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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Médicos falam sobre as limitações e o preconceito na vida dos obesos.


Número de obesos cresceu, mas ainda falta estrutura para acomodá-los.
Para quem luta contra a balança, é preciso lidar ainda com o preconceito.

Uma pesquisa recente do Ministério da Saúde mostrou um crescimento significativo no número de obesos no país e apontou que mais da metade dos brasileiros está acima do peso ideal.
Porém, com a obesidade e o sobrepeso, vêm também diversas dificuldades, como o preconceito e as limitações no dia a dia – apesar dos números crescentes, os estabelecimentos, companhias aéreas e fabricantes de carro e ônibus, por exemplo, ainda não têm estrutura para acomodar essas pessoas sem que elas se sintam excluídas.
Para quem luta todo dia contra a balança, não é fácil superar os olhares nas ruas, vencer o preconceito e, com isso, decidir mudar.
Muitas pessoas precisam de um fator decisivo na vida ou um incentivo de alguém para tomar coragem e mudar o estilo de vida.
No entanto, até o resultado aparecer, é importante saber lidar com o preconceito em atividades simples do dia a dia. Entre os problemas mais comuns de quem está com sobrepeso, estão a dificuldade para conseguir emprego, os olhares na fila do restaurante por quilo, a entrada no elevador, festas de aniversário e até mesmo a academia – muitos, inclusive, desistem de se exercitar por causa do desconforto que sentem.
Porém, existem casos em que o preconceito só existe na cabeça do obeso, que pensa que está sendo observado quando na verdade não está.
No caso da professora Renata, de São Paulo, no entanto, dificuldades como essa sempre foram grandes obstáculos. Ela teve que reformar a casa e restringir os meios de transporte para se deslocar pela cidade, tudo para ter uma vida mais próxima possível do normal (veja no vídeo ao lado).
Vale lembrar, porém, que a obesidade é uma doença e o ganho de peso pode ter diversas causas, como explicou o endocrinologista Alfredo Halpern. De acordo com o médico, o obeso não é obeso porque quer e pode ter diversos fatores que influenciam - um deles é a genética, ou seja, filhos de pais obesos têm mais chances de acumular gordura.
Fora isso, o metabolismo varia de pessoa para pessoa e, em alguns casos, as calorias são mais bem aproveitadas – podem ser eliminadas como energia ou depositadas nos músculos, por exemplo. No caso dos obesos, essas calorias viram células de gordura e se estocam no estômago, o que aumenta o peso com maior facilidade.
Além de comer mais do que gasta, a pessoa com excesso de peso pode engordar ainda por causa de outros fatores, como a tensão e o estresse. Esses sentimentos ruins fazem o organismo liberar mais cortisona, hormônio que leva ao ganho de peso pelo acúmulo de gordura e retenção de líquido.
Fora isso, a falta de sono e a deficiência de vitamina D, do sol, também podem influenciar no aumento de peso.
Há ainda a compulsão por comida, que  também pode ser uma grande vilã de quem luta contra a balança. Nesse caso, o paciente compulsivo tem um comportamento depressivo e, por isso, precisa ser tratado com remédios e terapia.
Geralmente, essa compulsão acontece mais com pessoas que fazem muitas dietas restritivas, ou seja, ficam muito tempo sem comer, o que diminui as taxas dos hormônios que dão a sensação de bem-estar, e depois acabam descontando todo esse período.
Por isso, a dica para evitar essas crises compulsivas é procurar outras atividades que liberem esses hormônios, como por exemplo, o exercício físico.
info Bem Estar compulsão alimentar (Foto: arte/G1)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Excesso de peso prejudica a imunidade do corpo, dizem médicos

Obesidade favorece doenças respiratórias e infecciosas, como a gripe.

Evite doces e aposte em alimentos como alho, cebola e frutas in natura.

As doenças respiratórias (como rinite e sinusite) e infecciosas (como gripe e resfriado) costumam aumentar no inverno, por causa da aglomeração de pessoas em ambientes fechados, do contato com superfícies contaminadas e do aumento da poluição no tempo seco.
Mas pessoas obesas também correm mais risco de adoecer, tanto nesta época quanto no resto do ano, pois a gordura abdominal – além de aumentar a glicose, o colesterol e os triglicérides – favorece inflamações e diminui a imunidade do corpo.
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Bem Estar - Infográfico sobre imunidade (Foto: Arte/G1)
Segundo a infectologista Rosana Richtmann e o endocrinologista João Eduardo Salles, a circunferência do pescoço também é um sinal de alerta: 42 cm para os homens e 38 cm para as mulheres. Isso porque o tamanho da região cervical indica a quantidade degordura que pode estar acumulada no tórax, o que acaba dificultando a respiração.
Os médicos também destacaram que doces como chocolate podem prejudicar o sistema de defesa do corpo, enquanto alimentos como cebola, alho e frutas in natura(laranja, limão, maracujá, acerola e outras) ajudam a aumentar a imunidade.
Os grupos de maior risco para infecções são indivíduos diabéticos, asmáticos, cardíacos, soropositivos, crianças com menos de 2 anos, grávidas e mulheres no período pós-parto. Por isso, eles fazem parte do público-alvo do Ministério da Saúde nas campanhas nacionais de vacinação contra a gripe.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, 288 pessoas morreram pelo vírus influenzade janeiro a junho deste ano. Desse total, 259 foram vítimas do vírus H1N1, que causa a gripe suína. E 90% dos óbitos eram pacientes que não haviam tomado a vacina oferecida na rede pública.
Além disso, 72% tinham alguma comorbidade (doença associada), quatro eram gestantes e a média de idade era de 45 anos.
Segundo Rosana, se houver gripe com febre repentina, tosse e falta de ar, a pessoa deve procurar um posto de saúde, fazer o exame de sangue para detectar o H1N1 e já iniciar o tratamento com fosfato de oseltamivir (Tamiflu), antes mesmo de sair o resultado. Se der negativo, o uso é suspenso.
Natural killers
Temos no nosso sistema imunológico células de defesa inatas, chamadas “natural killers”, e outras que captam informações do inimigo (bactérias, vírus, parasitas e tumores), para preparar o contra-ataque.
As natural killers são essenciais para essa ação inicial. Nos primeiros dias de infecção, são elas que fazem o trabalho de proteger o corpo, enquanto as outras preparam um combate mais específico.
Mas estudos científicos têm mostrado que o tecido adiposo (gorduroso) produz substâncias conhecidas como adipocinas, que dificultam o trabalho das natural killers, tornando-as menos eficazes e fazendo-as "abrir a guarda".
Por isso, pessoas obesas estão mais sujeitas a infecções, por causa desse prejuízo ao sistema de defesa.

