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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Consumo excessivo de álcool aumenta risco de demência


Pesquisa com mais de 5 mil voluntários acima de 65 anos relaciona perda de memória e declínio das funções cognitivas ao excesso de álcool

álcool
Idosos que consumiram bebidas alcoólicas em excesso apresentaram pior desempenho cognitivo (Thinkstock)
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, demonstrou uma ligação entre o consumo excessivo de álcool por idosos e o risco de desenvolver demência. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Vancouver, no Canadá, aponta que consumir a bebida em excesso duas ou mais vezes por mês aumenta em 2,5 vezes os riscos de declínio cognitivo e de memória.

Saiba mais

DEMÊNCIA
A demência é causada por uma variedade de doenças no cérebro que afetam a memória, o pensamento, o comportamento e a habilidade de realizar atividades cotidianas. O Alzheimer é a causa mais comum de demência e corresponde a cerca de 70% dos casos. Os sintomas mais comuns são: perda de memória, confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor e falhas de linguagem.
COGNIÇÃO
Conjunto de processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, no reconhecimento, na memória, no juízo, na imaginação e na linguagem. O comprometimento cognitivo é uma das características mais importantes da demência, como na doença de Alzheimer.
Segundo o pesquisador Iain Lang, que coordenou o estudo, alguns malefícios que a bebida causa nessa faixa etária já eram conhecidos. Os cientistas já sabiam da ligação do álcool com riscos ao sistema cardiovascular, incluindo ataques cardíacos. “No entanto, até nossa pesquisa não estava claro quais os efeitos do excesso de álcool nas funções cognitivas e no risco de desenvolver demência”, diz.
Eles analisaram os dados de 5.075 voluntários com mais de 65 anos que haviam participado de um grande estudo que avaliou a saúde de 26.000 americanos. Esse estudo recolheu seus primeiros dados em 2002 e acompanhou os voluntários por oito anos.
O estudo mostrou que 8,3% dos homens e 1,5% das mulheres consumiam álcool em excesso uma vez ou mais por mês. Já 4,3% dos homens e 0,5% das mulheres relataram que as bebedeiras aconteciam duas ou mais vezes por mês. Para os pesquisadores, consumir álcool em excesso significa beber quatro ou mais doses em uma mesma ocasião. 
Os participantes que relataram consumir álcool em excesso duas ou mais vezes por mês tinham 2,5 vezes mais chances de estar no grupo com os piores casos de declínio das funções cognitivas e também 2,5 vezes mais chances de estar no grupo dos casos mais graves de perda de memória. Os resultados foram similares para homens e mulheres.
Segundo os pesquisadores, essa pesquisa pode ter inúmeras implicações. “Em primeiro lugar, os idosos – e seus médicos – devem estar conscientes de que o consumo excessivo de álcool pode aumentar o risco de declínio cognitivo e devem ser encorajados a mudar seu comportamento. Em segundo lugar, os políticos e especialistas em saúde publicas deveriam estar cientes de que o consumo excessivo de álcool não é só um problema entre adolescentes e jovens. Nós temos que começar a pensar nos idosos quando planejamos intervenções para diminuir o consumo de álcool”, diz Iain Lang.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ignorar calorias do álcool ameaça dietas de Ano Novo

