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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Exercícios físicos na vida adulta diminuem os riscos de demência



  • Pesquisa mostrou redução de 36% em pessoas que fizeram um teste de esteira e foram acompanhadas durante 24 anos



Adultos saudáveis e ativos como o ex-jogador de futebol Raí têm 36% menos chances de desenvolver a doença na velhice
Foto: Divulgação
Adultos saudáveis e ativos como o ex-jogador de futebol Raí têm 36% menos chances de desenvolver a doença na velhice Divulgação
NOVA YORK - Estar em forma na vida adulta está associado a um menor risco de demência na velhice, segundo um novo estudo do Instituto Cooper, em Dalas.
Entre 1971 e 2009, 19.458 adultos saudáveis de até 65 anos fizeram um teste de esforço na esteira como parte de um exame de saúde. Os pesquisadores acompanharam os dados médicos dos indivíduos por 24 anos, em média.
Após o ajuste para idade, tabagismo, diabetes, colesterol e outros fatores de saúde, os pesquisadores descobriram que, em comparação com os 20% de mais baixa aptidão na meia-idade, aqueles com mais de 20% tinham um risco 36% menor de desenvolver demência.
A razão para a associação não ficou clara, mas foi indepedente de riscos cardiovasculares e cerebrovascular, sugerindo que The reason for the association is unclear, but it was independent of cardiovascular and cerebrovascular risk factors for dementia, suggesting that both vascular and nonvascular mechanisms may be involved.
— Demência é uma doença sem cura ou bons tratamentos — disse a autora do estudo, Laura F. DeFina, diretora científica interina do Instituto Cooper, em Dalas. — Atividade física pode ser uma maneira preventiva para tratar demência em vez de abordar os custos de um ancião com deficiência.
A população estudada era na maioria branca e com alto nível de escolaridade e segundo os pesquisadores os resultados não podem ser generalizados.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mudando a mensagem para incentivar o exercício físico

Apesar de os benefícios da atividade física serem conhecidos, maioria não inicia a prática

O diretor do Laboratório de Psicologia da Universidade da Georgia, Rod Dishman fica incomodado quando estudantes se inscrevem em uma das aulas de fitness oferecidas pela universidade. Isso porque é uma aula da caminhada.
— É um pecado um jovem saudável e capaz se inscrever numa aula de caminhada. Eles estão ganhando crédito por evitar fazer qualquer esforço — disse.
E aí reside um problema, afirma Dishman e outros pesquisadores. A mensagem da saúde pública sobre exercícios é que qualquer quantidade é benéfica e a caminhada tem seu papel. Todos dizem, repetidamente, que exercício regular melhora saúde e torna as pessoas mais felizes e mais dispostas. Praticamente todos os americanos dizem que já ouviram estas mensagens. Eles sabem que exercício faz bem e eles deveriam praticar algo. Mesmo assim eles não o fazem.
Cerca de 40% dos americanos afirmam que eles nunca se exercitam, um sintoma que tem permanecido estável em décadas. Apenas 3,5% dos americanos com idades entre 18 e 59 anos fazem a mínima quantidade de atividade física recomendada, de 150 minutos por semana de exercício moderado. Entre os com mais de 60 anos, a percentagem é ainda menor: 2,5%.
Se os americanos sabem que o exercício faz bem, por que eles não incorporam a mensagem? E se a atividade física faz as pessoas se sentirem tão bem, por que elas apenas não começam a praticá-la?
Talvez, alguns pesquisadores dizem, o problema é a mensagem. Obviamente ela não teve muito efeito. A ideia agora é fazer uso das ferramentas que a psicologia desenvolveu para para avaliar o humor das pessoas durante o exercício, perguntando o quão bem ou mal elas se sentem na medida em que a intensidade varia.
Numa série de estudos, o pesquisador da Universidade de Iowa, Panteleimon Ekkekakis e seus colegas descobriram que a intensidade e o tempo do exercício se mostravam prazerosos para os indivíduos de formas diferentes.
Segundo os cientistas, não está claro o motivo deste fenômeno no cérebro, mas apenas prescrever uma série de exercícios, como de 20 minutos de caminhada por dia, cinco dias por semana, realmente não está funcionando. Nem os programas que se dizem muito intensos e curtos.
Para se encorajar o exercício físico, talvez as mensagens deveriam orientar as pessoas a encontrar uma atividade e um nível de intensidade que as faça sentir bem.
— As pessoas gostam de fazer coisas que as façam sentir melhor, e elas vão evitar aquilo que as sinta pior. A ideia é motivá-las a se exercitar também no dia seguinte — afirmou Ekkekakis.

domingo, 25 de novembro de 2012

Fome depois do treino 'é mito'



A fome depois do exercício é muito mais cultural do que fisiológica, segundo o médico do esporte Marcelo Leitão. "A não ser que a pessoa tenha feito jejum antes, uma hora de exercício não vai esgotar os estoques de energia do corpo. As pessoas têm reservas, principalmente quem precisa perder peso", diz ele.

Para o médico, a culpa pela sensação de fome pós-treino é da dieta desorganizada. É o que também pensa a nutricionista Luciana Rossi, professora do Centro Universitário São Camilo.
"Não é algo fisiológico. Depois da atividade física, o sangue vai para os músculos [não fica no estômago]", afirma. Ela é contra dietas restritivas --principalmente associadas à prática de exercícios.
A nutricionista Heloisa Guarita, presidente da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva, faz coro. "Dá para emagrecer mantendo uma ingestão normal de calorias [de acordo com as necessidades diárias] e aumentando a prática de exercício."
Para driblar a fome pós-treino é indicado comer antes e depois da atividade, de acordo com Rossi. Uma hora antes de treinar escolha carboidratos leves, como três biscoitos integrais, um suco de fruta ou uma banana.
Depois, faça um lanche com carboidrato e proteína: uma ou duas fatias de pão integral, uma fatia de um embutido leve (peito de peru) e queijo. "É interessante comer proteína depois do treino porque ajuda a ganhar massa magra. E, quando a pessoa tiver fome, não será incontrolável", diz Rossi.
Editoria de Arte/Folhapress
Fracionar a alimentação é uma dica que serve mesmo para quem não faz academia. Além disso, é bom aumentar o consumo de vegetais (cinco porções por dia) e de frutas (três por dia) e trocar carboidratos refinados por integrais. Esses truques aumentam a sensação de saciedade.
Dietas com menos de 1.200 calorias não devem ser feitas, de acordo com a nutricionista Camila Gracia, do HCor. "É difícil conseguir a quantidade ideal de nutrientes com tão poucas calorias. Em geral, fazemos uma redução de 500 a 700 calorias, dependendo de quanto a pessoa come e de quanto gasta."

