sábado, 13 de outubro de 2012

Muita confusão sobre o colesterol


Grande parte dos pacientes não trata bem o colesterol alto porque não consegue entender o problema

Greice Rodrigues
As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte em todo o mundo. Só no Brasil, matam mais de 300 mil pessoas por ano. E esse número, diz a Organização Mundial da Saúde, deverá aumentar 28% até 2020. Mas uma questão sobre o problema atormenta os especialistas: por que tantas pessoas não conseguem resultados ou abandonam o tratamento simplesmente? Agora, descobriu-se que o desconhecimento dos pacientes é uma das razões do fenômeno, talvez a principal. Uma pesquisa feita em dez países (entre eles o Brasil) com 1.547 pacientes que apresentam colesterol elevado revelou uma situação espantosa. A suprema maioria das pessoas simplesmente não consegue entender a dimensão do problema e é incapaz de relacionar o excesso dessa gordura no sangue, um mal quase sempre silencioso, a doenças sérias como o infarto no miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais.
O trabalho, realizado pelo laboratório AstraZeneca, mostrou que nada menos que 74% dos entrevistados não associaram o ataque cardíaco ao colesterol alto, fato comprovado pela ciência há décadas. Outra informação preocupante é a de que, para 64% dos ouvidos, o diagnóstico não é motivo para preocupação. Para 50% deles, o câncer, essa sim, é a doença mais temida. O quadro de ignorância entre os pesquisados no Brasil é ainda mais grave. Oito em cada dez deles não sabiam que colesterol elevado pode provocar um infarto, 64% acreditam que outras doenças matam mais que as cardiovasculares, 50% não se lembravam dos seus níveis dessa gordura no sangue e 68% não souberam dizer qual seria o patamar saudável. Um cenário considerado crítico pelo médicos. “É conseqüência de uma cadeia de informação deficitária. Primeiro, muitos médicos negligenciam o problema. Além disso, o paciente não cobra informações do médico ou prefere não dar atenção às recomendações. E, por fim, o governo não investe em campanhas para esclarecer a população”, afirma o cardiologista Raimundo Marques do Nascimento, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Também foram ouvidos 750 médicos, para analisar se a comunicação com os pacientes ocorre de maneira satisfatória. Nada menos que 99% afirmaram que informam os pacientes sobre as taxas de cada um e os cuidados a serem tomados. Há algo errado nessa relação. Se o porcentual de médicos que realmente esclarecem seus pacientes for pelo menos próximo do revelado na pesquisa, o problema é de forma de comunicação. Do jeito que está, a situação é clara: um fala, mas com termos que o outro não entende.

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