 Uma organização não-governamental lançou um alerta sobre o consumo de álcool e de que forma ele pode arruinar as expectativas das pessoas que, entre suas resoluções de Ano Novo, se comprometeram a perder peso em 2013. Segundo a ONG World Cancer Research Fund (WCRF), as pessoas que iniciam uma dieta muitas vezes se concentram nos alimentos que ingerem e ignoram o fato de que o álcool também tem muitas calorias e pode engordar. Entre as pessoas que bebem, o álcool representa em média cerca de 200 calorias por dia, ou 10% do total diário de calorias recomendado para as mulheres (2000 kcal) ou 8% do recomendado para os homens (2500 kcal), advertiu a ONG. "Reduzir o consumo de álcool pode ter um grande impacto na perda de peso e na manutenção de um peso saudável", disse Kate Mendoza, diretora da WCRF. CÂNCER Em número de calorias, o álcool tem 7 kcal/g e só perde para as gorduras (9 kcal/g), superando proteínas e carboidratos (4 kcal/g) e fibras (2 kcal/g). Uma taça grande (250 ml) de vinho, por exemplo, tem 178 calorias --o equivalente ao número de calorias consumidas em cerca de meia hora de caminhada acelerada. Além de levar a uma redução de peso, diminuir ou eliminar o consumo de álcool pode prevenir a ocorrência de câncer. Pesquisas demonstraram ligação entre as bebidas alcoólicas e casos de câncer de intestino, mama, boca e fígado.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cientistas identificam gene ligado ao consumo de álcool



Estudo contou com mais de 47 mil voluntários. Uso exagerado da bebida mata 2,5 milhões em todo o mundo por ano.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso prejudicial do álcool resulta em 2,5 milhões de mortes por ano em todo o mundo
Foto: Ivan Leal Filho/31-10-2012
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso prejudicial do álcool resulta em 2,5 milhões de mortes por ano em todo o mundoIVAN LEAL FILHO/31-10-2012
RIO - Cientistas identificaram um gene que parece ter papel na regulação de quanto álcool uma pessoa bebe. Eles dizem que a descoberta poderia ajudar na busca por tratamentos mais eficazes contra o alcoolismo e as bebedeiras.
Em um estudo com mais de 47 mil voluntários, uma equipe internacional de cientistas descobriu que pessoas que possuem uma rara variante de gene chamado de AUTS2 bebem em média 5 por cento menos álcool do que as com a variante mais comum.
O gene AUTS2, também conhecido como "candidato 2 de suscetibilidade ao autismo", havia sido previamente relacionado ao autismo e à desordem de hiperatividade do déficit de atenção (ADHD), mas sua função real não está clara, disseram os pesquisadores.
— Claro que há uma porção de fatores que afetam o quanto de álcool uma pessoa bebe, mas nós sabemos que os genes desempenham um papel importante — disse Paul Elliott, do Imperial College de Londres, que integrou a equipe do estudo. — A diferença que este gene particular produz é somente pequena, mas ao encontrá-la abrimos uma nova era de pesquisa.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso prejudicial do álcool resulta em 2,5 milhões de mortes por ano em todo o mundo. Esse é o terceiro maior fator de risco no mundo para doenças como desordens neuropsiquiátricas, como é o caso do alcoolismo e epilepsia, bem como doença cardiovascular, cirrose do fígado e várias formas de câncer.
Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King's College, de Londres, disse que a combinação de estudos genéticos e dados comportamentais deve ajudar os cientistas a compreender melhor as bases biológicas dos motivos pelos quais as pessoas bebem, algumas delas em excesso.
— Este é um primeiro passo importante em direção ao desenvolvimento da prevenção e tratamentos de abuso e dependência de álcool — disse ele.
No estudo, publicado na revista da "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS, na sigla em inglês), a equipe analisou amostras de DNA de 26 mil voluntários em busca de genes que parecem afetar o consumo de álcool e depois checou suas descobertas em outras 21 mil pessoas.
Em uma parte da pesquisa, depois de identificar o AUTS2, os cientistas analisaram o quanto o gene era ativo em amostras de tecidos do cérebro. Eles descobriram, então, que as pessoas com a variante do gene relacionada ao menor consumo de álcool tinham uma atividade maior no gene.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Bebida alcoólica mata mais rapidamente do que o cigarro