Cientistas descobrem hormônio que imita efeito de exercícios



Um novo estudo abre perspectiva de que os exercícios físicos possam ser trocados por uma pílula.
Em experimentos com camundongos, cientistas do Instituto do Câncer Dana-Farber, em Boston, descobriram que um tipo de um hormônio, produzido após a atividade física, era capaz de transformar o tecido adiposo.
Editoria de arte/folhapress
Em sua presença, células de gordura branca --responsável por armazenar energia-- se convertem na chamada gordura marrom, que queima calorias para aquecer o corpo.
A nova molécula, batizada de irisina, também existe em humanos. Num teste, os cientistas injetaram pequenas doses da substância em roedores sedentários, obesos e com sintomas de pré-diabetes.
Após dez dias, os animais tiveram os níveis de glicose e insulina normalizados no sangue e até perderam peso. O experimento foi descrito na revista "Nature".
"Com a irisina, nós conseguimos traduzir uma pequena parte do efeito dos exercícios têm sobre o organismo", disse à Folha Pontus Boström, autor do trabalho. Ele alerta que a irisina não vai deixar ninguém mais forte. "Existe uma vasta gama de efeitos que jamais poderemos substituir por uma única intervenção metabólica."
FUTURO
Mesmo exibindo cautela em relação ao potencial terapêutico do novo hormônio, os pesquisadores se mostram otimistas com a perspectiva de usá-lo em humanos em um futuro próximo.
A molécula da irisina dos camundongos é quase idêntica à versão humana, o que significa que os mesmos benefícios observados nos roedores podem se mostrar em pessoas. "Esperamos ver efeitos colaterais muito pequenos", diz Boström.
Ele e seus colegas do Dana-Farber, um centro de pesquisa associado à Universidade Harvard, estão agora tentando criar uma maneira de administrar a irisina a humanos. No estudo com roedores, foi usado um vírus para distribuir o hormônio no organismo, algo difícil de fazer com segurança.
Para criar uma droga que possa ser usada em humanos, Boström e seus colegas estão tentando "colar" a irisina em moléculas de anticorpos, as proteínas de defesa do sistema imunológico, para só depois injetá-las no sangue.
"Temos de fazer isso para que a droga não entre em degradação na corrente sanguínea", diz o cientista.
Ainda não há perspectiva sobre quando os testes em humanos podem começar.
NÃO É PREGUIÇA
Para pesquisadores, mesmo que não seja adequado substituir exercícios por uma droga que tente emular seus efeitos, é possível encontrar uma brecha para aplicação.
"Há muitos pacientes por aí que precisam de exercício mas, por diferentes razões, não podem fazer", diz Boström.
"Um medicamento pode vir a ser uma opção para pessoas extremamente obesas, que têm dificuldade em se movimentar para fazer exercícios, ou para pessoas com alguns tipos de deficiência física", acrescenta.
GORDURA MARROM INTRIGA CIENTISTAS
Apesar de já estarem estudando a possibilidade de aplicação do conhecimento sobre a chamada gordura marrom, cientistas ainda tentam entender por que esse tipo de tecido é estimulado pelo exercício no corpo humano.
A gordura marrom, que queima energia em vez de armazenar, existe primariamente em bebês, que precisam de proteção contra o frio. Como essa classe de célula adiposa libera energia ao ser estimulada, gera calor e aquece a criança.
Do ponto de vista da teoria da evolução, porém, não faz sentido que um organismo que já esteja gerando calor por meio de atividade física também estimule a queima de mais energia por um mecanismo metabólico secundário.
A hipótese que cientistas levantaram para explicar isso é que, nos bebês que sentem frio, o fator que estimula a a conversão de gordura branca em marrom é o tremor.
Como os músculos que se movimentam para vibrar a pele são essencialmente os mesmos que mexemos para fazer exercício, também produzimos gordura marrom como efeito colateral da atividade física.
"É difícil tentar abordar essas questões evolutivas em experimentos, mas estamos testando o efeito do tremor usando camundongos", diz o biólogo Pontus Boström. "Não temos certeza ainda se essa hipótese está correta."

