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terça-feira, 23 de abril de 2013

Excesso de gordura na alimentação é fator de risco para a saúde do fígado


Se o paciente não faz atividade física, o problema pode se tornar ainda pior.

Gordura pode se acumular no fígado e causar a doença esteatose hepática.

Do G1, em São Paulo
Chega a segunda-feira e muita gente começa a se preocupar em se recuperar dos excessos na alimentação do fim de semana.
Porém, esse exagero pode trazer conseqüências sérias para diversas partes do corpo, como o coração e o fígado. No coração, pode ocorrer um entupimento das artérias, o que pode levar a um infarto; já no fígado, a gordura pode se acumular e provocar a esteatose hepática.
Porém, o maior problema de quem tem doença no fígado é o volume de comida em geral – não só de gordura. Por isso, é importante se preocupar com a quantidade das refeições além de, claro, a qualidade.
A dica é evitar, além das gorduras, também os carboidratos, como farinha branca e batata, e preferir sempre porções menores. De acordo com o cirurgião Fábio Atui, um estilo de vida com alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos é um fator positivo de prevenção contra problemas hepáticos.
Em situações mais graves, o excesso de gordura no fígado pode levar à cirrose, câncer no fígado ou também a esteato-hepatite, doença tão séria como a hepatite C. Porém, entre o diagnóstico da esteatose e da esteato-hepatite, há um intervalo de 10 a 20 anos.
De acordo com o hepatologista Mario Kondo, as duas doenças não costumam dar sintomas e, por isso, as pessoas acabam tendo o diagnóstico tardio, o que pode aumentar a necessidade até mesmo de um transplante de fígado.
Por isso, é importante que o paciente faça exames anualmente – quanto antes for diagnosticada a esteatose hepática, melhor e maior a chance de prevenir que ela se desenvolva para a esteato-hepatite. Entre os grupos de maior risco, estão os alcoólatras, obesos, usuários crônicos de corticóide e também os diabéticos.
Se diagnosticada, a esteatose pode ser tratada à base de medicamentos, mas em geral, a dieta saudável e a prática de atividade física já são suficientes para reverter o quadro, como explicou o hepatologista Marcio Dias na reportagem da Marina Araújo. Essa mudança de hábitos foi, inclusive, a recomendação dada para a berçarista Adriana Roque, que descobriu a esteatose hepática através de exames de rotina.
Adriana engordou 10 quilos nos últimos 3 anos por causa dos maus hábitos alimentares e o resultado não demorou a aparecer - uma esteatose de grau leve, com 30% de gordura no fígado (veja no vídeo ao lado). Os médicos alertam, portanto, que o excesso de peso é o fator de risco principal para a doença e o paciente precisa ter consciência de que a alimentação saudável e os exercícios físicos são essenciais não só para resolver o problema, mas também para preveni-lo.
Colecistite
A repórter Michelle Barros foi conhecer a história da Camila que, há 2 anos e meio, começou a sentir os sintomas da colecistite, uma inflamação da vesícula biliar. O principal incômodo era uma dor muito forte na barriga. Segundo o cirurgião Fábio Atui, esse sintoma é bastante característico da doença que, na maioria dos casos, começa com uma pedra na vesícula que acaba inflamando.
Além da dor, a pessoa pode ter enjoo, sensibilidade a comidas gorduras e perda de apetite. Porém, como lembrou o hepatologista Mario Kondo, muitas pessoas podem ter a pedra, mas não ter dor na vesícula – por isso, é importante fazer o exame de ultrassom regularmente para detectar o quanto antes a colecistite.
Em relação à cirurgia para retirar a vesícula, os médicos disseram que depende do caso – a dica é sempre procurar orientação médica para avaliar melhor. De acordo com o hepatologista Mario Kondo, o organismo se adapta e geralmente a vesícula não faz falta - o que pode acontecer, em alguns casos raros, é o paciente ter diarréias freqüentes, mas isso pode ser controlado com remédios.
Pedra na Vesícula Arte Bem Estar (Foto: Arte/G1)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Pesquisa indica que manteiga não é boa "companheira" do pão


A manteiga é a vice-campeã na preferência dos brasileiros para acompanhar o pão Foto: Getty Images
A manteiga é a vice-campeã na preferência dos brasileiros para acompanhar o pão
Foto: Getty Images

