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sábado, 26 de janeiro de 2013

Mulheres que param de fumar antes dos 30 anos reduzem risco de morte prematura em até 97%



Estudo que envolveu mais de 1 milhão de mulheres no Reino Unido também revelou que há uma perda de 11 anos na expectativa de vida para fumantes na casa dos 70 e dos 80 anos

Tabagismo
Abandonar o cigarro até os 30 anos diminui o risco de mortalidade prematura em 97%, aponta estudo britânico(Thinkstock)
As mulheres que abandonam o cigarro antes dos 30 anos de idade tem o risco de morte prematura por doenças causadas pelo cigarro reduzido em 97%. Quanto mais tarde a mulher deixava de fumar, no entanto, menor é a taxa de reversão. Os resultados fazem parte de uma extensa pesquisa realizada por mais de uma década com 1,3 milhão de mulheres no Reino Unido, conhecida por Million Woman Study. Publicado no periódico médico The Lancet, o estudo coincide com o centenário de Richard Doll (1912-2005), um dos primeiros cientistas a identificar a ligação entre câncer de pulmão e o tabagismo.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The 21st century hazards of smoking and benefits of stopping: a prospective study of one million women in the UK

Onde foi divulgada: The Lancet

Quem fez: Kirstin Pirie, Richard Peto, Gillian K Reeves, Jane Green, Valerie Beral

Instituição: Million Woman Study

Dados de amostragem: 1,3 milhão de mulheres que tinham de 50 a 65 anos na época do início do acompanhamento

Resultado: Os resultados da pesquisa mostraram que mulheres que abandonam o cigarro até os 30 anos reduzem o risco de morte prematura em 97%. O estudo mostrou que 2/3 das mortes de mulheres fumantes foram ocasionados por doenças relacionadas ao tabaco.
Entre 1996 e 2001, o Million Woman Study, projeto colaborativo do Cancer Research UK e do Serviço de Saúde Nacional (NHS, na sigla em inglês), reuniu 1,3 milhão de mulheres que tinham entre 50 e 65 anos na época do ingresso no estudo. Inicialmente, 20% das mulheres fumavam, 28% tinham abandonado o cigarro e 52% não eram fumantes. Cada uma foi acompanhada por um período de 12 anos.
Quando um primeiro recenseamento foi realizado, três anos após o início da pesquisa, constatou-se que as fumantes tinham quase três vezes mais chances de morrer nos nove anos seguintes comparadas às não fumantes. Isso significa que dois terços de todas as mortes de mulheres fumantes na casa dos 50 aos 70 anos são ocasionados por males relacionados ao tabagismo, como câncer de pulmão, enfermidades pulmonares crônicas, doenças do coração ou derrame cerebral. Ao longo do levantamento, 66.000 participantes morreram. Nestes casos, o NHS informava os pesquisadores a causa da morte.
Apesar de o risco de morte estar relacionado com a quantidade de cigarros consumidos por cada pessoa, o MiIlion Woman Study mostrou que mesmo as mulheres que fumavam menos de 10 cigarros por dia tiveram uma mortalidade duas vezes mais alta em comparação com as não fumantes.
Efeitos reversivos – Outro resultado do estudo mostrou que há uma perda de 11 anos na expectativa de vida entre as mulheres fumantes na casa dos 70 e dos 80 anos.
Richard Peto, professor da Universidade de Oxford e co-autor da pesquisa, afirmou que as mulheres que abandonam o cigarro ganham, em média, 10 anos a mais de vida. Segundo Peto, o Million Woman Study permitiu que pela primeira vez fossem observados diretamente a relação do tabagismo prolongado com a mortalidade prematura de mulheres. Isso porque "tanto no Reino Unido quanto nos EUA as mulheres que nasceram na década de 40 formaram a primeira geração na qual muitas fumaram um número substancial de cigarros ao longo da vida adulta", disse.

Cigarro pode triplicar o risco de morte súbita cardíaca entre mulheres



A boa notícia é que abandonar o hábito pode reduzir de forma significativa ou até eliminar essa probabilidade

Saúde feminina: Deixar de fumar pode reduzir de forma significativa o risco de morte súbita cardíaca
Saúde feminina: Deixar de fumar pode reduzir de forma significativa o risco de morte súbita cardíaca (Thinkstock)
Fumar pode triplicar o risco de uma mulher sofrer uma morte súbita cardíaca — e quanto mais tempo dura o vício e mais cigarros são consumidos ao dia, maiores são essas chances, concluiu um novo estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. A pesquisa, por outro lado, também mostrou que abandonar o hábito pode reduzir de forma significativa ou até eliminar essa probabilidade.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Smoking, Smoking Cessation and Risk of Sudden Cardiac Death in Women

Onde foi divulgada: revista Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology

Quem fez: Roopinder Sandhu, Monik Jimenez, Stephanie Chiuve, Kathryn Fitzgerald, Stacey Kenfield, Usha Tedrow e Christine Albert

Instituição: Universidade Harvard, Estados Unidos

Dados de amostragem: 101.018 mulheres

Resultado: Cada cinco anos de tabagismo aumenta o risco de morte súbita cardíaca em 8%. Mulheres que fumam há mais de 35 anos têm uma chance 2,5 maior de ter o problema e aquelas que consomem mais do que 25 cigarros ao dia, um risco três vezes maior.
A morte súbita cardíaca ocorre de maneira repentina, geralmente em decorrência de uma arritmia cardíaca, que é uma sequência de batimentos irregulares, ou muito rápidos, ou muito lentos. O problema pode levar a um fraco desempenho do coração e, consequentemente, a uma fraca circulação sanguínea, falta de sangue no cérebro e perda de consciência.
O trabalho, publicado nesta terça-feira no periódico Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology, da Associação Americana do Coração, acompanhou 101.018 mulheres ao longo de trinta anos. Durante esse período, 351 participantes sofreram morte súbita cardíaca. De acordo com os resultados, cada cinco anos de tabagismo eleva em 8% o risco de uma mulher sofrer uma morte súbita cardíaca — aquelas que fumavam há mais de 35 anos foram, no geral, 2,5 vezes mais propensas a apresentar o problema do que as participantes que não fumavam. 
Além disso, mostrou o estudo, as fumantes que consumiam ao menos 25 cigarros por dia tiveram uma chance três vezes maior de ter o problema em relação às não fumantes. Mesmo as mulheres que fumavam menos — até 14 cigarros por dia — também apresentaram um risco duas vezes maior de morte súbita cardíaca.
Doença determinante — A pesquisa ainda mostrou que parar de fumar tem um efeito significativo e imediato na redução desse risco entre mulheres que ainda têm o coração saudável. Abandonar o vício também beneficia aquelas que já sofrem alguma doença cardíaca, mas o efeito positivo leva mais tempo para ocorrer. A mesma redução do risco que ocorre entre mulheres saudáveis cinco anos após abandonarem o cigarro, por exemplo, leva entre 15 e 20 anos para ser observada entre aquelas que já tinham o coração prejudicado quando deixaram o vício.
Para Roopinder Sandhu, pesquisadora do Hospital Brigham and Women, da Universidade Harvard, e coordenadora do estudo, uma possível explicação para isso está no fato de que a nicotina surte efeitos tanto a longo quanto a curto prazo sobre o coração. A substância, por exemplo, age de forma imediata sobre a desregulação dos batimentos cardíacos, mas também prejudica o tecido cardíaco aos poucos, quadro que persiste por muito mais tempo. "O tabagismo é um importante fator de risco modificável para morte súbita cardíaca para mulheres com e sem doença cardíaca. Por isso, as fumantes não devem esperar até o desenvolvimento dessa condição para abandonar o vício”, diz Sandhu.