Vício pode ser mais nocivo para pessoas do sexo feminino


Dependentes de bebidas alcoólicas morem, em média, 20 anos mais cedo do que a população em geral
Foto: Divulgação
Dependentes de bebidas alcoólicas morem, em média, 20 anos mais cedo do que a população em geralDIVULGAÇÃO
Pesquisadores alemães realizaram estudos durante 14 anos para analisar os problemas do alcoolismo. A pesquisa, publicada pelo jornal “Alcoholism: Clinical & Experimental Research” apresenta o impacto da dependência do álcool por um longo período.
De acordo com os resultados, o hábito de consumir bebidas alcoólicas mata mais rapidamente do que fumar. Eles afirmam ainda que o consumo do álcool coloca as mulheres em maior risco do que os homens, uma vez que a taxa de mortalidade entre as mulheres dependentes foi 4,6 vezes maior do que as que não são dependentes da bebida, enquanto, entre os homens, a taxa de mortalidade corresponde a quase o dobro da apresentada pela população do sexo masculino em geral. A pesquisa mostrou também que pessoas dependentes de álcool vivem, em média, menos do que os fumantes. O estudo revela que o alcoólicos morrem 20 anos mais cedo, em média, do que a população geral.
— Os dados clínicos mostram uma maior proporção de óbito entre os indivíduos dependentes de álcool, quando comparados com outros da mesma idade e que não são dependentes — diz o professor John Ulrich, da Universidade de Medicina de Greifswald.
Para realizar a análise, a equipe do professor Ulrich olhou para uma amostra aleatória de 4.070 pessoas com idades entre 18 e 64 anos, dos quais 153 foram identificados como dependentes do álcool. Destes, 149, sendo 119 homens e 30 mulheres, foram acompanhados durante 14 anos.
— Verificamos que a idade média de morte entre os dependentes era de 60 para as mulheres e 58 para homens, sendo que ambos são cerca de 20 anos menor do que a idade média de morte entre a população em geral. Nenhuma dessas pessoas que foram a óbito tinha atingido a expectativa de vida — disse o professor Ulrich. — Outro dado relevante foi que, mesmo participado de tratamento para a doença, não identificamos uma maior sobrevida, o que significa que não parece ter um efeito protetor suficiente contra a morte prematura.
O professor Ulrich conclui dizendo que:
— O fumo está muito relacionado ao câncer, que, de acordo com pesquisas, são diagnosticados mais tarde do que os problemas relacionados ao consumo de álcool. Além disso, beber também pode contribuir para outros comportamentos de risco, como tabagismo, excesso de peso e obesidade. O álcool é um produto perigoso e deve ser consumido apenas dentro das diretrizes.

sábado, 20 de outubro de 2012

Pessoas que bebem demais se alimentam pior



Hábitos alimentares ruins colaboram com o aparecimento de doença no fígado

Pessoas que bebem demais se alimentam pior
Pessoas que bebem demais se alimentam pior (Jupiterimages)
Estudo realizado com adultos na Espanha descobriu que pessoas que exageram no consumo de bebida alcóolica e que bebem durante as refeições têm uma alimentação considerada ruim, segundo as diretrizes de dieta saudável. Os resultados serão publicados na edição de novembro deste ano da revista científica Alcoholism: Clinical & Experimental Research. “O consumo de álcool reduz o hábito de alimentação saudável, o que leva a efeitos metabólicos adversos que se somam diretamente aos já produzidos pelo álcool”, diz José Lorenzo Valencia-Martín, um dos autores do estudo da Universidade Autónoma. “A influência direta do álcool na dieta depende da quantidade de bebida ingerida, frequência de consumo, tipo de bebida preferida e se a ingestão de álcool ocorre durante as refeições”, completa.
Segundo o pesquisador, o álcool contribui diretamente para doenças crônicas como obesidade, diabetes, males cardiovasculares e câncer. Para ele, pessoas que bebem excessivamente são mais propensas a negligenciar os hábitos alimentares. O álcool aumenta também as chances do desenvolvimento de doença no fígado, principalmente se a pessoa tiver alta ingestão de alimentos calóricos e ricos em gorduras trans.
Para a pesquisa, foram realizadas entrevistas com 12.037 adultos entre os anos de 2000 e 2005. Os participantes tinham idades entre 18 e 64 anos e moravam na região de Madrid. O consumo excessivo foi determinado a partir do consumo de 80 gramas de álcool para homens e 60 gramas para mulheres de uma vez só.

