Mostrando postagens com marcador tireoide. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tireoide. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Hormônio da tireoide tem onda de consumo para emagrecimento


Moda de consumo de medicamento em academias foi identificada por Conselho Regional de Educação Física




Uso indiscriminado de hormônio da tireoide por frequentadores de academias pode causas até perda de massa muscular
Foto: Terceiro / Latinstock
Uso indiscriminado de hormônio da tireoide por frequentadores de academias pode causas até perda de massa muscular Terceiro / Latinstock
RIO- A eterna promessa de emagrecimento rápido e fácil leva brasileiros a tomarem hormônios da tireoide mesmo sem apresentar problema na glândula responsável por várias funções do corpo, desde a temperatura interna até a produção de glóbulos vermelhos. O presidente do Conselho Regional de Educação Física do Rio, André Fernandes, identifica inclusive uma nova moda no consumo da substância nas academias de ginástica, sucessora da onda de uso do estimulante Jack 3D — com venda proibida pela Agência nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde ano passado. O hormônio sintetizado, quando ingerido indiscriminadamente, provoca perda de massa muscular e, em última consequência, pode causar morte por parada cardíaca.
Seja pelo uso correto por pacientes com hipotireoidismo — quando a tireoide tem produção insuficiente de hormônio —, ou pelo uso sem prescrição, o Puran T4 (levotiroxina sódica), que contém a forma sintética do hormônio T4, aparece em segundo lugar na lista de remédios mais vendidos no Brasil no ano passado. No ranking, o medicamento divide espaço com produtos de amplo uso, como anticoncepcionais e um descongestionante nasal, informa a IMS Health, consultora especializada na área de saúde.
— O Puran T4 pode dar resultado imediato mas, em médio prazo, deixa de produzir efeito emagrecedor. É fácil perceber quando uma pessoa está usando a substância de forma errada, porque ela fica taquicárdica e desidrata mais rapidamente — descreve André Fernandes. — A moda do medicamento surgiu há cerca de um ano, e os alunos omitem dos professores das academias que estão tomando o medicamento por conta própria.
Substância troca peso por hipertireoidismo
Fernandes alerta que nenhum professor de educação física tem autoridade para prescrever qualquer medicamento ou dieta. Já Ricardo Meirelles, presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, acrescenta que a entidade condena o uso de hormônios da tireoide por quem não tem a glândula doente:
— Quem emagrece tomando hormônio da tireoide sem indicação médica só consegue perder peso porque provocou uma doença, o hipertireoidismo. Como é comum que obesos tenham tendência a problemas cardiovasculares, o uso inadequado do hormônio pode desencadear um infarto do músculo do coração.
O laboratório Sanofi-Aventis, fabricante do Puran T4, publica na bula do medicamento que “hormônios da tireoide não devem ser usados para perda de peso”. Para a empresa, a eficácia do medicamento no tratamento de hipotireoidismo conquistada em 30 anos de mercado e a estimativa de 10 milhões de pacientes no país são responsáveis pelas boas vendas.
Professor de endocrinologia da UFRJ, Mario Vaisman pondera que o Puran T4 é apenas uma em cinco marcas de medicamentos deste tipo disponíveis no mercado. Para o pesquisador, o risco maior está no hormônio tireoidiano prescrito para produção manipulada:
— O pior é o hormônio manipulado em farmácias, utilizado em larga escala pelos “fazedores de fórmulas” para emagrecimento. Os riscos de hipertireoidismo são realmente grandes. Já ocorreram até óbitos pelo erro na formulação.
Semana passada, a Anvisa publicou uma resolução para proibir a circulação de medicamentos que contenham tiratricol, outra substância análoga a hormônios tiroidianos, também usada de forma errada para emagrecer. Banido desde 2003 das farmácias do Brasil, o tiratricol ainda era vendido na versão manipulada, pois era usado para tratar um tipo de câncer. Depois de uma consulta feita por técnicos da autoridade sanitária, soube-se que a substância deixou de ser aplicada no tratamento e, por isso, foi proibida definitivamente. A Anvisa acrescentou que tem parceria com órgãos de vigilância sanitária locais e policiais para coibir a venda irregular de remédios. Há também, segundo a agência, o monitoramento de sites na internet para impedir a venda online e sem prescrição de drogas como o Puran T4.
A advogada Renata Guerra já tomou remédios com base em hormônios tireoidianos para emagrecer, apesar de nunca ter tido até então problemas com a glândula.
— Tomei medicamentos com hormônios T3 e T4 associados a outros remédios, todos prescritos por um médico. Apesar de não poder provar a ligação direta, ano passado tive suspeita de hipertireoidismo e hoje tenho alguns nódulos na tireoide que preciso monitorar com exames.
Método já foi alternativa
Condenado por sociedades médicas e pelas próprias farmacêuticas , o uso de formas sintéticas de hormônios da tireoide para emagrecimento já teve prescrição no passado, há pelo menos duas décadas, quando drogas mais modernas ainda não existiam, explica a endocrinologista Maria Edna de Melo, diretora da Associação Brasileira para o estudo da obesidade:
— Eram as chamadas “associações magistrais”, que continham diuréticos, laxantes e hormônios tireoidianos. O problema é que, para emagrecer, a a dose de hormônio tem que ser grande, praticamente uma intoxicação.
Chefe do Departamento de Endocrinologia do Hospital Universitário da UFRJ, Mário Vaisman diz que o excesso de hormônio tireoidiano gera prejuízos para todos os órgãos e sistemas, com sintomas como agitação, insônia, taquicardia e distúrbios menstruais. Nas mulheres que chegaram à menopausa, pode acelerar a osteoporose e, em homens e mulheres mais velhos, aumenta o risco de arritmias cardíacas.
— Deveria haver um controle na venda dos hormônios de tireoide como há hoje com antibióticos — sugere Vaisman, que defende uma distribuição mais eficaz de hormônios da tireoide pela rede pública, assim como ocorre com o tratamento para diabetes.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