Fumantes morrem dez anos antes do que o restante da população



Novos estudos mostram ainda que o risco de morte associada ao cigarro, antes maior entre os homens, agora é igual para ambos os sexos

Homem bate cinzas de cigarro em um cinzeiro lotado
Cigarro: Quem fuma vive, em média, uma década a menos do que as outras pessoas, diz estudo (Srdjan Zivulovic/Reuters)
Dois grandes estudos publicados nesta quinta-feira mostraram que homens e mulheres que fumam morrem, em média, dez anos mais cedo do que o restante da população. Além disso, segundo essas pesquisas, a probabilidade de fumantes falecerem por câncer de pulmão ou outras doenças relacionadas ao tabagismo, que antes era maior entre os homens, agora é equivalente para ambos os sexos. Esses trabalhos, feitos por especialistas americanos e canadenses, estão presentes na edição desta semana da revista The New England Journal of Medicine.
Uma dessas pesquisas, coordenada por Prabhat Jha, pesquisador do Centro para Pesquisa em Saúde Global de Toronto, no Canadá, analisou o histórico de 113.752 mulheres e 88.496 homens fumantes ou ex-fumantes que tinham mais do que 25 anos. Foram levados em consideração os registros dos participantes de 1997 a 2004.  Segundo o estudo, o tabagismo tira dez anos de vida de um fumante adulto. No entanto, parte desses anos pode ser recuperada caso o indivíduo abandone o vício: a pesquisa revelou que parar de fumar entre 30 e 40 anos pode devolver até nove anos de vida um fumante. Caso o vício seja abandonado entre 40 e 50 anos de idade, são até seis anos de vida recuperados e, depois dos 65 anos, quatro anos de vida. 
"Parar de fumar antes dos 40 pode devolver todos os anos perdidos com o cigarro. Mas isso não quer dizer que é seguro que uma pessoa fume até essa idade e depois abandone o vício, já que o risco de morte continua sendo maior do que o da população em geral", diz Jha. Os resultados ainda mostraram que fumantes de 25 a 79 anos de idade têm o triplo de chance de morrer do que pessoas da mesma feixa-etária que as suas. Além disso, pessoas que nunca fumaram apresentam o dobro de chance de chegar aos 80 anos de idade do que fumantes.
Igualdade entre sexos — A outra pesquisa divulgada no periódico britânico foi feita pela Sociedade Americana de Câncer. Os pesquisadores avaliaram 2,2 milhões de adultos com mais de 55 anos de idade e também o registro de mortes associadas ao cigarro em três períodos nos últimos 50 anos (de 1959 a 1965; de 1982 a 1988; e de 2000 a 2010). Eles descobriram que, se antes o risco de mortes por doenças associadas ao cigarro era maior entre homens, ele passou a ser igual entre ambos os sexos.
"A partir do momento em que as mulheres passam a fumar como os homens, o risco de morte também se torna igual", diz Michael Thun, coordenador do estudo. De acordo com o pesquisador, o risco de morte por câncer de pulmão entre mulheres fumantes aumentou 23 vezes de 1960 para cá. "É preciso que se passe ao menos 50 anos para que uma epidemia realmente inicie, e nós estamos começando a observar o impacto do aumento do tabagismo no número de doenças e mortes entre mulheres apenas agora", diz o autor.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Parar de fumar diminui ansiedade

Um estudo feito na Inglaterra com fumantes que estavam tentando abandonar o cigarro revelou que os que conseguiram deixar o tabagismo tiveram uma diminuição 'significativa' de seus níveis de ansiedade. A pesquisa, divulgada pela publicação científica British Journal of Psychiatry, acompanhou quase 500 fumantes que frequentam clínicas do sistema público de saúde britânico para parar de fumar. Os 68 dos que tiveram sucesso após seis meses relataram ter sentido uma redução dos seus níveis de ansiedade. A diminuição foi mais intensa entre aqueles que fumavam por transtornos de humor e ansiedade do que entre os que fumavam por prazer. Temor infundado Os pesquisadores - vindos de várias universidades, incluindo Cambridge, Oxford e King's College de Londres - afirmam que os resultados devem ser usados para tranquilizar os fumantes que tentam parar, já que mostram que as preocupações com o aumento dos níveis de ansiedade são infundadas. No entanto, o estudo sugere que uma tentativa frustrada de abandonar o cigarro pode aumentar levemente os níveis de ansiedade entre aqueles que fumam devido a transtornos de humor. Para aqueles que fumaram por prazer, uma recaída não alterou os níveis de ansiedade. O estudo foi publicado dias depois de o governo britânico ter lançado uma nova campanha de publicidade antitabagismo.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Fumar causa danos genéticos minutos após inalação, diz estudo



