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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Laboratório lança insulina inalável para diabéticos nos Estados Unidos

Laboratório lança insulina inalável para diabéticos nos Estados Unidos

Medicamento deve ser administrado com a ajuda de um pequeno inalador.
Inalação promete agir mais rápido e ser mais conveniente que injeções.

Inalador portátil para uso do Afrezza, insulina inalável que teve sua comercialização nos EUA autorizada pela FDA  (Foto: Divulgação/MannKind Corporation)Inalador portátil para uso do Afrezza, insulina inalável que teve sua comercialização nos EUA autorizada pela FDA (Foto: Divulgação/MannKind Corporation)
A partir de agora, diabéticos que vivem nos Estados Unidos e cujo tratamento inclui o uso de insulina terão uma alternativa ao produto injetável. O laboratório Sanofi lançou uma insulina em pó inalável. O produto já tinha sido aprovado pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) em junho de 2014.
A inalação promete agir mais rapidamente e ser muito mais conveniente do que as injeções.No entanto um produto inalável já falhou no passado e há preocupações sobre os potenciais riscos associados com o ato de respirar a insulina em pó.
Chamado Afrezza, o medicamento deve ser inalado com a ajuda de um pequeno inalador de fácil uso. O produto dissolve-se rapidamente quando atinge o pulmão e fornece insulina para a corrente sanguínea, cumprindo o papel de regular a quantidade de açúcar no sangue.
O Afrezza não deverá ser usado em pacientes com asma ou por aqueles que sofrem de certas complicações. Também não é recomendado para fumantes ou ex-fumantes.
Uma outra insulina inalável produzida pela concorrente Pfizer chamada Exubera foi aprovada em 2006, mas deixou de ser vendida logo depois. O inalador era grande e desajeitado e os pacientes acabaram desistindo de usá-lo, desencorajados pelos testes de função pulmonar periódicos a que tinham de submeter.

sábado, 17 de agosto de 2013

Britânico reverte diabetes com dieta de apenas 11 dias

Caso reforça recente teoria, mas ainda traz dúvidas sobre eficácia em pacientes que têm a condição há bastante tempo.

