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domingo, 18 de agosto de 2013

Infestação na cozinha

Um relatório da ONU diz que os insetos podem ser uma importante fonte de proteínas no futuro. Decidi prová-los

NATÁLIA SPINACÉ
18/08/2013 12h51 - Atualizado em 18/08/2013 13h27
 
 
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ESTÁ SERVIDO? Um dos grilos desidratados que usei como ingrediente em meu jantar. A textura é crocante,  e o sabor lembra uma mistura de rúcula com pistache (Foto: Dulla/ÉPOCA. Produção: Felipe Monteiro e Jairo Billafranca para Studio Bee Produções; pratos e talher: Doural; alimentos (grilo, tenébrios): Exotic Pets)
>> A comida do futuro

A ideia de levá-los para as minhas panelas surgiu de um relatório recente apresentado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). Segundo o documento, até 2050 a população mundial terá 2 bilhões a mais de habitantes. O espaço para a criação de gado e outras fontes comuns de proteína não será suficiente para alimentar tanta gente. A saída, diz o relatório, será encontrar fontes alternativas de proteí­nas – como os insetos. Eles são mais nutritivos que a maioria das carnes que consumimos. Cem gramas de besouros contêm em média 5 gramas a mais de proteínas do que a mesma quantidade de carne de boi. A maioria dos insetos também é rica em ferro e outras vitaminas.

Se os insetos são a comida do futuro, é bom nos acostumarmos a seu gosto e textura. Mas nem pense em pegar o primeiro que passar por seu jardim. Há 1,5 milhão de espécies de insetos no mundo. Destas, apenas (gulp!) 1.662 são comestíveis. O ideal é conseguir a matéria-prima em empresas especializadas na criação de insetos. No Brasil, existem algumas. Uma delas é a mineira Nutrinsecta, que cria grilos, tenébrios, moscas e baratas para produzir ração animal. Foi lá que consegui os insetos que serviram de ingrediente para meu jantar. A empresa ainda não vende os insetos para a alimentação de humanos. Mas abre exceções para alguns chefs e curiosos que queiram experimentar. Os animais, criados em cativeiro, se alimentam de uma ração feita com soja, milho e farelo de trigo. Para poder vendê-los em grande escala, falta uma certificação do Ministério da Agricultura. Nos poucos restaurantes que servem insetos, cabe à Vigilância Sanitária municipal fiscalizar a procedência e a higiene.
>> A carne feita em laboratório

Meus grilos e tenébrios chegaram pelo correio. Vieram desidratados, em potinhos lacrados. Alguns sentiram curiosidade ao vê-los; outros não conseguiram conter o nojo. Uma colega de trabalho chegou a se assustar com os grilos e derrubou alguns no chão. Outra tentou experimentar um tenébrio. Cuspiu antes de conseguir mastigá-lo. O nojo é uma das maiores barreiras para a inclusão de insetos na dieta humana. Alguns pesquisadores já estudam maneiras de superar a aversão natural a insetos e tornar o consumo mais fácil. A ideia é transformá-los numa espécie de farinha ou em barras de cereal. s Apesar de não ser comum no Brasil, o hábito de comer insetos e seus parentes próximos existe em várias partes do mundo. Na Venezuela, é comum comer tarântulas assadas. Os aborígines australianos comem larvas de mariposa. Em países como Tailândia e China, é possível encontrar uma infinidade de espécies nos mercados de rua.
Uma técnica usada para driblar a aversão alimentar é criar um clima agradável para degustar o prato que causa nojo. Fazer uma mesa bonita e colocar sua música preferida ao fundo pode ajudar. “É uma maneira de associar a comida a um momento agradável”, diz a psicóloga Maria Augusta Mansur de Souza, especialista em reeducação alimentar. Não sabia dessas técnicas quando os insetos chegaram. Antes de testá-los nas receitas, resolvi prová-los puros, sem música nem mesa bonita. Abri o potinho e cheirei. O aroma não era estranho. Lembrava ração de cachorro. As patas, as antenas e os olhos dos grilos me assustaram um pouco. Resolvi começar pelo tenébrio, que tem o corpo mais uniforme. Como estava desidratado, a textura era crocante. O sabor não era parecido com nada que já comi. Passa muito longe de um bife ou de qualquer outra carne. Eu o definiria como uma mistura de amendoim (crocante) com rúcula (gosto de mato). O grilo tem um sabor semelhante, mas mais forte. Lembra um pouco o pistache. Eles não chegam a ser gostosos, mas também não são horríveis. A parte mais difícil de comer um inseto é ter coragem de colocá-lo na boca e mastigar. Depois disso, não fica tão assustador.
 
Viscosos, mas nutritivos (Foto: ÉPOCA)
Uma maneira de disfarçar o sabor e a aparência dos insetos é usá-los como ingredientes em outros pratos. “Quando misturados com outros alimentos, eles acabam aderindo ao sabor dos outros ingredientes e perdem seu gosto natural”, diz o chef Rossano Linassi, especialista em gastronomia com insetos. Ele é o criador das receitas que tentei reproduzir. Em seu cardápio havia canapés de barata, pizza de grilo, pão de queijo com farinha de barata, macarrão com tenébrios e grilos ao chocolate. Excluí as receitas com baratas logo de cara. Por mais que a barata criada em cativeiro seja limpinha e tenha um aspecto diferente daquela que vive no esgoto, a associação é inevitável. Escolhi o macarrão com tenébrios e, de sobremesa, os grilos com chocolate.

