, uma pressão de 110/70 mmHg* significa uma pressão sistólica de 110 mmHg e uma pressão diastólica de 70 mmHg.

* mmHg é a sigla para milímetros de mercúrio, que é a unidade padrão para aferição da pressão arterial.

Os valores da pressão arterial são classificados da seguinte maneira:

Pressão arterial normal: valores menores ou iguais a 120/80 mmHg
Pré-hipertensão: valores entre 121/81 - 139/89 mmHg
Hipertensão grau I : valores entre 140/90 - 159/99 mmHg
Hipertensão grau II: valores maiores ou iguais a 160/100 mmHg

O nosso organismo foi moldado para trabalhar com pressões arteriais ao redor de 120/80 mmHg. Quando nossos vasos e órgãos são expostos a um aumento crônico da pressão arterial, ou seja, à hipertensão, existe um grande risco de lesões nos mesmos, principalmente no cérebro, coração, rins e olhos.

Sintomas da hipertensão arterial

Hipertensão
A hipertensão arterial é uma doença perigosíssima, pois possui uma característica: ela não provoca sintomas na imensa maioria dos casos. Não é à toa que ela é chamada de "a assassina silenciosa".

O simples fato da pressão dentro das artérias se elevar não é suficiente para provocar sintomas. Os sintomas da hipertensão arterial só surgem tardiamente, depois que algum órgão já estiver com grave lesão. Na verdade, nestes casos, não são os sinais ou sintomas da hipertensão que sentimos, mas sim sinais e sintomas das consequências de anos e anos de hipertensão não tratada adequadamente, como, por exemplo, sintomas da insuficiência cardíaca, do AVC ou da insuficiência renal.

Por isso, todas as pessoas devem ter sua pressão arterial aferidas pelo menos uma vez a cada dois anos. Se você nunca procurar saber com anda sua pressão arterial porque acha que algum sintoma irá alertá-lo sobre o problema, saiba que você pode estar neste momento com a pressão elevada, sofrendo danos em órgãos vitais.

Reforçando o conceito mais importante deste texto: se você não medir a sua pressão arterial é IMPOSSÍVEL saber se ela está normal ou alta.

Mitos sobre os sintomas da hipertensão

Infelizmente alguns mitos sobre a hipertensão estão tão infundidos entre a população, que mesmo a palavra do médico não consegue convencer o paciente do contrário. É impressionante a quantidade de pessoas que juram saber reconhecer quando a sua pressão arterial está elevada. Vamos dissecar alguns destes mitos:

Sintomas da hipertensão: dor de cabeça ou dor na nuca

Este talvez seja o maior mito em relação à hipertensão. É extremamente comum o paciente relacionar uma dor de cabeça a uma elevação da sua pressão arterial. Vamos aos fatos.

Todo paciente com dor, principalmente se de forte intensidade, apresenta uma pressão arterial acima dos valores habituais, seja ela dor de cabeça. dor de barriga ou dor no dedo do pé. Portanto, é lógico que o paciente vai sempre notar que sua pressão está alta toda vez que tem uma dor de cabeça forte. O problema aqui é confundir causa com efeito.

A pressão arterial só pode ser considerada culpada pela dor de cabeça quando atinge níveis muito elevados, geralmente acima de 200 mmHg de pressão sistólica e/ou 110 de pressão diastólica.. Pacientes com pico hipertensivo, ou seja, elevações súbitas da pressão, muito acima do que é habitual, são geralmente aqueles em que é aceitável associar uma dor de cabeça a um descontrole da pressão arterial.

Aqui cabe mais uma ressalva, se o paciente tem hipertensão grau II mal controlada há meses, ele pode nada sentir mesmo com valores exorbitantes como 220 a 240 mmHg de pressão sistólica.

Conclusão: dor de cabeça ou dor na nuca não são sintomas confiáveis de hipertensão arterial.

Sintomas da hipertensão: nervosismo e ansiedade

Outra associação muito comum é entre crises de ansiedade e hipertensão. A lógica é a mesma da dor de cabeça. É óbvio que toda pessoa nervosa vai ter sua pressão arterial mais elevada. Mas é a ansiedade que aumenta a pressão e não a pressão alta que provoca uma ansiedade. Aquela história: "fulaninho anda muito nervoso ultimamente. Isso deve ser pressão alta", não tem nenhuma base científica.

Porém, mais uma vez, a crise hipertensiva é uma exceção. Em alguns casos, principalmente em pacientes já com coração fraco, um pico hipertensivo grave e súbito (pressões acima de 200 mmHg de sistólica) pode causar um maior esforço para o coração, levando a sintomas com cansaço e falta de ar, que podem provocar muita ansiedade em pessoas mais sensíveis.

Conclusão: nervosismo e ansiedade não são sintomas confiáveis de hipertensão arterial.

Sintomas da hipertensão: sangramento nasal

O sangramento nasal é outro sintoma frequentemente associado à hipertensão, mas também que ocorre somente em selecionados casos. Há trabalhos que mostram que apenas 15% dos pacientes que procuram uma emergência por descontrole da pressão arterial apresentam sangramento nasal. Ou seja, 85% dos pacientes, mesmo com crise hipertensiva, não sangram do nariz.

Existem dezenas de causas para sangramento nasal, por isso, antes de culpar a hipertensão, se o seu nariz sangra com frequência, procure um otorrinolaringologista, pois é possível haver outra causa para este problema.

Conclusão: sangramento nasal não é um sintoma confiável de hipertensão arterial.

Sintomas da hipertensão: tonturas

Tonturas não são um sintoma habitual de hipertensão. Na verdade, os pacientes hipertensos já sob tratamento costumam ter tonturas não como sintoma de elevação da pressão, mas sim como efeito colateral dos medicamentos, principalmente quando a pressão cai muito rapidamente.

Se a pressão subir muito e subitamente, e aqui estamos falando de valores acima de 200-220 mmHg de pressão sistólica, é possível que o paciente refira algum grau de tontura ou sensação de cabeça leve. É importante salientar que picos hipertensivos podem ocorrer nos quadros de AVC e a tontura é um sintoma comum desta complicação.

