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domingo, 5 de maio de 2013

DESCOBERTO GENE VINCULADO À ENXAQUECA



Agência Brasil
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, descobriram o primeiro gene cuja mutação está associada à forma mais comum de enxaqueca. A descoberta pode abrir caminho para a compreensão dessa doença de causas desconhecidas, segundo estudo publicado nos Estados Unidos.
Louis Ptacek, professor de neurologia da universidade e um dos principais autores da pesquisa, disse que esse é o primeiro gene descoberto cuja mutação está relacionada à forma mais comum de enxaqueca. “Isso lança a primeira luz sobre uma doença que ainda não entendemos. Mas só um número muito pequeno de pacientes com enxaqueca tem esse gene mutante”, acrescentou.
Os pesquisadores fizeram estudo genético com duas famílias cujos membros costumam ter enxaqueca. Eles descobriram que a maioria das pessoas que têm o distúrbio é portadora do gene mutante ou filha de pais que tinham esse gene.
No laboratório, os autores da pesquisa verificaram que a mutação do gene CKIdelta afetava a produção de uma proteína chamada quinase CK2, que desempenha importante papel em muitas funções vitais no cérebro e no resto do corpo. “Isso indica que a mutação genética tem consequências bioquímicas reais”, disse Ptacek. Os resultados da pesquisa estarão na revista norte-americana Science Translational Medicine.
Segundo especialistas, a enxaqueca afeta de 10% a 20% da população e causa perdas de produtividade. Os sintomas da doença são dor de cabeça muito forte e hipersensibilidade ao som, ao tato e à luz.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Novos estudos apontam para a relação entre enxaqueca e problemas cardíacos em mulheres



A enxaqueca acompanhada de aura pode elevar as chances de problemas cardiovasculares mais até do que outros fatores, como diabetes e obesidade

Vivian Carrer Elias
Enxaqueca: Dois novos estudos apontam para a relação entre fortes dores de cabeça com aura e um maior risco de eventos cardiovasculares
Enxaqueca: Dois novos estudos apontam para a relação entre fortes dores de cabeça com aura e um maior risco de eventos cardiovasculares (Thinkstock)
Dois novos estudos divulgados nesta terça-feira encontraram uma relação entre enxaqueca, especialmente a que vem acompanhada com aura, que é um conjunto de sintomas como alterações visuais, fraqueza e até alucinações, a uma maior chance de doenças cardiovasculares em mulheres.
Uma dessas pesquisas também mostrou que as dores de cabeça são ainda mais perigosas à saúde do coração do que fatores de risco conhecidos, como diabetes, tabagismo ou obesidade. Além disso, segundo outro trabalho, a enxaqueca com aura, se apresentada por mulheres que fazem uso de anticoncepcionais, pode aumentar mais ainda as chances de complicações de trombose — isso porque contraceptivos hormonais por si só já elevam esse risco. Os resultados de ambos os estudos foram publicados pela Academia Americana de Neurologia e serão apresentados em março, quando acontecerá o encontro anual da entidade.

Opinião do especialista

Mario Peres
Neurologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e da Escola Paulista de Medicina