Beber com moderação faz a mulher envelhecer com saúde



Consumir de um a dois drinques por dia ajuda a evitar problemas como câncer, diabetes e doença cardiovascular, indica pesquisa da Universidade de Harvard

Envelhecimento: o consumo moderado e regular de bebidas alcoólicas ajuda mulheres na meia idade a envelhecer de maneira saudável
Envelhecimento: o consumo moderado e regular de bebidas alcoólicas ajuda mulheres na meia idade a envelhecer de maneira saudável (Thinkstock)
Consumir bebidas alcoólicas moderadamente ajuda as mulheres na meia idade - na faixa dos 35 aos 58 anos - a envelhecer de maneira mais saudável. Ao menos é o que sugere um estudo americano publicado no periódico especializado PLoS Medicine Journal. De acordo com a pesquisa, consumir de 15 a 30 gramas de álcool (o equivalente a aproximadamente meio litro de cerveja ou uma taça de vinho), de cinco a sete vezes na semana, faz com que as mulheres se tornem mais sudáveis à medida em que envelhecem.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Alcohol Consumption at Midlife and Successful Ageing in Women: A Prospective Cohort Analysis in the Nurses' Health Study

Onde foi divulgada: periódico PLoS Medicine Journal 

Quem fez: Sun Q, Townsend MK, Okereke OI, Rimm EB, Hu FB, e outros

Instituição: Escola de Medicina da Universidade de Harvad, nos Estados Unidos

Dados de amostragem: 14.000 mulheres que sobreviveram até os 70 anos de idade ou mais

Resultado: O consumo regular e moderado de bebidas alcoólicas na meia-idade pode estar relacionado com um aumento no estado geral de saúde entre as mulheres que sobrevivem até idades mais avançadas.
O estudo da Escola de Medicina da Universidade de Harvard analisou 14.000 mulheres que viveram até os 70 anos de idade ou mais. Como envelhecimento bem sucedido, os pesquisadores consideraram a ausência de: 11 doenças crônicas; comprometimento cognitivo; deficiência física; e limitações de saúde mental. Entre as bebidas e quantidades analisadas estavam: uma tulipa de cerveja, uma taça de vinho e uma dose única de aguardente.
Descobriu-se, então, que mulheres nos seus 50 anos que consomem de um a dois drinques por dia têm uma probabilidade 28% maior de ter um envelhecimento bem sucedido. Já aquelas que bebem, no mínimo, em cinco dias da semana praticamente dobram as chances de envelhecer de maneira saudável.
Segundo os pesquisadores, isso pode significar que mulheres que consomem de maneira moderada e frequente bebidas alcoólicas têm mais chances de chegar aos 70 anos livres de condições como câncer, diabetes, doenças cardíacas e outras enfermidades. Eles não conseguiram delimitar, no entanto, se é o álcool em si que oferece os benefícios à saúde, ou se existe algum fator que caminha lado a lado com o hábito e que possa estar beneficiando essas mulheres.
Dados prévios - Estudos anteriores já haviam demonstrado que o consumo moderado de bebidas alcoólicas, dentro das duas ou três unidas diárias recomendadas, estava relacionado com menores riscos de doenças cardíacas e outras condições. Há ainda, de acordo com estudos, benefícios como redução da resistência à insulina, de inflamações, do colesterol alto e de outros processos danosos ao corpo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Aprecie com moderação


Da melhora do sistema cardiovascular à redução do risco de asma: cada vez mais pesquisas revelam os ganhos que traz o consumo moderado de álcool