Cigarro
Cientistas dizem que resultados servem de alerta
Um estudo realizado por cientistas americanos concluiu que a fumaça do cigarro começa a provocar danos genéticos minutos - e não anos - após chegar aos pulmões.
Os pesquisadores envolvidos no estudo de pequeno porte descreveram os resultados como um alerta para pessoas tentadas a começar a fumar.
A pesquisa é a primeira feita em humanos detalhando a forma como certas substâncias presentes no tabaco provocam danos ao DNA associados ao câncer e foi publicada na revista científica Chemical Research in Toxicology.
A publicação, cujos artigos são aprovados por cientistas, é uma entre 38 revistas publicadas pela American Chemical Society.
Danos ao DNA
O cientista Stephen S. Hecht e sua equipe comentam no artigo que o câncer de pulmão mata três mil pessoas por dia, a grande maioria delas, em consequência do fumo.
O fumo também está associado a pelo menos 18 outros tipos de câncer.
Há evidências de que substâncias nocivas presentes na fumaça do cigarro, chamadas hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (ou HPAs), seriam responsáveis pelo câncer de pulmão.
Até hoje, no entanto, os cientistas não tinham informações sobre a forma específica como os HPAs presentes na fumaça do cigarro danificavam o DNA humano.
Como parte do estudo, financiado pelo Instituto Nacional do Câncer, os cientistas adicionaram um HPA específico, o fenantreno, a cigarros, e depois monitoraram o progresso da substância nos organismos de 12 voluntários que fumaram os cigarros.
Substâncias tóxicas
Os cientistas dizem ter verificado que o fenantreno rapidamente formou substâncias tóxicas no sangue dos voluntários, provocando mutações que podem causar câncer.
Os fumantes desenvolveram níveis máximos da substância em um intervalo de tempo que surpreendeu os próprios pesquisadores: entre 15 e 30 minutos após os voluntários terminarem de fumar.
Os pesquisadores disseram que o efeito foi tão rápido que foi equivalente a injetar a substância diretamente na corrente sanguínea.
"Este estudo é único", escreveu Hecht, um renomado especialista em substâncias causadoras do câncer encontradas na fumaça do cigarro e no tabaco sem fumaça.
"Ele é o primeiro a investigar o metabolismo humano de um HPA adquirido por meio de inalação de fumaça de cigarro, sem interferência de outras fontes de exposição como a poluição do ar ou a dieta.
"Os resultados relatados aqui devem servir como um aviso aos que consideram começar a fumar."

Lojas da Inglaterra são obrigadas a tirar cigarros das prateleiras



PA
Medida do governo britânico pretende reduzir tabagismo entre jovens
Lojas e supermercados da Inglaterra são proibidos de expor cigarros e outros produtos derivados do tabaco em prateleiras e vitrines a partir do ano que vem.
A medida tem como objetivo reduzir o tabagismo entre adolescentes e jovens. O banimento começou a valer em abril de 2012 para lojas de grande porte e supermercados. A restrição será estendida a todos os estabelecimentos comerciais em 2015.
De acordo com a lei, as lojas poderão mostrar apenas algumas informações específicas sobre os produtos, como preços. Uma consulta pública deverá ser realizada para decidir sobre a possível adoção de embalagens sem rótulos, texto ou ilustrações para os cigarros.
A nova legislação, que foi elaborada pelo governo trabalhista, que deixou o poder em maio de 2010, foi adotada depois de vários anos de debates. Países como Canadá, Irlanda, Islândia e Finlândia já adotaram restrições semelhantes.
De acordo com a repórter de saúde da BBC Jane Dreaper, autoridades da Escócia já anunciaram que pretendem seguir o cronograma inglês. Também é esperado que País de Gales e Irlanda do Norte adotem as medidas.
Estima-se que um em cada cinco ingleses seja fumante. Segundo o repórter de saúde da BBC News Nick Triggle, esta proporção tem se mantido estável nos últimos anos, depois de uma queda drástica no número de fumantes nas décadas anteriores.
O ministro da Saúde britânico, Andrew Lansley, diz que as restrições fazem parte de uma nova estratégia para tentar impor um ritmo de queda no número de fumantes nos próximos anos.
Elogios e críticas
As novas medidas foram saudadas por entidades ligadas à saúde. Para o grupo antitabagista Ash, há fortes evidências de que tirar os cigarros das prateleiras evitam a formação de novos fumantes - além de proteger ex-dependentes.
"Toda manhã, quando um ex-fumante vai a uma loja comprar um jornal, as empresas de tabaco estão esperando por ele, colocando a sua marca em frente a ele", disse à BBC Martin Dockrell, porta-voz do grupo.
Já os fabricantes de cigarros afirmam que a medida é meramente simbólica. Para eles, a legislação somente vai causar estorvos aos lojistas, sem trazer muitos efeitos práticos.
"Fumantes não compram produtos de tabaco por impulso, eles compram porque já são fumantes", disse à BBC o executivo-chefe da Associação dos Produtores de Tabaco do Reino Unido, Chris Ogden.

Mulheres fumantes tendem a ter mais doenças cardíacas que homens, diz pesquisa



Jovem fumante na Venezuela (Carlos Huerta)
Mulheres correriam mais risco mesmo fumando menos
As mulheres que fumam têm 25% mais chances de sofrer doenças cardíacas do que os homens.
São essas as conclusões de uma pesquisa que utilizou os dados de pouco menos de 2,4 milhões de pessoas com problemas cardíacos, realizada nos EUA por especialistas da Universidade de Minnesota e da Johhs Hopkins University, entre 1966 e 2010.

As mulheres, afirma a pesquisa, ''possivelmente extraem uma maior quantidade de cancerígenos e outros agentes tóxicos a partir da mesma quantidade de cigarros que os homens''.O estudo, publicado na revista médica especializada Lancet, afirma ainda que as mulheres em média fumam menos cigarros por dia do que homens, mas acrescenta que ainda assim elas têm mais chances de sofrer doenças coronárias se deveria a diferenças fisiológicas entre os dois sexos.
A teoria das diferenças fisiológicas, afirmam os analistas envolvidos com a pesquisa, pode ser reforçada, por estudos anteriores que mostraram que as mulheres fumantes têm o dobro do risco de sofrer câncer de pulmão do que homens.
Os pesquisadores afirmam que a diferença no percentual da incidência de doenças coronárias entre homens e mulheres fumantes pode ser ainda maior do que a cifra de 25%, já que em muitos países o hábito de fumar entre mulheres é mais recente do que entre homens.
O documento afirma que fumar é uma das principais causas de doenças coronárias em todo o mundo e ''continuará sendo enquanto populações que até recentemente haviam escapado incólumes da epidemia do fumo passarem a fumar em níveis só vistos anteriormente em países de renda elevada''.
O problema, afirmam os analistas, pode ser ainda mais agravado, já que ''a popularidade do ato de fumar estaria aumentando entre mulheres jovens de países de renda baixa ou média''.
Entre as conclusões presentes na pesquisa está a de que autoridades governamentais devem criar políticas específicas para coibir o vício do fumo entre as mulheres.

Redução de fumo diminui mortalidade dentro de 6 meses, diz estudo




Mulher fumando
Estudo indica que benefícios para saúde pública após restrição ao fumo são mais rápidos do que se pensava
Um estudo britânico concluiu que restringir o fumo reduz rapidamente - dentro de até seis meses - os índices de mortalidade em indivíduos e populações.
Os especialistas Simon Capewell e Martin O'Flaherty, do Institute of Psychology, Health and Well-being da University of Liverpool, no oeste da Inglaterra, analisaram resultados de testes clínicos e experimentos naturais.