Conclusão: tontura não é um sintoma confiável de hipertensão arterial.

Sintomas da hipertensão: ondas de calor e vermelhidão facial

O aumento da pressão arterial não provoca calores nem deixa a face mais avermelhada.

O rubor e o calor facial ocorrem quando os vasos sanguíneos se dilatam no rosto. Este quadro pode surgir por diversos fatores, tais como exposição ao sol, calor, frio, alimentos picantes, vento forte, bebidas quentes, reações a produtos de pele, stress emocional, consumo de álcool ou exercício físico, todos eles situações que podem causar alterações da pressão arterial temporariamente.

Conclusão: Calor e rubor facial não são sintomas confiáveis de hipertensão arterial.

Considerações finais 

O que queríamos passar neste artigo é a noção de que em mais de 90% dos casos a hipertensão arterial é uma doença silenciosa, que pode estar presente durante anos sem provocar nem sequer um sintoma.
Quando os sintomas ocorrem, geralmente estão relacionados a crises hipertensivas, com aumentos importantes e súbitos da pressão arterial, situações que não são frequentes na maioria dos pacientes hipertensos.

Portanto, se você não mediu sua pressão arterial recentemente, é impossível estimar o seu valor. E se você não mede sua pressão arterial de tempos em tempos, pode estar sofrendo lesões de órgãos nobres, que levarão no futuro a doenças graves.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

IV DIRETRIZ BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO



A PREVENÇÃO PRIMÁRIA E A DETECÇÃO PRECOCE DEVEM SER METAS PRIORITÁRIAS DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial que se caracteriza por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). A linha demarcatória que define HAS considera valores de PA sistólica = 140 mmHg e/ou de PA diastólica = 90 mmHg em medidas de consultório (Tabela 1) 10.
 
A HAS atinge cerca de 30 milhões de brasileiros (prevalência em torno de 22 a 44% na população adulta) e frequentemente associa-se a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não-fatais9,1011. 

A simplicidade de seu diagnóstico facilita a realização de estudos populacionais. . Um estudo realizado em 17 capitais brasileiras e no Distrito Federal (entre 2002-05) com indivíduos que relataram ter medido a pressão nos últimos dois anos, verificou que a frequência de hipertensão auto-referida variou entre 18% a 29%7. O estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel, 2006) mostrou que 23,1% das pessoas avaliadas foram diagnosticadas, previamente, como hipertensas4.  A prevenção primária e a detecção precoce são as formas mais efetivas de evitar a doença e devem ser metas prioritárias dos profissionais da área de saúde 10.

Dentre os fatores de risco destacam-se: idade, gênero, etnia, excesso de peso e obesidade, ingestão de sal, ingestão de álcool, sedentarismo, fatores socioeconômicos, genética e outros fatores de risco cardiovascular10. Mudanças no estilo de vida são recomendadas como prevenção primária da HAS, pois reduzem a PA bem como a mortalidade cardiovascular3,5,10.

O padrão dietético DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), rico em frutas, hortaliças, fibras, minerais e laticínios com baixos teores de gordura apresenta importante impacto na redução da PA8,10. A adesão a esse tipo de dieta (Tabela 2) pode reduzir em 14% o desenvolvimento de hipertensão2,10. Os benefícios sobre a PA associam-se ao alto consumo de potássio, magnésio e cálcio. A dieta DASH ainda potencializa o efeito de orientações nutricionais para emagrecimento, reduzindo também biomarcadores de risco cardiovascular 10.

Assim, é de suma importância a atuação de uma equipe multiprofissional com o intuito de prevenir doenças, orientar e promover mudanças de estilo de vida e hábitos alimentares. Essa equipe pode ser constituída pelos diversos profissionais que lidam com pacientes hipertensos incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, professores de educação física, musicoterapeutas, farmacêuticos, educadores, comunicadores, funcionários administrativos e agentes comunitários de saúde10.


Tabela 1 - Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual no consultório (> 18 anos)











* Associar abandono do tabagismo para reduzir o risco cardiovascular. ** Pode haver efeito aditivo para algumas das medidas adotadas (Fonte: VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, 2010)


Tabela 2 - Orientações Nutricionais, Alterações de estilo de vida e Redução Aproximada da Pressão Arterial Sistólica
*

  















* Pressão normal-alta ou pré-hipertensão são termos que se equivalem na literatura. (Fonte: VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, 2010)

Referências:

1. Cesarino CB, Cipullo JP, Martin JFV, Ciorlia LA, Godoy MRP, Cordeiro JA, Rodrigues IC. Prevalência e fatores sociodemográficos em hipertensos de São José do Rio Preto. Arq Bras Card 2008; 91(1): 31-35.
2. Forman JP, Stampfer MJ, Curhan GC. Diet and lifestyle risk factors associated with incident hypertension in women. JAMA 2009; 302(4): 401-411.
3. Lewington S, Clarke R, Qizilbash N, Peto R, Collins R, for the Prospective Studies Collaboration. Age-specific relevance of usual blood pressure to vascular mortality: a meta-analysis of individual data for one million adults in 61 prospective studies. Lancet 2002; 360: 1903-1913.
4. Ministério da Saúde. Inquérito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doenças e agravos não transmissíveis. Brasília; 2003 [citado 2008 dez 01]. Disponível em:http://www.se.gov.br/userfiles/arquivos/216/anexo_15_tabagismo_e_fatores_de_ risco_publicacao_inquerit.pdf
5. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2006: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília (DF): MS; 2007.
6. Rainforth MV, Schneider RH, Nidich SI, Gaylord-King C, Salerno JW, Anderson JW. Stress reduction programs in patients with elevated blood pressure: a systematic review and meta-analysis. Curr Hypertens Rep 2007; 9: 520-528.
7. Rosário TM, Scala LCNS, França GVA, Pereira MRG, Jardim PCBV. Prevalência, controle e tratamento da hipertensão arterial sistêmica em Nobres, MT. Arq Bras Card 2009; 93(6): 672-678.
8. Sacks FM, Svetkey LP, Vollmer WM, Appel LJ, Bray GA, Harsha D, et al. Effects on blood pressure of reduced dietary sodium and the Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) diet. DASH-Sodium Collaborative. Research Group. N Engl J Med 2001; 344: 3-10.
9. Schmidt, Mi et al. Prevalência de diabetes e hipertensão não in baseada Brasil Inquérito de morbidade auto-referida, Brasil, 2006. Rev. Saúde Pública.  2009, 43(2):74-82.
10. Sociedade Brasileira de Cardiologia / Sociedade Brasileira de Hipertensão / Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95 (1 supl.1): 1-51.
11. Spinato, Il; Monteiro, Lz E  Santos, Zmsa. Adesão da pessoa hipertensa ao exercício físico: uma proposta educativa em saúde. Texto contexto - enferm. 2010, 19(2): 256-264.

