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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Gases são causados por fermentação de bactérias do intestino na digestão


Bem Estar desta quinta (16) recebeu o clínico Carlos Eduardo Pompilio.

Pediatra Ana Escobar falou por que o problema é comum em crianças.

Uma palavra que muitos acham engraçada, mas todo mundo faz: pum. Apesar de ser algo natural, decorrente da digestão, soltar gases causa embaraço e até negação. A maioria das pessoas jura até a morte que não tem esse problema, principalmente porque junto com ele costuma vir um cheiro ruim, causado pelo enxofre envolvido na fermentação de bactérias no intestino.
No Bem Estar desta quinta-feira (16), a pediatra Ana Escobar e o clínico geral Carlos Eduardo Pompilio, do Hospital das Clínicas, explicaram o que são gases, como eles se formam e de que maneira é possível aliviar esse incômodo. A consultora também comentou por que o problema é tão comum em mulheres grávidas e crianças. Ela mostrou como aliviar os gases em bebês: coloque-os de bruços, com a cabeça mais baixa, e dê uns tapinhas nas costas.
Gases valendo (Foto: arte/G1)
Recém-nascidos (90%), homens e idosos sofrem mais com gases. Durante a menstruação da mulher, o problema também pode aumentar. Segundo a dra. Ana, os puns mais barulhentos contêm mais metano, que é um gás inodoro. Já os silenciosos têm uma maior concentração de enxofre, por isso o mau cheiro.
Além de não segurar a vontade, é fundamental ir ao banheiro regularmente e evitar alimentos que piorem a situação. Outro remédio natural e grátis é ficar de joelhos no chão, encostar a cabeça neles e levantar o bumbum. A força da gravidade faz com que os gases subam, saiam e a dor passe.
Algumas pessoas têm mais problema porque são ansiosas, costumam ficar com o nariz entupido e falam muito ou rápido demais. Esse é um processo chamado de "aerofagia", em que o indivíduo engole o ar. De algum jeito, é preciso soltá-lo, seja por cima (arrotando) ou por baixo (soltado pum). Às vezes, as pessoas têm tantos gases que é possível vê-los em um exame de raio X.
Comer muito rápido favorece a formação de puns. Já caminhar depois das refeições pode ajudar a soltá-los. Mulheres que amamentam devem controlar a alimentação (evitando repolho, couve, chocolate e refrigerante, além de deixar o feijão de molho antes de cozinhá-lo) para não provocar cólicas nos bebês.
Em voos de avião, a situação costuma se intensificar, por causa da maior altitude e da menor pressão atmosférica. As aeronaves têm até um filtro de ar especial para conter o mau cheiro e doenças infecto-contagiosas no ambiente. Outra parte do que é liberado vai para o meio externo, através de uma válvula próximo à turbina.
Sob pressão, as cavidades internas do corpo, o estômago e o intestino ficam menores e mais apertados. Os vasos sanguíneos se tornam mais estreitos e o corpo incha. Por isso, em viagens de avião as pessoas costumam comer menos, já que cabe menos alimentos. E quem toma refrigerante ou água com gás a bordo pode se sentir ainda pior. Segundo a dra. Ana, nessa pressurização, a digestão, o fluxo sanguíneo e até as defesas do corpo também diminuem.
Comer fibras (uma espécie de açúcar) contribui para a digestão, e as frutas são ótimas fontes. A maçã, por exemplo, carrega na casca as chamadas fibras insolúveis (linhas paralelas formadas ao redor dela), que não são quebradas pelo organismo, absorvem água e gordura e ajudam o intestino a funcionar.
As fibras solúveis regulam as bactérias da flora intestinal, diminuem a velocidade de esvaziamento do estômago (aumentando a saciedade) e previnem doenças intestinais. Já as insolúveis facilitam o trabalho do intestino e aumentam o volume de fezes.
Abaixo, você confere uma tabela com alimentos ricos em fibras:
AlimentoPorçãoFibras totais (em gramas)
Espaguete integral cozido1 xícara6,2
Pera com casca1 unidade média5,5
Feijão preto, cozido e sem caldo3 colheres de sopa4,7
Maçã sem casca1 unidade média4,4
Morango1 xícara e 1/43,8
Arroz integral cozido1 xícara3,5
Banana1 unidade média3,1
Laranja1 unidade média3,1
Grão de bico, cozido e sem caldo3 colheres de sopa2,9
Feijão carioca, cozido e sem caldo3 colheres de sopa2,8
Almeirão, refogado2 colheres de sopa2,6
Pão de forma integral2 fatias2,6
Aveia em flocos2 colheres de sopa2,3
Pão francês1 unidade1,5
Brócolis cozido4 colheres de sopa1,5
Tomate cru1 unidade1,4
Arroz cozido4 colheres de sopa1,2