domingo, 19 de maio de 2013

Pesquisa vincula câncer de próstata a sobrepeso


Risco de morrer por causa da doença é duas vezes maior em homens obesos

Células de câncer de próstata em cultura laboratorial
Células de câncer de próstata em cultura laboratorial (Parviz M. Pour/Latinstock)
O risco de morrer por câncer de próstata é quase duas vezes maior em homens com sobrepeso de mais de 20 quilos durante sua vida adulta, assinala uma pesquisa de cientistas australianos divulgada nesta quinta-feira. "Este estudo mostra que a obesidade está relacionada com formas agressivas de câncer fatal", advertiu Dallas English, um dos autores da pesquisa, publicada pela "Revista Internacional do Câncer".

"É preciso manter um peso saudável durante a vida adulta", acrescentou English, diretor de um centro de pesquisa em genética e epidemiologia da Universidade de Melbourne. Para o estudo, foram analisados os casos de 17 mil homens entre 40 e 69 anos de idade, uma geração na qual a obesidade não era um problema generalizado na Austrália.

"As coisas na Austrália mudaram muito", alertou o epidemiologista, ao lembrar que atualmente a taxa de obesidade infantil aumentou dramaticamente no país. Uma pesquisa realizada em 2008 revelou que 42,1% dos homens australianos têm sobrepeso, enquanto 25,6% são obesos, em um país com 22 milhões de habitantes. O mesmo estudo indica que 600 mil meninos entre 5 e 17 anos de idade padecem de sobrepeso ou obesidade, ou seja, 21% da população infantil.

Acúmulo de gordura ajuda a agravar o câncer de próstata


Pesquisadores concluíram que a atividade de genes de homens com sobrepeso ou obesidade sofre alterações que facilitam o crescimento dos tumores

Câncer de próstata
Câncer de próstata: Acúmulo de gordura favorece crescimento de tumores, dizem pesquisadores (Thinkstock)
Pesquisadores encontraram uma forma de explicar como o excesso de peso afeta negativamente a progressão e a gravidade do câncer de próstata. Segundo a equipe, formada por especialistas de vários países, a gordura acumulada em torno da próstata de homens com obesidade ou sobrepeso que têm a doença cria um ambiente favorável para que os tumores cresçam e se espalhem. Isso ocorre, de acordo com os especialistas, pois o tecido adiposo desses pacientes desregula a atividade de determinados genes que, entre outras funções, estão ligados a quadros de inflamação crônica, de expansão da massa de gordura e de reprodução de células cancerígenas.
Essas descobertas fazem parte de um estudo publicado nesta terça-feira no periódico BMC Medicine. A pesquisa também concluiu que, quanto mais avançada é a doença da próstata, mais grave é a desregulação sofrida pelos genes do tecido adiposo que fica em torno do órgão. A equipe chegou a tais conclusões após analisar a gordura da próstata de pacientes que haviam sido submetidos a uma cirurgia no órgão. Os participantes tinham hiperplasia benigna da próstata, câncer localizado ou a doença em fase metastática.
"Em uma população cada vez mais obesa, é importante entender como a gordura, especialmente a localizada ao redor da próstata, pode influenciar o crescimento e a gravidade do câncer. Com isso, será possível desenvolver novas e personalizadas estratégias terapêuticas”, afirma Ricardo Ribeiro, pesquisador do Instituto Português de Oncologia di Porto e coordenador da pesquisa.

