sábado, 13 de outubro de 2012

Falta de libido na mulher



A falta de desejo sexual, ou a diminuição da libido é relativamente comum no sexo feminino, atingindo tanto mulheres jovens como aquelas em fase pré e pós-menopausa. As estatísticas médicas sobre o tema não são absolutamente seguras e confiáveis. A maior parte resulta de entrevistas ou incômodos questionários distribuídos a grandes grupos femininos. No entanto, estima-se que o baixo desejo sexual possa estar presente em 25 a 53% das mulheres de 25 a 70 anos, em condições sócio-econômicas diversas, nível cultural precário ou elevado, em diferentes etnias, vivendo em zonas urbanas ou rurais.
Esta queixa de ‘baixo’ desejo sexual sempre é uma das principais afirmações da mulher, seja em consulta com seu ginecologista, seja quando solicita orientação do endocrinologista, porque se acredita que o problema é ‘hormonal’. O fato é que libido decrescente pode causar problemas no relacionamento íntimo do casal e, talvez, seja um dos motivos pelo qual a mulher não se aventura a um novo relacionamento. É óbvio que a diminuição de atração sexual é multifatorial podendo ser ligado a um relacionamento tumultuoso, cheio de problemas pessoais, financeiros, familiares, até a negligência do parceiro no aspecto físico, presença de moléstia crônica, tratamentos prolongados para depressão ou angústia, perda do emprego (tanto de um como do outro parceiro), certos medicamentos que agem no sistema nervoso central, e falta total de hormônio feminino (menopausa precoce). Todos estes fatores podem estar isoladamente presentes ou se associarem causando a chamada frigidez na mulher.
As opções de tratamento
O tratamento ideal para tentar resolver o problema da queda da libido feminina passa por uma avaliação completa, quer do ponto de vista físico, como da avaliação psicológica da paciente. É importante saber de detalhes da vida do casal, do grau de intimidade e liberdade de discutir o problema entre eles, avaliação das condições familiares e mesmo das condições financeiras. A seguir vem a avaliação endocrinológica, mensurando-se os hormônios femininos e igualmente o nível de hormônio masculino (testosterona).
Outro hormônio importante a ser avaliado é a prolactina. Este hormônio, que surge na fase de amamentação, propicia condições de estímulo constante para que os canais lactotróficos (que secretam leite materno) produzam o alimento para o recém-nascido. O ato de sugar o seio é estímulo constante para que a prolactina se mantenha elevada. Não raramente a glândula hipófise pode secretar prolactina fora do período de lactação, isto é, surgem gotículas de leite ao se apertar os mamilos. Este é um sinal de que a prolactina está anormalmente elevada devido a um possível pequeno tumor na hipófise. A prolactina é importante frenador do desejo sexual da mulher e existem medicamentos que corrigem o excesso de prolactina e ‘curam’ o tumor.
O uso de hormônios para queda do libido
A presença de pequenas quantidades de hormônio masculino (testosterona) na fisiologia da mulher tem papel importante na libido. A administração de testosterona a mulheres em idade fértil (não menopausadas) leva a maior e mais freqüente desejo sexual e possibilita atingir o clímax sexual. Na fase pós-menopausa, os vários estudos do uso de testosterona foram, na maioria, apenas conduzidos em mulheres que estavam sob o uso de reposição hormonal, seja somente com estrógenos (hormônios femininos), ou com estrógeno e progesterona, o outro hormônio feminino que surge após ovulação. Isto porque a mulher que não está sob reposição hormonal feminina pós-menopausa, terá certas dificuldades físicas no ato sexual devido à falta de lubrificação vaginal. 
Muito recentemente um grupo de cientistas iniciou uma pesquisa com grande número de mulheres que reclamavam de queda da libido. Todas as mulheres já estavam no período da menopausa e não estavam sob reposição hormonal. Foi administrada testosterona por meio de um adesivo sob a pele com cerca de 150 microgramas de hormônio masculino (testosterona) em metade das pacientes. A outra metade recebeu um adesivo idêntico de placebo.
Após 24 semanas os pesquisadores notaram que no grupo de mulheres com uso real de testosterona ocorreram vários eventos que indicaram, seguramente, melhora em vários setores da vida sexual, como desejos sexuais mais freqüentes, orgasmo presente, prazer nas carícias, melhora do humor, sono mais tranqüilo, e vida familiar mais harmônica. Doses maiores (300 microgramas) de testosterona, curiosamente, aumentaram os efeitos positivos deste hormônio na área sexual, mas somente em mulheres com menopausa natural, isto é, que não tinham sido operadas de útero e ovários.
Tanto a dose menor (150) como a maior (300) levou a algumas reações chamadas androgênicas (ou características de hormônio masculino), tais como acne, pêlos no queixo e, raramente, voz mais grave. Obviamente quando mediram o teor de testosterona na circulação, notou-se elevação deste hormônio somente nas que realmente foram tratadas com o adesivo hormonal. É interessante observar que as que foram tratadas com placebo, inicialmente, também se sentiram melhor (efeito psicológico?), mas não houve significativa elevação da libido. Os autores concluíram que as doses pequenas de testosterona (150 microgramas) são mais seguras, com poucos efeitos colaterais e atingem seus objetivos.
De qualquer forma existem outras formas de se introduzir testosterona em mulheres pré e pós-menopausada. Injeções mensais, implantes de estradiol e testosterona, creme cutâneo contendo testosterona associado ou não com creme estrogenico vaginal, e, finalmente, comprimidos de testosterona. Cabe a seu médico decidir qual a melhor forma e via de aplicação para obtenção de efeitos desejáveis.

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