Robert Doughty: "foi muito difícil, mas consegui" (Foto: Arquivo pessoal/BBC)Robert Doughty: "foi muito difícil, mas consegui"
(Foto: Arquivo pessoal/BBC)
Na Grã-Bretanha, mais um caso de sucesso na reversão do diabetes tipo 2 voltou a chamar a atenção para a teoria de que por meio de uma dieta de restrição calórica, feita por um período determinado de tempo, é possível se livrar da condição que afeta cada vez mais pessoas em todo o mundo.
O jornalista britânico Robert Doughty, de 59 anos, que até o ano passado estava entre os 371 milhões de portadores do diabetes no mundo, reverteu o quadro da própria condição com uma dieta de apenas 800 calorias por dia.
Num período de apenas 11 dias, Doughty enfrentou o duro regime de ingerir três doses diárias de shakes de reposição alimentícia com 200 calorias cada, somada a uma uma porção de legumes e vegetais de mais 200 calorias. Como parte da dieta, ele também teve que tomar um total de três litros de água por dia.
O drástico regime, que para efeito de comparação tem menos calorias do que apenas um dos lanches vendidos pela rede de fast food Mc'Donalds - o Big Tasty tem 843 calorias - não foi 'nada fácil de enfrentar', contou o jornalista em entrevista à BBC Brasil.
'Frequentemente me sentia muito cansado... Uma noite, depois de ir ao teatro, quase não consegui subir as escadas da minha estação local de trem, e caminhar para casa parecia praticamente impossível. Também sentia muito frio, chegando a colocar quatro camadas de roupa no meio do verão, quando sentia meus dedos ficarem dormentes', disse o jornalista.
Doughty seguiu a dieta depois de procurar na internet estudos referentes ao diabetes tipo 2. Antes de começar o regime, ele procurou o pesquisador Roy Taylor, da Universidade de Newcastle, autor da teoria da dieta de 800 calorias, além do próprio médico, de quem obteve o aval para cortar as calorias diárias.
Ele já havia tentando uma dieta considerada menos radical, com cerca de 1.500 calorias por dia, com a qual emagreceu, mas não reduziu a glicose no sangue para o nível adequado.
A teoria
O diabetes tipo 2 se desenvolve quando o pâncreas para de produzir insulina em quantidades suficientes para manter o nível normal de glicose no sangue. No caso do diabetes tipo 1 - também chamado de diabetes congênito -, o pâncreas para totalmente de produzir insulina, que precisa ser injetada no paciente.
Nos dois casos, sem o controle adequado, o nível de glicose no sangue alcança um patamar de risco, o que pode gerar a longo prazo diversas complicações nos rins, pressão arterial alta, perda parcial ou total da visão, problemas no coração, dentre outros males.
No caso da diabetes tipo 2, a condição está fortemente associada à obesidade, uma condição que se alastra em todo o mundo.
Roy Taylor: o "criador" da dieta 800 calorias (Foto: Arquivo pessoal/BBC)Roy Taylor: o "criador" da dieta 800 calorias (Foto:
Arquivo pessoal/BBC)
Foi justamente a associação com a gordura que intrigou professor Roy Taylor, da Universidade de Newcastle, no norte da Inglaterra, quando iniciou seus estudos sobre o diabetes tipo 2 há dois anos.
Ele notou que pacientes que se submetiam à cirurgia para redução de estômago passavam por um período de transição, logo após a cirurgia, de redução drástica da quantidade de calorias ingeridas.
'Até se acostumarem com a redução do próprio estômago, os pacientes comiam muito pouco, porque se sentiam saciados muito rápido e tinham náuseas. Com isso eles perdiam muito peso, num espaço de tempo bem curto', afirmou Taylor em entrevista à BBC Brasil.
Passados alguns meses depois do emagrecimento, o pesquisador notou que a maioria dos pacientes que tinham diabetes tipo 2 tinham se livrado da condição.