DIETA, ATIVIDADE FÍSICA E HIPERTENSÃO



AS MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA DEVEM SER A ESTRATÉGIA INICIAL PARA O CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL
















A hipertensão arterial sistêmica (HAS) apresenta elevada prevalência em países desenvolvidos e em desenvolvimento, inclusive no Brasil8, e é fator de risco para doenças cardiovasculares e renais. Seu tratamento farmacológico é efetivo em reduzir a pressão arterial (PA), porém pode ter efeitos adversos em longo prazo e requer supervisão médica contínua.
As mudanças no estilo de vida, incluindo dieta e atividade física, são capazes de promover reduções significativas na PA e apresentam vantagens adicionais: são simples, seguras e influenciam ao mesmo tempo na melhora de comorbidades, como dislipidemia e hiperinsulinemia2.
Constituem, portanto, a estratégia inicial no tratamento para redução da PA6,7.

Uma metanálise de ensaios clínicos aleatorizados demonstrou que a realização de exercícios aeróbicos é capaz de levar a uma redução média da PA sistólica de 4,6 mmHg (IC95% 2,0 - 7,1)4. Este efeito parece ser independente da redução de peso associada com a atividade física.
Em um estudo com indivíduos normotensos seguidos por quatro anos, o aumento do condicionamento físico, que representa a resposta fisiológica à atividade física regular, apresentou associação estatisticamente significante com a redução do risco de desenvolver PA elevada9.

Dentre as abordagens dietéticas, a que apresenta melhor resultado para o manejo da HAS foi proveniente do estudo DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), um ensaio clínico aleatorizado apoiado pelo National Heart, Lung, and Blood Institute que comparou os efeitos de três padrões alimentares: 1) controle; 2) dieta rica em frutas e hortaliças e nos demais aspectos semelhante à controle; 3) dieta DASH, rica em frutas, hortaliças e laticínios magros, com reduzida quantidade de gordura total e saturada e de colesterol.
A quantidade de sódio se manteve constante no estudo (aproximadamente 3 g/dia)1. 
Em comparação à dieta controle, a dieta DASH levou a uma redução média da PA sistólica e diastólica de 5,5 e 3,0 mmHg, respectivamente. Considerando apenas os hipertensos, a dieta DASH reduziu a PA sistólica em 11,4 mmHg e a diastólica em 5,5 a mais do que a dieta controle; estas diferenças foram estatisticamente significantes1.
As evidências positivas provenientes de estudos com dieta ou atividade física incentivaram a condução de estudos que combinaram as duas intervenções a fim de verificar se haveria efeito sinérgico.
Blumenthal et al. (2010)3 realizaram um ensaio clínico com o objetivo de comparar a dieta DASH isolada ou combinada com programa de exercícios supervisionados visando a perda de peso, tendo como controles indivíduos seguindo sua dieta habitual e sem realizar atividade física.
Os participantes (n=144) tinham sobrepeso ou obesidade e apresentavam pré-hipertensão ou hipertensão estágio 1 (PA sistólica 130-159 e PA diastólica 85-99 mmHg). A intervenção durou quatro meses. A magnitude da redução da PA (sistólica/diastólica) foi significativamente maior no grupo dieta DASH combinado a exercícios (16,1/9,9 mmHg) do que nos grupos dieta DASH (11,2/7,5 mmHg) e controle (3,4/3,8 mmHg).
Observou-se também melhora significativa nos parâmetros velocidade de onda de pulso (indicador da rigidez arterial), sensibilidade barorreflexa e massa do ventrículo esquerdo3. Edwards et al. (2011)5, dividiram 52 indivíduos sedentários com PA elevada em três grupos: 1) exercícios físicos; 2) exercícios + dieta DASH; 3) controle. A duração da intervenção foi de três meses. Utilizou-se como parâmetro a taxa de recuperação da frequência cardíaca, para verificar se as intervenções seriam capazes de interferir no desequilíbrio entre as atividades do sistema nervoso autônomo simpático (SNS) e parassimpático (SNP), que ocorre na HAS.
Os resultados demonstraram um aumento significativo na recuperação da frequência cardíaca nos grupos exercícios e exercícios + DASH, evidenciando a melhora da função do SNP, além de redução estatisticamente significante na PA, enquanto que no grupo controle não houve alteração.
Conclui-se que a mudança no estilo de vida, quer seja por meio de dieta ou atividade física, é indispensável no tratamento da HAS. Ainda não se dispõe de dados suficientes na literatura para atestar a superioridade de uma abordagem sobre a outra. 
Subtende-se que quando associadas o efeito sobre a redução da PA é maior, porém mais estudos precisam ser realizados para confirmar esta suposição, bem como para explorar outros mecanismos pelos quais a dieta e a atividade física poderiam influenciar na diminuição da PA, como por exemplo, a modulação da inflamação5.