A dupla pão com manteiga faz sucesso há vários séculos, mas pode não ser a mais indicada para a saúde, segundo dados de uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), visto que a manteiga é rica em gorduras e as margarinas contêm gorduras trans, que são prejudiciais à saúde do coração.
De acordo com a pesquisa, a margarina foi eleita a mais popular para acompanhar pães, torradas e biscoitos, sendo usada por 32,2% dos mais de dois mil entrevistados, seguida da manteiga (19,8%) e do creme vegetal (12,6%).
"É importante que as pessoas tenham consciência de que é possível reduzir o risco de doenças através de uma dieta saudável. Saber fazer as escolhas alimentares certas é um requisito essencial na busca por um envelhecimento com boa qualidade de vida", afirmou Isabela David, médica nutróloga responsável pelo estudo realizado pela Liga Nacional de Nutrologia da ABRAN, que levantou quais são os alimentos mais consumidos no Brasil, durante o café da manhã, para acompanhar pães, biscoitos e torradas. Conhecidos comospreads, termo sem tradução para o português, requeijão, geleia, margarina, manteiga, mel etc são os alimentos mais comuns, sendo boas fontes de gordura da dieta usual do brasileiro.
Isabela destacou a importância de se conhecer a qualidade da gordura do spread a ser consumido para prevenir doenças. "Devemos optar por alimentos ricos em gorduras mono e poli-insaturadas, como o azeite de oliva extra-virgem e os cremes vegetais, recomendados para a redução do risco cardio-vascular." Outra pesquisa, feita recentemente com pacientes cardíacos do hospital Dante Pazzanese, da capital paulista, concluiu que há falta de conhecimento sobre quais alimentos previnem e auxiliam no tratamento de doenças cardiovasculares, já que muitos pacientes desconhecem termos técnicos como gorduras mono e poli-insaturadas, dificultando a escolha dos alimentos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Quer ser chefe? Então, controle seu índice de gordura



  • Executivos que têm altos índices de massa corporal tendem a ser vistos como menos eficientes no trabalho, sugerem pesquisas