Todos eles tinham algo em comum: haviam perdido uma grande quantidade de gordura na região abdominal.
Estudos preliminares mostraram, então, que esse tipo de gordura, localizada na barriga, próxima de órgãos como o pâncreas e o fígado, tinha uma associação com o desenvolvimento do diabetes tipo 2.
'Descobrimos que a gordura na região abdominal provoca uma reação metabólica que dificulta a digestão da glicose pelo pâncreas. A simples presença da gordura nessa região causa uma mudança no metabolismo, que dificulta a produção de insulina', explicou Taylor.
Ao fazer a relação entre calorias ingeridas, tempo gasto para perder peso e a quantidade de gordura perdida, principalmente na região abdominal, Taylor chegou à teoria da dieta de hiper redução calórica.
'Cada pessoa é diferente, mas notamos que a redução calórica para algo em torno de 800 calorias por dia causava a reversão do diabetes. Alguns pacientes demoram mais que outros, mas todos conseguem reverter a condição dentro de oito semanas', afirmou o pesquisador.
O estudo de Taylor foi divulgado em 2011, na publicação científica Diabetologia.
Riscos
A dieta das 800 calorias é considerada segura, mas precisa ser feita com acompanhamento médico, pois há vários riscos e fatores que devem ser levados em consideração.
De acordo Taylor, o primeiro passo é saber se o indivíduo está bem nutrido e não possui falta de vitaminas no organismo, principalmente o ferro.
O obesidade é citada por especialistas como a principal "vilã" no desenvolvimento do diabetes tipo 2. Alguns cientistas, como o professor Roy Taylor, já defendem que o aspecto genético já não é mais relevante. Segundo ele, "qualquer um pode desenvolver a  (Foto: BBC)O obesidade é citada por especialistas como a
principal "vilã" no desenvolvimento do
diabetes tipo 2. Alguns cientistas, como o professor
Roy Taylor, já defendem que o aspecto genético já
não é mais relevante. Segundo ele, "qualquer um
pode desenvolver a condição se não adotar habitos
mais saudáveis" (Foto: BBC)
Ele ressalta que a dieta de hiper restrição calória poderia ser um meio seguro de reduzir o índice de diabetes 'até mesmo em países pobres, desde que todas as precauções sejam tomadas'.
'Seria importante, porém, se tomar extrema precaução com pessoas que são mal nutridas, que devem ter os níveis de vitaminas e especialmente o ferro verificados antes de se iniciar a dieta. Ainda assim, seria muito barato prover suplementos vitamínicos para estas pessoas e continuar a recomendar a dieta para reverter o diabetes'.
Curto prazo X longo prazo
O Brasil ocupa a quarta colocação no ranking dos países com maior índice de diabetes no mundo, com 13,4 milhões de portadores no país, o que equivale a 6,5% da população, de acordo com o último levantamento da Federação Internacional do Diabetes (FID).
Em primeiro lugar está a China (92,3 milhões), seguida da Índia (63 milhões) e Estados Unidos (24,1 milhões).
'Notamos que há uma relação direta entre aumento poder de compra e o crescimento de casos de diabetes no mundo. Em Países como o Brasil, China e Índia, onde a população está podendo consumir mais, o aumento do diabetes é tipo 2 é assustador', ressaltou o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Balduino Tschiedel, em entrevista à BBC Brasil.
Para Tschiedel, 'a pesquisa britânica de hiper redução calórica na reversão da diabetes tipo 2 tem uma validade científica muito grande, porque vem a confirmar a importância da alimentação como fator fundamental no combate a doença'.
No entanto, ele ressalta que manter-se livre da obesidade e consequentemente do diabetes tipo 2 por um longo período de tempo é o maior desafio.