"Nossa pesquisa concluiu que proibições ao fumo e melhorias na dieta reduzem de maneira rápida e poderosa doenças crônicas em indivíduos e na população em geral", disse Capewell.Seu estudo, publicado na revista científicaLancet, sugere também que melhorias na dieta têm efeito positivo para a saúde dentro de um a três anos.
"Isso acontece rápido, dentro de um período de tempo bem menor do que se pensava. Dentro de meses e anos em vez de décadas".
"Essa descoberta significa que políticas como proibições ao fumo ou reduções em gorduras saturadas são eficazes na melhoria da saúde".
Essas políticas, diz o especialistas, podem trazer economias de milhões ao sistema nacional de saúde britânico, o NHS.
Investigação Global
A equipe estudou o efeito de políticas para a redução no fumo em vários países e concluiu que as medidas tiveram efeito rápido e positivo sobre índices de mortalidade e número de internações.
Na Escócia, por exemplo, leis cerceando o fumo em lugares públicos que entraram em vigor em 2006 reduziram em 17% o número de internações por síndrome coronária aguda e em 6% o número de mortes fora do hospital por problemas cardíacos.
Da mesma forma, quando leis antifumo foram adotadas na cidade americana de Helena, no Estado de Montana, um hospital local registrou, dentro de um período de seis meses, uma queda de 40% no número de internações de pacientes com síndrome coronária aguda.
Seis meses após a lei ter sido revogada, as internações retornaram aos índices anteriores.
Mudanças na dieta também tiveram um impacto rápido e positivo sobre índices de mortalidade por doenças do coração, segundo o estudo.
Índices de mortalidade por doenças cardíacas subiram continuamente no século 20, atingindo um pico na década de 1970 na Grã-Bretanha, Estados Unidos e Europa Ocidental.
Entretanto, uma análise mais aprofundada de tendências em cada país revelou uma queda no início da década de 1940. Ela foi atribuída a uma diminuição repentina na ingestão, pela população, de carne e gorduras animais em virtude de racionamentos de comida durante a Segunda Guerra Mundial.
Mais recentemente, um estudo sobre doenças coronárias na Polônia revelou que mortes por doenças cardíacas vinham aumentando continuamente.
A partir de 1990, no entanto, os índices caíram em 25% dentro de um curto período, após suspensões a subsídios para carne e gordura animal em países comunistas. Simultaneamente, o mercado foi inundado por óleos vegetais e frutas.
Pesquisas feitas em outros países da Europa central revelaram tendências similares.

'Vacina contra o cigarro' bloqueia a nicotina no cérebro de ratos




Foto: PA
Vacinação pode ser usada para tratar dependência crônica da nicotina
Fumantes poderão um dia ser imunizados contra a nicotina para que deixem de sentir prazer com o hábito, segundo pesquisadores nos Estados Unidos.
Os especialistas do Weill Cornell Medical College, em Nova York, criaram uma vacina que leva o organismo do vacinado a produzir anticorpo que atacam a nicotina.

Serão necessários anos de pesquisa antes que a vacina possa ser testada em humanos. Entretanto, o coordenador do estudo, Ronald Crystal, está convencido de que haverá benefícios.O estudo, feito com ratos de laboratório e publicado na revista científica Science Translational Medicine, mostrou que os índices da nicotina no cérebro dos animais foram reduzidos em 85% após a vacinação.
"Parece-nos que a melhor forma de tratar a dependência crônica por nicotina associada ao fumo é ter esses anticorpos fazendo patrulha, limpando o sangue antes que a nicotina possa ter qualquer efeito biológico", ele disse.

Nova abordagem

Outras "vacinas contra o fumo", que treinam o sistema imunológico para produzir anticorpos que se acoplam à nicotina, foram desenvolvidas no passado. Esse é o mesmo método usado em vacinações contra doenças.
O desafio até agora tem sido conseguir produzir anticorpos suficientes para impedir que a droga entre no cérebro e produza a sensação de prazer.
Os cientistas do Weill Cornell Medical College, no entanto, usaram um caminho completamente diferente: eles optaram por criar uma vacina baseada em terapia genética que, segundo eles, é mais promissora.
Um vírus geneticamente modificado contendo instruções para a fabricação de anticorpos de nicotina é usado para infectar o fígado do vacinado. Isso transforma o órgão em uma fábrica desses anticorpos.
Após receber injeções de nicotina, ratos que haviam sido imunizados apresentaram 85% menos nicotina em seus cérebros do que um outro grupo de ratos que não havia sido vacinado.
Não se sabe se isso pode ser repetido em humanos ou se esse índice de redução seria suficiente para ajudar fumantes a abandonar o hábito.
Crystal disse que se tal vacina puder ser criada, "as pessoas saberão que se começarem a fumar novamente, não vão sentir prazer devido à vacina contra a nicotina e isso pode ajudá-las a abandonar o hábito".
"Temos muita esperança de que esse tipo de estratégia (de desenvolvimento da) vacina possa finalmente ajudar milhões de fumantes que tentaram parar, tentaram todos os métodos existentes no mercado hoje, mas sentem que a dependência por nicotina é tão grande que acaba derrotando todas essas abordagens atuais."

'Impressionante'

Também há questões relacionadas à segurança de terapias genéticas em humanos que precisarão ser respondidas.
Darren Griffin, professor de genética da University of Kent, na Inglaterra, disse que os resultados do estudo são "impressionantes e intrigantes, com grande potencial", mas avisou que ainda há muitas questões que precisam ser resolvidas.
Para ele, a questão principal é saber "se os efeitos bioquímicos nos ratos de laboratório se traduziriam em uma dependência reduzida em humanos, uma vez que essas dependências podem ser tanto físicas como psicológicas".
Simon Waddington, do University College London, disse: "A tecnologia em que se baseia a terapia genética está melhorando o tempo todo e é animador ver esses resultados preliminares sugerindo que (a terapia genética) poderia ser usada para resolver o problema da dependência por nicotina".
Se tal vacina fosse criada, poderia haver também questões éticas. Por exemplo, em relação à vacinação de pessoas na infância, antes de que começassem a fumar.

Fumar pouco já dobra risco de morte súbita em mulheres, diz estudo



Foto: PA
Risco de morte é alto mesmo para as que fumam poucos cigarros por dia
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos sugere que mulheres que fumam pouco, incluindo aquelas que fumam apenas um cigarro por dia, dobram as chances de morte súbita em comparação às mulheres que nunca fumaram.