Tim McNair, gerente geral da Martin Guitar, está tentando perder 15 quilos através de um programa de exercícios
Foto: Scott Lewis para The Wall Street Journal
Tim McNair, gerente geral da Martin Guitar, está tentando perder 15 quilos através de um programa de exercícios Scott Lewis para The Wall Street Journal
Tamanho é, sim, documento. Novas pesquisas sugerem que uns quilinhos a mais ou uma cintura um pouco maior afeta a percepção que as pessoas têm sobre a liderança de um executivo e sua energia no trabalho. Treinar para maratonas e fazer exercícios de madrugada ainda não são partes explícitas da descrição do cargo de um diretor, mas especialistas em carreiras dizem que se manter em forma hoje é um requisito não declarado para quem quer chegar ao topo da pirâmide corporativa.
Tim McNair, gerente geral da Martin Guitar, uma fábrica de guitarras na Pensilvânia, está tentando perder 15 quilos através de um programa de exercícios.
“Como as demandas para liderança podem ser extenuantes, o aspecto físico é tão importante quanto todo o resto”, diz Sharon McDowell-Larsen, uma fisiologista de exercícios que dirige um programa de condicionamento físico para executivos no Center for Creative Leadership, uma organização sem fins lucrativos dedicada à preparação de profissionais para cargos de liderança.
Executivos que têm cintura larga e altos índices de massa corporal tendem a ser vistos como menos eficientes no trabalho, tanto em desempenho quanto em relacionamentos interpessoais, segundo dados compilados pelo CCL. O IMC, uma medida comum de gordura do corpo, é baseado em altura e peso.
Embora o peso continue sendo um assunto tabu no trabalho, ele é difícil de se ignorar. Um executivo pesado é considerado menos capaz por causa de presunções sobre como o peso afeta a saúde, diz Barry Posner, um professor de liderança da Faculdade de Administração Leavey da Universidade Santa Clara, nos Estados Unidos. Ele diz que não sabe de nenhum diretor-presidente com excesso de peso nas empresas do ranking Fortune 500. “Nós temos estereótipos sobre gordura”, acrescenta, “então, quando vemos um diretor acima do peso, nossa reação inicial não é positiva”.
O pessoal do CCL detectou uma correlação depois de coletar centenas de revisões de desempenho entre colegas e resultados de exames físicos de diretores-presidentes e outros executivos de alto escalão que participaram de seu workshop de uma semana no Colorado. Dois pesquisadores universitários, usando dados de 757 executivos coletados entre 2006 e 2010, concluíram que o peso pode, de fato, influenciar as percepções de subordinados, colegas e superiores.
Tim McNair conta que se motivou a fazer algumas mudanças quando viu sua barriga num vídeo durante um exercício recente de apresentações em público no workshop da CCL. Ele se perguntou se seus colegas tiveram a mesma reação à sua aparência, diz ele. “Será que eles pensaram: ‘Se ele não consegue [controlar seu apetite], como pode fazer seu trabalho?’”
Assim, o executivo de 44 anos, que diz que as avaliações dele feitas por seus colegas foram um tanto duras, voltou recentemente para uma academia local, passando a frequentá-la depois do trabalho pelo menos três dias por semana para correr na esteira, fazer bicicleta ou alongar. Ele também parou de comer x-burguers duplos, filés, sorvete, refrigerantes e bolos, optando por uma dieta mais saudável de grãos e legumes. Ele diz ter perdido cerca de 12 quilos em quatro meses.
A necessidade de manter a forma é algo relativamente novo para executivos, diz a brasileira Ana Dutra, diretora-presidente da consultoria de liderança Korn/Ferry. Já foi o tempo em que um líder executivo passava cada minuto do dia no trabalho, sacrificando exercício, férias e família em nome da firma. Esperava-se que empregados admirassem e imitassem sua devoção. Agora, o que se espera dos executivos é que tirem folga para “se revitalizar”, diz Ana.
Ela associa a mudança à morte repentina de executivos famosos, como o diretor-presidente da McDonald's Corp. Jim Cantalupo, que morreu de um ataque do coração em 2004, 16 meses depois de assumir o cargo. Seu sucessor, Charlie Bell, morreu menos de um ano depois, de câncer, aos 44. Em 1997, o presidente da Coca-Cola Co., Roberto Goizueta, um fumante, morreu semanas depois de ser diagnosticado com câncer de pulmão.
Os diretores de hoje também são figuras mais públicas do que seus antecessores e precisam estar prontos para as câmeras, bem apanhados ao cortejar investidores e preparados para responder a uma emergência da companhia. Excesso de peso pode transmitir fraqueza ou “falta de controle”, diz Amanda Sanders, uma consultora de imagem que já trabalhou com altos executivos de empresas da “Fortune 500”.
“É a imagem de liderança que você projeta”, diz Mark Donnison, um executivo de 47 anos membro do conselho da Canadian Blood Services, que já perdeu mais de 10 quilos desde que começou uma rotina de exercícios cardiovasculares, peso e ioga no ano passado. “As pessoas reparam no seu modo de viver.”
Empresas buscam líderes com resistência física para melhor dirigir negócios mundiais e resolver problemas complexos, diz Posner, que deu consultoria à Dow Chemical Co. sobre treinamento de líderes globais de grande potencial em 2010 e 2011. Esses líderes foram instruídos a reservar tempo regularmente para se exercitarem, algo que ajuda a suportar as constantes viagens e demandas de um cargo internacional. O treinamento incorporava até coisas como aulas de zumba, pilates, tai chi e ioga, diz Dawn Baker, diretor global da Dow para gestão de talentos.
O fundador da rede de lanchonetes Panera Bread Co., Ron Shaich, que também dirige a companhia, diz que começou a se exercitar com um treinador há cerca de cinco anos, em parte para ficar energizado enquanto tocava uma empresa em crescimento. De duas a três vezes por semana, ele se levanta para uma sessão às 5h30m com seu personal trainer, e corre aos domingos. O exercício aumentou seu nível de energia e o ajudou a se concentrar, diz ele.
Em geral, os executivos do estudo do Center for Creative Leadership já eram mais saudáveis do que o americano médio. Eles bebiam e fumavam menos e eram mais propensos a se exercitar com frequência. Cerca de metade foi considerada acima do peso ou obesos, ou seja, com um IMC maior que 25. Os executivos mais esguios da amostra, assim considerados por terem um IMC abaixo de 25, eram vistos mais favoravelmente pelos colegas, obtendo média de 3,92 por desempenho em tarefas numa escala de cinco pontos; líderes mais pesados obtiveram média de 3,85. Membros do grupo mais magro também tiveram notas melhores no quesito habilidades interpessoais.
O estudo foi ponderado por fatores como idade, raça, sexo, cargo e traços de personalidade. Os resultados foram semelhantes em setores diferentes, diz Eden King, um dos pesquisadores do estudo e professor associado de psicologia na Universidade George Mason.
Claro que a percepção de competência não se iguala a uma medida de sucesso de liderança. Executivos que participaram do estudo dizem que é difícil dizer quanto da percepção deriva de seu peso físico e quanto vem da insegurança que eles mesmos projetam.

domingo, 30 de setembro de 2012

O fantasma por trás da barriga




Risco de impotência e perda de desejo sexual aumenta junto com a circunferência abdominal.