'O maior problema está em manter uma dieta adequada por um longo período de tempo. Esse é o nosso maior desafio, porque envolve uma mudança comportamental muito difícil de ser alcançada num mundo em que a oferta de alimentos hiper calóricos é muito grande', explica Tschiedel.
Ele ainda ressalta que o esforço para combater a obesidade e o diabetes envolve uma ação conjunta de várias entidades.
'Nós, da Sociedade Brasileira de Diabetes, acreditamos que uma mudança nos hábitos da população só seja possível com um conjunto de medidas que envolvam o governo, sociedade civil e a mídia num esforço conjunto para conscientizar e educar as pessoas sobre a importância de se manter uma alimentação mais saudável e atividades físicas regulares', alerta.
No longo prazo, a eficácia da teoria do professor Roy Taylor ainda está sendo testada.
'Notamos em nossos estudos, que as pessoas que contraíram o diabetes tipo 2 há menos de quatro anos são as que melhor respondem ao tratamento da dieta de 800 calorias. Com mais de quatro anos, notamos que se torna mais difícil a reversão da diabetes tipo 2. Então, ainda é muito cedo para dizer que o mesmo método vá funcionar em pessoas que têm diabetes há muito tempo. Estamos tentando entender qual seria o melhor método para essas pessoas', disse Taylor.
Os dados da Federação Internacional do Diabetes (acima) revelam que países que aumentaram o poder de compra são os que mais têm casos de diabetes. Mas para o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Balduino Tschiedel, "o consumo, principalmente no Brasil, que segue os padrões americanos, com grandes quantidades de açúcar adicionados a quase todos os alimentos, está entre as principais causas do aumento da dieta calórica". (Foto: BBC)Os dados da Federação Internacional do Diabetes
revelam que países que aumentaram o poder de
compra são os que mais têm casos de diabetes.
Mas para o presidente da Sociedade Brasileira de
Diabetes, Balduino Tschiedel, "o consumo,
principalmente no Brasil, que segue os padrões
americanos, com grandes quantidades de açúcar
adicionados a quase todos os alimentos, está
entre as principais causas do aumento da dieta
calórica". (Foto: BBC)
Genética x hábitos
De acordo com estudos feitos na Universidade de Newcastle, a genética parece não ser mais um fator fundamental no desenvolvimento do diabetes tipo 2.
'Mesmo pessoas com tendência genética ao diabetes tipo 2 podem evitar o desenvolvimento da condição se mantiverem uma dieta mais restrita de açúcares e uma rotina de exercícios regulares. O mais importante é não chegar ao ponto de acumular gordura na região abdominal', explicou o professor Taylor.
'Pessoas com histórico na família estão mais suscetíveis a desenvolver o diabetes tipo 2, porque isto é uma tendência genética. Mas o fato é que, qualquer pessoa pode desenvolver a doença pelo simples fato de acumular gordura, principalmente na região do abdômen. Então, hoje em dia, podemos dizer que as pessoas desenvolvem o diabetes tipo dois mais por hábitos alimentares inadequados e falta de exercício físico - com um estilo de vida sedentário - do que pela questão genética'.
O jornalista Robert Doughty disse que, apesar da dieta ter sido difícil de ser seguida, ele não desistiu porque acreditou nos benefícios.
'Durante a dieta, fiquei relembrando a mim mesmo os benefícios do regime pare reduzir a glicose no sangue. O fato dos portadores do diabetes tipo 2 terem 36% mais risco de morrer mais cedo e grandes chances de ter ataques cardíacos, aneurisma, danos na visão e problemas de circulação que podem provocar até esmo amputação de membros, e 50% mais chance de tomarem medicação para o resto da vida, foi meu grande incentivo'.
Ele disse que sua maior alegria foi quando seu médico ligou e disse: 'O seu diabetes se reverteu completamente, parabéns!

