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domingo, 7 de abril de 2013

Redução de três gramas no consumo diário de sal já seria suficiente para salvar milhares de vidas, diz pesquisa



Segundo estudo britânico, a redução da quantidade de sal nas refeições evitaria problemas cardíacos, derrames e infartos

Exagero no sal: cerca de 69% das mulheres e 88% dos homens brasileiros consomem quantidades diárias de sódio acima das recomendadas
Exagero no sal: cerca de 69% das mulheres e 88% dos homens brasileiros consomem quantidades diárias de sódio acima das recomendadas (Thinkstock)
A redução da quantidade de sal na dieta das pessoas seria capaz de salvar milhões de vidas ao redor do mundo, diminuindo os níveis de doenças cardíacas e derrames. A pesquisa foi publicada no periódico científico British Medical Journal e conduzida pelo professor Francesco Cappuccio, da Warwick Medical School.
De acordo com a pesquisa, uma redução de três gramas de sal na ingestão diária resultaria na prevenção de 8.000 mortes por derrame e de 12.000 óbitos por doença coronariana por ano no Reino Unido.
Uma redução similar nos Estados Unidos resultaria em 120.000 menos casos de doenças cardíacas, 66.000 derrames e 99.000 ataques cardíacos a menos por ano. De acordo com o estudo, com a prevenção seriam economiazados 24 bilhões por ano com assistência médica.
A Organização Mundial da Saúde possui uma missão global para reduzir o consumo de sal para menos de 5 gramas por pessoa até 2025. O consumo de sal em alguns países, porém, supera muito esse número. Estima-se que o brasileiro consome, em média, 12 gramas de sal por dia.
Para Cappuccio, apenas a mudança de comportamento das pessoas não é suficiente para mudar essa realidade porque, segundo ele, grande quantidade do sal é adicionada ao produto antes mesmo de ele ser vendido. “A indústria alimentícia contribui para a epidemia de doenças cardiovasculares. Essa responsabilidade precisa ser reconhecida”, diz Cappuccio.
Em julho deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde lançaram a campanha Menos Sal. Sua Saúde Agradece!, que busca reduzir o consumo de sal do brasileiro. A proposta é conscientizar a população sobre os problemas causados à saúde pela ingestão excessiva de sal.

Estudo revela como alto consumo de sal causa hipertensão


Segundo pesquisa, proteína tem papel ativo no mecanismo que leva à doença

Exagero no sal: cerca de 69% das mulheres e 88% dos homens brasileiros consomem quantidades diárias de sódio acima das recomendadas
Sal: em alta quantidade, ativa proteína que faz o organismo reter líquido e resulta em hipertensão (Thinkstock)
O consumo de sal e a obesidade estão ligados diretamente ao desenvolvimento da hipertensão. Já é sabido que, combinados, os dois fatores podem provocar sérios danos aos rins e ao coração. Pela primeira vez, no entanto, a ciência parece ter desvendado o mecanismo molecular desse processo. Segundo estudo coordenado por Toshiro Fujita, chefe do departamento de nefrologia e endocrinologia da Universidade de Tóquio, o consumo exagerado de sal e a obesidade ativam uma proteína chamada Rac1.

Saiba mais

Rac1
Esta proteína ativa um receptor nas células do rim que faz com que haja uma reabsorção do sal, levando ao acúmulo de líquido no organismo. Normalmente, a Rac1 atua regulando uma série de processos nas células, como o crescimento, a diferenciação epitelial e a adesão entre as células.
Quando essa proteína é ativada inicia-se uma reação em cadeia no organismo que leva ao acúmulo de líquido, resultando em hipertensão. Quando funciona normalmente, a Rac1 regula uma série de processos, como o crescimento das células.
Em testes de laboratório com ratos, Fujita e sua equipe descobriram que remédios que inibiam a ação da Rac1 obtiveram sucesso em reduzir a hipertensão. De acordo com o cientista japonês, a descoberta pode levar a novos tratamentos para a hipertensão. Atualmente, há uma série de medicamentos para tratar a hipertensão que atuam de maneiras diferentes, desde de diuréticos que eliminam o excesso de líquidos e sódio do organismo, até bloqueadores de enzimas que relaxam os vasos sanguíneos e vasodilatadores, que possuem o objetivo comum de baixar a pressão.