Referências:

1) Appel LJ, Moore TJ, et al. A clinical trial of the effects of dietary patterns on blood pressure. DASH Collaborative Research Group. Engl J Med 1997; 336(16): 1117-1124.
2) Bacon SL, Sherwood A, et al. Effects of exercise, diet and weight loss on high blood pressure. Sports Med 2004; 34(5): 307-316.
3) Blumenthal JA, Babyak MA, et al. Effects of the DASH diet alone and in combination with exercise and weight loss on blood pressure and cardiovascular biomarkers in men and women with high blood pressure: the ENCORE study. Arch Intern Med 2010; 170(2): 126-135.
4) Dickinson HO, Mason JM, et al. Lifestyle interventions to reduce raised blood pressure: a systematic review of randomized controlled trials. J Hypertens 2006; 24(2): 215-233.
5) Edwards KM, Wilson KL, et al. Effects on blood pressure and autonomic nervous system function of a 12-week exercise or exercise plus DASH-diet intervention in individuals with elevated blood pressure. Acta Physiol (Oxf) 2011; 203(3): 343-350.
6) Frisoli TM, Schmieder RE, et al. Beyond salt: lifestyle modifications and blood pressure. Eur Heart J 2011; 32(24): 3081-3087. 
7) Joint National Committee on Prevention, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure. The Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure. Bethesda, MD: US Dept of Health and Human Services; 2004.
8) Passos VMA, Assis TD, Barreto SM. Hipertensão arterial no Brasil: estimativa de prevalência a partir de estudos de base populacional. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2006; 15(1): 35-45.
9) Whelton SP, Chin A, et al. Effect of aerobic exercise on blood pressure: a meta-analysis of randomized, controlled trials. Ann Intern Med 2002; 136(7): 493-503.

EFEITO DA PROTEÍNA DE SOJA NA PRESSÃO ARTERIAL



AMINOÁCIDOS DA SOJA, COMO ARGININA E CISTEÍNA, TÊM AÇÃO ANTI-HIPERTENSIVA















A hipertensão é uma doença de alta prevalência tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, e por aumentar de forma significativa o risco de mortalidade cardiovascular há necessidade de atenção para sua prevenção e controle3. Tem-se observado um aumento crescente nas pesquisas que investigam o efeito da ingestão de nutrientes sobre a pressão arterial (PA), especialmente proteínas1. Pesquisas demonstraram que pessoas que seguem alguns padrões alimentares, como o vegetarianismo, e algumas populações específicas, como a asiática, apresentam menor prevalência de hipertensão. Como estes grupos têm em comum o alto consumo de proteínas vegetais, especialmente de soja, trabalhos começaram a investigar a relação entre soja e PA7.

Em estudos observacionais, verificou-se associação inversa entre consumo de proteína de soja e PA. No Shanghai Women’s Health Study, uma coorte chinesa, mulheres de 40-70 anos com ingestão de ≥ 25 g de proteína de soja/dia apresentavam PA sistólica 1,9 mmHg e PA diastólica 0,9 mmHg menores do que as que consumiam menos de 2,5 g de proteína de soja/dia9. As evidências provenientes de ensaios clínicos randomizados são sensivelmente mais controversas. Alguns trabalhos mostraram que a suplementação da dieta com proteína de soja (25-40 g/dia) é capaz de reduzir significativamente a PA, tanto em indivíduos normotensos como hipertensos4,8, enquanto em outros estudos, como o de Teede et al. (2006)6 realizado com adultos hipertensos, não foi observado efeito sobre a PA.

Para esclarecer esta controvérsia, Dong et al. (2011)3 conduziram uma metanálise incluindo 27 ensaios clínicos que compararam dietas enriquecidas com proteína de soja com dietas controle. Os resultados mostraram redução estatisticamente significante de 2,2 mmHg na PA sistólica e de 1,4 mmHg na PA diastólica quando eram seguidas dietas com proteína de soja (média de 30 g/dia). O efeito positivo foi observado em indivíduos normotensos e hipertensos, nestes últimos de maneira ainda mais pronunciada. Ainda, o efeito do tratamento foi maior em estudos que utilizaram dietas contendo carboidratos como controle.

Alguns mecanismos são propostos para explicar o benefício da proteína de soja sobre a PA. A soja apresenta maior conteúdo de arginina, glicina e cisteína do que outras proteínas, as quais são capazes de atenuar as respostas metabólicas associadas à hipertensão7. Estes aminoácidos melhoram a resistência à insulina e o metabolismo da glicose e diminuem o estresse oxidativo e a formação de produtos finais de glicação avançada, substâncias formadas durante o estresse oxidativo ou hiperglicemia que modificam proteínas ou lipídeos, levando à produção de citocinas inflamatórias e prejuízo à função vascular, dentre outras ações deletérias2,7. A arginina serve como substrato para a produção de óxido nítrico (NO), o qual influencia a PA por agir sobre o tônus vascular. Além disso, ela inibe a enzima conversora de angiotensina (ECA), diminuindo a produção de angiotensina II e sua cascata de efeitos que aumenta a PA7.

Assim, a literatura demonstra os efeitos positivos do consumo de proteína de soja sobre a PA, em virtude dos efeitos anti-hipertensivos de seus aminoácidos. Os pacientes hipertensos podem ser encorajados a consumir ≥ 25g de proteína de soja/dia (grãos, tofu, proteína texturizada, bebidas à base de soja), além de adotarem outras medidas de estilo de vida, como diminuição da ingestão de sódio, aumento do consumo de frutas e hortaliças, prática de atividade física regular, controle do estresse psicossocial e cessação do tabagismo5.



Referências:

1) Altorf-van der Kuil W, Engberink MF, Brink EJ, et al. Dietary protein and blood pressure: a systematic review. PLoS One. 2010 Aug 11;5(8):e12102.

2) Barbosa JHP, Oliveira SL, Tojal e Seara L. O Papel dos Produtos Finais da Glicação Avançada (AGEs) no Desencadeamento das Complicações Vasculares do Diabetes. Arq Bras Endocrinol Metab 2008; 52(6): 940-950.

3) Dong JY, Tong X, Wu ZW, et al. Effect of soya protein on blood pressure: a meta-analysis of randomised controlled trials. Br J Nutr 2011; 106(3): 317-326.