Andar é tão bom para o corpo quanto correr, com menos riscos



Nos anos 70, Kenneth Cooper revolucionou o mundo esportivo dizendo que o meio-termo entre a caminhada e a corrida era o segredo da saúde. Na virada do século, todo mundo apertou o passo e passou a correr, literalmente, atrás da qualidade de vida. Agora, médicos pedem calma e indicam a caminhada como fonte da juventude.
Só que, atenção: caminhar é caminhar, não é passear.
O hábito de andar regularmente --e rapidamente-- a seis quilômetros por hora está ligado à melhora na circulação sanguínea e nos níveis de colesterol, à prevenção de doenças cardíacas, diabetes e alergias e até à redução da incidência de alguns tipos de câncer, mostram pesquisas.
Mas muita gente pensa que andar é exercício para velhos, convalescentes. Não é. Assim como a corrida não é para todos e está longe de ser "democrática", como entusiastas gostam de repetir.
"Há preconceito em relação aos caminhantes, porque vivemos em um mundo no qual o desempenho é colocado acima até da saúde. Quem vive em um ritmo alucinado de treinos, sem acompanhamento, está sujeito a lesões inerentes à corrida, além de ficar estressado por carregar o peso de sempre estar no pico de sua performance. É desgastante", afirma José Rubens D'Elia, educador físico e fisiologista do exercício.
Andar é bom, correr também. Depende do objetivo e do praticante. Para quem quer sair do sedentarismo sem muitos sacrifícios, prevenir doenças e aproveitar o percurso, caminhar é ótimo.
Para colher benefícios, no entanto, o caminhante deve estar atento à intensidade do esforço. É preciso andar rápido, não vale bancar a tartaruga --tendência da maioria.
Pesquisa feita com caminhantes em três parques de São Paulo pelo Centro Universitário Ítalo-Brasileiro mostrou que a maior parte não empregava a força necessária para usufruir dos efeitos da caminhada.
O coordenador da pesquisa, Vitor Tessutti, lembra que a atividade será ineficaz se for feita a passos vagos. "Dessa forma será gerado um estímulo débil no organismo, que não causará adaptação muscular e cardiovascular e não melhorará o condicionamento", diz ele, formado em esportes e mestre em ciência da reabilitação pela USP.
Quem pretende alcançar condicionamento físico em um período mais curto vai preferir a corrida. Em relação à caminhada, porém, os riscos de lesão são maiores.
Pesquisa com 574 atletas, publicada no "British Journal of Sports Medicine" em 2007, mostrou que 92% dos corredores estavam machucados. Segundo Tessutti, o risco pode ser reduzido com acompanhamento e treino certo.
Karime Xavier/Folhapress
A nutricionista paulista Nicole Odenheimer Trevisan, 41, trocou a corrida pela caminhada
A nutricionista paulista Nicole Odenheimer Trevisan, 41, trocou a corrida pela caminhada
LESÃO E ALEGRIA
Correr, evidentemente, é mais eficaz e rápido para quem quer perder peso.
"Perdi os 30 quilos que ganhei na gravidez correndo. No começo, fazia esteira. Depois, fui para a rua e não parei mais", conta a produtora de moda Paula Narvaez, 29.
Ela sabe bem os males da atividade: "Correr dá barato, vicia, machuca, cedo ou tarde. Só que também traz alegria, deixa o corpo bonito, manda embora o estresse, une pessoas de todos os tipos e classes e isso atropela os contras da corrida, como bolhas nos pés, unhas que caem, mamilos machucados".
Mulheres que correm podem machucar não apenas os seios. De acordo com Paulo Zogaib, médico do esporte e fisiologista da Unifesp, há casos de incontinência urinária causados pelo impacto da corrida. "A uretra da mulher é muito menor que a do homem. Se há uma pressão aumentada na bexiga, esse órgão não consegue conter a urina", diz.
O PRÓXIMO PASSO
Em compensação, na corrida o praticante tem mais benefícios aeróbicos em menos tempo. Há quem diga até que a corrida é o passo seguinte à caminhada. "O melhor condicionamento físico e o trabalho mais forte dos membros superiores são as maiores vantagens da corrida", opina Marcos Paulo Reis, especialista em tirar sedentários do sofá e colocá-los para correr.
No entanto, o impacto de correr pode prejudicar as articulações. Para quem está acima do peso, as chances de lesão no aparelho locomotor são de 80%, conforme Reis.
"Eu era corredora, fazia provas de dez quilômetros. Hoje, caminho. Acho mais eficiente para manter meu peso e meu condicionamento", depõe a nutricionista Nicole Odenheimer Trevisan, 41.
Ela, que se diz perfeccionista, conta que quando corria se sentia obrigada a seguir planilhas e atingir metas. "Caminhando, me sinto liberta da pressão por resultados."
Foi caminhando que a treinadora e especialista em fisiologia do exercício Camila Hirsch completou, 15 anos atrás, a maratona de Nova York. Em um grupo de cinco pessoas, fez 42 quilômetros em 6 horas e 31 minutos (equivale a um ritmo de 6,9 quilômetros por hora na esteira).
"Três pessoas do grupo não podiam correr por questões de saúde, mas o resto caminhou por opção. Foi incrível. Cumprir caminhando uma prova cujo objetivo é correr foi uma adaptação e uma quebra de barreiras", diz.
Para a treinadora, os efeitos da caminhada "são exatamente os mesmos" da corrida. "O trabalho nos glúteos é até mais forte, porque as pisadas são de calcanhar e a sobrecarga fica mais concentrada na região do quadril."
O problema, diz Camila, é a monotonia. Geralmente, os caminhantes realizam a mesma carga de exercício. A saída é alternar dias de caminhadas mais aceleradas e outros com ritmo mais lento, alternando também lugares íngremes e regiões planas.
"A caminhada precisa ter esse tipo de renovação. Se não houver intensidade, o benefício de emagrecimento vai diminuir aos poucos, como também o ganho de massa muscular."
Editoria de Arte/Folhapress

sábado, 27 de outubro de 2012

Braços e pernas reúnem 75% dos músculos e precisam ser exercitados


Saiba como evitar perda muscular e acúmulo de gordura ao longo da vida.
Médica e geriatra dão dicas sobre o que comer antes e depois do treino.