Risco de impotência aumenta em homens com mais de 94 centímetros de circunferência abdominal, principalmente depois dos 40 anos
Foto: Jorge William
Risco de impotência aumenta em homens com mais de 94 centímetros de circunferência abdominal, principalmente depois dos 40 anosJORGE WILLIAM
SÃO PAULO - O homem brasileiro está barrigudo, sedentário, acima do peso e, além de tudo, desatento. A maioria não sabe que a famosa barriga de chope pode trazer uma consequência para lá de infeliz: a falta de ereção. Uma pesquisa comportamental feita com cinco mil homens pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) faz um raio-X da saúde masculina e mostra que 51% estão acima ou muito acima do peso, 64% nunca realizaram um exame para medir os níveis de testosterona, 38% não costumam ir ao médico com frequência, 23% relacionam a obesidade ao envelhecimento. E 37% admitem o uso de remédio para ereção — no Rio este percentual chega a 60%
— Uma das principais partes do organismo afetadas pela obesidade é a hipófise, o que acarreta uma menor produção de hormônios que estimulam os testículos a produzirem a testosterona — detalha Salles.O risco de impotência aumenta em homens com mais de 94 centímetros de circunferência abdominal, principalmente depois dos 40 anos. Essa gordura chamada visceral gera estrogênio, cortisol e leptina, substâncias que diminuem a produção de testosterona, um dos principais combustíveis sexuais masculinos. Segundo o endocrinologista João Eduardo Salles, professor da Santa Casa de São Paulo, 40% dos obesos têm baixos níveis de testosterona no corpo.
O hormônio em baixa dosagem causa alteração de humor, problemas de ereção e sonolência, aumenta a gordura abdominal e diminui a libido, explica o urologista Archimedes Nardozza Junior, diretor do Núcleo de Pesquisa da SBU e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
— Os homens só batem na porta do médico quando ocorrem problemas na próstata e de questão sexual, muitas vezes levados pelas mulheres. A maioria desconhece a ação da testosterona, que começa a diminuir a partir dos 40 anos, de forma lenta e gradativa, mas com grande impacto no organismo — afirma Nardozza Júnior.
Mais testosterona, menos barriga
Resultados de um estudo do endocrinologista alemão Farid Saad, da área científica do laboratório Bayer na Alemanha, mostram que os homens podem emagrecer e diminuir a circunferência abdominal com a reposição hormonal.
A pesquisa, apresentada durante um encontro da Sociedade de Endocrinologia, nos Estados Unidos, acompanhou por cinco anos 115 homens com baixos índices de testosterona. Com a reposição hormonal, dieta e exercícios, eles perderam, em média, 16kg e a circunferência abdominal reduziu de 107 para 98 centímetros. Outro grupo com 255 homens e idade média de 60 anos colocou os níveis de testosterona em ordem e teve uma melhora no problema da disfunção erétil. Além da perda de peso, em cinco anos eles reduziram 8,8cm na medida de circunferência abdominal.
— É muito difícil comparar todos os estudos, já que são diferentes em muitos aspectos. Mas sabemos que os homens não relacionam o aumento de peso, o tamanho da barriga, a dificuldade em ter ereção e a baixa testosterona. Eles pensam nessas condições como fenômenos independentes. Grandes estudos epidemiológicos têm analisado estas condições juntas — diz o endocrinologista alemão, em entrevista ao GLOBO.
Dados mundiais apontam que cerca de 20% da população masculina têm algum sinal de síndrome metabólica: obesidade, diabetes, pressão alta e colesterol ruim elevado, fatores que também prejudicam a ereção. Isto somado ao tabagismo aumenta ainda mais o risco para doenças coronarianas.
— Cada fator aumenta um pouco o risco. O cigarro eleva em uma vez e meia as chances de doenças coronarianas. O colesterol e a glicemia alterados mais que dobram os riscos — diz Nardozza Júnior.
No Rio, a pesquisa da SBU constatou que 69% dos homens acima de 40 anos não fazem dieta e 52% também não praticam atividade física. Resultado: 47% estão acima ou muito acima do peso ideal. Os principais sinais de envelhecimento apontados pelos entrevistados são pressão alta e cansaço (32% ); perda de libido e de força muscular (26%); perda da força muscular e calvície (16%); obesidade e diabetes (17%). Quanto à vida sexual, 48% dos homens se dizem 100% satisfeitos.
Bom humor e menos cansaço
Uma revisão de tudo o que foi publicado até hoje na literatura médica sobre os efeitos da testosterona na composição corporal, divulgada no periódico “Current Diabetes Reviews”, mostra que os níveis de testosterona em dia contribuem também para a melhora do humor e a redução da fadiga. Mas a reposição hormonal só deve ser feita com indicação e acompanhamento médicos, como exames de controle a cada três meses.
Entre os efeitos colaterais, a reposição pode levar a um aumento de glóbulos vermelhos, além disso, quem ronca por apneia do sono pode ter uma piora no quadro. Daí a importância das consultas e exames de sangue regulares para um eventual ajuste da dose.
— Só recomendamos a reposição quando o indivíduo tem nível inferior a 300ng/dL – nanogramas por decilitro. Hoje, já existe uma dose única, injetável, para três meses. Não é recomendada a reposição para homens que ainda pretendem ter filhos porque inibe a fertilidade. Há jovens que usam o hormônio como anabolizante, o que é um erro — orienta o endocrinologista Farid Saad.