Comer mais potássio e menos sal protege o coração


Novos estudos concluem que o potássio, encontrado em vegetais frescos, ajuda a reduzir a pressão alta e o risco de AVC. E, para especialistas, redução do consumo de sal deve ser ainda maior do que a proposta pela OMS

Vegetais frescos: Comer mais alimentos como esses - e menos sal - pode ser o segredo para um coração saudável
Vegetais frescos: Comer mais alimentos como esses - e menos sal - pode ser o segredo para um coração saudável(Thinkstock)
Uma série de estudos publicados nesta quinta-feira no site da revista British Medical Journal(BMJ) reforçou que reduzir o consumo de sódio ajuda a evitar problemas cardíacos — e ainda revelou que ingerir maiores quantidades de potássio, encontrado principalmente em frutas, verduras e legumes frescos, também propicia esse benefício. De acordo com as conclusões de um deles, uma alta ingestão de potássio pode diminuir em até 24% o risco de uma pessoa sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
Uma das pesquisas divulgadas pela revista, que se concentrou em avaliar os efeitos do potássio sobre a saúde, foi feita por especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e é uma revisão de 33 trabalhos sobre o assunto. Os resultados do estudo mostraram que consumir de três a quatro gramas de potássio por dia já é o suficiente para reduzir a pressão arterial e pode diminuir o risco de um derrame cerebral.
De acordo com o artigo, o potássio é fundamental para o funcionamento das células. Cada vez mais, as pessoas deixam de consumir o nutriente em quantidades adequadas, já que os alimentos industrializados reduzem os níveis de potássio na comida. Por isso, quanto mais alimentos frescos forem consumidos, maiores níveis do nutriente uma pessoa vai ingerir.  Fontes ricas em potássio incluem alimentos como feijão, ervilhas, couve, espinafre, banana e mamão.
Outra pesquisa publicada pelo BMJ reforçou as recomendações da OMS de que reduzir o consumo diário de sódio é fundamental para proteger a saúde do coração, mas indicou que essa diminuição deva ser ainda maior do que a proposta pelo órgão de saúde.
Segundo a OMS, a população mundial consome, em média, de 9 a 12 gramas de sal por dia, o equivalente a entre 3,6 e 4,8 gramas de sódio. Para o órgão, o ideal é que sejam ingeridos não mais do que cinco gramas de sal diariamente. Porém, de acordo com esse estudo, que foi feito na Universidade de Londres Queen Mary, embora a redução proposta pela OMS ajude a controlar a pressão arterial das pessoas, esse benefício pode ser ainda maior se as pessoas passarem a consumir, no máximo, três gramas de sal ao dia. Essa pesquisa foi feita com base na revisão de 34 estudos realizados anteriormente.
Assunto em evidência — A OMS elegeu a hipertensão como tema do Dia Mundial da Saúde deste ano, que acontece em 7 de abril. Segundo o órgão, a doença causa 9,4 milhões de mortes todos os anos no mundo e é responsável por 45% de todas as mortes por ataque cardíaco e 51% dar mortes por AVC registradas globalmente. Um estudo publicado em 2012 na revista The Lancet revelou que a pressão alta é o principal fator de risco à saúde da população mundial — há 20 anos, a doença ocupava o quarto lugar nesse quesito, ficando atrás do baixo peso infantil, da poluição dentro de casa e do tabagismo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Só 20% de grupos de alimentos têm teor de sódio adequado



Queijo ralado e macarrão instantâneo são os com maior quantidade de sal; excesso pode gerar hipertensão e diabetes

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Pesquisa feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou alto teor de sódio em alimentos vendidos no País. O trabalho foi feito com base na análise de 26 tipos de produtos, como bolachas e frios. Dos grupos analisados, apenas cinco apresentaram níveis do ingrediente considerados adequados.
 
O produto campeão em teor de sódio, de acordo com a pesquisa da Anvisa, é o queijo parmesão ralado: uma média de 1.981 miligramas por 100 gramas do produto. Em seguida está o macarrão instantâneo, com 1.798 miligramas por 100 gramas do produto. "O que nos preocupa é que boa parte dos alimentos com alto nível de sal é muito consumido por crianças", diz a gerente-geral de alimentos da Anvisa, Denise de Oliveira Resende.
 