Praticar atividade física melhora a digestão e pode diminuir os gases


Sedentarismo eleva risco de gases e basta uma caminhada para resolver.

Mulheres, idosos e bebês também costumam sofrer mais com o problema.

A prática regular de atividade física é importante para perder peso e evitar problemas de saúde, mas ajuda também no funcionamento do intestino e no controle dos gases. Como explicou o cirurgião Fábio Atui, os exercícios físicos melhoram a digestão e a movimentação do aparelho digestivo, o que traz diversos benefícios à saúde.
Mesmo quem não costuma se exercitar normalmente consegue perceber o poder da atividade física no combate ao problema já que basta uma caminhada para melhorar os gases causados pelo sedentarismo. Porém, existem diversos outros fatores que podem desencadear esse incômodo, principalmente nas mulheres, nos bebês e nos idosos.
Gases valendo (Foto: arte/G1)
No caso das mulheres, há uma relação entre os gases e a menstruação. Isso porque no período menstrual o corpo incha, causando a sensação de distensão abdominal, o que aumenta a propensão para a formação dos gases.
Nos bebês, essa distensão também acontece porque o aparelho digestivo dos pequenos ainda não está totalmente formado e a contração do intestino ainda não é eficiente.
Para os idosos, a dificuldade é maior na absorção dos nutrientes dos alimentos. Eles costumam comer menos, o que faz com que o estômago inche mais rápido, a comida fermente mais e os gases sejam mais produzidos. Isso pode aumentar também o desconforto abdominal, bastante comum na idade mais avançada.
A alimentação também pode influenciar no surgimento do problema, seja pela ingestão direta dos gases ou pela produção deles pelo organismo.
Por exemplo, tomar refrigerante, água com gás ou bebida alcoólica, mascar chiclete, fumar e roncar são hábitos que fazem a pessoa “engolir” gases, seja diretamente pela boca ou pela ingestão dos alimentos. Nesse caso, os gases ficam no alto da barriga, no estômago.
Por outro lado, existem os alimentos que favorecem a produção dos gases dentro do corpo, resultado do processo de fermentação. Por exemplo, leguminosas, como feijão, ervilha e milho, folhas de talo largo, como salpicão, repolho e aipo e derivados de leite fermentam no organismo, aumentando o risco de gases.
Nesse outro caso, como são produzidos no intestino, costumam se concentrar na parte de baixo da barriga. Segundo a nutricionista Ana Cláudia Lorenção, se a pessoa quiser muito consumir esses alimentos, a dica é fervê-los antes para diminuir o risco de gases.
A sensação em ambos os casos é a mesma: como se o corpo estivesse tomado por bolhas de gás. Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Fábio Atui, isso realmente acontece e essas bolhas provocam distensão do abdômen e podem causar uma dor insuportável. O remédio que ajuda a aliviar os sintomas é a dimeticona, que “quebra” as bolhas em tamanhos menores.
Em situações de crise, segurar os gases pode até ser necessário e, segundo o cirurgião Fábio Atui, isso não traz nenhum mal.
Por outro lado, não é bom segurar a vontade de ir ao banheiro para não interferir no processo de digestão. É importante também observar as fezes para ver se não há nenhum sinal de sangue – caso haja, a pessoa deve procurar imediatamente um médico que pode orientá-la a fazer exames e, em casos mais graves, até detectar precocemente o câncer de intestino.
iNTESTINO  (Foto: Arte/G1)

domingo, 25 de novembro de 2012

Se você sofre com gases, entenda o problema e veja dicas para se livrar deste incômodo




  • Acredita-se que produzimos cerca de três litros de gases ao dia e que de 15 a 20 eliminações de flatos são realizadas por todos, diariamente; porém, em alguns indivíduos esta quantidade é ainda maior
    Acredita-se que produzimos cerca de três litros de gases ao dia e que de 15 a 20 eliminações de flatos são realizadas por todos, diariamente; porém, em alguns indivíduos esta quantidade é ainda maior
O tema é delicado – pois provoca vergonha e acomete muitas pessoas em diferentes ocasiões. Estamos falando dos gases intestinais, originários do ar que engolimos (aerofagia) ou da fermentação de restos alimentares, no intestino, pelas bactérias que normalmente o habitam.