Para fazer as receitas, é preciso reidratar os insetos com água fervente. Eles não chegam a ficar moles ou gosmentos. Ficam apenas mais parecidos com insetos vivos. Isso me deu um pouco de aflição. Tirando a necessidade de hidratá-los, o modo de cozinhar com insetos não foge ao que estamos acostumados com frango ou carne. Surpreendentemente, achei os pratos visualmente apetitosos depois de prontos. Senti vontade de experimentar. Por estar hidratados, os insetos tinham uma textura diferente que na primeira vez. Estavam mais moles, e o sabor de “amendoim com rúcula” ficou mais suave, disfarçado pelos outros ingredientes.

Não comi o prato todo. Duas garfadas do macarrão e dois grilos cobertos por chocolate foram mais que suficientes para saciar a curiosidade. Mesmo assim, não achei os insetos tão ruins. Hoje, enquanto ainda posso escolher, jamais trocaria um bife de carne de vaca, porco ou frango por um inseto. Mas, se no futuro eles forem a única opção acessível de proteínas, acho que não passarei fome. É só uma questão de acostumar o paladar, escolher uma boa trilha sonora e preparar uma mesa bonita. 
 
Macarrão com tenébrios (Foto: Ricardo Correa/ÉPOCA)
Ingredientes:
50 g de tenébrios gigantes
1 dente de alho picado pequeno
40 g de cebola picada pequena
40g de brócolis japonês em floretes pequenos
50g de cenoura cortada em tiras fininhas
40g de cogumelos shiitake em tirinhas
40g de tomate maduro cortado em cubos pequenos
30ml de shoyu (molho de soja)
100g de macarrão udon ou espaguete grano duro
30ml de azeite de oliva
4 folhas de manjericão para decorar
Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
1. Cozinhe o macarrão em 1 litro de água com um pouco de sal
2. Corte os vegetais como indicado
3. Escorra o macarrão
4. Esquente uma frigideira, acrescente o azeite e frite o alho e a cebola
5. Frite os insetos, a cenoura, o tomate, o brócolis e o shiitake. Acrescente o shoyu
6. Acrescente o macarrão já escorrido. Ponha sal e pimenta e sirva decorado com as folhas de manjericão fresco  

 
Grilos ao chocolate (Foto: Ricardo Correa/ÉPOCA)
Ingredientes:
50g de grilos inteiros
100g de chocolate meio amargo
1 folha de papel-manteiga
 
Modo de preparo:
1. Limpe os grilos, hidrate-os se preciso. Leve ao forno para tostar e deixá-los bem crocantes. Deixe esfriar
2. Derreta o chocolate em banho-maria ou no micro-ondas
3. Mergulhe os grilos no chocolate e retire com um garfo para escorrer o excesso
4. Coloque sobre o papel-manteiga e leve ao freezer para endurecer. Retire do papel e sirva 

A comida do futuro

Carne de vaca criada em laboratório, dieta à base de insetos, pão sem farinha de trigo... e outras inovações que prometem virar a mesa

MARCELO MOURA
HAMBÚRGUER SINTÉTICO A carne de células-tronco, de laboratório, não sacrifica animais  e requer menos recursos naturais; PÃO SEM TRIGO Um novo livro acusa o trigo, base da nossa dieta há milhares de anos, de fazer mal à saúde;MILK-SHAKE ANTIALÉRFICO A en; (Foto: Dulla/ÉPOCA; Produção: Felipe Monteiro e Jairo Billafranca para Studio Bee Produções. Agradecimentos: pratos e talher: Doural; bandeja: Di Pratos; embalagem fritas: Prisembalagens; alimentos (grilo e tenébrios): Exotic Pets, p)
Na segunda-feira (5), o holandês Mark Post apresentou um hambúrguer numa cozinhamontada num estúdio de TV em Londres, na Inglaterra. O escritor Josh Schonwald e a cientista Hanni Rützler, convidados a provar o hambúrguer, o acharam pouco suculento. A degustação em Londres, testemunhada por ÉPOCA, foi apenas um pequeno passo para a gastronomia. Mas pode representar um grande salto para a humanidade. O hambúrguer de Post, cientista da Universidade Maastricht, na Holanda, foi feito de 20 mil fibras musculares produzidas a partir de células-tronco, reproduzidas em laboratório. É uma carne de vaca sem vaca