Peso normal, mas barriga saliente, aumenta risco de doença cardiovascular



Pessoas com muito acúmulo de gordura na região da barriga correm um risco até 2,75 vezes maior de morrer por problemas cardiovasculares do que pessoas obesas

Barriga
Gordura acumulada na região do abdome pode significar alto risco cardíaco a pacientes com IMC considerado normal(Thinkstock)
Pessoas com peso considerado normal, mas com acúmulo de gordura na barriga, têm mais riscos de morrer do que pessoas obesas. De acordo com estudo conduzido pela Clínica Mayo, nos Estados Unidos, os riscos de morrer por problemas cardiovasculares são 2,75 vezes mais altos e, por problemas em geral, 2,08 vezes mais elevados, em pessoas com índice de massa corporal (IMC - calcule aqui o seu) normal, mas com acúmulo de peso na região abdominal. O estudo foi apresentado durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia.
"Estudos anteriores já haviam apontado que uma obesidade na região central do corpo é ruim. A novidade da pesquisa é que a distribuição da gordura é muito importante até em pessoas com um peso normal", diz Francisco Lopez-Jimenez, autor sênior do estudo e cardiologista da Clínica Mayo. "Esse grupo de pessoas tem os índices de morte mais altos — mais altos até que aqueles considerados obesos. De uma perspectiva de saúde pública, essa é uma descoberta significativa."
Pesquisa — Participaram 12.785 indivíduos com 18 anos ou mais, analisados no Terceiro Levantamento Nacional de Exame de Saúde e Nutrição, que fornece uma amostra representativa da população dos Estados Unidos. Foram registradas medidas corporais como peso, altura, circunferência da cintura e do quadril, assim como condição socioeconômica e comorbidades (doenças relacionadas). A idade média dos participantes era de 44 anos e 47,4% eram homens. O tempo de acompanhamento médio foi de 14,3 anos.
Os voluntários foram divididos em três categorias de IMC: normal (18,5 – 24,9), sobrepeso (25 – 29,9) e obeso (acima de 30). E em duas categorias de circunferência de cintura-quadril: normal (menor que 0,85 para mulheres e que 0,9 para homens) e alta (maior ou igual a 0,85 para mulheres, e que 0,9 para homens). As análises foram ajustadas por idade, sexo, fumantes, hipertensão, diabetes e IMC. Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica e com câncer foram excluídas. Foram registradas 2.562 mortes, das quais 1.138 estavam relacionadas com condições cardiovasculares.
Os indivíduos com IMC normal, mas com obesidade central (definida por um índice de circunferência quadril-cintura elevado) tinham os riscos mais elevados de morrer de todas as causas. O risco de morte cardiovascular era 2,75 vezes mais alto e o de morte por todas as causas era 2,08 vezes maior em pessoas com IMC normal, mas com peso central — comparado com pessoas com IMC e circunferência quadril-cintura normais.
"Esse é o primeiro estudo que avalia estimativas nacionais de morte em obesidade central, mesmo na ausência de obesidade por IMC", diz Karine Sahakyan, cardiologista e pesquisadora da Clínica Mayo. "O alto risco de morte pode estar relacionado com um maior acúmulo de gordura visceral nesse grupo, o que está associado com resistência à insulina e outros fatores de risco."
Segundo Lopez-Jimenez, muita gente hoje tem conhecido do seu IMC. "Mas ter, por si só, um IMC normal não assegura que o risco para doença cardíaca é baixo. Como sua gordura está distribuída pelo corpo pode significar muito, e isso pode ser determinado facilmente, mesmo que seu peso esteja considerado dentro da normalidade."