Nossos braços e pernas concentram 75% dos músculos do corpo e, para darem sustentação aos ossos, precisam ser exercitados ao longo de toda a vida.
Além disso, os músculos têm “memória”, ou seja, apresentam uma capacidade de “lembrar” como a pessoa já os trabalhou no passado e, assim, responder melhor às atividades. É como andar de bicicleta, a gente nunca esquece depois que aprendeu – mesmo que se passem décadas de sedentarismo.
A má notícia é que, depois dos 30 anos de idade, a perda de massa muscular e o acúmulo de gordura corporal se acelera, principalmente após os 60 anos.
Para saber como está a sua situação, existe um teste proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS): pegue uma fita métrica e veja a circunferência da sua panturrilha. Se ela for igual ou maior que 31 cm, significa que você tem uma boa reserva de massa muscular e está bem. Se a circunferência for menor que 31 cm, é sinal de tendência à perda de massa magra. Se você estiver doente, pode indicar, inclusive, uma desnutrição.
Segundo o geriatra João Toniolo e a médica do esporte Fernanda Lima, pelo espelho também é possível perceber o aumento dos músculos, principalmente nos braços e pernas.
Uma alimentação equilibrada também é fundamental para dar energia aos músculos. E só fazer musculação, sem pensar em que, quando e quanto comer para ganhar massa magra, pode acabar tendo o efeito contrário.
A principal dica é comer carboidratos antes de malhar, e proteínas e fibras depois. No período que precede a musculação, é recomendada a ingestão de carboidratos de rápida absorção (equivalente a duas fatias de pão), pelo menos 30 minutos antes do treino. Isso porque, na hora dos exercícios, a intenção é usar a energia (açúcar) do alimento para garantir um bom desempenho.
Comer exercício (Foto: Arte/G1)
Ir para a academia sem nada no estômago ou depois de comer alimentos que demoram a ser digeridos faz com o que seu corpo busque energia dos músculos para trabalhar. Com isso, a pessoa perde massa magra, e esse não é o objetivo.
O que não comer antes do treino: gordura (manteiga, requeijão, etc.), fibras (barra de cereais, granola, etc.) e proteínas (queijos, iogurtes e leite). Como esses três grupos demoram mais para serem digeridos e metabolizados, devem ficar para depois – as gorduras, com muito mais moderação que os outros dois alimentos.
Curiosidades 
- Temos mais de 600 músculos esqueléticos no corpo, que constituem de 45% a 55% de toda nossa massa corporal
- Para homens, o percentual de gordura ideal é de 25%. Para as mulheres, até 30%
- Existem exames, como a bioimpedância, que possibilitam medir o percentual de gordura, a massa magra e a quantidade de água corporal. Outros testes mais completos são capazes de medir a composição corporal total, que inclui, além do percentual de gordura e massa magra, a densidade óssea
Benefícios da musculação
- Aumenta a massa muscular
- Ajuda na perda e na manutenção do peso corporal
- Melhora a estabilidade
- Protege as articulações
- Aumenta a capacidade funcional
- Melhora o metabolismo de glicose e proteínas
- Melhora a função cardiovascular
- Diminui os fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2
- Previne a osteoporose
- Causa prazer e bem-estar
Dicas
- Antes de começar a praticar qualquer atividade física, faça uma avaliação médica (eletrocardiograma) e um teste físico que envolva condicionamento, flexibilidade e aferição de medidas
- Não ultrapasse o período de 1 hora diária de musculação. Se for passar mais tempo, faça atividades aeróbicas como esteira, bicicleta e step
- Faça atividade física pelo menos três vezes por semana
- Faça musculação supervisionada. Apesar de ser uma atividade de baixo risco de lesão, pode acontecer. Nesse caso, é preciso ficar em repouso
- Procure tomar sol de 10 a 15 minutos por dia para garantir a dose diária de vitamina D e prevenir a osteoporose

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Atividades na meia-idade diminuem riscos de doenças crônicas no futuro.



Com exercícios aeróbicos como caminhada e corrida, chances de desenvolver problemas como mal de Alzheimer no final da vida caem 20%.


OS PESQUISADORES examinaram os dados de 18.670 pacientes
Foto: Márcia Foletto
OS PESQUISADORES examinaram os dados de 18.670 pacientesMÁRCIA FOLETTO
RIO - Praticar atividades aeróbicas como caminhar e correr durante a meia-idade não só ajuda a prolongar a expectativa de vida, mas também aumenta as chances de envelhecimento saudável, livre de doenças crônicas no futuro, conclui estudo do Instituto Cooper. Por décadas, pesquisas mostraram que um alto nível de exercício cardiorrespiratório diminui o risco de morte, mas não se sabia até que ponto poderiam ter influência com o passar do tempo.
— Descobrimos que estar em forma não é apenas uma maneira de adiar o inevitável, mas também um método para reduzir o aparecimento da doença crônica nos últimos anos de vida — diz Jarrett Berry, autor do estudo.
Os pesquisadores examinaram os dados de 18.670 pacientes, homens e mulheres, do Estudo Longitudinal do Centro Aeróbico do Instituto Cooper, banco de dados com mais de 250 mil registros médicos mantidos durante um período de 40 anos. Análises mostraram que, quando pacientes aumentaram as atividades físicas em 20% na meia-idade, conseguiram diminuir as chances de desenvolver uma doença crônica, como insuficiência cardíaca, mal de Alzheimer e câncer de cólon. Os efeitos foram iguais em homens e mulheres.
— O estudo demonstra que as atitudes tomadas em determinado momento da vida podem ter efeitos mais tarde — explica Benjamin Willis, coautor da pesquisa.

sábado, 25 de agosto de 2012

Exercícios físicos regulares melhoram raciocínio e memória.


Exercícios físicos regulares melhoram raciocínio e memória.


Pilotos que se exercitam regularmente passam por testes que reprovam sedentários.