"Os genes alterados podem se tornar alvos terapêuticos no combate ao câncer de próstata"

Ricardo Ribeiro
Pesquisador do Grupo de Oncologia Molecular do Instituto Português de Oncologia do Porto e coordenador do estudo

O seu estudo concluiu que a gordura em volta da próstata em homens obesos ou com sobrepeso favorece o crescimento de tumores. Isso também pode ocorrer com homens de peso normal?
Não, já que vimos que os genes do tecido adiposo da próstata de homens obesos ou com sobrepeso são alterados em comparação com pacientes de peso normal. Esses homens com excesso de peso apresentam mecanismos de respostas inflamatórias e de produção de moléculas com potencial cancerígeno desregulados. Esses fatores juntos contribuem com o crescimento e a agressividade dos tumores, levando ao aumento do risco de morbidades e mortalidade.
Como esses resultados podem ajudar nos futuros tratamentos contra o câncer de próstata?
Essas conclusões reforçam a associação entre excesso de peso e câncer de próstata agressivo. Portanto, o estudo apoia a implementação de medidas de saúde pública que busquem reduzir a obesidade e a carga de câncer na população, além de contribuir para a conscientização dos médicos quando eles estiverem diante de um paciente diagnosticado com o câncer de próstata e também com obesidade. A redução de peso pode ser oferecida como opções terapêuticas para o câncer.
Alguns dos genes alterados que encontramos em no tecido adiposo da próstata também podem se tornar eventuais alvos terapêuticos, embora muita pesquisa ainda seja necessária para que isso ocorra.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Médicos obesos passam menos credibilidade aos pacientes



  • Estudo da revista ‘Obesity’ com 358 adultos constatou que preconceito se manteve presente independente do peso corporal dos voluntários


Médicos com sobrepeso ou obeso sofrem preconceito de pacientes
Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo
Médicos com sobrepeso ou obeso sofrem preconceito de pacientes Marcelo Carnaval / Agência O Globo
NOVA YORK - Um estudo internacional da revista “Obesity” mostra que os pacientes olham com desdém para médicos acima do peso ou obesos, por transmitirem menos credibilidade.
Uma amostra on-line de 358 adultos foi aleatoriamente designada para uma das três condições de pesquisa em que completaram um questionário avaliando suas percepções de médicos que foram descritos como peso normal, sobrepeso ou obesidade. Os participantes também completaram uma Escala de Fobia Fat originalmente criada em 1984 para determinar e medir atitudes fóbicas em relação à gordura.
Os entrevistados relataram mais desconfiança em relação aos médicos com sobrepeso ou obesos, e disseram que eram menos inclinados a seguir os seus conselhos, e eram mais propensos a mudar de profissional quando o médico era considerado sobrepeso ou obeso. E este preconceito em relação ao peso se manteve presente independente do próprio peso corporal dos participantes.
Este estudo sugere que os provedores percebidos como sobrepeso ou obesidade podem ser vulneráveis ​​a atitudes preconceituosas de pacientes, e que os em excesso de peso podem afetar negativamente a percepção dos pacientes de sua credibilidade, o nível de confiança e disposição para seguir os conselhos médicos.

sábado, 4 de maio de 2013

Estudo identifica mudança no cérebro que gera impulso por comer



  • Descoberta poderia explicar a tendência à obesidade entre as pessoas


Obesidade tem fatores genéticos associados
Foto: Gustavo Stephan/17-01-2012
Obesidade tem fatores genéticos associados Gustavo Stephan/17-01-2012
Uma equipe de neurocientistas americanos e italianos identificou uma modificação celular no cérebro que acompanha a obesidade. A descoberta poderia explicar a tendência para o sobrepeso e identificar possíveis drogas direcionadas ao controle da obesidade.
Publicado na edição do “Proceedings of the National Academy of Sciences” desta semana, o estudo identifica uma alteração que ocorre nos neurônios dentro do hipotálamo. Ela envolve receptores que desencadeiam ou inibem a liberação do peptídeo orexina A, que, entre outros fatores, estimula o apetite.
Em camundongos com peso normal, a ativação do receptor diminui a liberação da orexina A. Nos obesos, a ativação deste receptor estimula a sua liberação.
- Antes, ativar este receptor interrompia a secreção da orexina; agora, ele promove. Isto identifica alvos onde uma intervenção poderia influenciar a obesidade - disse Ken Mackie, professor do Departamento de Psicologia e Ciências do Cérebro na Academia de Artes e Ciências da Universidade de Bloomington, em Indiana.
O consumo de comida é controlado, em parte, pelo hipotálamo, uma porção do cérebro que regula vários comportamentos essenciais. Como outros importantes sistemas do corpo, o consumo de comida é regulado por múltiplos sistemas neuroquímicos, incluindo o sistema endocanabinoide, que representa o que Mackie descreve como “o equilíbrio de uma excelente rede de conexões”.
Uma ideia inicial, disse Mackie, é que esta rede é redefinida na ocorrência obesidade, de modo que o consumo de alimentos corresponde à manutenção do peso atual, não ao peso ideal da pessoa. Assim, uma pessoa obesa que perde peso tem dificuldade para manter o novo peso, já que o cérebro sinaliza para o corpo comer mais, na tentativa de retornar ao peso anterior.