O excesso de sódio na dieta é considerado fator de risco de problemas como hipertensão e diabete. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o nutriente seja usado com parcimônia: no máximo 2 gramas diárias de sódio, o equivalente a 5 gramas de sal. Para se ter uma ideia, 100 gramas de parmesão conteria a quantidade. O brasileiro consome 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro do recomendado pela OMS.
 
O macarrão, assim como bolachas e salgados de milho, integram o programa de redução de sódio de produtos processados no País, feito pelo Ministério da Saúde e Associação Brasileira de Indústrias de Alimentação. O acordo, anunciado em 2011, prevê a retirada gradual do sódio de alimentos processados. Até agora foram anunciadas reduções para 13 classes de alimentos. A meta é retirar até 20 mil toneladas de sódio até 2020.
 
A redução programada, porém, é considerada tímida por nutricionistas e entidades ligadas ao direito do consumidor. "Mesmo com a mudança, produtos vão continuar com alto teor de sódio. Em outras palavras: o brasileiro continuará consumindo muito mais do que o recomendado", diz o gerente do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Carlos Tadeu de Oliveira. Ele cita como exemplo o macarrão: "A meta é 1.920 miligramas de sódio. Quase a necessidade de um adulto para o dia todo".
 
Denise afirma que uma redução drástica traria problemas para empresas e afastaria o consumidor. "As pessoas poderiam estranhar o sabor. Além disso, há um problema técnico: o sódio é importante para conservar os alimentos." Pelo cronograma, a partir de 2013 alguns produtos já devem ser comercializados com menos sódio em sua composição. "Pelas análises que fizemos, alguns produtos já apresentam uma média menor do que a foi acordada, como a maionese", afirma Denise. A meta é que o produto tenha, no máximo, 1.283 mg/100g. A média encontrada pela Anvisa está em 1.096.
 
Fiscalização
 
A gerente diz que o controle sobre o cumprimento do acordo começará a ser feito a partir de 2013. "Se números revelarem que a adesão está baixa, não está descartada a possibilidade de criar metas obrigatórias." Para Oliveira, no entanto, medidas mais ousadas poderiam ser adotadas rapidamente. "O acordo tentou abrandar as discussões sobre uma regulamentação mais severa. Autorregulamentação pode ser benéfica, mas os padrões têm de ser adequados."
 
Denise destaca que várias amostras de um mesmo produto apresentam teores diferentes de sódio, como o queijo parmesão: a diferença entre produtos chega a ser de 13,7 vezes. "Daí a importância de a população checar nos rótulos a composição." Denise afirmou que foram encontrados produtos com teores de sódio distintos da embalagem. As empresas, diz, foram autuadas. Procurada, a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) afirmou não conhecer os dados, o que a impediria de fazer uma avaliação do trabalho. 

domingo, 18 de novembro de 2012

Pesquisa mostra excesso de sal, açúcar e gordura em biscoitos e salgadinhos



Estudo da USP analisou rótulos de 209 produtos de 64 marcas altamente consumidos por crianças

RIO — Num país em que 49% dos adultos e 33,5% das crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso, análise feita pela farmacêutica e bioquímica Elisabeth Maciel, da Universidade de São Paulo (USP), em 209 biscoitos, salgadinhos e cereais matinais de 64 marcas constatou excesso de sal, açúcar e gordura nesses alimentos, altamente consumidos por crianças.

A pesquisa, com base nas embalagens dos produtos, foi desenvolvida no núcleo de Nutrição Aplicada, que reúne as faculdades de Economia, Saúde Pública e Ciências Farmacêuticas da USP. E mostra que há excesso demais e informação de menos. A pesquisa constatou que a quantidade de calorias chega a mais que o dobro do limite permitido pela legislação brasileira em 99% das amostras. E, em mais de 50% dos casos, havia sal demais. Se a obesidade continuar a aumentar no ritmo atual no país, em 2022 teremos a mesma parcela de obesos dos Estados Unidos, uma das maiores do mundo. 

— Constatamos também que, apesar dos altos índices de sal, gordura e açúcar, havia apelos ao consumo, como rico em fibras, enriquecido com vitaminas e até brindes e selos de sociedades médicas — avisa Elisabeth.