"Nós, médicos, já sabíamos da relação entre enxaqueca e um maior risco de trombose e eventos cardiovasculares. Porém, esses são estudos grandes, feitos com um grande número de pessoas, que fornecem mais dados para essa evidência. Essas conclusões vão ajudar a embasar novas diretrizes no tratamento de enxaqueca.
No entanto, as pessoas não devem interpretar esses resultados com pavor. Ou seja, se uma pessoa sofre de enxaqueca com aura, ao tratar a condição, ela reduzirá o risco de problemas cardiovasculares. Além disso, ela deve procurar um equilíbrio entre outros fatores de risco que também afetam o coração. Uma mulher que tem enxaqueca não precisa deixar de tomar o seu anticoncepcional, mas deve parar fumar, por exemplo."
Uma das pesquisas, feita no Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França, acompanhou, ao longo de 15 anos, 27.860 mulheres com mais de 45 anos, dentre as quais 1.435 relataram sofrer de enxaqueca com aura periodicamente. Durante esse tempo, foram registrados 1.030 casos de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) ou mortes por alguma doença cardiovascular. Os pesquisadores observaram que a enxaqueca com aura foi o segundo fator de risco que contribuiu para algum desses eventos cardiovasculares, ficando atrás apenas da hipertensão e à frente de diabetes, tabagismo, obesidade e histórico de doença cardíaca na família.
Sem pânico — Isso não quer dizer, porém, que todas as pessoas com enxaqueca terão um ataque cardíaco ou um AVC durante a vida, mas sim que o risco para que isso ocorra pode ser maior entre elas. "Talvez os pacientes com enxaqueca precisem ficar mais atentos do que os outros a outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, como excesso de peso ou tabagismo. Mas esses resultados não devem apavorar pessoas que têm enxaqueca”, disse ao site de VEJA Tobias Kurth, coordenador desse estudo. Kurth é pesquisador do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França e também professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
O pesquisador não soube explicar, porém, qual o mecanismo envolvido na relação entre enxaqueca e fatores de risco para doenças cardiovasculares. "Há algumas hipóteses, que incluem função endovascular e genética, mas ainda não há uma resposta para essa questão", afirmou., da Universidade Harvard. A equipe buscou entender se a enxaqueca pode agravar o risco de trombose venosa profunda (formação de coágulos nas veias profundas do corpo) entre mulheres que fazem uso de contraceptivos hormonais, que são associados à elevação dos riscos dessa doença.
 
Para isso, a equipe acompanhou, durante 11 anos, quase dois milhões de mulheres, dentre as quais 145.304 faziam uso de algum contraceptivo hormonal — 2.691 relataram sofrer de enxaqueca com aura e 3.437 afirmaram ter enxaquecas sem aura. Os resultados mostraram que o maior risco de trombose venosa profunda foi mais perceptível entre mulheres que faziam uso de anticoncepcionais e que tinham enxaqueca com aura. Ou seja, foi maior do que entre aquelas que faziam uso de algum contraceptivo, mas não tinham enxaqueca, por exemplo.
 
Shivang Joshi, neurologista clínico da Universidade Harvard e autor dessa pesquisa, também não soube dizer ao certo o que acontece no corpo para que a enxaqueca influencie o risco de trombose. "Há vários mecanismos que podem estar relacionados a esse quadro. É possível que uma condição chamada 'depressão cortical alastrante', que é como uma onda de atividade elétrica que ocorre com a enxaqueca com aura, possa predispor o cérebro a lesões isquêmicas. Também podem haver mecanismos genéticos compartilhados pela enxaqueca e pelos coágulos. Mas se existe, ainda não sabemos", afirmou Joshi ao site de VEJA.
 
O pesquisador afirmou, ainda, que esses resultados não devem fazer com que mulheres que sofrem de enxaqueca com aura e que fazem uso de algum contraceptivo abandonem o anticoncepcional. "Isso deve incentivar as pacientes a relatarem os episódios de enxaquecas a seus ginecologistas para que, assim, eles escolham o melhor anticoncepcional para elas. No entanto, elas devem ficar atentas a outros fatores de risco, especialmente ao tabagismo", disse Joshi.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Estudo brasileiro revela nova forma de prevenir enxaquecas



Pesquisadores descobriram que cápsulas de melatonina, um hormônio produzido pelo cérebro, diminui na mesma proporção a frequência das dores de cabeça e provoca menos efeitos adversos do que o tratamento convencional

Vivian Carrer Elias
Melatonin
Melatonina: Comercializada como vitamina nos Estados Unidos e como medicamento na Argentina, substância não pode ser vendida no Brasil (Divulgação)
Uma pesquisa brasileira mostrou que a melatonina, hormônio produzido no nosso cérebro que atua na regulação do sono e do relógio biológico, é eficaz na prevenção de enxaqueca em pessoas que têm crises com frequência. Segundo o estudo, coordenado por Mario Peres, neurologista do Hospital Albert Einstein e da Escola Paulista de Medicina, pílulas contendo a substância parecem ser melhores para evitar as fortes dores de cabeça do que um dos medicamentos mais utilizados atualmente com essa finalidade, a amitriptilina. O trabalho será apresentado em março no encontro anual da Academia Americana de Neurologia, na cidade americana de San Diego.