4) He J, Gu D, Wu X, et al. Effect of soybean protein on blood pressure: a randomized, controlled trial. Ann Intern Med 2005; 143(1): 1-9.

5) Sociedade Brasileira de Cardiologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95(1 supl.1): 1-51.

6) Teede HJ, Giannopoulos D, Dalais FS, et al. Randomised, controlled, cross-over trial of soy protein with isoflavones on blood pressure and arterial function in hypertensive subjects. J Am Coll Nutr 2006; 25(6): 533-540.

7) Vasdev S, Stuckless J. Antihypertensive effects of dietary protein and its mechanism. Int J Angiol 2010; 19(1): e7-e20.

8) Welty FK, Lee KS, Lew NS, et al. Effect of soy nuts on blood pressure and lipid levels in hypertensive, prehypertensive, and normotensive postmenopausal women. Arch Intern Med 2007; 167(10): 1060-1067.

9) Yang G, Shu XO, Jin F, et al. Longitudinal study of soy food intake and blood pressure among middle-aged and elderly Chinese women. Am J Clin Nutr 2005; 81(5): 1012-1017.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Suco de beterraba reduz a pressão arterial



  • Líquido gera efeitos poucas horas após ser ingerido. Segredo está no nitrato, que relaxa e dilata os vasos sanguíneos.


Suco reduz a pressõa arterial
Foto: Letícia Pontual/02-02-2010
Suco reduz a pressõa arterial Letícia Pontual/02-02-2010
RIO - Um copo de suco de beterraba pode ter impacto imediato na redução da pressão arterial. É o que mostra estudo do Instituto de Diabetes e Coração Baker, em Melbourne, na Austrália.
O líquido pode causar efeito poucas horas depois de bebido. O suco reduz a pressão arterial sistólica (o maior valor verificado durante a aferição de pressão) em uma média de 5 pontos entre grupos de pessoas saudáveis. Segundo os pesquisadores, a queda pode parecer pequena, mas pode equivaler a uma redução de 10% no número de mortes devido a problemas cardíacos.
— É possível gerar um efeito em uma dose única — conta o pesquisador Leah Coles, um dos autores do estudo.
No estudo, 15 homens e 15 mulheres beberam aproximadamente 500 gramas de suco de beterraba, sendo três quartos da bebida em si e o resto de suco de maçã, e passaram a ser monitorados por 24 horas. O mesmo procedimento foi repetido duas semanas mais tarde, com a ordem invertida.
Nos dois gêneros, os resultados mostraram tendência a baixar a pressão arterial sistólica seis horas após terem bebido o suco de beterraba. Quando os pesquisadores limitaram a análise aos homens, porém, encontraram uma redução significativa de aproximadamente 4,7 pontos. Outros estudos já haviam mostrado que a queda pode não ser tão forte em mulheres.
De acordo com os autores do trabalho, a alta concentração de nitratos na beterraba é a responsável pelos benefícios. Em um processo biológico, os sais, presentes em fontes alimentares como beterrabas e vegetais de folhas verdes, são convertidos em óxido nítrico dentro do corpo. O elemento, então, relaxa os vasos sanguíneos e depois os dilata, o que ajuda a melhorar o fluxo do sangue e, consequentemente, reduz a pressão arterial.
Segundo Coles, o fato pode ser explicado pelo fato de que as mulheres no estudos usavam medicamentos de prescrição, como contraceptivos orais.
Estudos anteriores haviam demonstrado que o suco de beterraba pode baixar a pressão arterial em laboratórios. Esta é a primeira vez, porém, que os efeitos em pessoas saudáveis são observados, sem que esta passe por alguma mudança na rotina.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Suco de beterraba reduz a pressão arterial



  • Líquido gera efeitos poucas horas após ser ingerido. Segredo está no nitrato, que relaxa e dilata os vasos sanguíneos


Suco reduz a pressõa arterial
Foto: Letícia Pontual/02-02-2010
Suco reduz a pressõa arterial Letícia Pontual/02-02-2010
RIO - Um copo de suco de beterraba pode ter impacto imediato na redução da pressão arterial. É o que mostra estudo do Instituto de Diabetes e Coração Baker, em Melbourne, na Austrália.
O líquido pode causar efeito poucas horas depois de bebido. O suco reduz a pressão arterial sistólica (o maior valor verificado durante a aferição de pressão) em uma média de 5 pontos entre grupos de pessoas saudáveis. Segundo os pesquisadores, a queda pode parecer pequena, mas pode equivaler a uma redução de 10% no número de mortes devido a problemas cardíacos.
— É possível gerar um efeito em uma dose única — conta o pesquisador Leah Coles, um dos autores do estudo.
No estudo, 15 homens e 15 mulheres beberam aproximadamente 500 gramas de suco de beterraba, sendo três quartos da bebida em si e o resto de suco de maçã, e passaram a ser monitorados por 24 horas. O mesmo procedimento foi repetido duas semanas mais tarde, com a ordem invertida.
Nos dois gêneros, os resultados mostraram tendência a baixar a pressão arterial sistólica seis horas após terem bebido o suco de beterraba. Quando os pesquisadores limitaram a análise aos homens, porém, encontraram uma redução significativa de aproximadamente 4,7 pontos. Outros estudos já haviam mostrado que a queda pode não ser tão forte em mulheres.
De acordo com os autores do trabalho, a alta concentração de nitratos na beterraba é a responsável pelos benefícios. Em um processo biológico, os sais, presentes em fontes alimentares como beterrabas e vegetais de folhas verdes, são convertidos em óxido nítrico dentro do corpo. O elemento, então, relaxa os vasos sanguíneos e depois os dilata, o que ajuda a melhorar o fluxo do sangue e, consequentemente, reduz a pressão arterial.
Segundo Coles, o fato pode ser explicado pelo fato de que as mulheres no estudos usavam medicamentos de prescrição, como contraceptivos orais.
Estudos anteriores haviam demonstrado que o suco de beterraba pode baixar a pressão arterial em laboratórios. Esta é a primeira vez, porém, que os efeitos em pessoas saudáveis são observados, sem que esta passe por alguma mudança na rotina.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Soja e uva passa ajudam a prevenir e melhorar hipertensão