A carne de vaca sem vaca, que Post pretende lançar no mercado em dez anos, poderá se tornar uma alternativa para evitar uma crise alimentar digna das previsões do economista britânico Thomas Malthus. No século XVIII, Malthus defendeu o controle de natalidade para evitar a fome mundial. Não foi necessário. Ganhos de produtividade no campo atenderam à explosão populacional. Hoje, a pecuária ocupa cerca de 30% das terras cultiváveis – situação que se agrava à medida que mais consumidores emergem socialmente. Segundo um relatório divulgado em maio pela Organização das Nações Unidas (ONU), o consumo de carne dobrará até 2050. Para atender à demanda por proteínas, a ONU defende alternativas como o consumo de insetos. Comparado a um grilo, o hambúrguer sintético pode até ser uma opção saborosa.
Há mais experimentos em laboratório, principalmente no campo da engenharia genética, para aumentar a produção de alimentos mais nutritivos e mais resistentes a pragas. Um salmão geneticamente modificado, com mais carne, está à espera da aprovação pela Food and Drug Administration (FDA), o órgão de vigilância sanitária americano. Outro produto é o leite de vacas geneticamente modificadas, que não causa reações alérgicas. Há pesquisas também para a retirada do trigo da dieta. Todas essas inovações podem conduzir a hábitos alimentares radicalmente diferentes no futuro. O hambúrguer sintético promete revolucionar a humanidade em sua raiz mais profunda. O homem se diferenciou dos demais primatas quando passou a comer carne. Segundo a hipótese mais aceita pela ciência, a ingestão de carne, uma dieta mais rica que a baseada em frutas e folhas, permitiu a um grupo de primatas adquirir as características típicas dos humanos: cérebro avantajado e postura bípede. “Comer carne permitiu a nossos ancestrais aumentar o corpo sem perder mobilidade, agilidade ou socialização”, diz a antropóloga Katharine Milton, da Universidade Berkeley, em seu artigo Uma hipótese para explicar o papel de comer carne na evolução humana. “Essa dieta pode também ter proporcionado energia necessária à expansão do cérebro.”
A primeira evidência da introdução da carne na dieta dos nossos ancestrais tem 3,4 milhões de anos. Foi localizada na Etiópia: ossos de grandes mamíferos, com golpes de pedra lascada, chamados de “golpes de açougueiro”. “Hominídeos fizeram isso”, diz David Braun, arqueólogo da Universidade da Cidade do Cabo. “Chimpanzés não reconhecem grandes animais, ou carcaças deixadas por outros predadores, como comida.” Para obter proteína de grandes animais, nossos ancestrais organizaram-se em grupos e desenvolveram ferramentas. Num sentido amplo, é o que fazemos até hoje. A relação entre o homem e sua alimentação moldou a sociedade, de tal forma que foi impossível, até hoje, conceber um sem o outro. Segundo a Bíblia, no sexto dia Deus criou o gado. Só depois, o homem.
 
GENÉTICA O salmão experimental, geneticamente modificado, é bem maior que o natural.  É uma opção para saciar a fome  no mundo (Foto: AquaBounty Technologies/AP)
A caçada em conjunto foi o primeiro arranjo social dos ancestrais do homem. “Os grupos não iam além de 40 caçadores. Mulheres dedicavam-se a cuidar da prole, a fazer artigos de couro e a manter o acampamento”, diz o livro Beef (inédito no Brasil), dos historiadores Andrew Rimas e Evan Fraser. O esfriamento da Terra, no fim do período geológico do Pleistoceno (de 2,6 milhões a 11.700 anos atrás), levou à extinção da megafauna, na qual existiam mamíferos de 3 toneladas, e pôs em xeque a organização social em caçadores nômades. Há 11 mil anos, o homem passou a controlar a produção de sua comida. São dessa época as mais antigas evidências da agricultura, encontradas na África. O naturalista Charles Darwin descreveu a evolução da agricultura em seu clássico A origem das espécies (1859): “A arte foi bem simples, seguida quase inconscientemente. Consistiu em sempre cultivar a melhor variedade conhecida. Quando uma variedade ligeiramente melhor, ao acaso, surgia, era escolhida. E assim por diante.”

Assim tem sido desde então – e as recentes inovações alimentares são mais um passo nessa longa trajetória. “Um milharal, ou qualquer campo de cultivo, é tão artificial quanto um microchip, uma revista ou um míssil”, afirma Tom Standage, editor da revista The Economist, em seu livro An edible history of humanity (Uma história comestível da humanidade, numa tradução livre). O milho que consumimos hoje nada mais é que um aprimoramento genético do teosinte, uma gramínea de poucos grãos, cobertos por uma casca dura, cultivada pelos astecas há 7 mil anos. A domesticação de animais seguiu um roteiro semelhante. Começou há 10 mil anos na África, com ovelhas e cabras, e na China, com porcos. A seleção artificial feita pelos homens levou a animais com cérebro menor, inferiores em visão e audição, menos aptos a viver sozinhos e mais dóceis. “Ao conseguir uma fonte de suprimento mais farta e confiável, a agricultura proporcionou a base para novos estilos de vida e sociedades mais complexas”, diz Standage.

A seleção das espécies mais adequadas proporcionou um salto de produtividade na alimentação humana, liberou mão de obra para outras tarefas e permitiu que a população urbana ultrapassasse a população rural no começo do século XXI. O que acontecerá com os novos alimentos alternativos sintetizados em laboratórios, cujo cultivo dispensa largas extensões territoriais? Não é de duvidar que os limites entre cidade e campo, local de produção e local de consumo de alimentos sejam novamente redefinidos. Uma nova era na alimentação humana acaba de começar.
 