Exercícios físicos regulares melhoram raciocínio e memória
Foto: Fábio Rossi
Exercícios físicos regulares melhoram raciocínio e memóriaFÁBIO ROSSI
NOVA YORK _ Para saber mais sobre como o exercício afeta o cérebro, os cientistas na Irlanda pediram a um grupo de sedentários, todos estudantes universitários do sexo masculino, para participar de um teste de memória, seguido de exercícios extenuantes.
Primeiro, os jovens assistiram à projeção rápida de fotos, com os rostos e os nomes de pessoas desconhecidas. Após uma pausa, eles tentaram lembrar-se dos nomes que tinham acabado de ler, relacionando-os com as fotos, todos reunidos numa tela de computador.
Depois, metade dos estudantes fez um exercício de bicicleta estacionária, a um ritmo cada vez mais extenuante, até que todos estavam exaustos. Os outros ficaram em silêncio por 30 minutos, descansando numa sala. Em seguida, os dois grupos fizeram mais um teste, outro quebra-cabeças.
Qual o resultado? Os voluntários que fizeram exercícios tiveram desempenho significativamente melhor no segundo teste de memória do que haviam tido em sua primeira tentativa, enquanto os voluntários que tinham descansado não melhoraram sua performance.
Entre um teste e outro foram recolhidas amostras de sangue dos dois grupos e a análise laboratorial das amostras ofereceu explicação biológica para o impulso na memória entre os exercícios. Imediatamente após a atividade extenuante, os ciclistas apresentaram níveis significativamente mais elevados de uma proteína conhecida como fator neurotrófico cerebral derivado, ou BDNF (na sigla em inglês), conhecida por promover a saúde das células nervosas. Os homens que se sentaram em silêncio não mostraram mudança nos níveis de BDNF no sangue.
Os cientistas já sabiam que a BDNF ajuda a explicar porque o funcionamento mental parece melhorar com o exercício físico. Mas não entendiam completamente que partes do cérebro são afetadas ou como os efeitos deste fator influenciam o pensamento. O estudo irlandês sugere que os aumentos de BDNF solicitados pelo exercício pode desempenhar um papel particular na melhoria da memória.
Outros estudos também chegaram a conclusões semelhantes, entre pessoas e animais, jovens e velhos. Em um experimento publicado no mês passado, cientistas brasileiros descobriram que, depois que cobaias de laboratórios foram obrigadas a correr por apenas cinco minutos durante alguns dias da semana e num período de cinco semanas, uma cascata de processos bioquímicos que foi acionada no centro de memória de seus cérebros, culminando no aumento da produção de BDNF moléculas. Animais idosos, depois dos exercícios, tiveram desempenho tão bom em testes de memória quanto os animais mais jovens.
Outro estudo com animais, realizado por pesquisadores do Centro de Pesquisa Brain Injury da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e publicado em setembro na revista “Neuroscience”, mostrou que cobaias adultas autorizadas a exercitar-se à vontade durante uma semana tinham em seu centro de memória cerebral mais moléculas de BDNF do que cobaias que haviam permanecido sedentárias. Nos cérebros daqueles animais que se exercitavam fervilhava uma nova população de moléculas precursoras que, presumivelmente, em breve iria tornar-se moléculas de BDNF em pleno funcionamento.
Mas talvez a mais inspiradora das experiências recentes que envolvem o envelhecimento é um piloto humano. Para o experimento, publicado no mês passado na revista Translational Psychiatry, os cientistas da Escola de Medicina da Stanford University pediram a 144 experientes pilotos de aviação, todos entre 40 e 65 anos, para operar um simulador de cockpit. Os testes foram feitos três vezes, em ocasiões separadas, ao longo de dois anos.
Para todos os pilotos, o desempenho caiu um pouco como o passar dos anos. Isto mostra que uma redução semelhante por causa da idade é comum em todos nós.
_ À medida que envelhecem muitas pessoas acham mais difícil de executar tarefas qualificadas, como dirigir um automóvel, por exemplo _ comenta o Dr. Ahmad Salehi, professor associado de psiquiatria e ciências comportamentais da Universidade de Stanford e principal autor do estudo. _ Mas no caso desta experiência, o declínio foi particularmente notável entre um grupo específico de homens. E como haviam sido feitos testes genéticos em todo o grupo, os cientistas descobriram que havia uma variação genética comum a uma parte dos pilotos, e a esta combinação genética é conhecida por reduzir a atividade das moléculas BDNF no cérebro. Os homens com tendência genética para níveis mais baixos de BDNF tiveram redução em sua capacidade de realizar tarefas complicadas, uma redução medida em quase o dobro daquela apresentada por homens sem a variação genética.
A experiência-piloto não foi um estudo dos efeitos dos exercícios, mas levanta a questão de saber se o exercício extenuante pode retardar as quedas de BNDF, ou pode aumentar os seus níveis no cérebro, e, assim, resgatar a capacidade de realizar tarefas manuais qualificadas para pilotos passados da meia-idade.
_ Muitos estudos têm mostrado que o exercício aumenta os níveis de BDNF no organismo _ avalia o Dr. Salehi
_ O único fator que mostra resposta a mais rápida e mais consistente no desempenho cerebral é BDNF. Esta parece ser a chave para manter não apenas a memória, mas o bom desempenho em tarefas especializadas.
Para o Dr. Salehi, os próximos planos são examinar o histórico de prática de exercício dos pilotos, para ver se aqueles com o gene variante, que é comum entre pessoas de origens européias ou asiáticas, respondem de forma diferente para os treinos de memória e complexidade.
_ Em pessoas que têm a variante genética e apresentam menor atividade BDNF, o exercício é provavelmente ainda mais importante para o bom desempenho profissional _, diz Salehi. _ Mas, para todo o grupo, já existe comprovação muito forte de que a atividade física aumenta os níveis de BDNF e sem dúvida melhora a saúde cognitiva.

Novos estudos revelam como exercícios físicos na terceira idade atenuam problemas do idoso.


Novos estudos revelam como exercícios físicos na terceira idade atenuam problemas do idoso.