Segundo trabalhos apresentados em congresso nos Estados Unidos, poucas quantidades dos alimentos ao dia já beneficiam a pressão arterial

Soja recupera células danificadas do coração
Soja: pesquisa mostrou que alimento é capaz proteger o corpo contra hipertensão (Thinkstock)
A  soja e a uva passa são capazes de prevenir e reduzir a pressão arterial elevada, de acordo com dois novos estudos apresentados neste domingo na 61º Sessão Anual Científica da Agremiação Americana de Cardiologia, em Chicago, Estados Unidos. Os estudos foram feitos no Centro de Pesquisa de Metabolismo e Aterosclerose de Louisville e na Universidade de Columbia.
Uma das pesquisas acompanhou 46 indivíduos que apresentavam um aumento discreto da pressão sanguínea. Eles foram divididos em grupos de acordo com a dieta que lhes foi recomendada. As pessoas que comiam três punhados de uvas passas ao dia, em comparação com aquelas que consumiam a mesma quantidade de biscoitos, demonstraram queda significativa na pressão arterial após um período de 12 semanas.
Os pesquisadores não souberam definir como as passas agem no organismo, mas acreditam que isso se deva aos altos níveis de potássio, nutriente que é conhecido por diminuir a pressão do sangue. "As passas também são boas fontes de fibra dietética e de antioxidantes, que podem alterar positivamente a bioquímica dos vasos sanguíneos, fazendo com que eles se tornem menos rígidos, reduzindo, assim, a pressão arterial”, afirma Harold Bays, coordenador do estudo. De acordo com o especialista, uma porção de 60 uvas passas contém um grama de fibras e 212 miligramas de potássio.
Grão saudável — O outro trabalho acompanhou os participantes desde 1985 e se baseou em hábitos e incidências de problemas de hipertensão dos pacientes ao longo dos anos. As conclusões desse levantamento demonstraram que pessoas que consumiam 2,5 miligramas ou mais por dia de isoflavonas, um componente essencial na soja que contribui para a dilatação dos vassos sanguíneos e para a melhora de pressão do sangue, tiveram significativa redução na pressão arterial em comparação com aquelas que ingeriam menos de 0,33 miligramas do alimento.
De acordo com os pesquisadores, não é difícil alcançar níveis saudáveis de ingestão desse composto diariamente: somente um copo de leite de soja contém 22 miligramas de isoflavonas. Eles explicam que o consumo de soja pode ser um caminho para quem tem pressão arterial um pouco elevada. "Deixar de tomar medicamentos somente por meio de mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida é algo emocionante, especialmente considerando dados recentes que estimam que apenas cerca de um terço dos hipertensos americanos têm a sua pressão arterial sob controle", diz Safiya Richardson, que participou do estudo.

domingo, 25 de novembro de 2012

Entenda o que é pressão arterial, os fatores de risco e as recomendações



Causas genéticas respondem por até 95% dos casos de hipertensão. Ingestão de sal, obesidade e falta de atividades físicas aumentam problema.


 A pressão arterial é a pressão exercida pelo sangue dentro dos vasos sanguíneos, com a força proveniente dos batimentos cardíacos. Quanto mais sangue for bombeado do coração por minuto, maior será esse valor, que tem dois números: um máximo, ou sistólico, e um mínimo, ou diastólico. O primeiro se refere à força de bombeamento do coração e o segundo, à pressão dos vasos sanguíneos periféricos (braços, pernas e abdome).