domingo, 23 de junho de 2013

Excesso de carne vermelha pode aumentar risco de diabetes tipo 2

Excesso de carne vermelha pode aumentar risco de diabetes tipo 2

  • Estudo analisou 149 mil pessoas por até 16 anos e notaram aumento de 48% no risco de desenvolver doença
Carne vermelha. O consumo pode aumentar o risco de diabetes tipo 2, doença que afeta 250 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS. No país, são 12 milhões Foto: Nathan Myhrvold / AP
Carne vermelha. O consumo pode aumentar o risco de diabetes tipo 2, doença que afeta 250 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS. No país, são 12 milhões Nathan Myhrvold / AP
Cientistas afirmam que a carne vermelha foi fundamental para a evolução humana, porque se não fosse ela, talvez nossos antepassados não teriam ingerido a quantidade suficiente de nutrientes e não teriam desenvolvido o cérebro no nível de hoje. Mas se por um lado é fonte importante de proteína, ferro e vitaminas, ela também desperta debates científicos, uma parte deles condenando o seu consumo exagerado. Um novo estudo publicado ontem na “Journal of the American Medical Association” revela que o excesso de carne vermelha está associada ao maior risco de contrair diabetes tipo 2.
Estudos anteriores já vinham fazendo esta relação, mas esta é uma das maiores análises já publicadas. Cerca de 149 mil homens e mulheres foram acompanhados por meio de três diferentes pesquisas num período de até 16 anos. A cada quatro anos, os pesquisadores analisavam as dietas através de questionários. Os voluntários afirmaram ter o hábito de consumir de meia a duas porções diárias. Eles foram separados em três grupos: que aumentou, diminuiu ou manteve a mesma ingestão.
Risco reduzido em 14% com menor ingestão
Os que aumentaram tiveram um acréscimo de 48% no risco de desenvolver a doença já num período de quatro anos, enquanto que a redução diminuiu o risco em 14%, porém apenas no período de 16 anos. Isso porque, numa primeira análise, a diminuição do consumo não provocou nenhuma diferença de incidência. Mas quando contextualizados num período maior, além de considerados fatores como o consumo inicial e histórico de doenças, a incidência se sobressaiu. No final do estudo, foram registrados 7.540 casos de diabetes tipo 2, sendo dois a cada 300 dos que aumentaram o consumo, e um a cada 300, dos que diminuíram.
— Se você está fazendo algo de errado, você verá um impacto imediato. Mas para o bom hábito de estilo de vida surtir efeito, é preciso esperar mais tempo e acumular outras mudanças — comentou o autor do estudo, An Pan, professor da Universidade Nacional de Singapura.
Na pesquisa, há uma ressalva de que o consumo de carne não é a causa da diabetes tipo 2, mas o autor alerta para a relação entre o aumento da ingestão e do risco.
— Nossos resultados confirmam a solidez da associação entre carne vermelha e diabetes, e adiciona mais uma prova de que limitar o consumo ao longo do tempo traz benefícios para a prevenção da doença — conclui Pan.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 250 milhões de pessoas no mundo têm diabetes. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes, com base em dados do Censo, estima haver 12 milhões de indivíduos com doença, sendo que metade não sabe. Isso porque os sintomas nem sempre são aparentes. A diabetes tipo 2 corresponde a 90% dos casos, segundo a associação. Ela é crônica, ocorre geralmente em pessoas obesas com mais de 40 anos de idade, embora com a mudanças dos hábitos alimentares, com o aumento do consumo de produtos industrializados e calóricos, além do sedentarismo e estresse, ela tem atingido cada vez mais a faixas etárias jovens.
Não são poucos os estudos que relacionam o excesso de carne vermelha com complicações no organismo. Em geral, eles apontam para a alta concentração de gordura saturada no alimento, o que pode levar, principalmente, a problemas cardíacos. Mas também há pesquisas apontando para o aumento do risco de morte prematura por câncer e doenças cardiovasculares por motivos que vão além da gordura; um da “Nature Medicine”, por exemplo, aponta os malefícios da carnitina, substância presente na carne vermelha.
Apesar disto, o endocrinologista Amélio Godoy-Matos, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), pondera sobre esses resultados. O especialista lembra que a gordura saturada aumenta a resistência à ação da insulina, o que representa um risco de ocorrência de diabetes, mas ele alerta que este fator não pode ser visto isoladamente.
— Eles avaliam o consumo de carne isolado, sem acompanhar o que elas comem ou deixam de comer: o tipo de carne, se come com arroz e feijão ou com macarrão, se ingere muito doce, se é sedentário, se ingere outros alimentos muito calóricos etc — exemplifica Godoy-Matos. — O que de fato está associado ao risco de diabetes é o ganho de peso e carboidratos.
Segundo Godoy-Matos, a carne vermelha é uma das principais fontes de vitamina B12 e de proteínas. Para ele, a ingestão deve ser moderada, não ultrapassando três vezes na semana. O problema é que, na sociedade atual, com facilidade de acesso, os carnívoros costumam consumir muito mais do que isso. Já a importância do consumo de carne (e de outros alimentos cozidos) foi apontado pela neurocientista Suzana Herculano, da UFRJ, que apresentou sua tese na última quarta-feira na conferência TED (Tecnologia, Entretenimento e Design, em português).
Pesquisas relacionaram consumo exagerado a câncer e problemas cardíacos
Um dos maiores estudos a relacionar o consumo de carne vermelha a doenças foi divulgado em março deste ano pela Perspectiva Europeia de Investigação sobre Câncer e Nutrição e publicado na revista “BMC Medicine”. O levantamento, que analisou a dieta de cerca 450 mil europeus, concluiu que homens e mulheres com um alto consumo de carne processada — linguiça, bacon, salsicha, hambúrguer e apresuntados — têm mais chances de morrer precocemente, em especial devido a doenças cardiovasculares, mas também com câncer.
Embora rica em proteínas e ferro, o consumo de carne vermelha em excesso está relacionado à formação endógena de compostos de nitrogênio no trato gastrointestinal e, assim, pode se tornar um fator de risco para alguns tipos de câncer, como o de intestino, de acordo com a pesquisa. De cada 17 pessoas acompanhadas pela pesquisa, durante 13 anos, em média, uma morreu.
Mas aquelas que comiam mais de 160 gramas de carne processada por dia — o equivalente a duas salsichas e uma fatia de bacon — tiveram o risco 44% maior de morrer durante o período da pesquisa, em comparação com aquelas que comiam cerca de 20 gramas por dia. O estudo ressaltava, no entanto, que as pessoas que tendiam a comer mais carne vermelha também tendiam a beber mais e a consumir menos frutas e verduras.
Alimento de reconhecido valor nutritivo, a carne vermelha é fonte de proteína, ferro e vitaminas. Mas em excesso pode causar sérios problemas. Um outro estudo, feito pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e divulgado no ano passado, com 120 mil americanos ao longo de 20 anos, também constatou que a ingestão diária do alimento aumenta as chances de morte prematura por câncer e doenças cardiovasculares. Segundo a pesquisa, uma porção diária de carne processada eleva em 20% o risco de morte, enquanto a carne não processada aumenta as chances em 13%.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Diabetes entre homens tem tendência de alta