Médico obeso passa menos credibilidade aos pacientes


Estudo da revista ‘Obesity’ constatou que preconceito se manteve presente independente do peso corporal dos voluntários

Médicos com sobrepeso ou obeso sofrem preconceito de pacientes Marcelo Carnaval / Agência O Globo
NOVA YORK - Um estudo internacional da revista “Obesity” mostra que os pacientes olham com desdém para médicos acima do peso ou obesos, por transmitirem menos credibilidade.
Uma amostra on-line de 358 adultos foi aleatoriamente designada para uma das três condições de pesquisa em que completaram um questionário avaliando suas percepções de médicos que foram descritos como peso normal, sobrepeso ou obesidade. Os participantes também completaram uma Escala de Fobia Fat originalmente criada em 1984 para determinar e medir atitudes fóbicas em relação à gordura.
Os entrevistados relataram mais desconfiança em relação aos médicos com sobrepeso ou obesos, e disseram que eram menos inclinados a seguir os seus conselhos, e eram mais propensos a mudar de profissional quando o médico era considerado sobrepeso ou obeso. E este preconceito em relação ao peso se manteve presente independente do próprio peso corporal dos participantes.
Este estudo sugere que os provedores percebidos como sobrepeso ou obesidade podem ser vulneráveis ​​a atitudes preconceituosas de pacientes, e que os em excesso de peso podem afetar negativamente a percepção dos pacientes de sua credibilidade, o nível de confiança e disposição para seguir os conselhos médicos.

Ansiedade e dependência por doces: você sabia que estresse engorda?


Uma pesquisa realizada pela USP de Ribeirão Preto analisou a relação entre estresse e a dependência por alimentos doces.

Que atire o primeiro bombom quem nunca se atracou com um chocolate, em uma crise de ansiedade.
“Hoje eu tenho plena consciência que o estresse é o gatilho do doce, mas acho que durante a infância e a adolescência eu não tinha essa consciência. ‘Coitadinha, ela não conseguiu aquilo’. ‘Ai que bom ela conseguiu. Vamos comemorar, vamos comer’. ‘O dia hoje foi muito ruim, eu mereço um doce’. ‘O dia hoje foi muito bom, eu mereço um doce’”, afirma Bárbara Gomes, secretária.
Bárbara chegou a pesar 165kg.“Imediatamente após o fim do pedaço de chocolate, eu via que o estresse não passava e adquiria outro problema, que é o aumento de peso”, conta Bárbara.
Uma pesquisa realizada pela USP de Ribeirão Preto analisou a relação entre estresse e a dependência por alimentos doces.
“As mulheres dependentes nos momentos de fúria, de compulsão, se elas não tivessem ao alcance produtos considerados como tradicionais, como chocolates, biscoito, elas recorriam a açúcar de mesa misturado com água, açúcar puro, macarrão instantâneo amolecido com mel”, explica Danielle Marques Macedo, nutricionista da USP/Ribeirão Preto, que completa: “Elas relataram agitação, crise de ansiedade, fraqueza, diarréia. Passa até por um processo químico e físico, como se fosse uma droga. Os mecanismos de ação são muito semelhantes”.
A pesquisa revelou que o estresse aumenta em sete vezes as chances de uma mulher se tornar dependente por substância doce.
“A gente encontrou mulheres dependentes que ficariam satisfeitas com um prato e outras que não ficariam satisfeitas nem com um prato, que precisariam de uma quantidade muito maior. Isso retrata também que a dependência tem estágios de evolução”, afirma a nutricionista e acrescenta: “Vai ficando cada vez pior. Ao longo dos anos, traz outras consequências a saúde, que são as doenças crônicas não transmissíveis: pressão alta, diabetes”.
As doenças cardiovasculares parecem companheiras do estresse.
“A pessoa não vai extravasar comendo um prato de salada de alface e tomate. Ela vai extravasar no chocolate, em uma sobremesa, que vai provocar excesso de peso, uma série de problemas de saúde, colesterol, pressão alta e que por consequência vai aumentar esse estresse da vida dessa pessoa, com certeza”, ressalta Viviane Laudelino Vieira, nutricionista da FSP/USP.
Maria Célia do Carmo é diarista e o marido zelador de um prédio em São Paulo. Ela tem pressão alta e se diz muito estressada.
“Eu tento ficar calma, mas tem horas que, eu tento assim, fazer de tudo mas às vezes, aqui fica. Sabe? Me atormentando. Diz que eu estou na pré-menopausa. Então, assim, de uns tempos para cá, eu ando meio com os nervos à flor da pele. Eu já percebi que o estresse, além de me deixar com enxaqueca, eu fico mal humorada. Eu sinto dores no corpo todo e assim, eu quero ficar quieta. Porque, às vezes, as pessoas querem falar comigo e estão felizes”, diz Maria Célia.
Mas o que será que vem primeiro? A pressão alta deixa Maria Célia estressada ou é o estresse que faz a pressão subir?
“Isso é uma história importante. A pressão alta está ligada na genética. Pessoas que já nascem carimbadas para pressão alta, qualquer situação muito estressante, a pressão sobe muito mais. Mas sempre o estresse eleva a pressão, porque é uma questão fisiológica. A hora que você se estressa, você eleva os hormônios. Esses dois hormônios: a adrenalina e o cortisol, eles fazem a pressão subir”, explica o cardiologista do Incor/FMUSP, Carlos Alberto Pastore, que completa: “Mas não esqueça que você tem outros fatores de risco. Você tem um pouco mais de idade, você já tem um colesterol alto, uma diabete, uma obesidade. Tudo isso pode ser um fator de risco e, na subida da pressão, desencadear um processo, tipo um infarto, um derrame”.
Uma nova alimentação tem sido fundamental para o tratamento anti-estresse de Maria Célia. Aos poucos, a família toda está tomando gosto pelo novo cardápio.
“Nós não vivemos sem o estresse. O estresse faz parte da sua vida. Nós precisamos do estresse para fazer determinadas ações. Quando você tem objetivos importantes. Esse estresse é altamente positivo. Isso não me traz doença. Agora, existem pessoas extremamente ansiosas, que não conseguem fazer as coisas que não sejam com grande ansiedade. Você precisa criar, dentro do seu dia-a-dia, momentos que você tire a adrenalina do ar. Acho que esse é o grande truque. Porque se você viver constante adrenalina, a repercussão corporal é muito forte.”, afirma Carlos Alberto Pastore.
Bárbara está conseguindo. À noite, depois do trabalho, é hora de caminhar. Na praça, cheia de tentações.
“A atividade física em si, ela é responsável pela liberação da mesma substância, responsável pela sensação de prazer. A sensação de alívio, que o doce causa”, ressalta Danielle Marques Macedo.
Quanta força de vontade. É uma prova de fogo.
“A prática de exercícios físicos poderia ser uma alternativa, um mecanismo a ser utilizado para diminuir os sintomas do estresse”, completa a nutricionista.