Vivian Carrer Elias
vinho
Vinho: bebida traz vários benefícios à saúde graças a uma substância chamada resveratrol (Thinkstock)
O consumo de álcool, ao longo da história, sempre foi associado à saúde. Embora o alcoolismo seja um problema gravíssimo de saúde pública, consumido moderadamente, o álcool pode ser um aliado no combate a diversas doenças. Nos últimos anos, várias pesquisas observaram os benefícios que um consumo moderado de bebida alcoólica pode trazer. A redução de risco de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, artrite e asma são alguns deles, junto com a melhora do quadro de diabetes e o aumento do nível de HDL, ou "colesterol bom", no sangue.
É importante ressaltar, porém, que nenhum estudo relacionou esses benefícios à ingestão de grandes quantidades de bebida alcoólica — pelo contrário, o consumo em excesso só oferece prejuízos à saúde. As vantagens vêm somente com uma ingestão moderada. Para o cardiologista e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Protásio Lemos da Luz, essa quantidade corresponde a cerca de 30 gramas de álcool por dia, o mesmo que uma ou duas taças de vinho. Também é importante lembrar que muitas dessas pesquisas são de observação, ou seja, analisaram os benefícios em pessoas que consumiram determinada quantidade de álcool, mas não explicam os mecanismos do organismo que levaram a tal.
Existem, contudo, pistas de como o álcool atua no organismo. O que já se sabe é que ele acarreta dilatação dos vasos e aumento do chamado colesterol "bom", o HDL. Essas ações melhoram a função vascular, já que os vasos dilatados se tornam mais flexíveis e resistentes. Além disso, o HDL não deixa as plaquetas se acumularem no sangue, evitando infartos. Esses fatores podem explicar estudos que associam redução do risco de doenças cardiovasculares, melhora do colesterol e de problemas inflamatórios ao consumo de bebida alcoólica. (continue lendo a reportagem)

O que dizem as pesquisas

Os últimos estudos sobre os benefícios do álcool comentados por especialistas

8 de 8

Pessoas que bebem moderadamente apresentam menores riscos de desenvolver doenças cardiovasculares

Instituição: Hospital Pitié-Salpêtrière, Paris, França

Publicação: European Journal of Clinical Nutrition

Como foi feita: A pesquisa avaliou características biológicas e clínicas, como fatores de risco de doença cardiovascular, de quase 150 mil pessoas. Elas foram divididas em grupos de acordo com o consumo de álcool: baixo, ou até 10 gramas por dia; moderado, ou de 10 a 30 gramas por dia; e alto, ou mais de 30 gramas por dia. Pessoas que bebiam moderadamente apresentaram perfis clínicos e biológicos mais favoráveis e com menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares.
Opinião do especialista: "A maioria das pesquisas sobre o assunto demonstraram exatamente essa relação do consumo moderado de álcool com a diminuição de doenças cardiovasculares. Isso se deve ao fato de o álcool proteger, de alguma maneira, os vasos, fazendo com que os problemas cardiovasculares fossem menores naqueles que ingeriam bebida alcoólica moderadamente do que nos abstêmios. Isso não se deve apenas a uma ação, mas sim ao conjunto delas." – Dr. Protásio Lemos da Luz.

Consumo moderado de álcool aumenta o colesterol “bom”

Instituição: Universidade de Calgary
Publicação: British Medical Journal
Como foi feita: Um estudo analisou 63 pesquisas existentes sobre consumo de álcool e níveis de colesterol e gordura. Concluíram que a ingestão de 15 gramas de qualquer bebida alcoólica por mulheres e 30 gramas por homens aumentou significativamente o colesterol HDL.
Opinião do especialista: "O álcool e o resveratrol, presente no vinho, estimulam a produção do colesterol 'bom'. Ele funciona como um 'lixeiro', que limpa as placas presentes nas artérias responsáveis por entupi-las. Mas aumentar o HDL não significa que diminuímos o LDL, que é o colesterol 'ruim'. Isso só é obtido com uma alimentação correta." – Dr. Saulo Cavalcanti, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Silício presente na cerveja pode ajudar a fortalecer os ossos e combater a osteoporose