Saiba mais

MELATONINAA melatonina, produzida pela glândula pineal, localizada no cérebro, é fundamental para regularizar o nosso relógio biológico e, assim, regular sono, fome e diversas funções no organismo. Em países como os Estados Unidos e os da Europa, ela é amplamente comercializada como uma vitamina e, em lugares como Argentina e Chile, como remédio. 
No Brasil, porém, ela não pode ser comercializada pois não possui registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). De acordo com o órgão, o último pedido para registro da substância foi feito em 2003 e foi indeferido por estar “em desacordo com a legislação vigente”. Não houve um novo pedido desde então. No entanto, também não há uma proibição expressa ao uso da substância, de forma que o paciente que desejar pode importá-la para uso próprio. 
Os benefícios da melatonina já vêm sendo estudados — e comprovados — há algum tempo, inclusive por Peres, que há mais de 10 anos concentra as suas pesquisas para entender de que forma o hormônio pode ajudar pacientes que sofrem de enxaqueca. "A principal função da melatonina é regularizar os ritmos biológicos. Portanto, o hormônio influencia vários sistemas no organismo e interfere positivamente em diversas funções. Nós já sabemos que pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam menores níveis de melatonina e que isso aumenta a propensão de crises", disse Peres ao site de VEJA.
O novo estudo de Peres, que também foi assinado por André Leite Gonçalves, neurologista da Faculdade de Medicina do ABC, comparou os efeitos da melatonina aos da amitriptilina, um antidepressivo frequentemente receitado a pacientes com o problema, e aos de placebo. Para isso, os pesquisadores selecionaram 179 pessoas entre 18 e 65 anos de idade que sofriam de crises de enxaqueca, com ou sem aura, de duas a oito vezes por mês.
Comparação — Os participantes foram divididos em três grupos. Durante três meses, cada grupo recebeu doses diárias de um tipo de substância: melatonina (três miligramas ao dia), amitriptilina (25 miligramas ao dia) e placebo. Após esse período, a redução média de dias por mês com crises de enxaqueca foi de 2,7 para as pessoas que receberam melatonina; 2,18 para as que receberam amitriptilina; e 1,18 para quem tomou placebo.
Segundo Mario Peres, a eficácia na prevenção de enxaqueca com o uso de melatonina e amitriptilina foi estatisticamente semelhante. A grande vantagem do hormônio sobre o antidepressivo, então, parece estar em sua maior tolerabilidade. "A amitriptilina é um antidepressivo que pode provocar o aumento do peso, sonolência, boca seca e intestino preso. A melatonina apresentou muito menos efeitos adversos, mas com a mesma eficácia, e foi tão tolerada pelos pacientes quanto o placebo", afirmou Peres.
Hormônio vetado — Apesar de a melatonina ser amplamente difundida em países como os Estados Unidos, onde é comercializada como uma vitamina, e dos diversos estudos que defendem os benefícios do hormônio, os brasileiros não podem comprar a substância por aqui pois ela não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, é possível comprar o produto no exterior e trazer para o Brasil para uso pessoal.
Para Mario Peres, o fato de a melatonina não ser comercializada no mercado brasileiro torna o país atrasado nesse sentido. "Acredito que a substância deveria ser vendida como remédio, como acontece na Argentina ou no Chile, e não vitamina. Assim, haveria um melhor acompanhamento médico. A melatonina é barata e eficaz, e seria uma ótima alternativa para as crises de enxaquecas e também para outros problemas, como a insônia", disse.
O neurologista acredita que os resultados de sua pesquisa têm potencial para tornar possível a aprovação da substância no mercado brasileiro. E não somente isso: "Nosso estudo é um trabalho grande, randomizado e que compara a melatonina a outro remédio e ao placebo. É o primeiro grande estudo que mostra que o hormônio funciona e é seguro na prevenção da enxaqueca. É uma base científica consistente para que os médicos passem a recomendar a substância no tratamento do problema", afirmou Peres.