Segundo o Ministério da Saúde, são gastos mais de R$ 1 bilhão por ano com internações por doenças crônicas, como as cardíacas e diabetes, que têm origem na alimentação inadequada. A farmacêutica diz que é praticamente impossível, lendo os rótulos dos alimentos, saber se o produto é saudável ou não. Não consta, por exemplo, a quantidade recomendável de sal para uma determinada porção de alimento. Assim, não é possível saber se aquilo é pouco ou muito, principalmente em se tratando de crianças, que têm consumo calórico menor:

— Há rótulos que trazem a quantidade para dois biscoitos e meio. Qual mãe dá dois biscoitos e meio para o seu filho?

Em 2010, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) editou a resolução 24, estabelecendo alertas nas embalagens e publicidade sobre o alto teor desses ingredientes e os males para saúde. A Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) entrou na Justiça e, por meio de liminar, suspendeu a medida, alegando que a resolução é inconstitucional, por não ser atribuição da Anvisa regular publicidade. A Associação Nacional de Anunciantes, consultada, diz que não comenta ações na Justiça e que a rotulagem “escapa das suas atribuições”.

Há metas de redução de sal nos produtos

Em nota, a Abia informou que recebeu o estudo na última terça-feira e ainda não pôde analisar a tese, recomendada pela bancada da USP. Segundo a Abia, em 2007, foi feito um acordo com o Ministério da Saúde para redução de ingredientes, que resultou “na eliminação de 230 mil toneladas de gordura trans da composição dos produtos alimentícios em 2009”.

A Abia disse que o foco agora é o sal. Acordo com o governo prevê metas para nove categorias de alimentos, “que devem resultar na retirada de mais de 20 mil toneladas de sódio dos produtos até 2020”, afirmou. Pelo acordo, a indústria se comprometeu a cortar de 7,5% a 19,5% ao ano a quantidade de sal nos biscoitos até 2014. Eduardo Nilson, coordenador substituto de Alimentação e Nutrição do ministério, diz que o próximo alvo de redução é o açúcar.

Discute-se adotar nos rótulos o esquema usado na Inglaterra, semelhante aos sinais de trânsito: verde (adequado), amarelo (acima), vermelho (muito acima). Para o governo, a rotulagem é uma prioridade. Além da resolução suspensa pela Justiça, Nilson afirma que há projetos no Congresso tratando disso:

— Temos todas as evidências científicas que nos embasam na hora de defender a regulação.

Para o gerente técnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Carlos Thadeu de Oliveira, o governo não tem uma política consistente e coesa de regulação:

— A tabela nutricional é importante, mas não é suficiente. As empresas adotam de forma parcial os modelos consagrados, induzindo a erro. O que há são compromissos soltos de redução de componentes críticos, como o sódio, com metas que, muitas vezes, são superiores às consideradas adequadas para a saúde. É claro que mudanças na rotulagem têm custo para o fabricante, mas e o custo para a saúde pública?

Um exemplo é a diabetes tipo II. O ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia Amélio Godoy Matos lembra que a puberdade traz risco transitório para diabetes, agravado pela obesidade. E conta receber cada vez mais adolescentes no consultório. Para a vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Virgínia Nascimento, a alimentação saudável deve começar na infância.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Brasil será um dos campeões de mortalidade cardiovascular em 2040; portanto, cuidado com o sal




Apesar da extração do sal marinho ser distinta em relação ao refinado, ambos apresentam igual composição, podendo promover os mesmos efeitos fisiológicos
  • Apesar da extração do sal marinho ser distinta em relação ao refinado, ambos apresentam igual composição, podendo promover os mesmos efeitos fisiológicos
Bate certa culpa – e receio – na hora de pegar o saleiro e despejar o pozinho branco sobre a comida? É bem provável que sim, principalmente se você é do tipo que se interessa e lê sobre nutrição e saúde. Afinal, não é de hoje que médicos alertam que o componente, em excesso, aumenta o risco de doenças do coração, especialmente a pressão alta, também conhecida como hipertensão. O Brasil deverá ocupar o posto de  campeão de mortalidade cardiovascular em 2040, entre os países emergentes, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Mas não é o caso de eliminar totalmente o sal da alimentação. Ele tem sua importância para a saúde. “O sal de cozinha tradicional, ou cloreto de sódio, é composto por 40% de sódio, mineral que representa o principal íon positivo dos fluidos corporais, e 60% de cloreto, íon negativo. Ambos têm funções, como conter a pressão osmótica, quer dizer, o volume de água que passa através da membrana celular. Além disso, o sódio é responsável pela transmissão de impulsos nervosos e pelo estímulo da secreção gástrica”, ressalta Ricardo Zanuto, graduado em nutrição e educação física, doutor em fisiologia humana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).
Como vemos, o sódio é um dos elementos mais importantes do líquido extracelular, atuando basicamente no equilíbrio dos fluidos do corpo. Ele age, também, para controlar a pressão sanguínea– e, por isso, a ingestão elevada do mesmo ocasiona um aumento do sistema hormonal e, consequentemente, uma série de desordens fisiológicas.