Viver bem e viver muito



Como a obesidade arranha o otimismo e a capacidade brasileira de gerar riqueza

CRISTIANE SEGATTO

“O Brasil só irá pra frente se investir em educação”. Quantas vezes você já ouviu ou repetiu essa frase? Ninguém discorda que melhorar o nível educacional da população é uma providência urgente e estratégica. Essa é uma unanimidade nacional -- ainda que, em certa medida, não passe de recurso retórico. 
A mesma consciência não existe em relação à saúde. Todos nós queremos viver bem e, de preferência, viver bastante. Por isso, defendemos que o governo melhore a saúde pública, os planos de saúde funcionem direito e os médicos e hospitais atuem com ética e eficiência. O alcance da reflexão termina aí. Agimos com o imediatismo das crianças de três anos.   
A sociedade brasileira ainda não percebeu que melhorar as condições de saúde da população é um movimento estratégico para o crescimento social e econômico do país. Não entendeu que a questão envolve (e ameaça) a capacidade brasileira de gerar riqueza e renda.  
Muitos especialistas sabem disso e, de vez em quando, escrevem artigos esclarecedores destinados ao grande público. Jornalistas como eu e uma meia dúzia de colegas insistimos nessa tecla não por falta de assunto, mas por perceber o tamanho do buraco em que o país está se metendo.   
É um trabalho de formiguinha. Espero que, de alguma forma, ele ajude a fomentar a consciência de que o desenvolvimento de um país depende da saúde tanto quanto depende da educação. Essa consciência já existe aqui e ali, mas precisa ser geral, homogênea, cristalizada.  
Uma forma de construí-la é destacar não apenas as necessidades de bem-estar individual, mas apontar as dores em uma das partes mais sensíveis do corpo humano e das instituições: o bolso.  
Poucos exemplos são tão eloquentes quanto o da obesidade. Ela é hoje o maior desafio de saúde que o Brasil enfrenta. Pelas perdas de qualidade de vida e de dinheiro que provoca e, principalmente, pelas que ainda vai provocar. 
O SUS gasta R$ 488 milhões por ano para tratar a doença e 26 males decorrentes dela, como câncer, males cardiovasculares e diabetes. A obesidade e suas complicações provocam absenteísmo nas empresas, reduzem a renda das famílias, causam sofrimento, morte, perdas emocionais e econômicas. 
Segundo projeções realizadas nos Estados Unidos, a atual geração de crianças pode ser a primeira na história a viver menos que os pais. O Brasil segue o mesmo caminho. 
Quase metade da população brasileira pesa mais do que deveria (48%). O histórico médico das crianças já é comparável (ou pior !!!) que o dos avós: colesterol alto, diabetes, desgaste nas articulações.  
Frear a epidemia é responsabilidade de todos (escola, governos, indústria), mas um fato não pode ser subestimado: a obesidade é construída dentro de casa. Ela é transmitida de geração em geração -- e não apenas pelos genes.  
Queria ver, de perto, como e por que isso ocorre. Nas últimas semanas, acompanhei a história de três gerações de duas famílias marcadas pela obesidade. Acompanhei os hábitos e tomei contato com as emoções que contribuem para o excesso de peso. Foi uma experiência ímpar.  
Com essas famílias, entendi muito mais sobre a complicada transição nutricional sofrida pelo Brasil do que seria capaz de apreender apenas pela leitura de livros e artigos científicos consultados para a construção desta reportagem. O resultado ganhou a capa da edição impressa desta semana. Produzimos também conteúdos complementares para o site e para os tablets.
A obesidade sempre esteve e continuará estando no nosso radar. Desta vez, nos concentramos nos ingredientes familiares que contribuem para o espantoso fenômeno que o Brasil vive. É uma nova abordagem sobre um tema tratado pelos mais variados aspectos em nossas páginas e nesta coluna. Olhar para ele e para os desafios de saúde que o país enfrenta é o nosso compromisso. A causa é boa e esta formiguinha tem disposição.

Pai gordo, filho obeso... e neto acima do peso



Por que a obesidade passa de geração em geração (não é só genética!)