A pressão não é fixa e pode variar instantaneamente, dependendo do estado da pessoa no momento (se está em repouso, em atividade, nervosa ou falando alto, por exemplo). O valor é considerado normal quando o máximo atinge até 120 mmHg ou, popularmente, 12, e o mínimo fica na faixa de 80 mmHg, ou 8. É a almejada pressão 12/8.
Pressão arterial (Foto: Arte/G1)
Abaixo de 9/5, a pressão é considerada baixa, e não se trata de uma doença, mas pode causar mal estar, com tonturas, náuseas ou desmaios. Acima de 13,5/8,5, os valores já são considerados altos. Para alguém ser diagnosticado com hipertensão arterial, precisa ter a pressão medida em estado de repouso, deitado ou sentado, em ambiente calmo e repetir o resultado por mais duas vezes, três minutos após a avaliação anterior. O ideal é que essa confirmação também seja feita em outras ocasiões, para um resultado mais preciso.
A medição deve ser feita preferencialmente no consultório médico, por um cardiologista ou clínico geral. Na impossibilidade disso, é indicado um profissional de saúde capacitado. O paciente também pode fazer a aferição em casa, desde que saiba usar o aparelho (analógico ou digital). Recomenda-se que a pessoa esteja sentada, com o braço semidobrado em cima de uma mesa, cuja altura deve ficar acima do diafragma do indivíduo. É importante saber fazer essa verificação, para não ter uma falsa pressão alta.
Fatores de risco e medicação
Causas genéticas e familiares respondem por 95% da predisposição para pressão alta, potencializada pelo consumo de sal, gordura e alimentos industrializados, pela obesidade e pela falta de atividades físicas. As mulheres são mais diagnosticadas que os homens, que por sua vez costumam resistir a ir ao médico e tomar remédios. O sexo feminino morre mais de acidente vascular cerebral (AVC) em decorrência da hipertensão, enquanto eles apresentam mais infartos.
Na população adulta brasileira acima de 35 anos, de 20% a 30% têm pressão alta. Entre os idosos com mais de 60 anos, esse índice chega a 50% ou 60%. A maioria das pessoas desenvolve a doença depois dos 25 anos, mas há 3% dos casos entre crianças e adolescentes – motivados principalmente pelos hábitos da vida moderna.
O medicamento contra hipertensão é indicado para pacientes com problema crônico, ou seja, aquele que se estende por um longo período e independe do estado momentâneo da pessoa. Dependendo do caso, como em indivíduos com pressão diastólica mínima de 12, são prescritos até quatro remédios diferentes.
A medicação deve ser individualizada e é recomendada considerando-se fatores como sexo, idade e atividade física. Muitos hipertensos são resistentes a tomar remédio pela ausência, em até metade dos casos, de sintomas, e também pelo fato de alguns comprimidos causarem efeitos colaterais, como a redução da potência sexual entre homens em casos extremos. Segundo uma pesquisa internacional citada pelo cardiologista Nabil Ghorayeb, do Instituto Dante Pazzanese e do Hospital do Coração, as pessoas fazem uso correto dos medicamentos apenas nos primeiros três meses. Ao final de um ano, só 15% a 20% dão continuidade ao tratamento.
Recomendações
O Ministério da Saúde recomenda que as pessoas consumam no máximo 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colher de chá. A média de ingestão do brasileiro é de 10 a 14 gramas diários. Para saber a quantidade de sal em um alimento, basta multiplicar o valor de sódio no rótulo de um alimento por 2,5. Por exemplo: um produto com 500 mg de sódio tem 1,25 g de sal.
No ano passado, a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançou a campanha “Eu sou 12 por 8" para reduzir o consumo de sal entre a população, com foco em cantinas escolares e produtos industrializados. Estima-se que, se a indústria cortar 20% da concentração de sódio nos alimentos, o número de brasileiros hipertensos cairá cerca de 50%. Por isso, deve-se diminuir a ingestão de enlatados, conservas, temperos como molho shoyu, ketchup e picles, e comida pronta em geral. Para os hipertensos, é indicado ainda eliminar o consumo de bebidas isotônicas e energéticas.
O álcool também influencia na pressão arterial. O limite máximo permitido para que a bebida não cause danos à pressão é de uma dose diária (uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de uísque) para o homem e meia dose para a mulher. Mas, apesar da falta de risco cardiovascular, esse volume já pode ser suficiente para causar dependência.
Por fim, é importante fazer atividade física regularmente, de preferência quatro vezes por semana, durante uma hora cada (15 minutos de aquecimento, 30 minutos de exercício e mais 15 de desaquecimento). As atividades aeróbicas são as mais recomendadas, como caminhar, correr, nadar e andar de bicicleta, pois produzem substâncias que ajudam a controlar a pressão de 12h a 24h após os exercícios.
Os hipertensos devem cuidar com a musculação, pois, quando feita sem controle, pode desencadear o efeito contrário. Fortalecimento muscular também é eficaz duas vezes por semana, durante 30 minutos. Ultrapassar esses limites não trarão benefícios, apenas lesões.
 

sábado, 13 de outubro de 2012

Maioria dos hipertensos não consegue mudar dieta para controlar doença



Por AE
São Paulo - Apenas 13% dos hipertensos sob tratamento consomem sal na quantidade ideal para controlar a doença, diz uma nova pesquisa feita pelo Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP). Os dados fazem parte da campanha de conscientização para a população, que acontece nesta quinta, 26, Dia Nacional de Combate à Hipertensão.

Desenvolvido entre 2009 e 2011, com uma população de 949 pacientes em tratamento para hipertensão arterial ou para insuficiência cardíaca no Instituto, o estudo não deixa dúvida sobre a dificuldade do paciente com pressão alta em mudar seus hábitos alimentares, mesmo quando isso é fundamental para a manutenção de sua saúde.

Para compilar os dados, foi usada uma fonte de dados que torna impossível camuflar as evidências do consumo excessivo de sal: a urina coletada ao longo de um dia. Mesmo nessa população que tem acesso a informação e a tratamento qualificados, apenas 13,5% dos pacientes atingiram a meta de consumo de sódio preconizada pela comunidade médica internacional, que é de <100 mEq/24h (menos que cem mili-equivalentes de sódio por dia) ou cinco gramas de sal, que preenchem três colheres rasas de café.

Os dados são alarmantes, diz o Dr. Luiz Bortolotto, cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Hipertensão, "já que a pressão alta, mal que acomete um terço da população brasileira, é a origem de 40% dos infartos, 80% dos acidentes vascular cerebral (AVC) e 25% dos casos de insuficiência renal terminal" - veja mais dados abaixo.

Os pesquisadores analisaram ao longo de 24 horas os níveis de concentração de sódio na urina dessas pessoas que foi, em média de 185/183 mEq/24 horas (cento e oitenta e cinco a cento e oitenta e três mili-equivalentes de sódio por dia), quase o dobro dos valores de consumo de sódio recomendados (<100 mEq/24h).

Na visão de Bortolotto, o resultado reforça a tese cada vez mais defendida pela comunidade médica de que somente o trabalho multiprofissional poderá aumentar o sucesso do paciente hipertenso na mudança de hábitos de vida visando o controle da doença. A ação integrada de médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos junto ao paciente tem dois efeitos importantes, diz o médico: "Acolhem-no em sua dificuldade de mudança de hábitos de vida, que é natural, e reforçam a mensagem de que tal mudança não é apenas fundamental para a sua saúde, mas é totalmente possível".

As principais mudanças são simples de serem implementadas no dia a dia. "São apenas três passos: usar menos sal no preparo da comida e, se possível, raramente ou nenhum alimento processado. Além disso, seguindo a mesma lógica, o saleiro deve ser banido da mesa de refeição".

Doença arterial coronariana pode passar de pai para filho, diz estudo



Pesquisa observou que 90% dos homens analisados tinham cromossomo de um grupo que apresenta maior risco de desenvolver problema

Devido ao bloqueio auriculoventricular, o coração da criança espanhola tinha uma frequência muito inferior à normal
Problemas cardíacos: doença coronariana pode ser, na maioria das vezes, passada de pai para filho (Thinkstock)
De acordo com um novo estudo desenvolvido na Universidade de Leicester, na Inglaterra, é possível que a doença arterial coronariana seja transmitida de pai para filho por meio do cromossomo Y. A pesquisa levou quatro anos para ser concluída e foi publicada nesta quinta-feira no periódico médico Lancet.

