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sábado, 15 de setembro de 2012

Qualidades medicinais do vinho.


Getty

A incidência de doenças cardíacas entre os franceses é significativamente mais baixa do que entre americanos e ingleses. Há muito tempo sabemos dessa estatística, mas foi em 1992 que o médico Serge Reinaud publicou um interessante trabalho na revista Lancet, com suas conclusões a respeito do comportamento do francês à mesa. Apesar de os gauleses comerem fígado gordo de ganso, usarem muita manteiga, adorarem uma costela de carneiro, e se deliciarem com batatas fritas, nunca apresentaram altos índices de doenças do coração em comparação aos nervosos, apressados e agitados americanos.
Ainda de acordo com a pesquisa de Reinaud, os franceses, italianos, portugueses e espanhóis (todos tradicionais bebedores de vinho tinto, assim como os franceses) apresentavam índice de mortalidade por infarto de miocárdio quatro vezes menor que os anglo-saxões, calculando-se o número de eventos cardíacos por grupo de 100.000 habitantes de cada país. O trabalho causou um certo espanto na União Européia, pois os alemães e austríacos, que sempre preferiram o vinho branco, não pareciam se beneficiar das excelentes qualidades medicinais e protetoras do vinho tinto do grupo do Mediterrâneo. A chave do segredo, portanto, estava no consumo do vinho tinto de forma regular durante as refeições.
A propriedade miraculosa do vinho
Só em 2006, no entanto, é que tomamos conhecimento de que existe no vinho tinto um produto químico, de nome complicado, chamado resveratrol (para facilitar vamos abreviar para restrol). Esta substância já era conhecida pelos botânicos e pertencem ao grupo dos flavonóides. São elas que dão ao vinho nuances de cor, sabores especiais, sensações gustativas de adstringência e aromas. Estes flavonóides têm, em geral, no ser humano, propriedades vaso-dilatadoras e antioxidantes. Esta última qualidade é importante porque todas nossas células do corpo, em suas funções específicas, consomem energia, produzem agentes químicos e hormônios, liberam calor, mas ficam com resíduos chamados “radicais livres” (o “lixo” das células). O corpo deve ser livrar, rapidamente, destes radicais livres fazendo uma oxidação neutralizadora.
Daí a vantagem de darmos uma mãozinha ao metabolismo usando oxidantes como os flavonóides do vinho, vitamina C, beta-caroteno, selênio e zinco entre outros. Mas vamos voltar ao resveratrol (ou restrol). O doutor Sinclair, da Universidade de Harvard, EUA, e seus colaboradores começaram a estudar os benéficos efeitos desta molécula. Eles verificaram que a adição de restrol a uma colônia de leveduras (S. Cerevisiae) em contínuo crescimento aumentava em 70% o tempo de vida útil destes fungos. Admirados, os pesquisadores tentaram verificar o efeito do restrol em um conhecido verme (C. elegans) e constataram que a adição diária do produto à alimentação do animal, aumentava a longevidade do C. elegans. Outros pesquisadores notaram que o restrol aumenta em 30% o tempo de vida da famosa mosca-da-fruta (Drosófila). Por aí se constata que esta maravilhosa molécula química pode aumentar o tempo de vida de seres vivos, pelo menos em estudos laboratoriais.
O efeito salutar do vinho na área cardiovascular
Há muito tempo os médicos reconhecem que a inflamação crônica de artérias, com depósito de colesterol, induz doenças graves tanto no coração (infarto do miocárdio), como na área cerebral (acidente vascular cerebral). Este entupimento de importantes artérias depende de vários fatores conhecidos: obesidade de longa duração, hábito de fumar, pressão alta, presença de diabetes não controlado e sedentarismo. A artereosclerose e suas conseqüências a longo prazo é a mais evidente e freqüente causa de óbito em países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Como reduzir o avanço das alterações físico-químicas que levam a este “engrossamento” de artérias? Existem boas provas científicas de que os flavonóides podem diminuir a formação de ateromas (placas dentro de artérias).
Em países nos quais a população toma vinho tinto regularmente existe menor mortalidade por doenças cardíacas causadas pelo entupimento de artérias. Um estudo realizado em 13.000 pessoas adultas mostrou que outras bebidas alcoólicas não possuem esta propriedade, ou seja, somente o vinho tinto, em doses moderadas (cerca de 2 copos por refeição principal) mostra efeito benéfico na redução do infarto de miocárdio e acidentes vasculares cerebrais. Outros cinco estudos populacionais, em diferentes países (Estados Unidos e União Européia) confirmam este fenômeno. Para finalizar um estudo publicado na revista Circulation revela que a dieta do Mediterrâneo (peixe, frutas, vegetais, grãos e vinho tinto), comparativamente à tradicional dieta norte-americana (hambúrgueres, batatas fritas, salgadinhos e pizza), reduz em 70% o risco de doenças coronarianas em período de observação de 4 a 5 anos.
O resveratrol não está presente em todos os vinhos
É evidente que os benefícios do vinho são diretamente relacionados à concentração do resveratrol no líquido final oferecido ao consumidor. Os enólogos descobriram que esta substância química é uma defesa da uva a agentes agressivos como fungos. Tudo indica que o resveratrol está em maior concentração em vinhos produzidos a partir de uvas Pinot Noir e Merlot. Estas uvas com casca mais fina são mais suscetíveis de serem atacadas por fungos. O resveratrol produzido, por sua vez, protege a uva do ataque fúngico. Decorre deste fato que vinhos de uva Pinot Noir e Merlot terem maior concentração deste maravilhoso elemento químico (resveratrol).
E os vinhos brancos? Geralmente não contém o restrol, mas alguns enólogos obtiveram vinho branco com cerca de 40% dos flavonóides do vinho tinto, simplesmente deixando o suco de uva recém-fermentado em contato com as cascas por um certo tempo. Já é um bom começo para quem gosta de vinho branco. Mas tinto ou branco, o consumo moderado de vinho faz bem à saúde, sem deixar de lado, é óbvio, uma alimentação saudável e o exercício físico.