CRISTIANE SEGATTO
DE PAI E MÃE PARA FILHO Uma cena que representa o padrão alimentar de grande parte das famílias. O consumo excessivo de guloseimas industrializadas, antes restrito aos fins de semana, substituiu as refeições preparadas em casa (Foto: Christian Parente/ÉPOCA, Produção de Objetos e Figurino: Felipe Monteiro e Jairo Billafranca, Assistente: Allyni Cintra para Studio Bee Produções, Maquiagem e Cabelo: Omar Bergea, Agradecimentos: Pet Shop Encrenquinhas, Kaue Moda Plus Size, Renner, )

"Eles concordavam que comida era feita de amor e era o que fazia o amor. Nunca poderiam abrir mão de um pedaço de qualquer coisa que desejassem. E se Edie, a filha inteligente e amada, era grande demais para sua idade, isso não importava. Como poderiam não alimentá-la?”

Se o livro fosse ambientado no Brasil, a história seria igualmente verossímil. Quase metade da população brasileira (48%) pesa mais do que deveria. Entre os homens, os gordos são maioria (52%). O histórico médico das crianças (33% têm sobrepeso e 14% são obesas) já é comparável ao dos avós: colesterol alto, diabetes, desgaste nas articulações.
A obesidade – principalmente a infantil – tornou-se o maior desafio de saúde pública do Brasil. O SUS gasta R$ 488 milhões por ano para tratar a doença e 26 males decorrentes dela, como câncer, males cardiovasculares e diabetes.

Em grande parte das famílias, as guloseimas e o fast-food, consumidos esporadicamente no fim dos anos 1980, substituíram o almoço e o jantar. Um registro detalhado da nova mesa brasileira aparece no documentário Muito além do peso, da diretora Estela Renner. Nas pequenas e nas grandes cidades, crianças de todas as classes sociais não sabem diferenciar um pimentão de um rabanete. Ou um abacate de uma manga. Deter a epidemia é responsabilidade de todos (escola, governos, indústria). E um fato não pode ser desprezado: a obesidade é construída dentro de casa.

A maioria das pessoas engorda pela simples combinação de sedentarismo e erros alimentares. Se o corpo recebe mais energia do que consegue gastar, ela será estocada na forma de gordura. Graças a esse mecanismo, a espécie humana conseguiu sobreviver no tempo em que habitava cavernas, mal conseguia se proteger do frio e a comida era escassa. O que era uma vantagem na dura Pré-História tornou-se um problema no conforto do século XXI. Embora seja a mais frequente, essa não é a única causa de obesidade.

Em menos de 10% dos casos, o ganho de peso pode ser creditado a causas orgânicas, como distúrbios hormonais ou tumores. Sozinha, a genética justifica cerca de outros 5%. Basta uma alteração num único gene para que o excesso de peso ocorra desde os primeiros meses de vida, geração após geração. Na parcela restante, 85%, a obesidade é explicada por uma combinação de fatores: vários genes aumentam a predisposição ao ganho de peso, mas isso só ocorre se o ambiente favorecer. É aqui que entram as estranhas emoções, como na ficção de Jami Attenberg, e os hábitos aprendidos em família.

sábado, 30 de março de 2013

Qual a Diferença Entre o Peso dos Músculos e da Gordura


Existe uma diferença significativa entre o peso da gordura e dos músculos. Claro, um quilo pesa um quilo e isso nunca vai mudar. Porém, quando comparamos musculo e gordura chegamos a seguinte conclusão: o músculo é muito mais compacto que a gordura, ou seja, um quilo de gordura ocupa muito mais espaço do que um quilo de músculo.

Algumas pessoas que estão acima do peso não percebem o quanto serão diferentes perdendo apenas 10kg. Eles olham para dois sacos de açúcar e pensam que perder essa quantidade de peso não fará nenhuma diferença. No entanto, 10kg de gordura ocupam muito mais espaço do que 10kg de açúcar. Perdendo 10kg essas pessoas provavelmente trocariam alguns números de roupas e se sentiriam melhor consigo mesmas.

Em contrapartida, o peso do músculo é bem compactado. Um quilo de músculo não ocupa muito espaço. Algumas pessoas que precisam perder grande quantidade de peso são relutantes em fazer musculação, pois acreditam que não vão perder medidas dessa forma.

Para os que estão na situação que citamos acima, sugerimos que comecem a fazer musculação imediatamente. Provavelmente o processo de perder peso será um pouco mais lento, porém a gordura será substituída por músculos, melhorando muito seu visual e auto-estima. Mesmo antes de atingir a Definição Muscular, a diferença na postura será visível.

Outro fator importante a ser lembrado é que o músculo não se desenvolve do dia para a noite. Então, para que esperar perder 30kg de gordura antes de começar a ganhar músculos? O processo será muito mais demorado e a flacidez na pele será bem visível, o que esteticamente não é muito legal.

Concluindo, podemos avaliar que o peso não é um fator que pode ser usado para definir se uma pessoa está em forma ou não. Dois homens da mesma altura e com o mesmo peso podem ser totalmente diferentes esteticamente, já que um pode ter alto índice de gordura corporal e o outro uma boa densidade muscular.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Alteração na flora intestinal pode causar perda de peso, sugere estudo


Cientistas dizem que impacto pode ser o mesmo de uma cirurgia bariátrica.

Descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos contra obesidade.