A ordem, então, é não ficar nos extremos: nem cortar radicalmente do cardápio, nem exagerar na dose. “Apenas quando consumido em demasia, pode trazer riscos para a saúde”, salienta Fábio Medici Lorenzeti, mestrando no Laboratório de Nutrição e Metabolismo da Escola de Educação Física e Esporte da USP, técnico em nutrição e dietética.

Porém, em nosso país, abusa-se do sódio. A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo máximo de 2 g diárias, o que equivale a 5 g de sal (pois 40% do sal é composto de sódio). Estima-se que, atualmente, o brasileiro consuma mais que o dobro desta quantidade – algo em torno de 12 g de sal por dia.

Acordo para redução

De acordo com o Ministério da Saúde, os males cardiovasculares incluem hipertensão, doenças cardíacas coronarianas (infarto e angina), insuficiência cardíaca congestiva (ICC), acidente vascular cerebral (AVC) e cardiopatias congênitas. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) calcula que mais de 320 mil brasileiros morrem, todo ano, vítimas destes distúrbios, estatística confirmada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

A entidade vem alardeando que as condições, em 2040, serão preocupantes e, entre os emergentes, o Brasil possivelmente ocupará o posto de campeão de mortalidade cardiovascular – profecia que encontra respaldo na Organização Mundial da Saúde (OMS).

É importante lembrar que o governo brasileiro e a indústria assinaram, no último mês de agosto, um acordo que promete reduzir o teor de sódio em alimentos como margarinas, cereais matinais e temperos prontos. O compromisso propõe uma diminuição de 1,3% (no caso de temperos à base de alho e cebola) e até 19% (para margarinas vegetais) ao ano.

Em 2011, já haviam sido assinados dois termos relativos a produtos consumidos em sua maioria por crianças e jovens, como massas instantâneas, vários tipos de pães, misturas para bolos, salgadinhos de milho e batata frita
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nestlé vai reduzir sal e açúcar dos cereais matinais


Objetivo é aumentar quantidade de cálcio e cereais integrais até 2015 nas 20 marcas preferidas pelas crianças