Durante a pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, e publicada na revista da American Heart Association, ocorreram 315 mortes súbitas causadas pela parada inesperada do coração.O estudo analisou a saúde de 101 mil enfermeiras americanas durante mais de três décadas.
Em pessoas com 35 anos ou menos, este tipo de morte geralmente ocorre quando há um histórico de problemas cardíacos na família.
Mas, em pessoas acima de 35 anos, como no caso da maioria das enfermeiras estudadas, a morte pode ter sido causada pelo entupimento de artérias do coração devido a depósitos de gordura.
Das 315 mortes súbitas registradas durante o estudo, 75 ocorreram entre enfermeiras que ainda fumavam, 148 entre mulheres que tinham parado de fumar (recentemente ou não) e 128 entre pessoas que nunca fumaram.

Um ou 14 cigarros por dia

Depois de levar em conta outros fatores de risco para o coração, como pressão alta, colesterol alto e histórico familiar de problemas cardíacos, Roopinder Sandhu, que liderou a pesquisa, descobriu que mulheres que fumavam tinham o dobro de chances de morrer de repente mesmo se fumassem entre um e 14 cigarros por dia.
Para cada cinco anos de fumo contínuo, o risco aumentava em 8%.
Mas, os pesquisadores descobriram que aquelas que pararam de fumar, voltaram ao fator de risco igual a de mulheres que nunca fumaram, depois de 20 anos sem cigarros.
"O que este estudo realmente mostra às mulheres é a importância de parar de fumar. Os benefícios em termos de redução de morte súbita cardíaca estão lá, para todas as mulheres, não apenas aquelas que já tem problemas cardíacos", afirmou Sandhu.
"Pode ser difícil parar. É necessário (ter) um objetivo no longo prazo. Não é sempre fácil e pode ser necessária mais do que uma tentativa", acrescentou.
"Esta pesquisa mostra que fumar apenas alguns cigarros por dia ainda pode afetar muito sua saúde no futuro", afirmou Ellen Mason, enfermeira especializada em cuidados cardíacos da British Heart Foundation.
"Se você está pensando em parar e precisa de um empurrãozinho, esta pesquisa acrescenta às muitas provas (que já temos) de que parar de fumar é a melhor coisa que você pode fazer pela saúde do seu coração", acrescentou.
Um estudo publicado recentemente na revista The Lancet, sugeriu que 1,2 milhão de mulheres que pararam de fumar aos 30 anos evitaram quase completamente os riscos de uma morte prematura devido a doenças relacionadas ao fumo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Fumo 'apodrece' cérebro, diz estudo britânico

Segundo pesquisa, cigarro e maus hábitos afetam memória, aprendizado e cognição cigarro 'apodrece' o cérebro ao danificar a memória, o aprendizado e o raciocínio lógico, aponta um estudo feito por pesquisadores da universidade King's College London. 

Fumar prejudica uma série de funções cerebrais, segundo o estudo - Arquivo/Estadão
Arquivo/Estadão
Fumar prejudica uma série de funções cerebrais, segundo o estudo
A pesquisa feita com 8,8 mil pessoas com mais de 50 anos mostrou que alta pressão sanguínea e estar acima do peso também afetam o cérebro, mas não na mesma medida.
Cientistas envolvidos na pesquisa afirmam que as pessoas precisam perceber que o seu estilo de vida afeta tanto a mente quanto o corpo. A pesquisa foi publicada na revista científica Age and Being. Os pesquisadores estudaram o elo entre o cérebro e as probabilidades de ataque cardíaco e derrame.
Os voluntários da pesquisa - todos com mais de 50 anos - participaram de testes de memorização de novas palavras. Eles também eram instigados a dizer o maior número de nomes de animais em um minuto. Os mesmos testes foram realizados após quatro anos e depois oito anos.
Os resultados mostraram que o risco de ataque cardíaco e derrame "estão associados de forma significativa com o declínio cognitivo". As pessoas com maior risco foram as que mostraram maior declínio. Também foi identificada uma "associação consistente" entre fumo e baixos resultados no teste.
"O declínio cognitivo fica mais comum com o envelhecimento e para um número cada vez maior de pessoas interfere com o seu funcionamento diário e bem-estar", diz Alex Dregan, pesquisador que trabalhou no estudo.
"Nós identificamos uma série de fatores de risco que poderiam ser associados ao declínio cognitivo, e todos eles podem ser modificados. Nós precisamos conscientizar as pessoas para a necessidade de mudanças de estilo de vida por causa do risco de declínio cognitivo", completa.
Para Simon Ridley, pesquisador da entidade Alzheimer's Research UK, o declínio cognitivo ao longo dos anos pode levar a doenças como demência.
Outra entidade britânica de estudo do Alzheimer - a Alzheimer's Society - emitiu uma nota na qual elogia o estudo da King's College London. "Todos sabemos que cigarro, alta pressão sanguínea, altos níveis de colesterol e alto índice de massa corpórea fazem mal ao coração. Essa pesquisa acrescenta vários indícios de que isso pode fazer mal à cabeça também."

Cigarro pode triplicar o risco de morte súbita cardíaca entre mulheres

A boa notícia é que abandonar o hábito pode reduzir de forma significativa ou até eliminar essa probabilidade

Saúde feminina: Deixar de fumar pode reduzir de forma significativa o risco de morte súbita cardíaca
Saúde feminina: Deixar de fumar pode reduzir de forma significativa o risco de morte súbita cardíaca (Thinkstock)
Fumar pode triplicar o risco de uma mulher sofrer uma morte súbita cardíaca — e quanto mais tempo dura o vício e mais cigarros são consumidos ao dia, maiores são essas chances, concluiu um novo estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. A pesquisa, por outro lado, também mostrou que abandonar o hábito pode reduzir de forma significativa ou até eliminar essa probabilidade.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Smoking, Smoking Cessation and Risk of Sudden Cardiac Death in Women

Onde foi divulgada: revista Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology

Quem fez: Roopinder Sandhu, Monik Jimenez, Stephanie Chiuve, Kathryn Fitzgerald, Stacey Kenfield, Usha Tedrow e Christine Albert