Bem passado (Foto: Reuters, Getty Images, reprodução e AP)

A dieta do trigo

Um novo livro acusa o trigo de favorecer o diabetes, problemas do coração e obesidade. Faz sentido viver sem ele?

NATÁLIA SPINACÉ

"O pão nosso de cada dia nos dai hoje.” Está na Bíblia. O pão é um alimento sagrado. Os judeus celebram com matzá, um pão que não leva fermento, o amargor da fuga do Egito. Os cristãos colocam o pão de Santo Antônio em latas de mantimentos para garantir fartura. Essas tradições mostram como o trigo é um dos grãos mais consumidos no mundo. Não é de estranhar que a dieta defendida pelo cardiologista americano William Davis dê o que falar entre médicos, nutricionistas e loucos por dietas. Em seu livro Barriga de trigo (Editora Martins Fontes), Davis propõe que o trigo seja banido. Na opinião dele, esse alimento milenar é hoje responsável pelo agravamento de males como obesidade, diabetes, doenças do intestino e do coração. Seu livro ficou entre os dez mais vendidos na lista do jornal The New York Times por mais de 50 semanas.

 Como o trigo, presente na dieta da humanidade há mais de 8 mil anos, pode contribuir para tantas doenças sem ter levantado suspeitas durante todo esse tempo? Davis afirma que o problema começou com as mudanças genéticas que ele sofreu nos últimos 50 anos, para aumentar a produtividade e a resistência a pragas. Uma conquista que deu o Prêmio Nobel da Paz, na década de 1970, ao geneticista Norman Borlaug. Segundo Davis, os cruzamentos de variedades de trigo para conseguir cereais com características desejadas pela indústria (como tamanho ideal para as colheitadeiras ou elasticidade da massa) geraram plantas não tão saudáveis. Para Davis, as transformações mais nocivas do trigo atual são mudanças em três nutrientes essenciais: uma proteína chamada aglutinina, outra batizada de gliadina e um tipo de amido típico do cereal. Ele atribui a elas a responsabilidade por uma série de malefícios à saúde.

O primeiro efeito nocivo do trigo, diz ele, é causado por seu tipo de amido, mais rapidamente digestível do que o amido de outros alimentos, como batatas ou bananas. Isso explica por que, para quantidades iguais, a glicose no sangue sobe mais depois de consumirmos alimentos com trigo. Um estudo feito na Universidade de Toronto, no Canadá, mostrou que a capacidade do trigo de elevar o índice glicêmico é maior que a dos doces. Duas fatias de pão integral elevam mais as taxas de glicose no sangue que uma barra de chocolate. Altas taxas de glicose aumentam o risco de diabetes e obesidade.

Pensando nisso, o urologista gaúcho José Carlos Souto receitou uma dieta para o administrador de empresas Edis Doyle, de 57 anos. Há um ano e meio, Edis pesava 105 quilos. Seus exames de sangue mostravam índices elevados de colesterol, triglicerídeos e glicose. A cintura media 103 centímetros. Ele tinha inchaço e dores nos tornozelos. Edis aderiu à dieta do trigo. “Parei de comer pães, doces e massas”, diz. Ele não incluiu atividades físicas em sua rotina. Só mudou a alimentação. Cinco meses depois, perdera 19 quilos e 9 centímetros de cintura. Nos exames de sangue, os índices, antes elevados, baixaram. O inchaço e a dor nos tornozelos também desapareceram. “Hoje, se como algum tipo de massa, me sinto mal”, diz. Edis inspirou o filho, Cleber Doyle, de 32 anos. Em cinco meses seguindo a dieta do pai, Cleber perdeu 25 dos 130 quilos.
 
EM FAMÍLIA O administrador de empresas Edis Doyle e seu filho, Cleber. Os dois perderam peso excluindo o trigo do cardápio (Foto: Ricardo Jaeger/ÉPOCA)
Além de engordar, o amido do trigo também pode, segundo Davis, trazer riscos ao coração. “O excesso de açúcar no sangue, causado pelo amido do trigo, é capaz de fazer com que partículas de gordura grandes sejam quebradas e fiquem menores”, diz Raul Dias dos Santos Filho, cardiologista do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo. “Essas partículas pequenas de gordura se acumulam nas artérias.”

O segundo aspecto perigoso do trigo é seu poder viciante. Uma pesquisa feita pela Sociedade Americana de Química revelou que uma das proteínas condenadas por Davis, a gliadina, ao atingir o sistema nervoso, provoca uma leve euforia e sensação de prazer. Isso aumenta a sensação de gula e, segundo Davis, gera uma dependência no consumo de mais alimentos com trigo.

O trigo também pode afetar o intestino. Esse risco já é conhecido para quem tem alergia ao glúten (uma das proteínas do cereal), os celíacos. Para Davis, todas as pessoas, celíacas ou não, sofrem efeitos semelhantes por causa das duas proteínas citadas por Davis: gliadina (que também entra na composição do glúten) e aglutinina. As duas, segundo Davis, agem de forma semelhante. Aumentam o risco de lesões nas paredes do intestino, e abrem caminho para que substâncias indesejadas cheguem à corrente sanguínea. Essas lesões também atrapalham a absorção de vitaminas e minerais. Num estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, cientistas expuseram celíacos e não celíacos aos efeitos das duas substâncias. Nos dois casos, a permeabilidade do intestino fora alterada. Nos não celíacos, as lesões foram menores, mas também ocorreram.

