Mostrando postagens com marcador viagra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador viagra. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de julho de 2013

Os 15 anos da pílula azul


  • Descoberto por acaso, o Viagra, primeira droga eficaz contra a impotência, revolucionou o sexo na terceira idade.



Foto: Arte de André Mello
Arte de André Mello
RIO - Como que respondendo aos anseios da sociedade por mudanças comportamentais, a pílula anticoncepcional foi lançada em 1960, quando o movimento feminista ganhava força no mundo todo e a liberdade sexual era uma de suas bandeiras. Quase 40 anos depois, uma outra pílula viria novamente responder às demandas de uma população que se tornava cada vez mais longeva e buscava formas de viver esses anos extras em plenitude. Se o contraceptivo abriu as portas para o sexo por prazer, é possível dizer que o Viagra garantiu a possibilidade de que esse prazer se estendesse por muito mais tempo. Os fundadores do amor livre respiraram aliviados.
- A pílula traz uma mudança de paradigma: a mulher passa a poder decidir entre fazer sexo para reproduzir ou para ter prazer, de forma mais segura, eficaz e prática. O surgimento do Viagra veio para marcar um prolongamento da vida sexual para idades mais avançadas - afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora de estudos em sexualidade da USP.
A pílula azul em formato de diamante foi descoberta por acaso. Químicos da Pfizer trabalhavam num remédio para problemas cardiovasculares quando começaram a registrar efeitos colaterais que faziam a alegria dos voluntários do estudo, todos eles com mais de 50 anos. A ação do remédio é simples: ele produz um relaxamento da musculatura dos corpos cavernosos do pênis, permitindo o influxo de sangue e, assim, a ereção.
- Havia poucas alternativas para o tratamento da disfunção erétil, e elas envolviam injeções intrapenianas e, em casos mais extremos, próteses - afirma o diretor médico da Pfizer no Brasil, Eurico Correa.
Um remédio de uso oral, praticamente sem contraindicações, que solucionava com eficácia o problema era bom demais pra ser verdade. Não tinha como falhar.
Um ano consagrado ao sexo
A nova droga foi lançada com pompa, circunstância e muita publicidade em 1998 — declarado pelo jornal inglês “Independent”, como “o ano do sexo”. Foi naquele ano que a série “Sex and the City” chegou à TV nos EUA, tornando-se imediatamente um grande sucesso, e pelo menos dois homens ganharam as manchetes com grande estardalhaço por suas indiscrições sexuais (George Michael, num banheiro em Los Angeles; e Bill Clinton, no Salão Oval da Casa Branca). Além disso, claro, o início da comercialização do novo remédio colocava fim ao maior pesadelo de todo homem: a impotência.
O mais amplo estudo sobre o problema já realizado no Brasil, pelo grupo de Carmita, apontou que 45% da população masculina acima dos 40 anos não está satisfeita com a qualidade de sua ereção — um percentual muito alto e bastante semelhante aos aferidos internacionalmente. As queixas pioram conforme a idade avança. Ou seja, a nova droga tinha um potencial de mercado gigantesco.
Rapidamente tornou-se um dos medicamentos mais vendidos no mundo e alterou por completo o sexo na terceira idade. Homens de até 70, 80 anos, que já tinham desistido da vida sexual há muito tempo voltaram à ativa, num movimento que também teve um impacto direto em suas parceiras. Casamentos renasceram, mas muitos também afundaram de vez diante das novas demandas.
- Eu tinha perdido o apetite, digamos assim - conta o analista de sistemas que se identificou apenas como Antônio, de 69 anos, usuário do remédio há dez anos. - Só falei para minha mulher depois de ter tomado pela primeira vez. Ela gostou, lógico, mas ameaçou processar o laboratório quando eu disse de brincadeira que queria morrer como um garanhão.
Relacionamentos ruins, explicam os especialistas, jamais poderiam ser salvos pelo novo remédio — que garante a ereção, sim, mas somente mediante desejo pela parceira, não se trata de algo puramente mecânico.
Na esteira do Viagra, diversas novas drogas com efeitos similares chegaram ao mercado, como Cialis e Levitra. No ano passado, a patente do Viagra expirou no Brasil, abrindo caminho para a produção de genéricos, o que baixou consideravelmente o preço do medicamento. Hoje, um comprimido custa cerca de R$ 7. A Pfizer, por sua vez, também baixou o preço de seu medicamento de marca para fazer frente à nova concorrência.
- Calculamos um aumento de 60% no número de usuários dos remédios - diz o chefe do Departamento de Sexualidade Humana da Sociedade Brasileira de Urologia, Geraldo Eduardo de Faria.
Diferentemente do que ocorre na Europa e nos EUA, os remédios para disfunção erétil no Brasil não são vendidos sob retenção da receita. A facilidade do acesso fez crescer muito o que eles chamam de “uso recreacional” dos comprimidos. Pessoas que não têm problemas de disfunção usam as pílulas para “melhorar a performance sexual”, algo que nenhum estudo científico comprova.
- Resolvi usar porque, com a idade, não é que diminua a libido, mas o desempenho cai. É difícil ter três relações numa mesma noite com facilidade. Em determinados dias, em que você está muito cansado ou chateado, só consegue transar uma vez. Então, o remédio é um facilitador. Sinto mais segurança e posso proporcionar um prazer maior - conta Paulo, um engenheiro de 46 anos que começou a usar a droga depois que se separou.
Há também homens muito mais jovens, de 20 anos ou menos, usando os remédios e mesmo misturando-o a álcool e outras drogas. Além disso, alertam os médicos, a disfunção erétil é consequência de algum problema de saúde que precisa ser tratado, além de ser um marcador precoce para problemas cardiovasculares.
- Ninguém sabe qual será a consequência do uso por essa geração tão nova, que ainda não envelheceu - pondera o urologista Valter Javaroni, consultor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro. - E como os remédios são vendidos sem receita, perdemos a oportunidade de identifica o hipertenso, o diabético, o cara que tem o colesterol alto, o obeso sedentário.
CRONOLOGIA
1960 - As primeiras pílulas anticoncepcionais começam a ser comercializadas nos EUA, libertando as mulheres do pavor da gravidez indesejadas, abrindo caminho para o sexo por prazer e fundando a geração do amor livre.
1998 - O Viagra é lançado pela Pfizer, com estardalhaço. Trata-se de uma pílula praticamente sem contra-indicação e que soluciona com bastante eficácia a disfunção erétil. Até então, os tratamentos para a impotência eram raros, caros e pouco eficazes, envolvendo injeções e até próteses.
2003 - Outros remédios para tratar a disfunção erétil chegam ao mercado, como o Cialis e o Levitra. Embora com princípios ativos diferentes, os medicamentos atuam de forma similar ao Viagra (relaxando a musculatura dos corpos cavernosos do pênis e permitindo o
influxo de sangue) e com igual eficácia.
2008 - A pesquisa Mosaico Brasil, realizada pelo Projeto Sexualidade da USP, é lançada. Trata-se da maior pesquisa sobre sexualidade já feita no Brasil, envolvendo 8 mil pessoas em todo o país. Os números mostraram que 45% dos homens acima dos 40 anos não estavam satisfeitos com a qualidade de sua ereção e que esse percentual aumentava conforme a idade avançava.
2012 - Cai a patente do Viagra no Brasil e diversos medicamentos genéricos são lançados no mercado, baixando o preço das pílulas e ampliando em 60%, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, o número de usuários.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Um a cada cinco homens faz uso indevido de estimulantes sexuais