RIO - Quanto mais cedo se começa a praticar exercícios, melhor. Mas mesmo quem toma essa decisão tardiamente, depois dos 60, só tem a ganhar; não só em força como em capacidade cardiovascular. É o que confirmam dois novos estudos. Um deles foi realizado na Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex), no Rio, e avaliou por quase dois anos os efeitos da musculação em 175 pessoas (130 homens) acima de 63 anos. O outro é um trabalho americano com sedentários acima de 65 anos. Os resultados de ambos são evidentes: a atividade física faz bem em qualquer idade e mesmo quem começa tarde é beneficiado.
No estudo da Clinimex - apresentado na 7ª Conferência Mundial em Treinamento de Força, na Eslováquia - o objetivo foi saber se a musculação com ênfase em velocidade rápida no movimento atenuaria ou reverteria a perda natural de força com o envelhecimento. Segundo o professor de educação física Roberto Macedo Cascon, coautor, os participantes tiveram um ganho de força de até 7% ao ano.
- Considerando que a média anual de perda de força com o envelhecimento é de 2%, a musculação a longo prazo atenua ou até reverte esse processo - diz. - Esse ganho não é cumulativo, explica Macedo, sendo maior nos primeiros meses do programa.
Os voluntários fizeram exercícios de musculação convencional (incluindo supino, extensora e puxada), em l 2 séries de cinco a oito repetições. A diferença é a ênfase na velocidade rápida no movimento do exercício, diz o fisiologista.
- A força e a potência dão autonomia, melhorando a qualidade de vida. Além disso, o idoso fica menos vulnerável a quedas - afirma.
Para essa faixa etária, Macedo recomenda, de duas a três vezes por semana, uma média de 8 a 12 exercícios que envolvam os braços e as pernas; em duas a três séries, de cinco a oito repetições com carga de 60% a 80% da máxima. E enfatizando a alta velocidade de execução, com orientação de professor.
Já o estudo americano - publicado na revista "Circulation" - avaliou os benefícios cardiovasculares de um ano de treino intenso e progressivo em sedentários acima de 65 anos. Os autores observaram que os idosos apresentaram melhora da função ventricular. Isso significa que o coração deles se tornou mais apto a responder as exigências durante o esforço e com menor sobrecarga, explica o professor de educação física Marcelo Cabral:
- Isso é um importante indicador de saúde cardiovascular.
Cabral alerta que esse foi um estudo controlado, no qual todos tiveram seu estado de saúde bem avaliado para assegurar que eram saudáveis e que o risco na execução do exercício seria baixo na pesquisa.
- Ninguém nessa idade pode fazer esforço intenso antes de uma avaliação cardiológica - reforça.
Outros estudos, lembra Cabral, comprovam os benefícios da prática de exercícios na capacidade de relaxamento e dilatação dos vasos para ajustarem o fluxo sanguíneo. Além disso, a atividade física diminui a quantidade de triglicerídeos e aumenta o nível de colesterol HDL, a fração boa. Ele cita pesquisa na "British Medical Journal", mostrando que indivíduos que só começaram a se exercitar depois dos 50 anos tiveram redução na taxa de mortalidade semelhantes ao grupo que se exercitava há mais tempo.
Portanto, vale muito a pena começar a se exercitar em qualquer fase da vida, insiste Cabral. Ele recomenda, para quem tem mais de 60 anos - e depois da liberação do médico -, a prática de atividade aeróbica, como caminhar e andar de bicicleta. Esses exercícios podem ser iniciados por idosos saudáveis, de duas a três vezes por semana com duração de 20 a 30 minutos, em intensidade leve e progredindo para cinco a sete dias na semana, com duração de 30 a 60 minutos cada dia. Depois, sempre com orientação de profissional, pode-se elevar a intensidade em alguns dias da semana, por pelo menos mais alguns minutos.

Sem preguiça para ficar em forma.


Sem preguiça para ficar em forma.

Pesquisa mostra que caminhar é o exercício preferido dos brasileiros que se exercitam regularmente, mas sedentarismo ainda atinge 40% da população.