Será que o macarrão de domingo está condenado? A tese de Davis ainda é controversa. Médicos e agrônomos afirmam que o cruzamento de variedades de trigo não causa mudanças significativas no alimento. “Trigo com trigo só pode dar trigo”, diz Eduardo Caierão, pesquisador da Embrapa Trigo. “Não há nenhuma evidência comprovada de que a mistura de variedades transformou o trigo em algo nocivo”, afirma Alessio Fasano, fundador do Centro de Pesquisa Celíaca do Hospital Infantil de Massachusetts, nos EUA, referência em alergia a glúten. “O trigo deve ser banido da alimentação de quem tem alguma intolerância ou sensibilidade ao glúten. Mas não há motivo para tirá-lo da dieta de quem não é celíaco”, diz John Swartzberg, médico da faculdade de saúde pública da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos EUA.

Há ainda algumas questões sem respostas na tese de Davis. O trigo é manipulado há milênios, desde os primórdios da agricultura. Por que só as alterações modernas tiveram efeito ruim? A revolução agrícola, com técnicas modernas de melhoramento genético, também alterou outros alimentos, como o milho e o arroz. Qual foi seu efeito sobre eles? Como é possível afirmar que os bons resultados obtidos por Davis com os pacientes não sejam apenas efeito de uma dieta mais equilibrada? Ainda faltam estudos comparando grupos de consumidores por longos anos, com e sem trigo, para confirmar as suspeitas. O próprio Davis reconhece que ainda não há pesquisas suficientes para derrubar as recomendações médicas que atestam os benefícios dos grãos de trigo integrais. Mesmo que Davis e seus seguidores estejam certos, uma dieta sem trigo não é bolinho. Como ocorre com qualquer mudança radical, é preciso acompanhamento médico e avaliação caso a caso. Tirar o trigo do prato pode não ser para qualquer um. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Manter uma dieta colorida faz bem à saúde e pode prevenir doenças

Quem não come alimentos brancos, por exemplo, pode ter falta de cálcio.

Médicos explicam o que fazer para melhorar a alimentação dos pequenos.

Comer todos os dias a mesma coisa é um problema e pode interferir inclusive na saúde de adultos e crianças - por exemplo, quem não come alimentos brancos, como leites, queijos e iogurtes, pode ter falta de cálcio e desenvolver osteopenia e osteoporose.
Por isso, é importante montar sempre um prato colorido e com nutrientes diferentes para evitar até mesmo problemas de saúde e doenças em longo prazo.
Ter a salada no prato é importante para adquirir vitamina K e evitar problemas de cicatrização. No infográfico abaixo, estão descritos todos os problemas que a saúde pode ter pela falta de cor nas refeições:
Bem Estar - Infográfico de cardápio pobre (Foto: Arte/G1)
No caso de crianças, o problema é ainda maior porque geralmente elas têm mais dificuldade para comer e acabam demorando muito para fazer a refeição.
Além disso, as crianças costumam rejeitar variedades de alimentos, como é o caso do João, de 6 anos. A mãe já havia tentado dar de tudo para ele, como frutas, legumes e verduras, mas João foi ficando cada vez mais seletivo e hoje em dia baseia sua dieta em macarrão instantâneo e azeitona (veja no vídeo). Às vezes, ele até come arroz, feijão e carne, mas sempre com dificuldade.
O mesmo acontece na casa da Manuella, de 4 anos. Ao sentar na mesa, a menina faz de tudo, menos comer - cospe a comida, ri, brinca, grita, faz cara feia, se esconde debaixo da mesa, foge para o quarto, discute com os pais e, depois de muita luta, acaba comendo só três colheres.
Mas quando o assunto é besteira, Manuella não resiste: antes da hora do almoço, ela come bombom, batata palha e diversos outros alimentos que tiram a fome dela na hora da refeição. Pela manhã, ela toma também leite e, durante o dia, bastante suco, mas ainda assim, os pais se preocupam com a falta de nutrientes na alimentação da pequena.
De acordo com o nutrólogo e pediatra Mauro Fisberg, normalmente, a criança precisa de 15 a 20 tentativas para se acostumar com um determinado alimento. No entanto, vale lembrar que o hábito da criança é muito relacionado ao hábito dos pais. O pai da Manuella, por exemplo, não come salada há muito tempo e a mãe sempre opta por alimentos práticos e prontos.
De acordo com os médicos, os maus hábitos dos adultos à mesa influenciam muito na formação dos hábitos dos menores e, além disso, podem trazer diversos problemas de saúde, prejudicar a digestão e até favorecer o ganho de peso.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Veja como combinar alimentos para extrair maiores benefícios à saúde


Nutricionistas mostraram alimentos que, juntos, trazem benefícios.

Ingredientes agem melhor consumidos em conjunto do que separados.