JOHANNA NUBLAT

O percentual de homens com 18 anos ou mais diagnosticados com diabetes subiu de 4,4% em 2006 para 5,2% no ano passado, indica estudo apresentado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira.
Esse histórico, aliado a outras pesquisas já feitas, levou o ministério a dizer que existe uma tendência de alta da doença entre os homens, explicada pela 
pasta
 como a união entre o crescimento do diagnóstico e de fatores de risco, como obesidade e envelhecimento da população.
Já entre a população como um todo (5,6%) e as mulheres (6%), a tendência é de estabilidade, segundo Deborah Malta, coordenadora de vigilância de doenças e agravos não transmissíveis do ministério.
Os dados foram retirados do Vigitel 2011, inquérito telefônico feito com 54.144 adultos com 18 anos ou mais, nas 27 capitais. A pesquisa, anual, questiona sobre hábitos de vida e fatores de risco.
A presença do diabetes aumenta com o avanço da idade. Enquanto apenas 0,6% dos jovens de 18 a 24 anos informaram ter tido diagnóstico da doença, esse percentual sobe para 21,6% entre os adultos com 65 anos ou mais.
Também está relacionada à escolaridade, porque tende a cair entre pessoas mais instruídas. "A educação tem peso importante nas ações de saúde. O índice é duas vezes maior se comparadas as pessoas com menos de oito anos de escolaridade e as com 12 anos ou mais de estudos", afirmou o ministro da saúde Alexandre Padilha.
Essa relação com o estudo, segundo Malta, deve estar ligada à presença de hábitos de vida mais saudáveis na população mais escolarizada.
O programa de popularização de academias de ginástica, entre outras medidas adotadas recentemente pelo governo, foi citado como armas para reverter a tendência de alta do diabetes.
INTERNAÇÕES
O custo das internações por diabetes na rede pública chegou a R$ 87,9 milhões, informou o ministério. Em 2008, estava na faixa dos R$ 65 milhões. Uma única internação custa, em média, R$ 603 e dura seis dias.
Segundo o ministro Padilha, é possível notar uma redução no número das internações em 2011, se comparado ao ano anterior: de 148, 4 mil para 145,8 mil --segundo dado ainda preliminar de 2011.
Ele avalia que essa variação está relacionada à oferta gratuita de medicamentos contra o diabetes, iniciada no ano passado.
Malta diz que é preciso avaliar os dados dos próximos anos para verificar se essa é uma tendência que se mantém. "Precisamos de mais tempo para avaliar. Mas, ao mesmo tempo que teve um aumento do diagnóstico de homens, teve um recuo nas internações, é um movimento contrário. A gente esperaria até um aumento."
Em 2010, 54,5 mil pessoas morreram pelo diabetes. A meta do governo, para os próximos dez anos, é reduzir em 2% ao ano a mortalidade por doenças crônicas não-transmissíveis, onde está inserido o diabetes.
Editoria de arte/Folhapress
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Doces ou não, alimentos podem alterar as taxas de açúcar no sangue



Endocrinologista Alfredo Halpern explicou o que é hipoglicemia.