Vinho tinto faz bem à saúde. Lenda ou verdade?


Você já deve ter ouvido falar que tomar vinho tinto faz bem à saúde e pode aumentar a expectativa de vida. Se você for um apreciador dessa bebida isso deve soar como um bálsamo aos seus ouvidos. O que há de verdade nisso?  Pesquisas  parecem comprovar que uma molécula  denominada resveratrol,  presente no vinho tinto, seria a responsável por essa propriedade, mas os mecanismos pelos quais ela atua são ainda assuntos de muito debate.  Em um artigo publicado na revista Nature Medicine (5 de abril de 2012), três cientistas — Leonard Guarente, Joseph Baur e Antonello Mai — discutem como pesquisas recentes estão contribuindo para revelar o modo de atuação do resveratrol e a implicação dessas descobertas para o desenvolvimento de novas drogas.
Os efeitos benéficos da restrição calórica no aumento da expectativa de vida
Já foi demonstrado, que a restrição calórica aumenta a longevidade e os efeitos negativos de doenças metabólicas relacionadas ao envelhecimento. Isso já foi observado em organismos inferiores como fungos e vermes (o famoso C. Elegans) e até em roedores e primatas.  Há várias hipóteses para explicar  porque a ingestão diminuída de alimentos tem o efeito benéfico no organismo. Um dos mecanismos propostos seria pela ativação de moléculas denominadas sirtuins(do inglês silence information regulators). As sirtuins são ativadas quando o nível de energia da célula está baixo. Ela entra então em uma “situação de economia”, os genes reduzem a produção de várias proteínas e enzimas inclusive aquelas envolvidos com a apoptose, ou morte celular.
O que o resveratrol tem a ver com isso?
Segundo as novas pesquisas, o resveratrol atuaria ativando essas sirtuins (SIRT1) , ou seja teria um papel semelhante à restrição alimentar. De acordo com Leonard Guarente (cientista do laboratório de ciência e envelhecimento em Cambridge, Massachusetts nos Estados Unidos) não sabemos se a atuação do resveratrol na SIRT1 ocorre de forma direta ou através de outros compostos. “É fascinante pensar como estamos desvendando, na era da ciência e tecnologia, os benefícios de um hábito milenar de tomar vinho. Descobrir os mecanismos que ativam a SIRT1 poderá permitir o desenvolvimento de drogas importantes para doenças relacionadas ao envelhecimento afirma esse cientista”. Para  Joseph A. Baur (professor da Universidade da Pensilvãnia , EUA) o quebra-cabeças para explicar os efeitos benéficos do vinho tinto está longe de estar completo. Segundo Antonello Mai (professor da universidade Sapeienza em Roma, Itália) após a descoberta de que o resveratrol de fato aumenta a longevidade em diferentes organismos, vários estudos estão sendo realizados para verificar seus possíveis efeitos em câncer, doenças inflamatórias, neurodegeneração, metabolismo e doenças do envelhecimento. Esses estudos poderão permitir a descoberta de novos medicamentos.
Em resumo, há um consenso de que o resveratrol, presente no vinho tinto tem realmente um efeito benéfico na saúde. É claro que ele não substitui ter hábitos alimentares saudáveis e atividade física regular. Mas vamos convir que se a ideia é aumentar a expectativa e a qualidade de vida, melhor que seja tomando vinho tinto do que passando fome, concordam?
Por Mayana Zatz

