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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Quando fazer reposição hormonal masculina




RIO - Desânimo, tristeza e perda de desejo sexual podem ser sinais de redução dos níveis de hormônio testosterona no homem. Na língua dos médicos, esse problema é chamado de deficiência androgênica do envelhecimento masculino (DAEM), que começa na quarta década de vida. Só nos Estados Unidos o Massachusetts Male Aging Study estima que ocorrem 480 mil novos casos em americanos na faixa etária de 40 anos a 70 anos. E o tema foi o escolhido pelos leitores para a coluna desta semana. O endocrinologista Maurício Bungerd Forneiro, autor de "Vida e prazer após os 50, o impacto da reposição hormonal masculina sobre a sua qualidade de vida" (editora Batel), explica quando se deve fazer o tratamento e as suas contra-indicações.
Quando se deve indicar o tratamento de reposição hormonal em homens? Existe uma idade mínima para começar?
MAURÍCIO FORNEIRO: A testosterona é o mais importante hormônio masculino, e o homem adulto produz cerca de 7mg todos os dias. A partir dos 40 anos, em média, ele começa a perder cerca de 1% de testosterona livre ao ano. A total permanece estável até por volta dos 50 anos, quando também começa a cair, a uma taxa de 0,5% a 0,8% ao ano. Indica-se o tratamento quando há sinais e sintomas associados com os níveis sanguíneos reduzidos desse hormônio. Os mais comuns são sonolência, desânimo, tristeza, melancolia, diminuição da concentração para o trabalho, déficit de memória, diminuição da libido e das ereções matinais espontâneas, dificuldade de ter ou manter a ereção, e de fazer longas caminhadas, entre outros. Assim como a mulher, após os 40 anos o homem tem maior tendência a engordar e, com a DAEM, isso piora. E simultaneamente há uma perda maior de massa muscular.
Quais são os exames necessários no diagnóstico?
FORNEIRO: Há exames laboratoriais para avaliar o eixo hipotalâmico hipofisário gonadal, com a dosagem sanguínea da testosterona total, livre, biodisponível; prolactina, hormônio folículo estimulante e luteinizante. Devemos sempre investigar a proteína que liga os hormônios sexuais, os níveis da hemoglobina, dos lipídios (as gorduras no sangue), do antígeno prostático específico (PSA), assim como realizar uma avaliação cardiológica antes do tratamento. As contra-indicações incluem a presença de câncer de próstata ou na glândula mamária do homem, pois a reposição nesses casos pode acelerar o crescimento desses tumores; embora esteja claro que não existe uma correlação entre a reposição de testosterona com o aumento da incidência desses tumores. Os pacientes que sofrem de cardiopatias e que apresentem algum grau de limitação ao exercício físico também não devem receber esse tratamento, porque existem evidências de aumento do risco cardiovascular nesse grupo específico de homens.
Quais são os hormônios usados no tratamento?
FORNEIRO: A reposição hormonal para a deficiência androgênica do envelhecimento masculino, antes chamada de andropausa, deve ser feita apenas com o hormônio testosterona. As formas de administração mais receitadas são a injeção intramuscular e aplicação do hormônio na forma de gel na pele. A injeção de undecilato de testosterona é aplicada a cada 12 semanas ou 90 dias. O início de ação não é imediato, porém é constante, com alívio da sonolência, do desânimo e recuperação da capacidade de ereção do pênis. O tratamento, em geral, deve ser mantido por toda a vida. Daí a importância de um controle rigoroso, com acompanhamento dos sintomas, do exame clínico, de exames laboratoriais, de ultrassonografia e de densitometria para avaliação de perda óssea.
O que acontece quando o homem deixa de fazer a reposição?
FORNEIRO: Em geral, ocorre reaparecimento dos sintomas, assim como a diminuição dos níveis séricos de testosterona ou alteração nos níveis da proteína que liga os hormônios sexuais. É importante ressaltar que a reposição hormonal masculina não é para quem quer fazer e sim para quem necessita e tem a indicação exata. Assim podemos obter os benefícios com uma boa margem de segurança.
Há alguma forma de retardar a reposição hormonal, sem usar medicamentos? Alimentação e hábitos de vida podem acelerar ou atrasar a necessidade de tratamento?
FORNEIRO: Um estilo de vida saudável, conquistado com uma dieta equilibrada, a prática de exercícios físicos de forma regular, uma boa qualidade do sono e não fumar, são exemplos de recomendações que podem retardar o aparecimento da deficiência de testosterona
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'Menopausa masculina' não é mito, mas é rara, dizem cientistas


Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha, afirmou ter comprovado a existência da andropausa, a "menopausa" masculina, mas revelou que ela é rara.
Os pesquisadores analisaram mais de 3.369 homens entre 40 e 79 anos de oito cidades europeias para verificar se eles enfrentam o problema, também chamado hipogonadismo masculino tardio, que se reflete em um declínio na produção do hormônio masculino testosterona.
Eles afirmam que apenas 2% dos analisados mostraram de fato enfrentar a condição, frequentemente diagnosticada erroneamente, já que sintomas associados à andropausa também estão ligados a outros problemas de saúde e à obesidade.
"Nossas descobertas identificaram os sintomas-chave do hipogonadismo masculino tardio e sugerem que o tratamento com testosterona (geralmente recomendado para a enfrentar a andropausa) pode ser útil apenas em um número relativamente pequeno de casos", afirmou o professor Fred Wu, da Escola de Biomedicina da Universidade de Manchester, que liderou o estudo.
A pesquisa foi divulgada na publicação científica New England Journal of Medicine.
Sintomas e diagnóstico excessivo
Os pesquisadores fizeram perguntas aos homens analisados a respeito de sua saúde física, mental e sexual.
As perguntas buscaram determinar a existência de três sintomas sexuais - pouca ereção durante a manhã, baixos níveis de desejo sexual e disfunção erétil - que estão ligados ao baixos níveis do hormônio testosterona da andropausa, juntamente com o surgimento de depressão e cansaço.
No entanto, alguns outros sintomas citados frequentemente pelos analisados, como mudanças nos padrões de sono, baixa concentração e sentimento de inutilidade e ansiedade não estão ligados aos baixos níveis de testosterona.
Além disso, mesmo os três sintomas sexuais ligados à andropausa são relativamente comuns também em homens com níveis normais de testosterona, explicou Fred Wu.
"Portanto é importante especificar a presença de todos os três sintomas sexuais, dos nove sintomas relacionados à (baixa de) testosterona que identificamos, juntamente com o baixo nível de testosterona, para aumentar a probabilidade de diagnosticar corretamente o hipogonadismo masculino tardio."
"A aplicação destes novos critérios deve evitar o diagnóstico excessivo de hipogonadismo e diminuir o uso imprudente de terapia de testosterona em homens mais velhos", acrescentou.
Câncer
No começo deste mês, um editorial na publicação especializada Drug and Therapeutics Bulletin afirmou que muitos homens que relatam sintomas de andropausa citados tem níveis normais de hormônios.
O editorial alertou que fornecer testosterona sintética a estes homens pode aumentar o risco de câncer de próstata.
O presidente do Fórum Britânico de Saúde Masculina, o médico Ian Banks, também afirma que é preciso ter cautela em relação ao uso da terapia de testosterona.
"Precisamos ser muito cautelosos sobre a prescrição de terapia de testosterona, e os médicos precisam equilibrar os benefícios e os riscos. Esta pesquisa reconhece que esta é uma questão complexa e que é preciso ter cautela", afirmou.