Do G1, em São Paulo
Todo mundo sabe que a alimentação saudável traz diversos benefícios para o corpo. Mas alguns alimentos, quando combinados com outros, podem potencializar ainda mais esses efeitos e até ajudar no tratamento de doenças, como alergias, insônias e até alguns tipos de câncer.
A ingestão de combinações alimentares facilita a absorção de nutrientes e traz mais benefícios do que a ingestão de alimentos separados. 
Por exemplo, comer feijoada com laranja faz bem porque a vitamina C da fruta aumenta em 50% a absorção do ferro do feijão e da couve. Para desempenhar essa mesma função, pode ser um suco de fruta cítrica, também rico em vitamina C, ou alguma fruta como morango, kiwi ou limão.
Essa combinação pode fazer bem para pessoas que têm anemia, segundo a nutricionista Andréia Naves.
Outra combinação que pode fazer bem é o molho de tomate aquecido com azeite. Essa mistura ajuda a diminuir o colesterol porque o licopeno do molho de tomate é mais bem absorvido e aproveitado pelo organismo quando aquecido e ingerido junto com uma fonte de gordura monoinsaturada, como o azeite.
Para melhorar a função intestinal, as nutricionistas recomendam o mamão papaya com chia, linhaça ou aveia.
O mamão possui papaína, que ajuda na digestão, e é mais bem digerido com os outros alimentos que contém fibras, substâncias que melhoram a absorção dos nutrientes e o funcionamento do intestino.
Além disso, as fibras ajudam a aumentar a sensação de saciedade e, quando combinadas com antioxidantes como a vitamina C, têm maior eficiência. Uma combinação que traz esses benefícios e ainda ajuda a emagrecer é o abacate com limão (rico em vitamina C) e aveia (fibras).
O limão também aumenta a absorção de catequinas, antioxidantes que protegem as células e aumentam a imunidade. O peixe branco possui essas substâncias e, quando consumido com limão, diminui o risco de câncer e derrames.
Veja abaixo mais combinações e receitas que fazem bem à saúde:
Para prevenir a osteoporose: semente de melão triturada com sucos, sopas ou feijão com arroz. O cálcio da semente de melão pode enriquecer essas preparações, ajudando também no crescimento de crianças.
Para reduzir o consumo de sal: sal de cozinha com ervas secas, como manjericão, alecrim, sálvia, tomilho ou orégano. A adição desses elementos reduz o sal na dieta e ainda melhora o sabor dos alimentos.
Para aumentar a saciedade: arroz integral, fonte de fibra, com cúrcuma ou açafrão, que têm poder antiinflamatório. Essa mistura ajuda na saciedade e tem alto poder antioxidante. O açafrão deve ser adicionado ao arroz no final da preparação.
Para melhorar o humor: banana com canela, aveia e castanhas picadas.
Para melhorar o desempenho cognitivo: suco de frutas vermelhas com gérmen de trigo. As frutas vermelhas possuem antocianinas e o gérmen de trigo possui colina, que ajudam o desempenho. O ácido elágico, presente na framboesa e na casca da uva, eleva a absorção do ômega-3 e favorece a ação da quercetina, antioxidante.
Para aumentar a imunidade: suco com 4 cenouras grandes, sem pontas e cortadas em pedaços grossos; mais 2 limões descascados e sem sementes, cortados em quatro; mais 1 colher de sopa de óleo de linhaça; mais 1 copo de suco de uva integral.

domingo, 7 de abril de 2013

Dieta vegetariana reduz risco de doenças cardíacas em até um terço


MATÉRIA PUBLICADA EM PORTAL ISAÚDE.NET



Pesquisa realizada no Reino Unido reforça ideia de que a dieta é fundamental para a prevenção de doenças no coração.


O risco de hospitalização ou morte por doença cardíaca é 32% menor em vegetarianos do que as pessoas que comem carne e peixe, de acordo com estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

As descobertas, publicadas na revista American Journal of Clinical Nutrition, sugerem que uma dieta vegetariana pode reduzir significativamente o risco cardíaco das pessoas.

"A maior parte da diferença de risco é provavelmente causada por efeitos sobre o colesterol e pressão arterial, e mostra o importante papel da dieta na prevenção de doenças do coração", explica a autora da pesquisa Francesca Crowe.

Este é o maior estudo já realizado no Reino Unido, comparando as taxas de doenças cardíacas entre vegetarianos e não vegetarianos.

A análise incidiu sobre cerca de 45 mil voluntários da Inglaterra e na Escócia, dos quais 34% eram vegetarianos. Tal representação significativa dos vegetarianos é rara em estudos deste tipo, e permitiu aos pesquisadores fizessem estimativas mais precisas sobre os riscos relativos entre os dois grupos.

O risco de doença cardíaca em vegetarianos é cerca de um terço mais baixo do que entre os não vegetarianos.

Os pesquisadores de Oxford chegaram a uma redução de até 32% no risco de doenças cardíacas em vegetarianos após levarem em conta fatores como idade, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, nível de escolaridade e nível socioeconômico.

Os participantes foram recrutados para o estudo ao longo dos anos 1990, e responderam questionários sobre a sua saúde e estilo de vida. Estes incluíram perguntas detalhadas sobre dieta e exercício, bem como outros fatores que afetam a saúde, como fumar e consumo de álcool.