A vontade de comer doce muitas vezes não tem hora, mas há as preferências gerais, como depois do almoço ou no meio da tarde. O Bem Estar fez uma enquete aqui no nosso site e 43% das pessoas responderam que sentem mais desejo após as refeições. Outros 31% votaram que gostam mais à tarde, no lanche (veja o resultado completo no fim da página).
Mas não é apenas o doce, aquele alimento que tem gosto de açúcar, o responsável por aumentar as taxas de glicose no sangue – o chamado índice glicêmico, que deve ser levado em conta também antes e depois dos exercícios. Cenoura, bolacha de água e sal e uva passa, a princípio inofensivos, são capazes de elevar o índice de açúcar na corrente sanguínea.
Já alimentos como iogurte, pera e cereais têm o poder contrário. No meio termo, ficam arroz, feijão, suco de laranja e chocolate, entre outros.
Para explicar como funciona o processamento do açúcar no corpo humano e por que é importante observar o que se come – para não ter uma crise de hipoglicemia ou diabetes –, o Bem Estar desta quarta-feira (14) contou com a presença do endocrinologista Alfredo Halpern e da nutricionista Mônica Beyruti.
Açúcar (Foto: Arte/G1)
Segundo a nutricionista, a melhor hora para comer um doce é depois de uma refeição completa e variada. Dessa forma, o açúcar é absorvido mais devagar, por causa das fibras dos outros alimentos. Além disso, como o doce costuma ser mais calórico, quando a pessoa se satisfaz com a refeição primeiro se sente mais saciada e tende a ingerir menos doce.
Alimentos com fibras (que estão presentes em cascas, bagaços e polpas de frutas, na celulose das verduras e legumes, e nos grãos integrais) têm uma absorção mais lenta do que alimentos de carboidratos complexos, como o arroz branco, o macarrão, o pão francês e a batata, por exemplo. Ou seja, os produtos fibrosos tendem a ter um índice glicêmico menor que os carboidratos complexos.
Em geral, tudo o que uma pessoa come e bebe aumenta a taxa de açúcar no sangue, enquanto todo tipo de atividade física precisa de energia e, portanto, diminui a glicemia (os músculos absorvem mais o açúcar).
Alimentos de índice glicêmico maior são indicados para quem está em uma crise de hipoglicemia, porque são uma descarga rápida de energia no corpo, ou então para quem acabou de fazer exercício e precisa recuperar o que foi gasto.
No dia a dia, prefira alimentos de índice glicêmico menor, porque são absorvidos de forma mais gradual pelo corpo, o que é mais saudável. Uma boa dica para quem quer comer algo e não abrir o apetite é a fruta. A frutose, que é o açúcar da fruta, é outro tipo de carboidrato simples, mas que exige um processamento diferente do corpo, pois não precisa insulina. Sem isso, não há quedas nos níveis de glicemia e a fruta não dará mais fome.
Em resposta, o pâncreas produz mais insulina, hormônio que carrega o açúcar para o interior das células, onde será usado como fonte de energia.
Hipoglicemia
Quando uma pessoa come, o alimento é absorvido, digerido, e o açúcar vai para o sangue, o que aumenta a taxa da substância dentro dos vasos.

Alguns indivíduos têm um pâncreas “atrasado”, o que significa que o intervalo de tempo entre a ingestão de um alimento com teor de açúcar e a produção de insulina é maior que o normal. Quando isso acontece, o nível de açúcar no sangue cai.

O cérebro, então, percebe a queda de energia e aciona dois hormônios. A adrenalina sai da glândula suprarrenal, que fica acima dos rins, e se espalha pelo corpo para avisar que a glicose é necessária. Esse processo acaba causando ansiedade, tremor, transpiração e palidez.
Já o glucagon é liberado pelo pâncreas e retira açúcar do fígado para distribuir pelo resto do organismo e compensar a perda de açúcar. É pela ação desses dois hormônios que se sente fome em uma crise de hipoglicemia.
Segundo Alfredo Halpern, uma taxa de glicose em jejum superior a 100 mg/dl é considerada pré-diabetes. Se for acima de 126 mg/dl, a doença já existe.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Erros que ameaçam o controle da diabetes



Médicos e cientistas descobrem que boa parte dos pacientes aplica a insulina de forma incorreta, o que pode levar a sérias complicações causadas pela doença