Instituição: Universidade Harvard, Estados Unidos

Dados de amostragem: 101.018 mulheres

Resultado: Cada cinco anos de tabagismo aumenta o risco de morte súbita cardíaca em 8%. Mulheres que fumam há mais de 35 anos têm uma chance 2,5 maior de ter o problema e aquelas que consomem mais do que 25 cigarros ao dia, um risco três vezes maior.
A morte súbita cardíaca ocorre de maneira repentina, geralmente em decorrência de uma arritmia cardíaca, que é uma sequência de batimentos irregulares, ou muito rápidos, ou muito lentos. O problema pode levar a um fraco desempenho do coração e, consequentemente, a uma fraca circulação sanguínea, falta de sangue no cérebro e perda de consciência.
Leia também: Mulheres que param de fumar antes dos 30 anos reduzem risco de morte prematura em até 97%
O trabalho, publicado nesta terça-feira no periódico Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology, da Associação Americana do Coração, acompanhou 101.018 mulheres ao longo de trinta anos. Durante esse período, 351 participantes sofreram morte súbita cardíaca. De acordo com os resultados, cada cinco anos de tabagismo eleva em 8% o risco de uma mulher sofrer uma morte súbita cardíaca — aquelas que fumavam há mais de 35 anos foram, no geral, 2,5 vezes mais propensas a apresentar o problema do que as participantes que não fumavam.
Além disso, mostrou o estudo, as fumantes que consumiam ao menos 25 cigarros por dia tiveram uma chance três vezes maior de ter o problema em relação às não fumantes. Mesmo as mulheres que fumavam menos — até 14 cigarros por dia — também apresentaram um risco duas vezes maior de morte súbita cardíaca.
Doença determinante — A pesquisa ainda mostrou que parar de fumar tem um efeito significativo e imediato na redução desse risco entre mulheres que ainda têm o coração saudável. Abandonar o vício também beneficia aquelas que já sofrem alguma doença cardíaca, mas o efeito positivo leva mais tempo para ocorrer. A mesma redução do risco que ocorre entre mulheres saudáveis cinco anos após abandonarem o cigarro, por exemplo, leva entre 15 e 20 anos para ser observada entre aquelas que já tinham o coração prejudicado quando deixaram o vício.
Para Roopinder Sandhu, pesquisadora do Hospital Brigham and Women, da Universidade Harvard, e coordenadora do estudo, uma possível explicação para isso está no fato de que a nicotina surte efeitos tanto a longo quanto a curto prazo sobre o coração. A substância, por exemplo, age de forma imediata sobre a desregulação dos batimentos cardíacos, mas também prejudica o tecido cardíaco aos poucos, quadro que persiste por muito mais tempo. "O tabagismo é um importante fator de risco modificável para morte súbita cardíaca para mulheres com e sem doença cardíaca. Por isso, as fumantes não devem esperar até o desenvolvimento dessa condição para abandonar o vício”, diz Sandhu.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Maconha na adolescência reduz a capacidade intelectual



Pesquisa divulgada nos Estados Unidos registrou uma queda de oito pontos no QI de usuários que começaram a fumar a droga antes dos 18 anos de idade

Surtos psicóticos: quanto maior for o consumo de maconha durante a juventude, maiores serão os sintomas na fase adulta
Queda no QI não foi observada entre usuários que começaram a fumar maconha após os 18 anos (Doug Menuez/Thinkstock)
Fumar maconha regularmente durante a adolescência reduz a capacidade intelectual de forma permanente na vida adulta, aponta uma pesquisa publicada nesta segunda-feira nos Estados Unidos.

O levantamento comparou o quociente intelectual (QI) de mil neozelandeses aos 13 anos e aos 38, incluindo fumantes regulares de maconha e não usuários. Entre os usuários que começaram a fumar na adolescência -- com o cérebro ainda em desenvolvimento -- e continuaram com o hábito até a fase adulta, houve uma queda de oito pontos no QI. Já entre os não usuários, o QI subiu até um ponto. "Em média, o QI deve permanecer estável à medida que a pessoa envelhece", explica a responsável pela pesquisa Madeline Meier, psicóloga da Universidade de Duke.

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A queda do QI não foi atribuída a diferenças na educação ou por abuso de outras substâncias, como álcool e outras drogas, destacou Meier.
 
Os que começaram a fumar maconha na adolescência também registraram piores resultados em testes de memória, concentração e raciocínio rápido. Os que abandonaram a maconha ou reduziram seu uso até um ano antes do teste dos 38 anos apresentaram os mesmos déficits intelectuais.
 
Período vulnerável - Por outro lado, os usuários que começaram a fumar maconha na idade adulta -- após os 18 anos -- não tiveram sua capacidade intelectual reduzida. "A adolescência é um período particularmente vulnerável no desenvolvimento do cérebro", destacou a pesquisadora. Os jovens que começam a fumar cedo "podem estar interrompendo processos normais chave para o cérebro", e de forma permanente.
 
Meier especula que um estudo mais aprofundado pode ajudar a determinar se abandonar a maconha por mais de um ano permitiria "recuperar a capacidade" intelectual. "Não estudamos isto, mas é definitivamente possível", concluiu ela.

Identificado o mecanismo que provoca ganho de peso em ex-fumantes



Nicotina liga receptores cerebrais que tiram a fome e ao mesmo tempo estimulam o consumo de energia no organismo

Cigarro: nicotina libera substâncias no cérebro que tornam mais difícil parar de fumar
Cigarro: nicotina libera substâncias no cérebro que tornam mais difícil parar de fumar (Thinkstock)
Parar de fumar, na maioria dos casos, significa engordar. "Quem para de fumar por conta própria, sem acompanhamento médico, engorda de 10 a 15 quilos, em média", afirma a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Já se sabe que a nicotina provoca alterações no metabolismo. Mas ainda havia algo não muito bem compreendido pelos médicos: como, exatamente, essa nicotina diminui o apetite?

Um estudo envolvendo cientistas de várias universidades americanas identificou os mecanismos moleculares relacionados à perda de apetite motivada pelo cigarro. A descoberta deve ajudar a criar medicamentos que combatam o vício do tabagismo sem provocar o ganho de peso. Além disso, poderá inspirar novas terapias contra obesidade.

Yann Mineur, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, testava um novo remédio para tratar depressão em camundongos quando percebeu que os animais perdiam apetite ao receber a droga. Para descobrir a causa, ele desligou seletivamente receptores neuronais no cérebro dos camundongos. O desligamento de receptores é uma técnica que utiliza remédios, alimentos, genética molecular e uma série de outros fatores.

Por eliminação, Mineur descobriu que, quando a nicotina liga-se ao receptor alfa3beta4, os neurônios enviam uma mensagem ao organismo: hora de parar de comer. E estimulam o consumo da energia armazenada no corpo. A descoberta foi publicada na revista Science.

Outro receptor, chamado alfa4beta2, está relacionado à sensação de bem-estar que o cigarro causa e, portanto, ao seu potencial de provocar dependência. A pesquisa pretende servir de base para o desenvolvimento de um remédio capaz de imitar o efeito da nicotina sobre o apetite - atuando sobre o alfa3beta4 –, mas sem estimular o vício - ou seja, sem se ligar ao alfa4beta2.