Saiba mais

DOENÇA CORONARIANA
Também chamada de coronariopatia, é uma frequente doença cardiovascular na qual o transporte que leva o sangue ao músculo cardíaco está bloqueado parcial ou completamente. É provocada pelo depósito de colesterol e outras gorduras nas paredes das artérias coronárias. Embora atinja os dois sexos, acomete os homens em geral dez anos mais cedo e, geralmente, acomete as mulheres após a menopausa. Idade avançada, pertencer ao sexo masculino, e ter histórico familiar na doença na família são alguns dos fatores de risco do problema, que também envolvem hábitos de vida, como tabagismo, má alimentação, sedentarismo e obesidade.
De acordo com os pesquisadores, a grande novidade do estudo é o fato de o cromossomo Y aparentemente desempenhar um papel na herança do sistema cardiovascular além do que é tradicionalmente percebido em relação ao sexo masculino.
Os pesquisadores analisaram o DNA de mais de 3.000 homens cadastrados na Fundação Britânica do Coração e no Estudo de Prevenção Coronária do Oeste da Escócia. Eles descobriram que 90% dos cromossomos Y dessas pessoas pertenciam a um dos dois principais grupos que classificam os cromossomos, o Haplogrupo I. Este grupo, em relação ao Haplogrupo R1b1b2, apresentou um risco 50% maior de doença arterial coronariana. Os riscos, de acordo com a pesquisa, independem de outros fatores tradicionais para o problema, como colesterol, pressão alta e tabagismo.
"Estamos muito entusiasmados com esses resultados, já que eles colocam o cromossomo Y no mapa da suscetibilidade genética à doença arterial coronariana. Agora, queremos aprofundar a análise desse cromossomo para encontrarmos genes específicos e suas variantes que são responsáveis pela relação com a doença”, afirma o coordenador do estudo e professor do Departamento de Ciências Cardiovasculares da Universidade de Leicester, Maciej Tomaszewski.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Hipertensão atinge 1 em cada 3 adultos em todo mundo.



Já um em cada dez pessoas sofre de diabete, informa relatório da OMS

homem-pressao-alta-hipertensao
Hipertensão é mal que já afeta 1/3 da população mundial (ThinkStock)
Um em cada três adultos em todo o mundo sofre de hipertensão, revela um relatório anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta quarta-feira. Já um em cada dez sofre de diabetes, informa o documento. "Este relatório oferece mais uma evidência do dramático aumento das condições que desencadeiam doenças de coração e outras doenças crônicas, particularmente nos países pobres e em desenvolvimento", disse a diretora geral da OMS, Margaret Chan.
Margaret ressaltou que é preocupante o fatio de que, em alguns países africanos, metade da população adulta sofre de hipertensão. Justamente por isso a OMS quer chamar a atenção para "o  crescente impacto das doenças não contagiosas". Pela primeira vez o estudo estatístico inclui informação de 194 países sobre os altos níveis, em homens e mulheres, de pressão sanguínea e da taxa de glicose no sangue. O relatório informa que os diagnósticos e os tratamentos baratos destas doenças reduziram o problema nos países desenvolvidos.
Clique nas perguntas abaixo para saber mais sobre a hipertensão:

A terceira grande preocupação é o excesso de peso, já que em todas as regiões do mundo, o número de obesos dobrou entre 1980 e 2008, informou Ties Boerma, diretor do Departamento de Estatísticas Sanitárias e Sistemas da Informação da OMS. "Hoje, cerca de 500 milhões de pessoas (12% da população mundial) são consideradas obesas", segundo Boerma.A preocupação da organização é que, em lugares como a África, onde não são aplicadas estas medidas preventivas, a maior parte das pessoas com estas doenças não sabem que correm risco de vida em decorrência de um ataque no cardíaco ou um derrame. O relatório incluiu pela primeira vez dados sobre o diabetes. A OMS lembra que, se não for tratado, o problema pode causar doenças cardiovasculares, cegueira e falha renal.
O nível mais alto de obesidade foi registrado na região das Américas (26% dos adultos) e o mais baixo no Sudeste Asiático (3% dos adultos), sendo maior a proporção de mulheres obesas que a de homens, com o impacto que isto representa quanto ao risco de diabetes, problemas de coração e câncer. A conclusão é que as doenças não contagiosas são atualmente a causa de dois terços das mortes no mundo, e por isso a OMS trabalha em um marco de acompanhamento e uma série de metas voluntárias para prevenir e controlar o problema.
O relatório será um dos assuntos abordados na próxima Assembleia Mundial sobre a Saúde da OMS em Genebra (entre os dias 21 e 26 de maio), que também informará os avanços conquistados. Segundo a OMS, desde que há mais de uma década se estabeleceram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU, "foi possível um progresso substancial na redução da mortalidade infantil e maternal, em relação ao HIV, à tuberculose e à malária".
A desnutrição infantil é a causa subjacente de aproximadamente 35% das mortes de crianças menores de cinco anos, embora no caso dos países em desenvolvimento tenha sido detectada certa melhora: entre 1990 e 2010 a proporção de crianças dessas idades que apresentavam peso abaixo do recomendável passou de 29% para 18%. Já a mortalidade entre menores de cinco anos nas últimas duas décadas reduziu 35% de 88 mortes para cada mil nascidos vivos em 1990 (um total de 10 milhões de crianças) até 57 para cada mil (7,6 milhões) em 2010. "As reduções foram particularmente impactantes nas mortes por diarréias e por sarampo", destacou a organização.
Especialmente significativo é o dado sobre a África, onde acontece metade das mortes de menores de cinco anos, já que a taxa de redução passou de 1,5% (1990-2010) para 2,8% (2005-2010). O dado de redução é grande também no que se refere ao número de mortes maternais (de 543.000 em 1990 para 287.000 em 2010), mas a OMS indica que "a taxa de redução é apenas a metade do necessário para conseguir o objetivo relevante dos ODM".