Goles de juventude.



O resveratrol, encontrado no vinho tinto, retarda
o envelhecimento, segundo uma pesquisa americana

Anna Paula Buchalla
Pedro Rubens

Nenhuma bebida atrai tanto a atenção da medicina quanto o vinho tinto. Seu consumo está associado a uma série de benefícios à saúde. A mais recente descoberta sobre a bebida estende seus efeitos ao aumento da expectativa de vida – ao menos em ratos. Isso graças ao resveratrol, substância com propriedades antioxidantes e antiinflamatórias encontrada na casca e nas sementes das uvas vermelhas. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica PLoS One, revelou que não são necessárias doses altas de resveratrol para que a substância tenha ação antienvelhecimento. "Em baixas quantidades e consumido a partir dos 40 anos, já é possível obter os benefícios antiidade", diz um dos autores do trabalho, o brasileiro Tomas Prolla. O processo pelo qual o resveratrol retarda o envelhecimento se dá pelos mesmos mecanismos da restrição calórica. Vários trabalhos (também em animais) já provaram que uma redução de 20% a 30% nas calorias consumidas diariamente aumenta em até 40% a longevidade – sem os efeitos mais perniciosos do envelhecimento. Em ambos os casos, há uma alteração num conjunto de centenas de genes envolvidos na degradação celular.
A aposta da medicina no resveratrol é alta. Na semana passada, a gigante do setor farmacêutico GlaxoSmithKline pagou 720 milhões de dólares pelo laboratório Sirtris, que desenvolve medicamentos baseados em moléculas análogas à do resveratrol. O fundador do Sirtris, o médico David Sinclair, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriu que o resveratrol também age em outra frente antiidade: estimula a produção e o funcionamento de uma família de enzimas conhecidas como sirtuínas, que agem como guardiãs das células. Em quantidades elevadas, essas enzimas tornam-se mais eficientes no reparo do DNA e, assim, prolongam a vida das células. Beber vinho faz bem, mas, quando se fala em doses moderadas, não cabem aí subjetividades. O ideal são poucos copos por semana para todo mundo. "O consumo excessivo da bebida neutraliza seus benefícios. Adquire-se peso e, na pior das hipóteses, cirrose", diz o cardiologista Daniel Magnoni.

Os benefícios atribuídos ao vinho

Antienvelhecimento
O resveratrol é uma substância encontrada na casca da uva vermelha. O estudo mais recente indica que ela atua em um conjunto de genes associados ao envelhecimento. A substância retarda o processo de envelhecimento de vários tecidos, como o cerebral, o muscular e o cardíaco, em especial

Combate às doenças cardiovasculares
O resveratrol aumenta o HDL, o bom colesterol, e diminui o LDL, o colesterol ruim. Além disso, a substância é um potente vasodilatador que, ao relaxar as artérias, melhora a circulação sanguínea

Prevenção do câncer
Estudos em animais indicam que o resveratrol, por seus poderes antioxidantes, ao combater a ação dos radicais livres, preservaria as células de lesões que podem levar ao câncer

Combate a dores articulares
Atribui-se aos polifenóis, grupo do qual o resveratrol faz parte, capacidade analgésica – sobretudo em pacientes vítimas de artrite. A analgesia, ainda que baixa como mostram os estudos, deve-se às características antiinflamatórias da substância

Prevenção da doença de Alzheimer
O resveratrol, sugerem os estudos em neurologia, evitaria o depósito no cérebro das placas de proteína tóxicas, que levam os neurônios à morte