Empresa acredita que um número grande de mães não quer que as crianças comam tanto açúcar, o que é uma barreira para a venda dos cereais
Foto: Divulgação
Empresa acredita que um número grande de mães não quer que as crianças comam tanto açúcar, o que é uma barreira para a venda dos cereaisDIVULGAÇÃO
ORBE - A Nestlé SA e General Mills Inc vão cortar açúcar e sal nos cereais matinais das crianças do mercado fora dos Estados Unidos, na mais recente tentativa de responder às preocupações com a saúde. As duas empresas têm uma joint venture chamada Cereal Partners Worldwide (CPW) desde 1990 para vender marca Nestlé-cereais em mais de 140 países fora dos Estados Unidos e Canadá, mercados que respondem por metade do total de vendas mundial de cereais, que chega a US$ 25 bilhões.
O objetivo é reformular as 20 marcas de cereais populares entre crianças e adolescentes até 2015, aumentando a quantidade de cereais integrais e cálcio e reduzindo em até 30% o açúcar e em 12% o sódio. No Brasil, os Cereais Matinais Nestlé já tem grãos integrais em sua composição e são os únicos do mercado com esta característica. A reformulação vai afetar cerca de 5,3 bilhões porções de cereais vendidas a cada ano.
— Um número grande de mães não quer que as crianças comam tanto açúcar e esta é uma barreira para a venda dos cereais — disse o executivo da CPW, Jeffrey Harmening à Reuters.
Desde 2003, a companhia removeu mais de 9 mil toneladas de açúcar e aproximadamente 900 toneladas de sal de suas receitas, enquanto adicionou mais de 3,4 bilhões de grãos integrais.
Embora as autoridades mundiais de saúde recomendem que as pessoas devam aumentar o consumo de grãos integrais como parte de uma dieta equilibrada, os estudos mostram que em alguns países 9 em cada 10 pessoas não ingerem a quantidade diária recomendada.
— Nós fomos os primeiros produtores mundiais de cereais matinais a adicionar grãos integrais aos nossos produtos e estamos aumentando as quantidades desde 2003 — continua Harmening.— Continuamos a melhorar nossos produtos de forma que possamos oferecer nutrientes essenciais, preservando o sabor apreciado por nossos consumidores. Estamos comprometidos a melhorar cerca de 5,3 bilhões de porções dos cereais matinais da Nestlé em mais de 140 países ao redor do mundo. Enriquecendo estes produtos com cálcio, estamos ajudando a promover um impacto positivo no crescimento e no desenvolvimento dos ossos das crianças.
Apesar da Nestlé/CPW estar reduzindo o teor de açúcar dos seus cereais matinais, o valor energético não sofrerá perda. O açúcar será substituído por outros ingredientes, basicamente carboidratos, que contêm uma quantidade similar de calorias.
A medida faz parte de um movimento das empresas de alimentos e bebidas que procuram antecipar uma regulamentação mais severa devido à epidemia global de obesidade, oferecendo produtos mais saudáveis ​​ou porções menores.
Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que 42 milhões de crianças abaixo de 5 anos de idade tinham excesso de peso em 2010. Na Europa, a obesidade já é responsável por até 8% das despesas de saúde e até 13% das mortes.
Nos últimos anos a Kellogg´s também reformulou algumas marcas e até o McDonald´s incluiu maçãs e cortou calorias de alguns itens do cardápio.

Anvisa revela altos teores de sódio em queijo, macarrão instantâneo e mortadela



Levantamento analisou cerca de 500 amostras de 26 categorias de alimentos, coletadas em 15 estados em 2010 e 2011.


Sódio a mais. Estudo da Anvisa mostrou que queijo parmesão é o campeão do excesso de sal; na versão ralada, a concentração também é muito alta
Foto: Bruno Agostini
Sódio a mais. Estudo da Anvisa mostrou que queijo parmesão é o campeão do excesso de sal; na versão ralada, a concentração também é muito altaBRUNO AGOSTINI
BRASÍLIA - O queijo parmesão, o macarrão instantâneo e a mortadela são os produtos com as maiores médias de quantidade de sódio, segundo pesquisa realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo revela ainda que o biscoito de polvilho possui, em média, 1.092 miligramas (mg) para cada 100g do produto, mais da metade de toda a quantidade de sódio que uma pessoa deve consumir durante todo o dia.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo de 2.000 mg de sódio por dia. O levantamento analisou a quantidade de sódio em quase 500 amostras de 26 categorias de alimentos, coletadas em 15 estados em 2010 e 2011.
A quantidade de sódio encontrada no hambúrguer bovino chamou atenção dos pesquisadores. A média foi de 701mg de sódio por 100g do produto. Segundo a pesquisa, um hambúrguer, que possui em média 80g, é responsável por mais de um quarto do total de sódio que uma pessoa deveria consumir diariamente.
No caso do queijo parmesão, a Anvisa destaca que o produto deve ser consumido moderadamente. Uma amostra apresentou o maior valor absoluto de sódio, entre todas as 500 da pesquisa: atingiu a marca de 3.052mg. A média de sódio no parmesão (1402mg) foi ainda maior no produto ralado (1981mg), valores superiores aos demais tipos de queijo analisados.
Listado como o segundo produto com a maior média de sódio, o macarrão instantâneo parece com 1.798mg para cada 100g. Um acordo entre o Ministério da Saúde e as indústrias de alimentos prevê o valor máximo de 1.920,7mg. No entanto, a Anvisa constatou em uma amostra um valor superior de 2.160mg para cada 100g, já contabilizada a quantidade de sódio presente no tempero que acompanha o produto.
O perigo do pão de queijo pronto
Em relação à variação do teor de sódio entre diversas marcas de um mesmo alimento, lideram a lista os queijos: minas frescal, parmesão e a ricota fresca. A quantidade de sódio encontrada no queijo minas pode variar 14,4 vezes dependendo da marca. Já a do queijo parmesão chega a 13,7 e da ricota fresca, a 10,5 vezes. Outro produto que apresenta grande diferença é o pão de queijo pronto. Neste caso, a variação na quantidade de sódio é de quase oito vezes entre uma marca e outra.
— É preciso que os consumidores comparem a tabela nutricional dos alimentos de diferentes marcas para que possam optar por alimentos mais saudáveis, com menos sódio — orienta o diretor de Controle e Monitoramento Sanitário da Anvisa, Agenor Álvares, destacando que isso demonstra que existem recursos tecnológicos para reduzir o sódio nos produtos.
Além de observar o rótulo dos alimentos industrializados, a Anvisa orienta que o consumidor experimente os alimentos antes de adicionar mais sal. Outra dica é realizar a diminuição gradativa do sal nos alimentos.
O consumo excessivo do sódio é considerado um fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças do coração, obesidade, câncer, diabetes, entre outras.
O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) firmaram três acordos com metas nacionais para a redução de sódio em alimentos processados no Brasil. A previsão é de que até 2020 estejam fora das prateleiras 20 mil toneladas de sódio.
Segundo a OMS, em 2001, 60% das 56,5 milhões de mortes no mundo foram resultado de doenças crônicas não transmissíveis. O aumento da pressão arterial é considerado o principal fator de risco de morte e o segundo de incapacidade por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e insuficiência renal.