Quase 20 mil participantes também tiveram a pressão arterial aferida, e forneceram amostras de sangue para testes de colesterol.

Os voluntários foram acompanhados até 2009, período durante o qual os pesquisadores identificaram 1.235 casos de doença cardíaca.

Os pesquisadores descobriram que os vegetarianos tinham menor pressão arterial e níveis de colesterol do que os não vegetarianos, o que é pensado para ser o principal fator para sua redução do risco de doença cardíaca.

Os vegetarianos geralmente tiveram menores índices de massa corporal (IMC) e menos casos de diabetes, como resultado de suas dietas, embora estes dados não tenham sido mostrados para afetar significativamente os resultados.

Com os resultados ajustados para excluir os efeitos do IMC, os vegetarianos permaneceram 28% menos prováveis de desenvolver doenças do coração.

Os resultados reforçam a ideia de que a dieta é fundamental para a prevenção de doenças cardíacas.

Matéria publicada em portal iSaúde.net

Pesquisa confirma que dieta do Mediterrâneo protege o coração


Em um extenso estudo, pesquisadores espanhóis observaram que esse tipo de alimentação reduz a chance de problemas cardiovasculares

Dieta do mediterrâneo é baseada nos alimentos característicos de alguns dos países banhados pelo mar Mediterrâneo
Dieta do mediterrâneo é baseada nos alimentos característicos de alguns dos países banhados pelo mar Mediterrâneo(Thinkstock)
Um extenso estudo feito ao longo de cinco anos e que envolveu quase 7.500 pessoas confirmou que a dieta do Mediterrâneo, baseada em alimentos como peixes, legumes, frutas, castanhas, grãos integrais e azeite, protege a saúde do coração. De acordo com uma equipe de pesquisadores de universidades e centros médicos da Espanha, esse tipo de alimentação reduz a chance de problemas cardiovasculares, como o derrame cerebral, em pessoas com mais de 55 anos que já apresentam um alto risco cardíaco.

Saiba mais

DIETA DO MEDITERRÂNEO
É baseada nos alimentos característicos de alguns dos países banhados pelo mar Mediterrâneo. É rica em frutas, legumes, peixes, grãos integrais, gordura saudável, como o azeite, e quantidades moderadas de álcool, especialmente de vinho.
A dieta do Mediterrâneo já foi associada por diversos estudos a benefícios a saúde, entre eles a uma maior proteção ao sistema cardiovascular. No entanto, essas pesquisas limitaram-se a evidenciar uma relação estatística entre essa alimentação e menores eventos cardíacos. O novo estudo, que foi publicado nesta segunda-feira no periódicoThe New England Journal of Medicine, submeteu parte dos voluntários à dieta do Mediterrâneo e o restante deles, a uma dieta com baixo teor de gordura. Depois de cinco anos, a saúde de todos foi comparada.
Os 7.447 participantes do estudo tinham de 55 a 80 anos de idade. Nenhum deles sofria de doença cardíaca, mas todos tinham um alto risco do problema, já que apresentavam diabetes, obesidade ou colesterol e pressão altos.
Dieta 'fácil' — Segundo os autores da pesquisa, as dietas às quais os voluntários foram submetidos não eram rígidas e nem limitavam calorias ingeridas, já que o objetivo do trabalho não era promover a perda de peso entre os indivíduos. Talvez por isso, os pesquisadores afirmam, o índice de desistência das dietas foi baixo: apenas 7% dos participantes abandonaram a nova alimentação, sendo que o grupo da dieta com baixo teor de gordura apresentou o dobro de desistência do que as pessoas que seguiram a dieta do Mediterrâneo.
Após cinco anos acompanhando os participantes, os autores observaram que aqueles que seguiram a dieta do Mediterrâneo apresentaram um risco 30% menor de sofrer algum evento cardiovascular em comparação com o restante dos voluntários. "Em conclusão, nesse estudo de prevenção primária, nós observamos que uma dieta do Mediterrâneo sem restrição calórica, com suplementos de azeite extravirgem ou de nozes, resultou em uma redução substancial da chance de eventos cardiovasculares em pessoas com alto risco. Os resultados sustentam os benefícios da dieta mediterrânea para a prevenção primária da doença cardiovascular”, escreveram os autores nas conclusões do estudo.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Alimentação saudável e equilibrada deve ter carboidratos e proteínas


Carboidratos são fontes imediatas de energia para o cérebro e sangue.

Já as proteínas são essenciais para os músculos e defesa do organismo.