Da France Presse

A flora microbiana intestinal pode desempenhar um papel importante na perda de peso, revelou uma pesquisa realizada em roedores e publicada nesta semana na revista científica americana "Science Translational Medicine". A descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos para a obesidade.
Cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, constataram importantes mudanças na flora intestinal de camundongos submetidos à cirurgia bariátrica, com o objetivo de reduzir o tamanho do estômago, um procedimento cada vez mais utilizado no tratamento da obesidade.
Os cientistas transferiram os micróbios intestinais "alterados" para o intestino de outros camundongos e observaram uma perda de peso nos animais.
"Ao colonizar o intestino dos camundongos com a flora intestinal de outros roedores, alterada pelo procedimento cirúrgico, estes animais perderam até 20% de seu peso, exatamente como se também tivessem sido submetidos à intervenção cirúrgica", explicou Peter Turnbaugh, um dos principais autores da pesquisa.
obesidade (Foto: TV Globo)Cientistas afirmam que a possível manipulação da flora intestinal pode causar os mesmos efeitos de perda de uma cirurgia bariátrica (Foto: TV Globo)
"Nosso estudo leva a crer que os efeitos específicos da cirurgia bariátrica na flora intestinal contribuem para sua capacidade de provocar uma perda de peso", afirmou o doutor Lee Kaplan, co-autor do estudo e diretor do Instituto sobre a Obesidade, o Metabolismo e a Nutrição, do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston.
"Se pudéssemos encontrar um meio de manipular a flora intestinal para criar os mesmos efeitos, isto abriria a via para uma nova arma contra a obesidade", avaliou.
"Inclusive se conseguirmos reproduzir parcialmente estes efeitos no metabolismo sem intervenção cirúrgica, isto nos ofereceria uma terapia totalmente nova para tratar a obesidade, um sério problema de saúde, que poderia ajudar os pacientes incapacitados ou que não querem chegar ao ponto de (fazer) o procedimento", acrescentou Kaplan, que também é professor adjunto de medicina.
No entanto, serão necessários anos antes que os resultados deste estudo possam ser reproduzidos em humanos, advertiu Turnbaugh. Esta técnica poderia, algum dia, dar a esperança às pessoas extremamente obesas, ao evitar os riscos e traumas de um bypass gástrico, acrescentou. Um terço dos americanos adultos é obeso ou sofre de excesso de peso.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Homens com barriga têm maior risco de osteoporose, diz estudo americano


Pesquisa avaliou 35 obesos com idade média de 34 anos e IMC de 36,5.

Participantes fizeram tomografia do abdômen, da coxa e do antebraço.


Homens obesos com gordura acumulada na barriga têm um fator de risco maior para desenvolver osteoporose, aponta um novo estudo apresentado nesta quinta-feira (28) na reunião anual da Sociedade de Radiologia da América do Norte (RSNA), que vai até esta sexta (30) em Chicago, nos EUA.

Segundo a autora Miriam Bredella, radiologista do Hospital Geral de Massachusetts e professora adjunta da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, em Boston, é importante que os homens saibam que a obesidade não causa apenas diabetes, doenças cardiovasculares, colesterol alto, asma, apneia do sono e problemas nas articulações – mas também perda de massa óssea.
A equipe avaliou 35 pacientes com idade média de 34 anos e índice de massa corporal (IMC) de 36,5 – obesidade grau 2. Os voluntários foram submetidos a uma tomografia do abdômen e da coxa para avaliar a quantidade de gordura e massa muscular, além de outro exame em alta resolução do antebraço, para analisar a força dos ossos e o risco de fraturas.
Número de brasileiros acima do peso cresce, diz pesquisa (Foto: Rede Globo)Obesidade concentrada na barriga favorece perda
óssea em homens (Foto: Rede Globo/Reprodução)
A observação mostrou que os homens com mais gordura visceral – localizada debaixo do tecido muscular, na cavidade abdominal – tinham uma menor resistência óssea em comparação com aqueles com menos gordura na cintura.
A gordura visceral é favorecida pela má alimentação, pelo sedentarismo e pela genética. Segundo o Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos EUA, mais de 37 milhões de americanos acima dos 20 anos são obesos.
"A maioria dos estudos sobre osteoporose têm focado nas mulheres. Os homens eram considerados relativamente protegidos contra a perda óssea, especialmente os obesos”, disse a principal autora da pesquisa.
“O que nos surpreendeu foi que homens obesos com uma grande quantidade de gordura visceral tinham a força óssea significativamente reduzida em comparação com aqueles com IMC similar, mas pouca gordura na barriga”, concluiu Miriam.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bactéria vilã do estômago pode ser benéfica contra obesidade




