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domingo, 19 de maio de 2013

Queda da testosterona está ligada à recorrência do câncer de próstata



Pesquisadores descobrem que tumor tem maior chance de voltar em homens que apresentam diminuição nos níveis do hormônio após a radioterapia

Exame de câncer de próstata
Câncer de próstata: o aumento nos níveis de PSA no sangue são um dos indicadores de que o tumor ainda está presente no órgão (ThinkStock)
Os homens que apresentam uma queda nos níveis de testosterona após passar por radioterapia para tratar o câncer de próstata têm maiores chances de apresentar mudanças nos níveis de PSA, um dos indicadores que sinalizam a recorrência do tumor. A descoberta foi apresentada nesta segunda-feira no Encontro Anual da Sociedade Americana para Radiação Oncológica.

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TESTOSTERONA
É um hormônio masculino responsável pelo desenvolvimento e manutenção de características típicas dos homens, como voz grossa e pelos por todo o corpo. Está ligada também à libido e à agressividade. É produzida nos testículos. Mulheres também o produzem, nos ovários, mas em quantidades até 30 vezes menores do que os homens.
PSA
PSA é a sigla em inglês para antígeno prostático específico, uma proteína produzida pelas células da próstata e considerada um importante marcador biológico para determinar quais homens precisam de biópsia e quais deles têm menor risco de desenvolver o câncer de próstata. O exame de PSA sozinho, no entanto, não é capaz de fornecer informações suficientes para determinar se o paciente tem ou não a doença.
Os pesquisadores decidiram realizar o estudo porque não havia grandes informações sobre o que acontecia com os níveis de testosterona depois da radioterapia. Eles analisaram os relatórios médicos de 260 homens que receberam o tratamento para o câncer de próstata de 2002 a 2008. Esses pacientes haviam passado tanto pela radioterapia externa, na qual um raio de radiação externo é dirigido à próstata, quanto pela braquiterapia, na qual os médicos inserem fontes de radiação no órgão.
Os cientistas descobriram que os níveis de testosterona tendem a diminuir após ambas as formas de radioterapia. Além disso, os pacientes que experimentaram as maiores quedas no hormônio foram os que tiveram maiores chances de ver um aumento no seu PSA. Mesmo assim, o crescimento do PSA foi relativamente raro entre os pacientes. "Somente 4% dos homens com câncer de próstata de pequeno risco tiveram o aumento do PSA nos cinco anos seguintes ao estudo", disse Jeffrey Martin, médico do Centro Fox Chase de Câncer e autor do estudo.
Em teoria, no futuro os médicos poderão usar os níveis de testosterona para tomar decisões referentes ao tratamento dos pacientes. "Para homens que tiveram uma queda nos níveis da testosterona, os médicos podem decidir intervir antes com outras medicações, ou acompanhar seus testes de PSA mais de perto para perceber a recorrência num momento anterior", afirma Martin.
Segundo os pesquisadores, a descoberta é surpreendente uma vez que se acreditava que a testosterona era capaz de ajudar no crescimento do câncer de próstata. Em alguns casos mais avançados da doença, os pacientes recebem uma terapia hormonal que tenta diminuir a testosterona no sangue.
Segundo Martin, o estudo é muito pequeno e ainda precisa ser validado em grupos maiores de homens antes que os médicos comecem a basear os tratamentos em seus resultados. "Ainda não sabemos o que isso significa. A relação entre os níveis de testosterona após a radioterapia e o prognóstico da doença precisa ser mais estudada. Até lá, é prematuro dizer que os pacientes devem consultar os médicos sobre o assunto”, afirma o pesquisador.  

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Tratamento mais eficaz e seguro para hiperplasia da próstata chegará ao Brasil em 2013

Trata-se da terceira geração do equipamento que diminui o tamanho da próstata por meio de um laser. Nova opção consegue tratar glândulas maiores e, portanto, mais comprometidas

Vivian Carrer Elias
idoso
Hiperplasia benigna de próstata: Doença ocorre quando há um aumento não canceroso do tecido da próstata (Thinkstock)
"Se algum paciente com hiperplasia benigna da próstata pedir que eu faça o melhor que está ao meu alcance para tratá-lo, eu com certeza vou sugerir a cirurgia com laser.” - Lewis Kriterman, especialista da Associação Americana de Urologia
Três homens que sofrem de hiperplasia benigna da próstata grave já estão na fila para serem os primeiros brasileiros submetidos à cirurgia mais moderna, eficaz e segura que existe atualmente para combater a doença. O equipamento responsável pelo procedimento, chamado GreenLight XHPS (sigla em inglês para 'sistema de extrema alta performance'), a terceira e mais recente geração de terapia a laser verde para tratar a condição, chegará ao Brasil provavelmente em fevereiro de 2013. A operação desses pacientes ocorrerá no Hospital Vera Cruz, em Campinas.
Para ajudar a treinar os médicos do país a fim de capacitá-los a realizar esse procedimento, o urologista americano Lewis Kriterman, membro da Associação Americana de Urologia, diretor especialista na técnica, esteve no Brasil no dia 7 de dezembro. Ele já usa a tecnologia a laser em seus pacientes há mais 12 anos, e a nova geração, há um ano e meio. As aulas, que também foram ministradas pelo médico brasileiro Sandro Faria, coordenador do Departamento de Urologia do Hospital Vera Cruz, ocorreram no próprio hospital e tiveram a participação de 12 médicos vindos de diversas regiões de país.
A hiperplasia benigna da próstata é um aumento não canceroso da glândula que comprime a uretra, obstrui o fluxo de urina e pode levar a lesões nos rins. Há, basicamente, três abordagens para tratar a condição: medicamentos e dois tipos de cirurgia — a resseção transuretral da próstata (RTUP) e a operação com laser. Os remédios são capazes tanto de controlar os sintomas da doença — como a necessidade de ir ao banheiro várias vezes durante a noite, por exemplo — quanto de reduzir o tamanho da próstata. Porém, eles não promovem cura ou melhora definitiva e, portanto, precisam ser tomados pelo resto da vida.