Excesso de gordura abdominal pode provocar disfunções sexuais e urinárias em homens


Pesquisa mostrou que circunferência da cintura pode prever risco de complicações como disfunção erétil, incontinência urinária e ejaculação precoce.


Tratamento diabetes: pacientes com índice corporal abaixo do considerado obeso são candidatos à cirúrgia
Excesso de peso: quilos a mais podem vir junto com problemas de ordem sexual e urinária (Creatas Images/Thinkstock)
O ganho de peso, especialmente em função da gordura que fica acumulada no abdome, pode não só desencadear doenças cardíacas e problemas metabólicos, mas também aumentar as chances de um homem sofrer disfunções sexuais e urinárias. Estudo realizado pelo Hospital Presbiteriano de Nova York, nos Estados Unidos sugere, pela primeira vez, que emagrecer pode ajudar a evitar complicações como micção frequente e disfunção erétil. De acordo com os resultados, publicados na edição do mês de agosto do periódico British Journal of Urology International (BJUI), reduzir a medida da circunferência abdominal em seis centímetros já melhora de maneira significativa a incidência desses problemas entre o sexo masculino.
A pesquisa se baseou em dados de 409 homens de 40 a 91 anos de idade que haviam apresentado algum sintoma no trato urinário inferior (STUI) — por exemplo, dificuldade em urinar e incontinência urinária, que são problemas comuns entre homens mais velhos. De acordo com os autores, uma maior circunferência abdominal foi associada a um maior número de vezes em que um individuo urina no dia: 39% dos homens com as maiores medidas do abdome urinavam oito vezes em um período de 24 horas e 44% precisavam ir ao banheiro ao menos duas vezes durante a noite. Esses índices foram de 16% e 15%, respectivamente, entre aqueles com as menores circunferências abdominais.
Problemas no sexo — Em relação a complicações de ordem sexual, 75% dos homens do grupo com as maiores medidas do abdome apresentavam disfunção erétil e 65% sofriam problemas de ejaculação precoce. Já entre os participantes com as menores cinturas, essas porcentagens foram de 32% e 21%, respectivamente.
"Os resultados demonstram que a obesidade entre homens afeta o bem-estar deles de maneira profunda", diz Steven Kaplan, coordenador do estudo. De acordo com o pesquisador, não é possível afirmar que a obesidade provoca diretamente problemas de ordem sexual e urinária, mas sim que as alterações hormonais e de fluxo sanguíneo provocadas pelo excesso de peso contribuem para essas complicações. "Essas evidências contribuem para a recomendação de que os homens devem manter um peso saudável para garantir uma boa saúde em geral."

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Gordura trans pode estar associada a comportamento agressivo e impaciência.



Pesquisa identificou que aqueles que mais consomem a gordura são os que apresentam maiores chances de terem alterações comportamentais

Fast food
Gordura trans: consumo a gordura pode levar a um comportamento agressivo, diz estudo (Comstock/Thinkstock)
Muito além da obesidade e dos riscos de problemas cardiovasculares, um novo estudo da Faculdade de Medicina de San Diego da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, associou o consumo de gordura trans com maior impaciência e comportamento agressivo. Segundo a pesquisa, publicada na edição deste mês no periódico PLoS ONE, essas reações adversas podem ser apresentadas tanto por homens quanto por mulheres e de todas as idades.