MARIA CECILIA Vaz, que tem hérnia de disco, é orientada pelo professor Júnior Carvalho, no The Pilates Studio: desde que começou os exercícios, ela não sente mais dores
Foto: Carlos Ivan
MARIA CECILIA Vaz, que tem hérnia de disco, é orientada pelo professor Júnior Carvalho, no The Pilates Studio: desde que começou os exercícios, ela não sente mais doresCARLOS IVAN
RIO - Beneficiados, por um lado, pelas belezas naturais dos quatro cantos do país, e, prejudicados, por outro, pela falta de equipamentos públicos que favoreçam a prática esportiva, os brasileiros elegem como sua atividade física preferida a caminhada, revelou uma pesquisa feita pela Proteste, entidade de defesa do consumidor. O dado mais impressionante, porém, é o índice ainda muito alto de sedentarismo: cerca de 40% dos brasileiros não se exercitam, embora a maioria saiba que deveria fazê-lo a fim de prevenir doenças. Outros estudos trazem dados ainda mais preocupantes: um deles, feito pelo InCor, de São Paulo, sustenta que o índice de sedentarismo chega a 70%. E a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), feita em 2008 e publicada em 2010, concluiu que um em cada cinco brasileiros é pouco ativo. A disparidade entre os números dos estudos se deve à dificuldade de definir o que é sedentarismo. Afora a discussão teórica, importante mesmo, dizem os especialistas, é manter-se ativo. Para quem não gosta de exercícios formais, vale gastar energia levando o cachorro para passear, seguir caminhando ou pedalando para seus compromissos e até arrumar a casa.
— Este tipo de atividade não torna ninguém um atleta, mas gastar de 300 a 400 quilocalorias por dia já é capaz de trazer benefícios para a saúde — observa o professor Walace Monteiro, pesquisador do Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde da Uerj. — E é bom lembrar que exercício não é vacina: se você para de fazer, cessa o efeito de proteção ao organismo.
A pesquisa da Proteste teve a parceria de entidades de consumidores da Itália e da Espanha e considerou inativos os entrevistados que faziam menos de uma hora de caminhada por semana. Ouviu cerca de sete mil pessoas, nos três países. Aqui, foram 1.116 indivíduos, entre 18 e 70 anos, moradores das cinco regiões. A maioria vive em áreas urbanas e tem pelo menos o ensino médio completo. Os brasileiros revelaram-se os mais sedentários: na Espanha, eles corresponderam a 21% dos entrevistados, e na Itália, a 33%. O Rio de Janeiro acompanhou a média da região Sudeste, onde cerca de 60% das pessoas são ativas.
— Perto do litoral, as pessoas costumam ser mais ativas. No Rio, a mentalidade do culto ao corpo ainda faz aumentar o número de pessoas que se exercitam — diz Melissa Reis, pesquisadora estatística da Proteste. — A disponibilidade de espaços e equipamentos públicos também influencia os hábitos dos brasileiros.
A pesquisa avaliou ainda o impacto da prática de exercícios na qualidade de vida, e concluiu o esperado: quanto mais atividade, mais saúde física e mental. Para Walace Monteiro, porém, os efeitos estéticos e o medo de doenças ainda são os principais estímulos para o exercício, em detrimento do prazer de realizá-lo como lazer e da consciência de sua importância para a saúde. Luiz Oswaldo Rodrigues, coordenador do doutorado em Ciências do Esporte da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda:
— Do ponto de vista da evolução da espécie humana, atividade física diária deveria ser o padrão, até porque quem não faz fica doente. Porém, a espécie humana foi criada para gastar a energia necessária procurando seu alimento e guardar a restante em forma de gordura, no que se chama de princípio geral da economia de energia. Nos últimos 11 mil anos, com a civilização, a atividade física foi se tornando cada vez menos obrigatória. Hoje, a maioria das pessoas só a procura depois que leva um susto, como sofrer um infarto.
O importante, segundo médicos e preparadores físicos, é escolher uma atividade com a qual se tenha afinidade. E o estudo da Proteste mostrou que cada faixa etária tem suas preferências. Jovens de 18 a 29 anos gostam mais de musculação. Estudante de biomedicina, Juliana Cantagalli Pfisterer, de 22 anos, se encaixa neste perfil. Moradora de Copacabana, ela faz exercícios com aparelhos numa academia de três a quatro vezes por semana, além de ginástica localizada. Ocasionalmente, corre na praia.
— Comecei a musculação há quatro anos, porque sempre gostei do ambiente de academia e queria resultados estéticos rápidos. Mas, claro, também penso na saúde; me sinto muito bem com o exercício — diz.
A caminhada faz principalmente a cabeça de quem tem de 30 a 49 anos, mostrou o levantamento. E os mais velhos, com idades de 50 a 64 anos, optam prioritariamente pela ioga ou pelo pilates. É o caso de Maria Cecília Vaz, de 60 anos, que encontrou no pilates um alívio para as dores causadas por uma hérnia de disco.
— Eu fazia ginástica esporadicamente, de forma errada, e acabei com uma hérnia. Dois médicos disseram que eu não poderia mais carregar bolsa nem empurrar carrinho de supermercado, e um terceiro me sugeriu RPG para fortalecer a musculatura do abdômen e a coluna — conta ela, que caminha na praia antes de ir para a academia. — Mas eu tinha ouvido falar do pilates e, com o consentimento dele, fui experimentar. Isso foi há nove anos. Comecei a fazer uma vez por semana, até aumentar para três, e, salvo pelo período em que nasceram meus netos gêmeos, nunca parei e nem pretendo parar. Deixei de senti dor.
Os especialistas dizem que mesmo quem tem problemas de saúde crônicos deve se exercitar.
— E quem quer começar deve passar por uma avaliação cardiológica, e, dependendo do caso, exames complementares. Depois, o ideal é procurar um profissional de educação física para saber com que regularidade praticar cada atividade — aconselha Newton Nunes, doutor em educação física pela USP e especialista em reabilitação cardiovascular pelo InCor.

Metade dos brasileiros não pratica atividades físicas.


Metade dos brasileiros não pratica atividades físicas


Média está muito acima da registrada em 122 países, que é de 31%

RIO. A pouco mais de uma semana do início dos Jogos Olímpicos de Londres, a revista “The Lancet” publicou uma edição com cinco estudos que mostra como a população está fora de forma. Seus coordenadores compararam pesquisas da área de saúde feitas com a população adulta (acima de 15 anos) de 122 países, que concentram 89% da população mundial. O sedentarismo causa 5,3 milhões por ano — mais do que o tabagismo (5,1 milhões). E o Brasil não saiu bem no retrato: 49,2% de sua população é fisicamente inativa. A média mundial é de 31%.

O conceito de atividade física suficiente é de meia hora de exercícios moderados cinco dias por semana, ou 20 minutos de práticas mais intensas três vezes semanalmente, ou ainda alguma combinação entre essas duas formas.
O percentual brasileiro de homens fisicamente inativos (47,2%) é semelhante ao visto em países escandinavos e aos ibéricos, mas acima do visto nos Estados Unidos e Canadá (ambos entre 30-39%) e França, Alemanha, Rússia e China (todos entre 20 a 29%).
Um índice pior que o das mulheres brasileiras (51,6%) é visto em ainda menos países — entre eles África do Sul (56,5%), Reino Unido (68,6%) e Argentina (70,9%).
O sexo feminino, quase no mundo inteiro, é mais sedentário que o masculino: 34% delas não praticam exercícios, enquanto 28% dos homens estão na mesma condição. Há, no entanto, exceções: em países como Rússia, Croácia, Luxemburgo, Grécia e Iraque, elas se mexem mais do que eles.
Malta, um arquipélago no sul da Europa, é a nação mais preguiçosa: 72% dos adultos de lá praticam menos exercício do que o recomendado. Suazilândia e Arábia Saudita vêm logo atrás, com 69% da população avessa à atividade física. No outro extremo da tabela, Bangladesh aparece como o país mais preocupado com a boa forma: apenas 5% dos adultos declaram não fazer exercícios.

Inatividade é mais letal que fumo e causa 7% das diabetes tipo 2 .