Do G1, em São Paulo

Os carboidratos e as proteínas são dois elementos básicos e importantes para a saúde que devem estar presentes no prato todos os dias para manter uma alimentação saudável e equilibrada. Restringir a dieta a apenas um deles ou consumi-los em excesso pode ser perigoso e fazer mal ao organismo, como alertou o endocrinologista Alfredo Halpern no Bem Estar desta quarta-feira (27).
Os carboidratos, por exemplo, são fontes primárias de energia e funcionam como combustível para o cérebro, medula, nervos e células vermelhas do sangue, ou seja, mantêm o corpo funcionando. Por isso, a deficiência deles pode trazer riscos para o sistema nervoso central e para o organismo, de maneira geral.
A dica da nutricionista Rosana Raele é que os carboidratos façam parte de, pelo menos, metade da dieta diária, principalmente pela manhã, quando o corpo e o cérebro precisam de mais energia.
Entre os alimentos ricos em carboidrato, estão o arroz, os cereais, os pães, massas, batatas e até mesmo as frutas. A falta de energia por causa da pouca ingestão desses alimentos pode logo dar sintomas, como fome, tontura, mal-estar e até mesmo prejudicar a memória.
Bem Estar - Infográfico fala de carboidratos e proteínas (Foto: Arte/G1)
Já as proteínas são constituintes básicos da vida, tanto que seu nome deriva da palavra grega "proteios", que significa "em primeiro lugar". Nos animais, as proteínas correspondem a cerca de 80% do peso dos músculos desidratados, cerca de 70% da pele e 90% do sangue seco – elas estão presentes até mesmo nos vegetais.
As proteínas são fundamentais sob todos os aspectos da estrutura e função celulares e também para expressar maior parte da informação genética. Além disso, elas são fundamentais para a defesa do organismo e para abastecer a musculatura. No entanto, a importância desses elementos está relacionada com suas funções, e não com sua quantidade já que todas as enzimas conhecidas, por exemplo, são proteínas.
Porém, como explicou o endocrinologista Alfredo Halpern, ao contrário dos carboidratos, as proteínas são difíceis de serem digeridas - a quebra começa na boca com a saliva, depois no estômago e intestino, onde ela será absorvida na forma de aminoácidos. No entanto, como mostrou o médico, elas são boas para aumentar a saciedade e diminuir a vontade de comer mais.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Dieta mediterrânea reduz risco cardíaco


DA ASSOCIATED PRESS


Um dos mais longos trabalhos científicos sobre a dieta mediterrânea, rica em azeite, vegetais e peixe, sugere que ela pode reduzir o risco de problemas cardíacos e derrames em pessoas mais velhas e com mais probabilidade de sofrer desses males.

O estudo levou cinco anos e envolveu 7.500 pessoas na Espanha. Quem comia a dieta com muito azeite ou castanhas teve um risco 30% menor de sofrer problemas cardiovasculares graves do que os que receberam a orientação de seguir uma dieta com baixa gordura, mas, na verdade, não cortou muito esse nutriente.
Os adeptos da dieta mediterrânea comeram mais fruta, peixe, frango, feijões, saladas, molho de tomate e vinho.
Esse estilo de dieta é ligado há tempos à saúde do coração, mas a maior parte dos estudos a respeito são observacionais. A evidência agora é mais forte porque as pessoas foram seguidas por um longo tempo e monitoradas. Os médicos fizeram exames laboratoriais para verificar que os participantes estavam consumindo mais azeite e castanhas, como havia sido pedido.
A maioria dessas pessoas estava tomando remédios para baixar o colesterol e a pressão, e os pesquisadores não alteraram essas prescrições, segundo um dos responsáveis pelo trabalho, Ramon Estruch, de Barcelona.
Como um primeiro passo para evitar problemas cardíacos, ele acredita que a dieta é melhor do que um remédio, porque há poucos efeitos colaterais. "Dieta funciona."
Os resultados foram publicados nesta segunda (25) no "New England Journal of Medicine".
Os participantes do estudo não receberam menus rígidos ou contaram calorias, porque perda de peso não era o objetivo. Só 7% dos voluntários saíram do estudo em dois anos. Houve o dobro de desistências no grupo da dieta de baixas gorduras.
O estudo incluiu pessoas com idades entre 55 e 80 anos. Todas eram livres de doenças cardíacas no início da pesquisa mas tinham alto risco por diabetes, sobrepeso, colesterol alto e pressão alta.
Elas foram separadas em três grupos: dois seguiram uma dieta mediterrânea com quatro colheres de sopa de azeite de oliva ou com castanhas e nozes (um punhado ao dia). O terceiro grupo deveria ingerir uma dieta de baixas gorduras com mais pão, batatas, massas, arroz, frutas, vegetais e peixes e pouca carne vermelha e pouco óleo.
Depois de cinco anos, foi observado que os grupos de dieta mediterrânea tiveram menos problemas de saúde.
Os médicos acompanharam os infartos, derrames e problemas cardíacos. Houve 96 desses no grupo da dieta mediterrânea com azeite, 83 no grupo das nozes e 109 no grupo que não usou a dieta mediterrânea.
O derrame foi o problema para o qual a dieta mediterrânea fez mais diferença. Não houve mudanças no índice de mortes.
Os seguidores da dieta ingeriram 200 calorias a mais por dia do que o grupo das baixas gorduras.
O governo espanhol financiou o estudo; azeite e castanhas foram pagos por empresas fabricantes desses produtos na Espanha e nos EUA.
Muitos dos autores têm financiamentos da indústria de alimentos e vinhos, mas afirmam que as empresas não tiveram papel algum no desenvolvimento do estudo e nos resultados.
Rachel Johson, chefe do comitê de nutrição da American Heart Associaton, diz que o estudo é importante porque acompanhou números de infartos, derrames e mortes e não só mudanças nos números de colesterol.
"É um estudo importante."