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HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA
A hiperplasia benigna da próstata é um aumento não canceroso do órgão que comprime a uretra, obstrui o fluxo de urina e pode levar a lesões nos rins. A causa do problema não é totalmente conhecida, mas acredita-se que esteja relacionada às alterações hormonais que ocorrem com a idade. O surgimento do problema é mais comum entre homens com mais de 50 anos. Os principais sintomas aos quais o homem deve ficar atento são muitas idas ao banheiro durante o dia e a noite, a necessidade de empurrar a urina e jatos mais fracos do que o normal. Não tratar a doença pode prejudicar a uretra, que não será tão eficaz em esvaziar toda a urina, o que acarreta infecções e doenças nos rins. Cerca de 80% dos homens com mais de 50 anos apresentam algum sintoma da doença.
Abordagem cirúrgica — A terapia com laser, segundo o urologista Sandro Faria, passou a ser usada no Brasil em 2010 e, atualmente, é oferecida por quase 20 hospitais no país — entre eles os hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz, em São Paulo. No entanto, essas instituições oferecem a segunda geração da tecnologia — a primeira nem chegou a ser importada pelo Brasil.
As três gerações da técnica agem na próstata da mesma forma — por meio de um tubo inserido na uretra, o laser lança ondas de luz verde no tecido da próstata, cujo excesso vaporiza e desaparece na hora. A principal diferença entre as gerações da tecnologia é a potência de cada equipamento e, portanto, a eficácia em tratar próstatas cada vez maiores. Uma próstata pesa, em média, 25 gramas. A primeira geração da técnica era eficaz em tratar próstatas de até 80 gramas; a segunda geração, de até 140 gramas; e, a terceira, que irá ser aplicada nos três pacientes do hospital de Campinas, em glândulas de até 200 gramas. "Com isso, poderemos tratar 99,9% de todos os pacientes com a doença", diz Sandro Faria.
Método convencional, por enquanto — Essa técnica, porém, não é a principal no tratamento de pacientes com hiperplasia benigna da próstata no Brasil — a mais utilizada aqui ainda é a RTUP, desenvolvida nos anos 1950, pela qual é introduzido um endoscópio pela uretra. Atrelado ao endoscópio fica um instrumento que corta e extrai uma parte da próstata. Em países como os Estados Unidos, o método praticamente não é mais aplicado.
De maneira geral, um paciente submetido a essa cirurgia apresenta muito sangramento, precisa ficar com uma sonda durante até três dias, internado entre três e cinco dias e só pode voltar a realizar atividades como dirigir após quatro semanas do procedimento. A cirurgia a laser, por outro lado, exige que o paciente fique com uma sonda entre 12 e 16 horas e permaneça internado durante apenas um dia. Eles também conseguem voltar a dirigir dentro de uma semana. Além disso, o RTUP é eficaz em tratar próstatas de até 80 gramas. "Se a próstata for maior, é preciso uma cirurgia aberta, muito mais complicada, com internação de sete dias", diz o urologista brasileiro.
Cura? — Segundo o urologista americano Lewis Kriterman, normalmente não é necessária medicação após a cirurgia com o laser e é pouco frequente efeitos adversos depois do procedimento — menos do que 1% dos pacientes apresentam sangramento. Submeter-se à cirurgia, porém, não significa que a pessoa estará curada. "Depende muito do paciente. Em alguns casos, todos os sintomas são curados e, em outros, melhoram de forma significativa. Nós classificamos os sintomas da hiperplasia em uma pontuação de um a 35. Pacientes com sintomas muito fortes chegam perto do 35. Então, se o operamos e ele chega a uma pontuação de cinco ou seis, ele já terá uma grande melhora na qualidade de vida", diz.
Segundo Kriterman, teoricamente a cirurgia a laser é indicada para todos os pacientes com hiperplasia benigna da próstata, independentemente da gravidade do problema. No entanto, como trata-se de uma operação, que envolve anestesia e internação, ela deve ser discutida entre médico e paciente. "Muitos acabam preferindo tomar um remédio todos os dias para não ser submetidos a uma cirurgia. Mas se algum paciente pedir que eu faça o melhor que está ao meu alcance para tratá-lo, eu com certeza vou sugerir a cirurgia com laser", diz o urologista americano Lewis Kriterman. "Porém, é preciso ter em mente a importância do diagnóstico precoce, pois quanto mais grave é a doença, mais difícil é reduzir os seus sintomas."