“O problema aparece, na maioria das vezes, por causa dos carboidratos não digeridos, que acabam fermentados pelas bactérias”, explica o médico gastroenterologista José Antonio Flores da Cunha, da Clínica São Vicente (Gastro Gávea), no Rio de Janeiro.
Ele ressalta que a presença de gases no intestino, assim como sua eliminação por meio de ‘flatos’, é considerada normal – embora fonte de tanto desconforto e embaraço. “Algumas pessoas apresentam uma quantidade maior do problema, que pode causar dor e distensão no abdômen, além de situações de constrangimento. Em geral, são as que priorizam uma alimentação rica em itens sujeitos a maior fermentação”, salienta o gastroenterologista. Na verdade, todos nós produzimos gases quando engolimos ar ou durante a digestão.

“Acredita-se que cerca de 3 litros são produzidos ao dia e que de 15 a 20 eliminações de flatos são realizadas por todos, diariamente. Porém, em alguns indivíduos esta quantidade é ainda maior, o que pode ter a ver com a dieta, como já foi dito, ou predisposição genética ou adquirida, como no caso de intolerância à lactose do leite e ao glúten.” Quando isso acontece, ao ingerir leite e derivados e itens com glúten, a digestão não se dá de forma satisfatória, causando gases e até diarreia.

Algumas medicações, como antibióticos que alteram a flora intestinal ou remédios para diabetes, ou mesmo o estresse favorecem o surgimento do problema, conforme diz Liliane Oppermann, médica nutróloga e ortomolecular, professora da pós-graduação de Medicina Ortomolecular na Fundação de Apoio à Pesquisa e Estudo na Área da Saúde (Fapes).

“Muitos alimentos não são processados adequadamente pela mastigação ineficiente, forma e velocidade com que se come, falta de enzimas digestivas, alterações no pH local e estado emocional, levando a uma fermentação exacerbada.” E tem mais: a falta de atividade física influencia negativamente. “O sedentarismo prejudica o trânsito intestinal, assim como o hábito de ficar muito tempo sentado”, observa o gastroenterologista Rogério Toledo Júnior.

ALIMENTOS QUE DEVEM SER EVITADOS

Veja a lista feita pela nutricionista da Abeso, Fernanda Pisciolaro:
Leite e creme de leite
Café, chá preto, chá verde e chá mate
Pães com miolo, pães muito fermentados (como panetone, caseiros e croissants), bolachas e biscoitos doces recheados, biscoitos amanteigados
Verduras e legumes fermentativos: acelga, alho cru, batata-doce, beterraba, brócolis, cebola, couve-flor, couve-manteiga, pepino, pimentão, rabanete e repolho
Frutas fermentativas: ameixa, banana nanica ou ouro, caju, caqui, goiaba com semente, jabuticaba, jaca, melancia, melão, morango e uva
Tortas e massas com muito fermento ou gordurosas
Feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, milho e soja
Carnes gordas: acém, carneiro, costela, músculo, porco e vitela
Frios e embutidos: bacon, linguiça, mortadela, presunto, salame e salsicha
Bebidas alcoólicas e gasosas, como água com gás, cerveja e refrigerantes
Açúcar, doces e bolos
Chicletes
Chocolates e achocolatados
Condimentos: catchup, molho shoyo, molho inglês, mostarda, picles, pimenta-do-reino e pimenta-vermelha
Sopas industrializadas, temperos prontos em pó, caldo de carne industrializado
Frituras, itens à milanesa, banha e gorduras em geral
Alimento determina odor

A pergunta que não quer calar: e o que dizer do cheirinho nada agradável desses indesejados gases? A diferença no "aroma", que pode variar de alguns praticamente inodoros a outros super malcheirosos, se deve basicamente ao tipo de alimento ingerido. “Os mais fortes são oriundos da ingestão de itens que contêm enxofre, como algumas comidas em conserva, ovos e rabanete. Mas, é bom destacar, cada caso é um caso, e há variação de resultados de acordo com o indivíduo”, diz Flores da Cunha. “Vegetais como repolho, nabo e couves também costumam liberar enxofre, assim como os grãos apresentam muitos compostos sulfurosos”, completa Oppermann.