Fumo está relacionado com deterioração mental nos homens, diz estudo



Comprometimento também atinge ex-fumantes, mas a mesma relação não foi identificada entre as mulheres

Homem fumando cigarro
Tabagismo: estudo identifica maior risco de comprometimento cognitivo em homens fumantes (Stockbyte/Getty Images)
Os homens tabagistas têm maior deterioração mental com o passar do tempo do que aqueles que nunca fumaram, segundo um estudo britânico publicado nesta segunda-feira nos Estados Unidos, que advertiu, no entanto, que a mesma relação causa-efeito não se observou nas mulheres.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Impact of Smoking on Cognitive Decline in Early Old Age

Onde foi divulgada: revista Archives of General Psychiatry

Quem fez: Séverine Sabia, Alexis Elbaz, Aline Dugravot, Jenny Head, Martin Shipley, Gareth Hagger-Johnson, Mika Kivimaki e Archana Singh-Manoux

Instituição: University College de Londres, Inglaterra

Dados de amostragem: 5.099 homens e 2.137 mulheres com idade média de 56 anos

Resultado: Homens fumantes têm maior comprometimento cognitivo do que aqueles que não fumam. Ex-fumantes também apresentam o problema por até 10 anos após pararem de fumar. A mesma relação não foi feita entre mulheres
A investigação sugere que os efeitos do hábito de fumar a longo prazo resultam em perda de memória e incapacidade para vincular a experiência passada com as ações do presente, assim como uma queda nas habilidades cognitivas gerais.
O estudo, publicado na revista especializada Archives of General Psychiatry, acompanhou através do serviço civil britânico mais de 5.000 homens e 2.100 mulheres com idade média de 56 anos no começo do estudo e foram acompanhados no máximo por 25 anos.
Os cientistas da University College de Londres comprovaram sua condição de fumantes seis vezes neste período e os submeteram a uma série de provas cognitivas. Eles descobriram que o tabagismo esteve vinculado a uma redução mais rápida na capacidade mental em todos os testes cognitivos entre homens que fumavam em comparação com os homens não fumantes. "Nossos resultados mostram que a associação entre tabagismo e cognição, sobretudo em idades mais avançadas, parece estar subestimado devido ao risco maior de morte e abandono entre os fumantes", destacou o estudo, chefiado por Severine Sabia, da University College de Londres.
Os homens que pararam de fumar nos primeiros 10 anos após iniciado o estudo estavam ainda em maior risco de deterioração cognitiva, mas a longo prazo os ex-fumantes não mostraram os mesmos níveis de deterioração. "Este estudo comprova que fumar é nocivo para o cérebro", afirmou Marc Gordon, chefe de neurologia do hospital Zucker Hillside em Glen Oaks, Nova York, que não participou do estudo.
"Na metade da vida, fumar é um fator de risco modificável, com um efeito mais ou menos equivalente a 10 anos de envelhecimento na taxa de deterioração cognitiva", acrescentou. "As descobertas são chave para explicar o envelhecimento da população mundial, com 36 milhões de casos de demência em todo o planeta, uma cifra que dobrará a cada 20 anos, segundo as projeções", afirmaram os autores do estudo.
O porquê de as mulheres não mostrarem a mesma relação entre tabagismo e envelhecimento mental não ficou claro, embora os pesquisadores tenham sugerido que o menor tamanho da amostra e a maior quantidade de cigarros fumados pelos homens em comparação com as mulheres poderiam ser fatores contribuintes.

Em 2012, 37% dos casos de câncer no Brasil estarão relacionados ao tabagismo



Estimativa do Inca ainda mostrou que cânceres relacionados ao cigarro podem reduzir em até 6 anos a expectativa de vida de homens e em 5 a de mulheres

Cigarros
Cigarros: tabagismo tem forte relação com câncer de pulmão e câncer colorretal (Stockbyte/Getty Images)
Neste ano, 37% dos novos casos de câncer podem estar relacionados ao tabagismo, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgadas nesta quinta-feira, 31, Dia Mundial sem Tabaco. De acordo com os dados, os cânceres de pulmão e colorretal estão fortemente associados ao fumo.
Esse recorte é inédito e foi baseado nas estimativas do Inca sobre os novos casos de câncer em 2012, que previu 520 mil novos casos da doença neste ano. De acordo com o órgão, embora a taxa de fumantes no Brasil esteja pela primeira vez abaixo dos 15%, segundodados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2011, o número de casos de câncer associados ao tabagismo continuam preocupantes. "O país já obteve muitos avanços na luta contra o tabagismo, mas ainda é preciso regulamentar definitivamente a lei dos ambientes 100% livres do tabaco e dar mais um grande passo em prol da saúde dos brasileiros", diz o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini.
Regiões — Os dados do Inca mostraram que os percentuais de cânceres associados ao tabagismo em relação a todos os registrados em 2012 serão de 34% entre homens e 45% entre mulheres da região Norte; 33% e 38%, respectivamente, no Nordeste; 35% e 40% no Centro-Oeste; 38% e 33% no sudeste; e 43% e 35% na região Sul.
Mortalidade — O Inca destacou que não só os novos casos, mas também a taxa de mortalidade, são alarmantes. As estimativas revelaram que, se for considerada uma expectativa de vida até os 80 anos de idade, os homens podem chegar a viver 6 anos menos, e as mulheres 5 anos menos, caso desenvolvam um câncer associado ao cigarro.
Ainda de acordo com os dados, o câncer de pulmão é o principal tipo da doença associado ao cigarro. Segundo o Inca, essa doença corresponde a aproximadamente 30% das mortes por câncer que ocorrem no Brasil entre o sexo masculino. Entre as mulheres, além do câncer de pulmão, o colorretal, bastante relacionado ao tabagismo, também é representativo, correspondendo a 20% das mortes por câncer na região Sudeste, por exemplo.
Outras causas — O Inca ainda chamou atenção para o fato de que o cigarro pode prejudicar a saúde de uma pessoa não somente pelo fumo, mas também pelo processo de produção, por exemplo. Desmatamento, uso de agrotóxico, incêndios e poluição do ar, além de afetarem o meio ambiente, danificam a saúde de trabalhadores, como os agricultores, e da população. "Basta manter um cigarro aceso para poluir o ambiente. A fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas e cancerígenas, além de corantes e agrotóxicos em altas concentrações. Imagine a quantidade de toxicidade que várias pessoas fumando deixam no nosso planeta", diz a coordenadora da Divisão de Tabagismo do Inca, Valéria Cunha.
O fumo passivo também é outra maneira pela qual o tabagismo afeta as pessoas. De acordo com o Inca, estudos revelam que pessoas que não fumam, mas são expostas ao cigarro, apresentam um risco 30% maior de desenvolver câncer no pulmão e doenças cardíacas e têm de 25% a 35% mais chances de sofrer de doenças coronarianas agudas. O órgão indica que, no Brasil, ao menos sete pessoas que não fumam morrem por doenças provocadas pela exposição à fumaça do tabaco no Brasil.