sábado, 25 de agosto de 2012

Novos estudos mostram que cortar o sal da dieta reduz drasticamente o número de casos de infarto.


Novos estudos mostram que cortar o sal da dieta reduz drasticamente o número de casos de infarto.


RIO - Uma pitada de sal aqui, outra ali, e aos poucos se chega facilmente a 12g ou 14g por dia, quase seis vezes a quantidade que o nosso corpo pede. Resultado desse abuso: retenção de água nos vasos, aumento de pressão arterial e maior risco de infarto e acidente vascular cerebral (derrame). Para a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), os brasileiros estão exagerando demais nesse condimento, e médicos reforçam a campanha para cortá-lo ao máximo da dieta.

No Brasil, a média é de quatro a cinco colheres de café cheias de sal por dia, ou seja, mais de dez gramas por pessoa. E, segundo a SBH, precisamos de bem menos: 2,5g/dia, encontrada nos próprios alimentos. Cada grama de sal tem 0,4g de sódio.
- Com o hábito frequente de comer fora de casa, o abuso de sal de cozinha piora. Algumas pessoas nem experimentam a comida e já saem colocando sal - diz o nefrologista Décio Mion Junior, da SBH e autor de vários livros sobre hipertensão arterial.
Um medida, ensina Mion, é observar quanto tempo leva para uma família de quatro pessoas acabar com um quilo de sal de cozinha. Esse pacote deveria durar pelo menos um mês e meio:
- As pessoas têm grande dificuldade para saber a medida exata. Quando cozinham, terminam pegando a mais na pitada. Um colher pequena de café tem cerca 1,5g.
A campanha de médicos brasileiros é reforçada por um estudo americano divulgado esta semana na revista "New England Journal of Medicine", mostrando o quanto o sal é nocivo. Os autores dizem que se todo mundo cortasse metade de uma colher de chá de sal por dia (cerca de 3g, ou 1.200mg de sódio), haveria entre 54 mil e 99 mil menos ataques cardíacos e entre 44 mil e 92 mil menos óbitos a cada ano. A economia com gastos em saúde seria semelhante à restrição ao fumo: US$ 24 bilhões, só nos Estados Unidos. A pesquisa, independente, foi realizada por cientistas da universidades da Califórnia, de Stanford e de Columbia.
Esse dados levam as autoridades de saúde nos Estados Unidos a pressionar a indústria para reduzir a quantidade de sal nos alimentos processados. Nova York já deu o primeiro passo, ao exigir, semana passada, que fabricantes e restaurantes reduzam o sal em seus produtos em 25% nos próximos cinco anos.
Médicos pedem mais restrições nos alimentos
Kirsten Bibbins-Domingo, uma das autoras da pesquisa e professora de epidemiologia, vai mais longe. Ela recomenda a fixação de limites de sal na comida comprada para escolas, prisões e outras instituições públicas:
- Uma pequena redução na quantidade de sal na comida, dificilmente detectável no sabor dos alimentos, tem grande benefício para a saúde.
Segundo a Associação Americana do Coração, o consumo de sal entre os americanos cresceu 50%, assim como o número de hipertensos.
- Por 40 anos, os médicos têm tentado levar os indivíduos a reduzir a quantidade de sódio na alimentação e não funcionou - diz Cheryl Anderson, professora na Universidade Johns Hopkins. - Precisamos nos unir e abordar o problema com combinação de esforços, incluindo a alteração na oferta de alimentos.
Mion lembra que nem adianta optar pelo sal light (ele tem potássio em sua composição) se a pessoa continuar abusando do condimento. Para não danificar as artérias, a SBH (www.sbh.org.br) recomenda trocar o sal por temperos como salsinha, cebola, orégano, hortelã, limão, alho, manjericão, coentro e cominho; evitar carnes gordurosas, vísceras, embutidos (linguiça, paio, salsicha, toicinho), frios (mortadela, presunto, salame) e frutos do mar, além de conservas como picles, azeitona, aspargo, patês e palmito, enlatados (extrato de tomate, milho e ervilha e maionese), queijos em geral e ainda o glutamato monossódico, comum nas sopas de pacote.
- Ao cortar o sal, a pessoa controla melhor a pressão e, se toma remédios, pode até reduzir o seu uso - diz Mion.