Instituição: Universidade da Califórnia, Estados Unidos

Publicação: Journal of the Science of Food and Agriculture

Como foi feita: O estudo analisou a quantidade de silício presente em diversos tipos de cerveja e relacionou com o impacto da substância no organismo. Os pesquisadores verificaram que as cervejas comerciais apresentavam entre 6,4 e 56,5 miligramas de silício por litro da bebida, e que as bebidas à base de cevada continham mais silício do que as feitas de trigo. Para eles, essas quantidades de silício na cerveja já podem ser benéficas para o organismo e para o fortalecimento dos ossos.

Opinião do especialista: "O silício é um micronutriente presente em certos tipos de cerveja. Ele participa da composição de enzimas que ajudam no processo de calcificação. Consumi-lo, portanto, auxilia no fortalecimento dos ossos e evita a osteoporose. Mas, como é um micronutriente e não está presente em quantidade abundante na cerveja, não dispensa a necessidade da ingestão de cálcio – o principal macronutriente responsável pelo fortalecimento dos ossos." – Dr. Márcio Passini, presidente do Comitê de Osteoporose e Doenças Osteometabólicas da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Consumo moderado de álcool pode reduzir a gravidade da artrite reumatoide e até evitar o problema

Instituição: Universidade Britânica de Sheffield
Publicação: Rheumatology, da Sociedade Britânica de Reumatologia
Como foi feita: Foram acompanhados 873 pacientes que sofriam de artrite reumatoide e comparados com um grupo de 1.004 pessoas que não sofriam da doença. Eles responderam a perguntas sobre frequência de consumo de álcool no mês anterior, passaram por exames radiológico e sanguíneo e tiveram suas articulações examinadas. Pacientes que beberam com mais frequência mostraram menos danos nas articulações, níveis mais baixos de inflamação, inchaços e limitação do que aqueles que bebiam nunca ou raramente. Abstêmios tiveram quatro vezes mais chances de contrair a doença do que pessoas que bebiam álcool dez dias ao mês.
Opinião do especialista: "A pesquisa vai na mesma linha de outros estudos que demonstraram o efeito protetor do álcool moderado. A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica e acomete as articulações do corpo. O álcool pode ter efeito anti-inflamatório, evitando enfartes, por exemplo. Talvez por a artrite ser um problema inflamatório, o consumo de álcool seja eficaz em auxiliar a melhora da doença. Mas ainda são associações." – Dra. Ieda Magalhães, professora colaboradora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e médica assistente do Hospital das Clínicas.

Vinho tinto melhora no tratamento de câncer de mama

Instituição: Cleveland Clinic’s Lerner Research Institute, Estados Unidos

Publicação: Cancer Letters

Como foi feita: Testes de laboratório identificaram que o resveratrol presente no vinho tinto intensifica a ação de remédios para tratamento de câncer de mama. Consumir uma taça da bebida ao dia, segundo o estudo, pode evitar que as células cancerígenas se tornem resistentes aos medicamentos.

Opinião do especialista: "O resveratrol é antioxidante e, por isso, ajuda a manter o metabolismo mais saudável. O envelhecimento celular, causado pela oxidação das células, é uma das causas do câncer, já que quanto mais velha a célula fica, maiores as chances de o DNA se alterar, causando câncer de mama ou outros. Porém, o álcool em excesso lesa o fígado e aumenta o risco do câncer nas mamas." – Dr. José Roberto Filassi, mastologista chefe do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

Pequena dose diária de álcool ajuda na prevenção do Alzheimer e em outras doenças neurodegenerativas

Instituição: Universidade Loyola de Chicago, Estados Unidos

Publicação: Journal of Alzheimer’s Disease

Como foi feita: Um grupo de pesquisadores analisou 143 estudos prévios sobre álcool e doenças neurodegenerativas, envolvendo 365 pessoas em dados coletados desde 1977. Eles compararam pessoas consumiam pouco e não consumiam bebida alcoólica e concluíram que aqueles que consumiam muito, ou seja, mais de cinco doses diárias, tinham mais chance de ter essas doenças; mas pessoas que bebiam de uma a duas doses de álcool por dia apresentaram 23% menos de chances de ter esse problema.