Apenas 1 em cada 3 fumantes consegue abandonar o vício



Situações de estresse agudo, como perda do emprego ou divórcio, são as principais causas de recaída

Número de paulistanos classificados como fumantes pesados - que fumam dois ou mais maços de cigarro por dia - diminuiu em São Paulo
Cigarro: a ansiedade intensa e o descuido com o vício também são responsáveis por recaídas (ThinkStock)
Passar por uma situação de estresse agudo, como perder o emprego, divorciar-se ou enfrentar a morte de um familiar, é a principal causa de recaídas para tabagistas em tratamento. Dos 820 pacientes analisados por um estudo do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, 257 (31,3%) chegaram a parar de fumar por um tempo, mas retomaram o vício. E apenas 276 (33,7%) foram bem-sucedidos em largar o cigarro. Os demais ou abandonaram o tratamento ou nunca conseguiram parar de fumar.
O levantamento, apresentado em março deste ano durante o congresso da Society for Research on Nicotine and Tobacco, nos Estados Unidos, analisou a evolução clínica de pacientes inscritos no Programa de Assistência ao Fumante (PAF) - um software desenvolvido pela cardiologista Jaqueline Scholz Issa, diretora do Programa Ambulatorial de Tratamento do Tabagismo do Incor.
O programa permite a realização de análises retrospectivas do tratamento de cada paciente e busca características comuns àqueles que obtiveram sucesso ou insucesso no combate ao fumo. Outros dois gatilhos importantes apontados para a recaída, além do estresse agudo, foram a ansiedade intensa e o descuido (quando o paciente acredita que fumar um único cigarro não vai trazê-lo de volta ao vício).
"“Conhecendo mais detalhes sobre o tabagismo, poderemos alertar os pacientes sobre como essas situações de estresse e ansiedade interferem no tratamento. Voltar a fumar, embora possa aliviar momentaneamente o sofrimento e o desconforto, não vai resolver o problema: vai criar mais um"”, diz Jaqueline.

Câncer de pulmão em pacientes que já fumaram tem 10 vezes mais mutações



Descoberta pode levar ao desenvolvimento de novas terapias que ataquem especificamente os genes que sofreram mutações

Câncer de pulmão
O câncer de pulmão é considerado um dos mais letais, uma vez que sua detecção é feita em estágios tardios da doenç(Thinkstock)
O câncer de pulmão tem 10 vezes mais mutações genéticas em pacientes com histórico de fumante, do que naqueles que nunca fumaram. Segundo a pesquisa conduzida pela Universidade de Washington, a descoberta reforça ainda mais o alerta de que o cigarro é prejudicial à saúde, jogando luz sobre a possibilidade de fumantes desenvolverem tumores mais agressivos. O estudo foi publicado no periódico Cell.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Genomic Landscape of Non-Small Cell Lung Cancer in Smokers and Never-Smokers

Onde foi divulgada: revista Cell

Quem fez: Ramaswamy Govindan e equipe

Instituição: Universidade de Washington

Dados de amostragem: 17 pacientes com câncer de pulmão

Resultado: Pacientes que desenvolveram o câncer de pulmão, e que têm histórico de fumantes, tinham 10 vezes mais mutações genéticas no tumor.
“Não ficamos surpresos pelo fato do genoma do fumante ter mais mutações do que o daqueles que nunca fumaram”, diz Richard K. Wilson, autor sênior e diretor do Instituto do Genoma da Universidade de Washington. Mas, segundo ele, a surpresa foi detectar que essas mutações eram 10 vezes maiores. “Isso reforça a velha mensagem: não fume.”
Pesquisa — A análise identificou cerca de 3.700 mutações em todos os 17 pacientes com câncer de pulmão de 'não-pequenas células', o tipo mais prevalente da doença. Doze pacientes tinham histórico de fumante. Em cada um dos pacientes que nunca havia fumando, foi descoberto ao menos um gene que sofreu mutação e que pode ser usado como alvo para o tratamento com drogas que já estão no mercado ou que ainda estão em fase de teste clínico. Em todos os pacientes, foram identificados 54 genes com mutações já associados a drogas existentes.
“Se essas drogas vão realmente funcionar em pacientes com essas alterações no DNA, ainda não se sabe”, diz Ramaswamy Govindan, coordenador da pesquisa e oncologista do Siteman Cancer, do Hospital Barnes-Jewish, e da Universidade de Washington. “Mas pesquisas como essa abrem caminho para a compreensão do que está acontecendo. Agora, precisamos ir mais a fundo e fazer estudos para compreender como essas mutações causam e promovem o câncer, e como elas podem servir de alvo para terapias.”
Câncer — O câncer de pulmão é dividido em dois tipos: pequenas células e não-pequenas células, este último sendo responsável por cerca de 85% dos casos. Dentro dos cânceres de não-pequenas células, existem três classificações diferentes. A análise feita pelos pesquisadores inclui duas delas. Dezesseis pacientes tinham adenocarcinoma e um, carcinoma de células grandes.
Govindan e Wilson também estavam envolvidos em um estudo genômico grande de 178 pacientes que tinham o terceiro tipo, carcinoma de células escamosas. Essa pesquisa, recentemente publicada na Nature, era parte do projeto The Cancer Genome Atlas, um esforço nacional para descrever a genética de cânceres comuns.
“Ao longo do próximo ano, teremos estudado quase 1.000 genomas de pacientes com câncer de pulmão, como parte do The Cancer Genome Atlas”, diz Govindan, que atua como co-presidente do grupo. “Estamos na direção correta: caminhando para testes clínicos futuros que irão focar na biologia molecular específica do câncer do paciente.”
Terapia — Com base nas pesquisas genéticas que vêm sendo realizadas e que demonstram mutações comuns em diferentes tipos de câncer, Wilson especula que o campo pode alcançar um ponto onde os médicos poderão classificar e tratar um tumor com base nos genes que tiveram mutações, e não no órgão afetado. Em vez de câncer do pulmão, por exemplo, eles podem chamar isso de câncer EGFR, de acordo com o nome do gene com mutação e que causa o tumor. Mutações no EGFR foram descobertas em diversos cânceres, incluindo os de pulmão, colo e mama.
De acordo com Wilson, essa classificação é relevante, porque as terapias alvos atuais são aprovadas com base no órgão ou no tecido afetados. O Herceptin, por exemplo, é essencialmente uma droga para o câncer de mama. Mas Wilson tem pacientes, por exemplo, com câncer de pulmão com mutações no mesmo gene que o Herceptin ataca.
“Se o sequenciamento do genoma revela que um paciente com câncer de pulmão tem uma mutação conhecida por ser sensível a uma droga que funciona para os tumores na mama com a mesma alteração genética, você poderá usar a mesma droga nos pacientes com câncer de pulmão”, ele diz. “Nos próximos anos, esperamos tratar o câncer com base mais na alteração genética do que por seu tecido de origem.”