Inatividade é mais letal que fumo e causa 7% das diabetes tipo 2

O sedentarismo é mais letal do que o hábito de fumar. O maior levantamento sobre atividade física já realizado, e divulgado a pouco mais de uma semana dos Jogos Olímpicos de Londres, mostrou que o tabaco faz 5,1 milhões de vítimas anualmente no mundo. A inatividade é ainda pior: 5,3 milhões — em 2008, isso seria quase 10% da quantidade total de mortes (57 milhões). Quantidade suficiente para ser classificado pelos pesquisadores como “pandemia”. A falta de exercícios responde por 6% das doenças coronarianas, 7% das diabetes tipo 2, e 10% dos cânceres de mama e de pulmão.
Dos adolescentes, 80% são inativos
Sede da próxima Copa do Mundo e próximo país a receber as Olimpíadas, o Brasil surpreendeu negativamente. Considerando todas as 122 nações analisadas pelo levantamento, onde se concentram 89% da população do planeta, o percentual de sedentários é de 31%. Aqui, é de 49,2%. Um dos coordenadores da pesquisa, o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade de Pelotas, acredita que o país sofre com um “ambiente desfavorável” ao exercício.
— Uma pessoa de nível socioeconômico baixo, que trabalha e estuda o dia inteiro e não tem dinheiro para pagar uma academia, não vai praticar qualquer atividade física na rua à noite — explica Hallal, um dos 33 pesquisadores envolvidos com o trabalho. — Há intervenções sendo testadas em diversas cidades e que, em cinco ou dez anos, podem fazer o índice de sedentários cair bruscamente, como o fechamento de ruas para ciclistas e pedestres no fim de semana e o advento de academias populares. E também é preciso investir em políticas de maior escala, como estimular o gosto pela educação física nas escolas.
Não é uma missão fácil. Em todo o mundo, 80% dos adolescentes se negam a levantar da poltrona. Ao menos na quantidade necessária para se considere sua vida saudável. Entre os adultos, segundo a Organização Mundial de Saúde, isso equivale a 2 horas e meia semanais de exercícios moderados. Nos mais jovens, é o dobro do tempo.
— Mesmo que a exigência seja maior, é um absurdo que um percentual tão grande não a atinja — condena Hallal. — Pelo histórico das últimas décadas, tudo indica que a situação tende a piorar. O exercício faz a diferença mesmo que ainda carecem de mais análise. Existe forte evidência, por exemplo, que um gordinho ativo tem saúde melhor do que o magro sedentário.
O computador está por trás da frente da “pandemia” dos sedentários. O dispêndio energético do americano no trabalho caiu, em média, 100 kcal nos últimos 50 anos. Os Estados Unidos não tiveram um resultado excelente no ranking, mas ficaram à frente do Brasil — apenas 40,5% de sua população não é ativa fisicamente.
Na maioria dos países, os homens são mais ativos fisicamente do que as mulheres — 27,9% deles não fazem exercícios; entre elas, o índice é 33,9%.
— É uma questão cultural. No Sul da Ásia, por exemplo, a diferença entre os sexos é abismal, até porque as mulheres não vão para a rua — lembra Hallal. — Mas, mesmo em países ocidentais, os homens costumam ser mais engajados em aproveitar seu tempo de lazer com atividades físicas. E as mulheres atacam o sedentarismo com atividades domésticas. Não é preciso praticar esporte. Basta fazer algo que eleve o batimento cardíaco .
O ranking é farto em dados insólitos, especialmente em seus extremos. Nem sempre os países desenvolvidos têm mais pessoas dispostas a correr atrás de sua saúde. Malta, um arquipélago no sul europeu, é o lar dos preguiçosos: 71,9% de sua população não pratica atividades físicas. Bangladesh, por sua vez, é o mais preocupado com a boa forma: só 4,7% de seus habitantes são inativos.
Hallal considera que sedentarismo e tabagismo são igualmente danosos à saúde. O primeiro mata mais em números absolutos, enquanto o segundo é pior proporcionalmente. Afinal, 26% da população fuma, enquanto 31% não pratica exercícios.

Não fazer exercício pode reduzir em até 10 anos a expectativa de vida.


Não fazer exercício pode reduzir em até 10 anos a expectativa de vida


Pesquisadores do Simpósio sobre Balanço Energético da Série Científica Latino Americana apresentam estudos sobre qualidade de vida


Não há no mercado uma droga que substitua a prática de exercícios, afirma especialista
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Não há no mercado uma droga que substitua a prática de exercícios, afirma especialistaMARCO ANTONIO REZENDE / AGÊNCIA O GLOBO
O exercício regular pode aumentar em até 10 anos a expectativa de vida e reduzir em até 50% a chance de desenvolver doenças crônicas, como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, segundo especialistas do Simpósio sobre Balanço Energético da Série Científica Latino Americana.
— O controle inadequado do balanço energético é provavelmente a principal causa de obesidade que afeta a América Latina — disse o Dr. Fernando Lavalle, presidente do Comitê Científico responsável pela organização do simpósio.
Durante o encontro, o especialista em Medicina Interna da Universidade de Rosário, na Colômbia, John Duperly, apresentou pesquisas sobre os benefícios da atividade física e mencionou que fazer uma hora diária de exercícios ativa cerca de 800 genes, que contribuem, por exemplo, para reduzir em até 50% o desenvolvimento de doenças fatais. Segundo ele, não há no mercado uma droga que substitua a prática de exercícios.
Ele explicou que cinco intervenções no estilo de vida podem reduzir o risco de até 90% de desenvolver Diabetes tipo 2. Essas mudanças são: não fumar, ter um consumo moderado de álcool, comer cinco porções de frutas e vegetais, fazer pelo menos 150 minutos de exercícios físicos por semana, equivalente a meia hora por dia, e ter um peso adequado.
— Compreender o comportamento humano e mudá-lo é o maior desafio do balanço energético — disse Duperly.
Já o pesquisador Eric Ravussin, diretor do Centro Biomédico Pennington de Pesquisa em Nutrição da Universidade da Louisiana, disse que um dos fatores determinantes para o ganho de peso da população é o aumento do consumo de gordura, que têm um maior impacto no desequilíbrio de energia e é mais nociva do que os carboidratos e açúcares.
O especialista explicou que o metabolismo do corpo humano funciona de forma diferente para carboidratos e gorduras. Enquanto que os primeiros vão para o fígado e servem para proporcionar energia ao músculo esquelético, as gorduras servem para aumentar o tecido adiposo. No entanto, segundo ele, é preciso mais estudos que tentem explicar o desequilíbrio entre a ingestão de calorias e o gasto energético:
— No meio ambiente há muitos gatilhos que podem disparar a obesidade e ainda há muitas coisas por saber.