Opinião do especialista: "O álcool pode ter algum efeito sobre essas doenças, mas não é certo. Se tiver, é muito modesto. Não há explicações para esses dados, mas é possível compreender que algo que seja recomendado para problemas cardiovasculares também seja para o cérebro, já que são semelhantes em alguns aspectos. Por exemplo, o sistema nervoso é constituído de lipídios que predispõem doenças cardiovasculares e também neurológicas. Talvez os efeitos benéficos do álcool em dose pequena abranjam o metabolismo dos lipídios, mas não se sabe ao certo." – Dr. Cícero Galli Coimbra, professor de neurologia da Universidade Federal de São Paulo.

Dois a três copos de cerveja por dia pode ajudar a combater diabetes e previne hipertensão

Instituição: Universidade de Barcelona, Hospital Clínico de Barcelona e Instituto Carlos III de Madri
Como foi feita: O estudo foi realizado com 1.249 homens e mulheres acima de 57 anos. Os pesquisadores concluíram que até dois copos de cerveja para mulheres e três para homens podem prevenir hipertensão e combater a diabetes.

Opinião do especialista: "Os benefícios do álcool nos vasos poderiam ajudar uma pessoa que tenha diabetes controlado. Tudo depende de como e quanto ingerir. O álcool poderia favorecer o problema durante as refeições, já que quando comemos a glicemia no plasma aumenta. A bebida alcoólica, por sua vez, diminui a glicemia, e seu nível não sobe tanto durante as refeições." – Dr. Protásio Lemos da Luz.

Pessoas que bebem moderadamente apresentam menores riscos de desenvolver doenças cardiovasculares

Instituição: Hospital Pitié-Salpêtrière, Paris, França

Publicação: European Journal of Clinical Nutrition

Como foi feita: A pesquisa avaliou características biológicas e clínicas, como fatores de risco de doença cardiovascular, de quase 150 mil pessoas. Elas foram divididas em grupos de acordo com o consumo de álcool: baixo, ou até 10 gramas por dia; moderado, ou de 10 a 30 gramas por dia; e alto, ou mais de 30 gramas por dia. Pessoas que bebiam moderadamente apresentaram perfis clínicos e biológicos mais favoráveis e com menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares.
Opinião do especialista: "A maioria das pesquisas sobre o assunto demonstraram exatamente essa relação do consumo moderado de álcool com a diminuição de doenças cardiovasculares. Isso se deve ao fato de o álcool proteger, de alguma maneira, os vasos, fazendo com que os problemas cardiovasculares fossem menores naqueles que ingeriam bebida alcoólica moderadamente do que nos abstêmios. Isso não se deve apenas a uma ação, mas sim ao conjunto delas." – Dr. Protásio Lemos da Luz.