EUA aprovam adesivo corporal para tratar enxaqueca



Produto, que libera um medicamento frequentemente utilizado no combate às dores de cabeça, é uma solução para pessoas que sofrem de enxaquecas acompanhadas de náuseas. Mas o preço pode ser um empecilho: 90 dólares

Vivian Carrer Elias
Zecuity, adesivo corporal desenvolvido pela empresa NuPathe, foi aprovado pelo FDA: Produto libera medicamento que combate os sintomas da enxaqueca e, como não precisa ser absorvido pelo sistema digestivo, é solução para quem sofre do problema acompanhado de náuseas
Zecuity, adesivo corporal desenvolvido pela empresa NuPathe: Produto libera medicamento que combate os sintomas da enxaqueca e, como não precisa ser absorvido pelo sistema digestivo, é solução para quem sofre do problema acompanhado de náuseas (Thinkstock)
Um adesivo corporal (patch) utilizado para o tratamento de enxaquecas acaba de ser aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão de saúde americano que regula alimentos e medicamentos. O Zecuity, produzido pela empresa NuPathe, funciona com uma bateria e libera no organismo do paciente a substância sumatriptano, um medicamento frequentemente receitado a pacientes que sofrem de fortes dores de cabeça. O adesivo recebeu aval da agência americana em 17 de janeiro e espera-se que ele passe a ser comercializado no país entre outubro e dezembro deste ano.
O sumatriptano foi o primeiro medicamento desenvolvido especificamente para tratar a enxaqueca e até hoje é indicado pelos médicos a pacientes que têm o problema. Ele é eficaz em reduzir sintomas da condição que, além das fortes dores de cabeça, incluem enjoos e sensibilidade à luz ou a sons. Embora a droga em si não seja uma novidade, disponibilizá-la em forma de adesivo elimina a absorção da substância pelo sistema digestivo e, portanto, é uma solução para as pessoas que sofrem de enxaqueca acompanhada de náuseas, um dos sinais mais comuns das crises.
"É normal que, com a enxaqueca, o indivíduo apresente sintomas gástricos. A velocidade do esvaziamento do estômago em direção ao intestino pode diminuir e, com isso, a absorção de medicamentos orais torna-se mais difícil. Além disso, o paciente com esses sintomas eventualmente vomita, o que dificulta ainda mais que esses remédios sejam absorvidos e façam efeito. O adesivo faz com que essa intolerância gástrica seja superada, e esse é o seu principal benefício", disse ao site de VEJA Tarso Adoni, neurologista do Hospital Sírio-Libanês.
Como funciona — De acordo com informações sobre o Zecuity disponibilizadas pelo FDA, o adesivo deve ser colado sobre a perna ou o braço. O paciente, então, precisa apertar um botão para que o medicamento seja fornecido ao organismo — são 6,5 miligramas de sumatriptano liberados ao longo de aproximadamente cinco horas. Uma luz acende quando o adesivo começa a funcionar e se apaga quando a substância chega ao fim.
Apesar de o adesivo fornecer sumatriptano ao organismo do paciente ao longo de cinco horas, o efeito na dor de cabeça é muito mais rápido, segundo Adoni. "Os estudos com o produto mostram que na pele ele leva de 20 a 30 minutos para trazer benefício", disse o neurologista. O produto, portanto, é indicado para eliminar os sintomas da enxaqueca, e não para prevenir o problema ou reduzir a sua frequência.
Comprovação — O FDA aprovou o adesivo a partir dos resultados de um estudo feito com 800 pacientes. Nele, 18% das pessoas que utilizaram o Zecuity não sentiram mais nenhuma dor de cabeça após duas horas e 50% afirmaram que as dores diminuíram — entre os pacientes que usaram um adesivo contendo placebo, essas taxas foram de 9% e 29%, respectivamente. Além disso, o adesivo contendo sumatriptano aliviou as náuseas em 84% dos indivíduos que usaram o produto. A melhora ocorreu em 63% dentre aqueles que receberam placebo.
Os efeitos colaterais mais comuns do Zecuity foram dores, formigamentos e desconforto no local da aplicação. As informações sobre o adesivo ressaltam que pacientes com histórico de doenças cardíacas não devem fazer uso do patch.
Segundo Tarso Adoni, um ponto negativo do adesivo é o seu alto custo. "Os médicos acreditam que ele entrará no mercado americano a um preço de 90 dólares cada". Ou seja, caso o produto chegue no Brasil — o que pode acontecer somente a partir de 2014, segundo o neurologista —, poderá custar quase 200 reais para que apenas uma crise de enxaqueca seja aliviada, já que os adesivos não são reaproveitados.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil possui medicamentos orais à base de sumatriptano, mas ainda não há nenhum pedido de autorização de adesivos contendo a substância.