Consumo em excesso de sal causa danos aos olhos e à tireoide.


Consumo em excesso de sal causa danos aos olhos e à tireoide.


RIO - O consumo em excesso de sal é o principal responsável pelo aumento da pressão arterial, doença que leva a doenças cardiovasculares, como derrame, e afeta a retina, a estrutura do olho responsável pela formação de imagens. Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a falta de informação sobre cuidados com a alimentação diária e o envelhecimento da população estão aumentando o número de pessoas com alterações na membrana no fundo do olho, o que eleva o risco de perda de visão.

A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE mostra que sete em cada dez brasileiros consomem mais sal do que o recomendado, ou seja, até 5 gramas/dia para crianças e idosos ou 6 gramas/dia para adolescentes e adultos. Esse hábito danifica as artérias da retina, reforça o médico. E o problema se agrava porque a doença no olho normalmente não apresenta sintomas e não é percebida pelos pacientes. O diagnóstico é realizado através do exame de fundo de olho, a fundoscopia.
- Esse exame ajuda a identificar também os primeiros sintomas de hipertensão arterial - diz Queiroz. - Na retina as alterações vasculares decorrentes do aumento da pressão são causadas, por exemplo, por arteriosclerose, o enrijecimento e estreitamento de vasos e artérias.
A retina ainda pode sofrer isquemia, a interrupção de circulação de sangue na veia central; hemorragia, devido ao afinamento da parede dos vasos e das artérias; edema do disco óptico, por formação de depósitos, estreitamento das artérias e dilatação das veias. O oftalmologista ensina que o controle do sal na dieta inclui até os doces industrializados que contêm sódio para sua conservação.
- Usar sal light com redução de 50% do sódio só com receita médica. Isso porque o maior teor de potássio desse tipo de produto pode ser contra-indicado para quem sofre de doenças nos rins. Prefira consumir mais ômega 3, encontrado em semente de linha, castanhas e peixes como atum e sardinha. Esses alimentos ajudam a melhorar a circulação na retina.
O excesso de iodo, presente no sal, também afeta o funcionamento da glândula tireoide e pode desencadear uma doença ocular chamada orbitopatia de Graves, que se caracterizada por olhos vermelhos, retração palpebral, inchaço da conjuntiva e dor. Em alguns casos, a órbita ocular salta para fora. Há situações ainda em que a pessoa tem estrabismo restritivo, visão dupla e elevação da pressão intraocular.O tratamento dependerá de avaliação médica e inclui uso de corticoide, descompressão do globo ocular e até cirurgia.