HIPOTIREOIDISMO




Ronaldo chora ao anunciar sua aposentadoria precoce devido ao hipotireodismo; prova de que até atletas enfrentam a doença.

Quem poderia supor que um órgão tão pequeno fosse tão decisivo para a saúde masculina? Pois bem, esse é o caso da famosa tireóide, uma pequena glândula localizada no pescoço, logo abaixo do chamado “pomo de Adão”.
Para entender melhor, é ela quem produz dois hormônios de grande importância para todos os homens, o T3 e o T4, responsáveis pela regulação de muitas funções no organismo (área cardíaca, gastrointestinal, reprodução, crescimento celular, funções neurológicas, dentre outras).
Enfim, quando esses são produzidos em baixa quantidade temos a condição chamada hipotireoidismo, facilmente verificado pela elevação do hormônio TSH, que sobe, na tentativa de estimular a produção deficiente.
Quais os sintomas da doença?
O quadro geral da doença inclui: cansaço, raciocínio difícil, alterações de humor sem causa aparente, pele e cabelos ressecados, unhas quebradiças, prisão de ventre, fraqueza muscular, anemia, depressão, perda de apetite, aumento de peso corporal, excesso de frio, edema facial e nas pernas, aumento do colesterol. Já nas mulheres, nota-se irregularidades no ciclo menstrual e lactação fora do normal.
Atualmente, sabe-se que na maioria das vezes, nos adultos, o vilão causador do hipotireoidismo é uma outra doença silenciosa, a Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune, em que o próprio organismo produz anticorpos contra a glândula, comprometendo a produção dos hormônios.
Outras causas do hipotireoidismo são: a cirurgia para a retirada de câncer na tireoide e uma causa muito comum entre os jovens – o abuso de medicamentos tireoidianos, geralmente encontrados nos remédios para emagrecer, sob o pretexto de “acelerar o metabolismo”.  Mesmo pequenas quantidades, nas famosas “fórmulas manipuladas”, ou prontas, são prejudiciais porque o organismo faz uma autorregulação, uma verdadeira “sintonia fina”, entre a produção, os níveis circulantes e o hormônio da hipófise que controla a produção da tireoide (o TSH). Quando existe a entrada de hormônio de fora (pela medicação) a glândula vai sendo enganada e tornando-se “preguiçosa”. A exposição crônica ou irregular a essa situação pode causar uma alteração definitiva na tireoide.
Valeu Ronaldo!
Hipotireoidismo e sexualidade masculina; uma relação de dependência.
Na área urológica, por exemplo, a doença pode ser um componente muito sério das disfunções sexuais, piorando uma disfunção erétil, simulando uma “andropausa – distúrbio androgênico do envelhecimento masculino” ou complicando tudo isso com uma pitada de uma “falsa depressão”. Cada situação isolada ou todas em conjunto podem afetar diretamente a libido e a ereção.

Como diagnosticar? Qual médico procurar?
Quando a doença começa pode não existir sintomas significativos e o diagnóstico fica para trás.  Na nossa prática clínica, muitas vezes aferindo a saúde de um modo geral e não apenas urológica, sempre incluímos um exame de sangue simples para detectar problemas nessa área.
Importante ressaltar que o urologista não é o médico que deve acompanhar os pacientes com hipotireoidismo. Isso cabe ao endocrinologista; mas o diagnóstico é obrigação de qualquer médico que vá cuidar da sua saúde.  Não apenas por ser uma doença frequente e que apresentou uma incidência brutal nos homens nas duas últimas décadas, mas porque ela pode influenciar outras condições.

Como tratar o hipotireoidismo?
O tratamento é feito com suplementação do hormônio T4 e mesmo com a necessidade de se usar o hormônio por toda a vida e regularmente verificar se a dose está adequada, é possível ter uma vida com qualidade.
Curiosidade: estatísticas apontam uma estimativa de 5 milhões de pessoas com hipotireoidismo só no Brasil. Nas crianças 1 em cada 3 a 4 mil nascidos vivos. Nos adultos temos 4 mulheres para cada homem com hipotireoidismo.