Saiba mais

GORDURA TRANS
É uma gordura obtida a partir de um processo químico chamado hidrogenação. Por vir de óleos vegetais, era considerada uma opção saudável na alimentação, mas estudos que começaram a ser feitos a partir dos anos 80 mostraram que a gordura é extremamente prejudicial à saúde das pessoas. Ela aumenta o LDL (colesterol ruim) e diminui o HDL (colesterol bom) e, por isso, pode acarretar diversas doenças. Está presente em frituras, em todos os alimentos que levam margarina na preparação, além de fast food, bolachas e pipocas de microondas. Carne e leite possuem quantidades mínimas de gordura trans. Acredita-se que o organismo não sintetiza essa gordura, então ela se acumula no corpo. Não há uma recomendação mínima essencial dessa gordura. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a gordura trans não passe de 1% das calorias totais consumidas em um dia por uma pessoa.
Essa é a primeira vez em que um levantamento relaciona o consumo de gordura trans com alterações no comportamento de um indivíduo. Essa gordura é produzida industrialmente a partir da hidrogenação, um processo químico, e pode ser encontrada em alimentos como bolachas, pipoca de micro-ondas, chocolate, sorvete, pastel e tudo o que utiliza margarina nas receitas.
A pesquisa — Os autores do estudo avaliaram 945 adultos com base em informações como hábitos alimentares, comportamento, histórico e autoavaliação de agressão, impaciência ou irritabilidade, entre outras características comportamentais.
Os resultados indicaram que as pessoas que mais consumiam gordura trans tinham uma forte tendência a apresentar comportamento agressivo e impaciência no futuro em comparação com aquelas que não ingeriam tanta gordura no seu dia-a-dia. Elas também tinham históricos com mais casos de comportamentos como esses. Essa associação não se alterou com sexo, idade e etnia dos participantes.
“Se esses dados se mostrarem verdadeiros, há mais lógica ainda para que as pessoas diminuam a quantidade de gordura trans que comem todos os dias. Essa redução é essencial principalmente na alimentação das escolas e dos presídios, já que esse alimento se mostrou prejudicial tanto para quem o consome quanto para as pessoas que estão ao seu redor”, afirma Beatrice Golomb, uma das autoras do estudo.

domingo, 26 de agosto de 2012

Falta de ômega-3 pode antecipar problemas de envelhecimento cerebral



Pessoas que possuem menos níveis do nutriente no sangue sofrem antes com deficiência de memória e raciocínio

Ômega 3: dieta deficiente pode ter relação com comportamentos depressivos
Ômega 3: estudo conclui que a baixa ingestão do nutriente leva mais cedo ao envelhecimento cerebral (Ablestock.com/ Thinkstock)
Um estudo publicado nesta terça-feira no periódico Neurology sugere que pessoas que seguem uma dieta deficiente em de ômega-3, nutriente comumente encontrado em peixes, linhaça, castanha e azeite, podem sofrer antecipadamente com o processo natural de envelhecimento do cérebro. Elas, segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, são acometidas mais cedo por problemas como a perda de memória e o declínio de habilidades cognitivas.

Saiba mais

COGNIÇÃO
Conjunto de processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, no reconhecimento, na memória, no juízo, na imaginação e na linguagem. O envelhecimento provoca naturalmente problemas cognitivos, que podem avançar para quadros mais graves, como o comprometimento cognitivo leve, que é a diminuição da função mental e comprometimento da memória, do pensamento, da capacidade para aprender e do juízo, e para demências como a doença de Alzheimer.
Para chegar a tais resultados, foram analisados 1.575 homens e mulheres entre 67 e 76 anos que não apresentavam nenhum sinal de demência. Os participantes fizeram ressonância magnética no cérebro, além de testes que mediram a função mental, a massa corporal e os níveis de ômega-3 nas células do sangue.
Ao final dos testes, o grupo de pessoas que apresentou os menores índices de ômega-3 tinha 25% menos quantidade do nutriente no sangue do que o grupo que demonstrou maior presença do ácido graxo. Esses indivíduos com menos ômega-3 no sangue demonstraram menor volume cerebral nas ressonâncias magnética e resultados inferiores dos testes de memória visual e função executiva do cérebro, como resolução de problemas e capacidade de pensar em várias coisas ao mesmo tempo.
“O volume cerebral das pessoas que consumiam menos ômega-3 era inferior ao daquelas que tinham mais níveis do nutriente nas células, mesmo em indivíduos livres de demência. E essa diferença no cérebro foi equivalente a um processo de envelhecimento cerebral dois anos mais avançado”, afirma o coordenador do estudo, Zaldyn Tan.

sábado, 25 de agosto de 2012

Gordura do bem: nutriente é indispensável para ganhar energia e melhorar rendimento.


Gordura do bem: nutriente é indispensável para ganhar energia e melhorar rendimento.