Importante: quando a ocorrência exagerada causa sintomas persistentes – como dor abdominal – ou coloca o sujeito em situação embaraçosa frequentemente, é bom consultar um especialista: clínico geral, gastroenterologista, nutrólogo ou nutricionista. Conforme informa José Antonio Flores da Cunha, existem medicações para diminuir a distensão provocada pelos gases, meios de mudar a flora intestinal – com pré e probióticos, por exemplo – e, principalmente, tratamento por meio da reeducação alimentar.
Ele faz uma lista dos itens que mais levam a culpa: leguminosas, como feijão, lentilha e ervilha, porque são ricas em carboidratos; itens que contêm sorbitol, como adoçantes e enlatados, e frutose; bebidas gasosas, alcoólicas ou não; e, claro, leite e derivados em quem tem intolerância à lactose. “Deve-se, evitar, sempre, um cardápio rico em carboidratos. E ficar atento a hábitos que pioram o quadro, como comer rapidamente e mastigar pouco; ingerir poucas fibras, porque pode levar à prisão de ventre; e falar muito durante as refeições, engolindo ar.” Liliane Oppermann ainda acrescenta as frituras e itens com açúcar ou que levam muito fermento na fórmula.

ALIMENTOS QUE PRODUZEM MENOS GASES

Leite de soja, suco de soja e iogurte
Café descafeinado
Torradas, biscoitos salgados com pouca gordura, biscoito de polvilho
Pães: integral, sírio, sueco e francês sem miolo
Queijos magros (minas, ricota, cottage, mussarela)
Sopas caseiras à base de carnes e legumes
Carnes magras, cozidas, assadas ou grelhadas
Verduras cozidas (agrião, almeirão, chicória, escarola, espinafre)
Legumes cozidos (abóbora, abobrinha, batata, berinjela, cará, cenoura, chuchu, cogumelo, inhame, mandioquinha e tomate sem pele e sem semente)
Frutas cruas ou cozidas (banana-maçã, laranja-lima, maçã, mamão, pera, pêssego, nectarina)
Gelatina
Temperos como azeite, limão, salsa, sal, vinagre e óleo vegetal
Intestino lento é problema
Até o metabolismo pode ter a ver com o distúrbio. “Indivíduos com ritmo intestinal vagaroso e constipação tendem a permanecer mais tempo com restos alimentares no interior do órgão. Consequentemente, há maior exposição às bactérias e fermentação”, diz o gastroenterologista. Indagado se existem alimentos que combatem os gases, Flores da Cunha diz que o ideal é manter uma dieta balanceada, sem exagero de carboidratos e leguminosas, e com muitos itens ricos em fibras. “Os iogurtes, por causa dos probióticos, chás como os de erva-doce e cidreira, e itens enzimáticos, como mamão papaia e abacaxi, podem ajudar”, completa Liliane Oppermann.

Fernanda Pisciolaro, membro do departamento de psiquiatria e transtornos alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), cita os alimentos que estão associados à menor produção gasosa – e, portanto, podem entrar no menu de quem quer manter os gases sob controle: leite de soja, suco de soja e iogurte; café descafeinado; torradas, biscoitos salgados com pouca gordura, biscoito de polvilho; pães integral, sírio, sueco e francês sem miolo; queijos magros (minas, ricota, cottage, mussarela); sopas caseiras à base de carnes e legumes; carnes magras, cozidas, assadas ou grelhadas; verduras cozidas (agrião, almeirão, chicória, escarola, espinafre); legumes cozidos (abóbora, abobrinha, batata, berinjela, cará, cenoura, chuchu, cogumelo, inhame, mandioquinha e tomate sem pele e sem semente); frutas cruas ou cozidas (banana-maçã, laranja-lima, maçã, mamão, pêra, pêssego, nectarina); gelatina; e temperos como azeite, limão, salsa, sal, vinagre e óleo vegetal.