Médico alerta que os medicamentos podem causar dores de cabeça e musculares, diarreia, alergias, visão dupla e, em casos mais severos, até cegueira

Do Portal Terra
size_380_Pfizer_-_Viagra.jpg
 
O desejo de melhorar o desempenho sexual leva jovens de 20 a 35 anos a utilizarem medicamentos para disfunção erétil de maneira irregular, ou seja, sem indicação de um especialista. É o que aponta o levantamento inédito realizado no ambulatório de sexualidade do Centro de Referência em Saúde do Homem, maior serviço público de urologia do Estado de São Paulo.
 
A unidade atende mais de 300 homens por mês com problemas sexuais e cerca de 20% deste total, afirma já ter feito o uso de estimulantes sexuais, pelo menos uma vez, sem prescrição médica.  Na hora da consulta, as explicações são sempre as mesmas: curiosidade, vontade de aprimorar a performance sexual e, claro, o receio de falhar na “hora H”.
 
No entanto, o médico chefe do serviço de urologia do hospital, Joaquim Claro, explica que os comprimidos não apresentam resultados para grande parte dos homens. “A medicação não é instantânea e muito menos mágica como acreditam os pacientes. Se o indivíduo já é saudável, o pênis dele não vai ficar ainda mais rígido após o consumo. Portanto, não vai haver mudança no desempenho”, afirma.
 
O médico alerta que os estimulantes sexuais podem causar dores de cabeça e musculares, diarreia, alergias, visão dupla e, em casos mais severos, até cegueira. Os pacientes cardiopatas também não podem ingerir este tipo de medicamento, considerado um vasodilatador, principalmente sem supervisão médica. Somente o especialista pode diagnosticar a necessidade de uso e, ainda, o melhor método, conforme critérios como idade, histórico familiar e condição financeira.
 
“Os efeitos colaterais são perigosos, mas há ainda o risco da dependência psicológica. O homem passa a supervalorizar a droga e liga o seu próprio desempenho sexual ao uso do remédio. Esta atitude gera um grau elevado de ansiedade e o paciente fica com medo de não ter mais relações satisfatórias se não contar com a ajuda medicamentosa”, destaca Claro.
 
A prática de atividade física é uma maneira saudável e eficaz de melhorar a atuação na hora do sexo, segundo os médicos. Os exercícios contribuem com o condicionamento físico, melhoram a circulação sanguínea e aumentam resistência trabalhando as regiões do peito, ombros, braços e pernas, além de elevar a autoestima.
 
Conheça outras atitudes importantes para manter  uma vida sexual ativa, segundo especialistas do Hospital do Homem:
 
Proteja o seu corpo: Use camisinha nas relações sexuais, evitando o contato com as doenças sexualmente transmissíveis. Não deixe de visitar o médico pelo menos uma vez ao ano para realização de check-up e dos exames preventivos.
 
Converse sobre sexo: Tenha um bom diálogo com a seu parceira, pois a confiança é importante para que o sexo satisfaça plenamente o casal.
 
Prepare o ambiente: A pressão psicológica e os problemas do dia a dia podem atrapalhar o desempenho. Por isso, é importante escolher o local e o momento ideal propício para a relação.
 
Esqueça os mitos: Segundo estudos, o tempo médio de uma relação é de 15 a 20 minutos. Saber disso é um dos primeiros passos para que o casal consiga diminuir as suas próprias expectativas.