A bactéria Helicobacter pylori, agora considerada importante para manutenção da saúde, segundo cientistas
Foto: reprodução
A bactéria Helicobacter pylori, agora considerada importante para manutenção da saúde, segundo cientistas reprodução
RIO- Uma bactéria do estômago acusada de causar problemas de saúde - tais como gastrite, úlcera e câncer gástrico - pode desempenhar um papel duplo, com poder de equilibrar a flora estomacal, controlar o peso do corpo e a tolerância à glicose, descobriram imunologistas do Instituto de Bioinformática de Virgínia, da Universidade Virgínia Tech, nos Estados Unidos.
Tida como vilã nos estudos sobre doenças do estômago, a Helicobacter pylori infecta cerca de metade da população do mundo, embora a maioria dos infectados não fique doente. Um número cada vez menor da bactéria em habitrantes de países desenvolvidos coincide com a epidemia de obesidade e diabetes nestas regiões.
- O H. pylori é o membro dominante da microbiota gástrica e infecta cerca de metade da população mundial. Embora a infecção por H. pyloripossa estar associada a doenças graves, ajuda a controlar doenças inflamatórias crónicas, alérgicas ou autoimunes - disse Josep Bassaganya-Riera, diretor do Laboratório de Imunologia Nutricional e Medicina Molecular e do Centro de Imunidade de modelagem para patógenos entéricos (MIEP, na sigla em inglês) na Virginia Tech. - Nós demonstramos pela primeira vez que a colonização gástrica por H. pyloriexerce efeitos benéficos em rato de laboratório com obesidade e diabetes."
Durante os últimos 20 anos, a obesidade nos Estados Unidos aumentou drasticamente, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA. Cerca de 36% dos adultos norte-americanos e cerca de 17% dos jovens com idade entre 2 a 19 anos são obesos. A obesidade é o principal fator de risco para a diabetes tipo 2, e a incidência da doença aumentou em paralelo com as taxas de obesidade.
Camundongos infectados com H. pylori mostraram menos resistência à insulina do que os ratos ou camundongos não infectados, de acordo com o estudo, que foi recentemente publicado na “PLoS ONE”. Para a infecção ser considerada benéfica ou não, os cientistas acreditam que depende da interação entre a composição genética do H. pylori e da resposta imune do corpo infectado.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sanfona. Por que o peso volta?


Uma nova série de pesquisas explica por que a maior parte das pessoas volta a engordar depois de fazer dieta. Os quilos extras provocam danos no organismo que parecem irreversíveis

LUCIANA VICÁRIAin
As pesquisas mostram que três de cada dez pessoas que fazem regime pela internet já tentaram perder peso antes, usando outro método, e voltaram a engordar. O problema é velho conhecido de gordinhos, médicos e nutricionistas – e é investigado por cientistas do mundo todo. Com a perda de peso, o corpo engendra reações para recuperar a gordura que ele acha necessário manter. “A explicação mais lógica é que pressões evolucionárias selecionaram genes que fazem nosso corpo lutar para manter a gordura”, afirma o endocrinologista americano Michael Rosenbaum, pesquisador da Universidade Colúmbia. “Isso nos tornou mais resistentes a períodos de escassez e aumentou nossas chances de sobrevivência.” Estudos recentes sugerem que o fenômeno pode ser resultado também de transformações causadas pela obesidade.

A descoberta mais recente foi anunciada na edição deste mês do The Journal of Clinical Investigation. Dois grupos de pesquisadores concluíram que a obe-sidade modifica uma região do cérebro chamada hipotálamo. Entre outras funções, ela é fundamental no controle do consumo e gasto de calorias. Os pesqui-sadores da Universidade de Washington e do Beth Israel Deaconess Medical Center, ambos nos Estados Unidos, descobriram que áreas específicas do hipotá-lamo ficam inflamadas depois que pessoas e animais são submetidos a uma dieta rica em gordura. A capacidade de gerar novas células nessa região também é afetada. Isso provoca problemas no funcionamento desse circuito cerebral. Esses danos podem explicar por que os quilos a mais continuam a voltar depois da dieta. “É possível que se forme uma espécie de cicatriz no hipotálamo, que tornaria as transformações no metabolismo irreversíveis”, diz o endocrinologista americano Michael Schwartz, autor de uma das pesquisas.

Em outubro, o médico australiano Joseph Proietto publicou um estudo mostrando que, depois da dieta, os níveis dos hormônios que regulam a fome e a saciedade haviam mudado para pior em 50 pacientes que tinham emagrecido. A substância que estimula a fome aumentara no organismo, enquanto a dos hormônios da saciedade tinha diminuído. O organismo dos ex-gordinhos os estimulava a comer mais do que antes de começar a dieta. “Essas pessoas precisam aprender a não se sentir culpadas por ganhar os quilos extras novamente“, diz Proietto.

Os novos estudos sugerem que quem já foi obeso precisará lutar mais contra a balança. Médicos que acompanham um grupo de 10 mil ex-gordinhos americanos que conseguiram manter o novo peso descobriram que o segredo deles é simplesmente comer menos que as outras pessoas – entre 50 e 300 calorias diárias a menos. Os pesquisadores Rudolph Leibel e Michael Rosenbaum, da Universidade Colúmbia, chegaram a uma conclusão semelhante. Pacientes que perderam peso e mantiveram a silhueta esbelta tinham de comer, diariamente, entre 250 e 400 calorias a menos que pessoas que nunca foram gordas. A dose de exercício também precisa ser maior. Estudos sugerem que os músculos de quem já foi obeso se contraem mais devagar e gastam menos energia. Isso significa que as atividades físicas consomem até 50% menos calorias.

As pesquisas parecem desanimadoras, mas trazem um conhecimento importante para terminar com o vaivém constante dos quilos extras, chama-do de efeito sanfona. O recado é que manter-se magro exigirá esforço extra e duradouro. A internet, com ferramentas de emagrecimento ao alcance de um clique, pode ser uma arma valiosa nessa batalha.