Gorduras têm reputação ruim, mas nem todas na família desse nutriente fazem mal à saúde. Pelo contrário, algumas são essenciais às células, especialmente de quem se exercita com frequência. Sem elas, é difícil absorver certas vitaminas e produzir os hormônios sexuais, a testosterona e o estrogênio. Então o segredo é saber separar as boas das más, e, segundo pesquisadores reunidos na 12ª edição da Rio Sports Show e Sports Nutrition Convention, no Pier Mauá, no Rio, para não errar, é melhor optar pelas monoinsaturadas, como azeite e girassol, e poli-insaturadas, como salmão. Com elas, o corpo ganha mais energia.
Comer gorduras é tão importante quanto ingerir carboidratos e proteínas, destacam os nutricionistas. Elas têm funções importantes quando, por exemplo, alguém realiza atividade física, explica a nutricionista Renata Silvério, do Laboratório de Lípides do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, e que falou sobre o tema no Rio. Quanto mais gordura boa na dieta, maior a liberação do hormônio anabólico testosterona, que normalmente já acontece na prática de musculação, e isso favorece o ganho de massa muscular.
E as gorduras boas também atuam como protetoras do corpo. É fácil entender. O exercício físico estimula a produção de radicais livres (essas moléculas em excesso oxidam as células, acelerando o envelhecimento) e os lipídios são fonte de dois importantes antioxidantes: as vitaminas A e E. Outra ação benéfica de gorduras, como a do tipo ômega-3 (comum em peixes como salmão) é reduzir a inflamação decorrente da prática de exercício de alta intensidade, auxiliando a recuperação.
Renata explica que dietas muito pobres em gordura podem prejudicar o desempenho no dia a dia ou mesmo no treino físico, porque essa carência favorece à oxidação de carboidratos (glicose, glicogênio, reserva energética e presente, principalmente, no fígado e nos músculos), levando à exaustão precoce. E ainda os exercícios prolongados, de alta intensidade interferem no sistema imune, e os ácidos graxos ômega-3 nos protegem desse efeito.
Deficiência pode alterar o ciclo menstrual
Uma outra consequência da falta de gorduras na dieta é a deficiência das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K). Nas mulheres, pode ocorrer redução na concentração de hormônio estradiol, o que alteraria o ciclo menstrual. Então só falta saber quais são as gorduras boas. Tanto faz se a pessoa pratica ou não exercícios, a escolha é a mesma: as poli-insaturadas (dos tipos ômega-6 e ômega-3, encontradas em alimentos como nozes, castanhas, amêndoas, salmão, atum, linhaça dourada e óleos vegetais) e as monoinsaturadas (azeite de oliva, girassol, canola e abacate, por exemplo). Elas aumentam o bom colesterol (a fração HDL), reduzem o ruim (o LDL) e os triglicerídeos.
- Gorduras saturadas de alimentos de origem animal, como carnes, leite e derivados podem até ser consumidas, porém em pequenas quantidades - ensina Renata. - A recomendação de consumo diário de gorduras é de 20% a 30% do valor calórico total da dieta, e as saturadas devem constituir menos de 10%.
Mas as gorduras sozinhas não resolvem, e elas precisam estar acompanhadas de proteínas e carboidratos. E quem se exercita deve estar ainda mais atento a esta combinação, diz a nutricionista Cibele Crispim, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia e especialista em nutrição esportiva.
- Comer depois do treino é mais importante porque é a hora da recuperação, mas não se pode malhar em jejum, nem esquecer de comer algo em atividades acima de uma hora - explica Cibele.
Esse alerta é importante porque há quem acredite, erradamente, que malhar de estômago vazio queima gordura. Na verdade, esse hábito termina gastando mais músculo como fonte de energia. O certo é ingerir algo não pesado antes do treino:
- Quem gosta de treinar no final da tarde, por volta de 17h30m, pode comer um lanche com cereal, aveia, iogurte, queijo, duas horas antes. Se preferir comer 20 minutos antes, opte por alguma fonte de carboidrato, o nutriente que será usado como fonte de energia. Pode ser uma fruta, e banana é uma boa, barra de cereais, fatia de pão com geleia.
Açúcar deve ser evitado no treino
Para as pessoas que malham mais de uma hora, intercalando musculação e exercícios aeróbios, Cibele sugere durante o esforço uma bebida esportiva, do tipo isotônico, que fornece cerca de 30g de carboidratos e outros minerais, ou comer uma banana ou barrinha de cereais. Outra dica são os sachês de carboidratos em gel, mas não se pode esquecer de beber água, caso contrário forma-se um bolo no estômago.
- Chocolate não vale porque pode ter muito açúcar. No treino, o organismo está mais receptivo à glicose. Se o açúcar entra rapidamente na circulação, há o risco de hipoglicemia. Então tudo que for doce demais não interessa na hora do exercício - diz.
Depois da malhação, a refeição deve ser mais consistente, com fontes de carboidratos, proteínas e gorduras. É a janela de oportunidade para o músculo se recuperar. Aí vale usar arroz, frango, salada.
- Shakes proteicos e outros suplementos como creatina, só para pessoas que praticam atividade física em alta intensidade, e mesmo assim com orientação de nutricionista especializado em nutrição esportiva - alerta.