Curva em J — O vinho tinto é uma das bebidas mais associadas, se não a mais, a tais benefícios. Isso não acontece é à toa. Além do teor alcoólico, possui um componente químico chamado resveratrol, que vem da casca de determinados tipos de uva, mas também pode ser encontrado no mate, em chás, na cebola e na maçã. Além de, como o álcool, melhorar a função vascular, tem função antioxidante (combate o envelhecimento das células) e ajuda a manter o organismo mais saudável. “Com a idade, o metabolismo das pessoas se desacelera, se oxida. As substâncias antioxidantes atrasam esse processo”, explica o mastologista chefe do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, José Roberto Filassi.
O cardiologista Protásio Luz explica que os estudos sobre álcool obedecem a uma "curva em J": quem bebe muito morre mais; mas os abstêmios apresentam, geralmente, maior mortalidade do que aqueles que bebem pouco. Ele, junto a um grupo do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), realizou um estudo com ratos no começo do ano, dividindo os animais em três grupos. O primeiro grupo recebeu vinho tinto, o segundo recebeu uma baixa quantidade de resveratrol e o terceiro uma grande quantidade da substância. 
A pesquisa observou que os animais que ingeriram vinho e quantidades pequenas de resveratrol apresentaram melhora na função vascular e fizeram mais exercícios físicos. Os que receberam doses altas de resveratrol, por outro lado, não apresentaram melhoria alguma na condição vascular. “Não podemos dizer, nesse caso, que o resveratrol fez mal, ele simplesmente não fez bem. A proteção da bebida alcoólica se restringe, portanto, a uma quantidade moderada”.
Mas para o álcool se tornar um aliado da saúde, afirma o cardiologista Protásio Luz, não basta seu consumo moderado. "É preciso mudar o estilo de vida", afirma. Para ele, o ideal é controlar o peso, seguir uma dieta alimentar saudável e não fumar. "Com tudo isso em dia, o consumo moderado de álcool revelará seus benefícios."

Não é para você

Apesar de a bebida alcoólica, com moderação, proporcionar benefícios para a saúde, ela não é indicada para todos. Existem pessoas que não devem ingerir quantidade alguma de álcool, já que os prejuízos são muito maiores do que as vantagens. Sinal vermelho para quem tem os seguintes problemas:
Doença hepática alcoólica: é a inflamação no fígado causada pelo uso crônico do álcool. Principal metabolizador do álcool no organismo, o fígado é lesionado com a ingestão de bebidas alcoólicas.

Cirrose hepática:
 o álcool destrói as células do fígado e é o responsável por causar cirrose, quadro de destruição avançada do órgão. Pessoas com esse problema já têm o fígado prejudicado e a ingestão só induziria a piora dele.

Triglicérides aumentado: 
o triglicérides é uma gordura tão prejudicial quanto o colesterol, já que forma placas que entopem as artérias, podendo causar infarto e derrame cerebral. O álcool aumenta essa taxa. Portanto, quem já tiver a condição deve manter-se longe das bebidas alcoólicas.

Pancreatite: a doença é um processo inflamatório do pâncreas, que é o órgão responsável por produzir insulina e também enzimas necessárias para a digestão. O consumo exagerado de álcool é uma das causas dessa doença, e sua ingestão pode provocar muita dor, danificar o processo de digestão e os níveis de insulina, principal problema do diabetes.

Úlcera: é uma ferida no estômago. Portanto, qualquer irritante gástrico, como o álcool, irá piorar o problema e aumentar a dor.

Insuficiência cardíaca: por ser tóxico, o álcool piora a atividade do músculo cardíaco. Quem já sofre desse problema deve evitar bebidas alcoólicas para que a atividade de circulação do sangue não piore.

Arritmia cardíaca: de modo geral, ele afeta o ritmo dos batimentos cardíacos. A bebida alcoólica induz e piora a arritmia.               


Redobre a atenção

Há também aqueles que devem ter muito cuidado ao beber, mesmo que pouco.Tudo depende do grau da doença, do tipo de remédio e do organismo de cada um.
Problemas psiquiátricos: o álcool muda o comportamento das pessoas e pode alterar o efeito da medicação. É arriscada, portanto, a ingestão de bebida alcoólica por aqueles que já têm esse tipo de problema.

Gastrite: é uma fase anterior à úlcera e quem sofre desse problema deve tomar cuidado com a quantidade de bebida alcoólica ingerida. Como pode ser curada e controlada, é permitido o consumo álcool moderado, mas sempre com autorização de um médico.

Diabetes: 
Todos os diabéticos devem ficar atentos ao consumo de álcool. A quantidade permitida dessa ingestão depende do grau do problema, dos remédios e do organismo da pessoa. Recomenda-se, se for beber, optar por fazê-lo antes ou durante as refeições para evitar a hipoglicemia.