Mônica Tarantino
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RODÍZIO
Luana não sabia que a insulina pode ser aplicada 
também em braços e pernas. Antes, usava só na barriga
O modo de se autoaplicar insulina tem grande impacto no controle da diabetes - doença que matou 50 mil brasileiros em 2010, quatro vezes mais do que a Aids (12 mil óbitos) e que superou o total de mortes causadas pelo trânsito (42 mil óbitos), conforme dados divulgados na semana passada pelo Ministério da Saúde. A insulina é essencial para levar a glicose (o combustível do organismo) para dentro das células. Uma pesquisa inédita da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) feita com 120 diabéticos revelou as falhas mais comuns no uso do remédio. O levantamento foi patrocinado pela Becton, Dickinson and Company, empresa de tecnologia médica.
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A primeira falha ocorre na retirada da insulina do frasco, com a seringa. “Metade dos adultos e 60% das pessoas abaixo de 18 anos aplicam doses incorretas”, diz Augusto Pimazoni Netto, coordenador do grupo de educação e controle do diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Unifesp e principal autor do estudo. “Há 20% mais erros com as seringas de 100U”, diz. Cada marca dessas seringas vale duas unidades, enquanto as seringas de 30U e 50U são graduadas com marcas que valem uma unidade.
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Por falta de informação, 10% dos diabéticos aplicam a insulina sempre no mesmo local. Outros 57% fazem o rodízio dos pontos de forma incorreta. Foi o que aconteceu com a analista de mídia Luana Damaceno, 29 anos. Um mês após o diagnóstico, tinha manchas roxas e caroços na barriga. Ela decidiu ir à Associação de Diabetes Juvenil (ADJ). “Quando comecei a usar insulina, não fui orientada para alternar os locais de aplicação. Aprendi que posso aplicar nos braços, pernas e nádegas”, diz. “A orientação é essencial no controle da doença”, define a enfermeira Cláudia Almeida, instrutora da ADJ.
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A ausência desse revezamento causa problemas mais sérios. Um exemplo é a história de uma garota de 6 anos com diabetes que perdia peso e apresentava taxas de glicemia muito altas, apesar das doses elevadas de insulina. Durante uma visita, uma das instrutoras do Programa Sanofi Diabetes – que orienta pacientes – pediu à criança para contar como tomava o remédio. Viu de imediato um endurecimento importante no braço, pois a mãe não fazia o rodízio para aplicação. O erro diminuía a absorção da insulina.  Corrigido o problema, a garota se recuperou. Em suas constantes visitas aos lares de diabéticos, a instrutora Lara Bauerlein, do mesmo projeto, viu erros no armazenamento da insulina. “Depois de aberta, a insulina não precisa ficar na geladeira. Pode ficar em temperatura ambiente de até 30 graus”, garante Lara.
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Outro aspecto revelado pelo estudo da Unifesp é a dificuldade dos pacientes de fazerem as dobras de pele para prevenir que a injeção atinja o tecido intramuscular. O risco é a rápida absorção da insulina, que não age pelo tempo esperado. A pesquisa mostrou ainda que há perda de insulina quando as pessoas retiram rapidamente a agulha da pele depois da aplicação. “Deve-se esperar entre cinco e dez segundos para evitar que isso aconteça”, ensina Pimazoni.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Comer menos gordura pode diminuir risco de diabetes



Mesmo que não haja perda de peso, só o fato de reduzir a ingestão de gordura pode reduzir o risco de ter diabetes a longo prazo

Gordura
Menos gordura: segundo o estudo, mesmo que não haja perda de peso o risco de ter diabetes diminui só diminuindo a quantidade de gordura nas refeições (Thinkstock)
O estudo concluiu que limitar a ingestão de gordura por dia para cerca de 27% da alimentação diária de uma pessoa pode diminuir o risco de diabetes a longo prazo
Pequenas mudanças na dieta podem ajudar na prevenção do diabetes mesmo que não haja perda de peso, de acordo com um estudo publicado na American Journal of Clinical Nutrition
Os autores do estudo analisaram, durante oito semanas, 69 pessoas, que receberam dietas com pequenas reduções no consumo de gordura ou carboidratos. Com isso, especialistas constataram que o baixo teor de gordura incide na diminuição do risco do diabetes. Foram analisados pacientes com dietas variando entre a baixa gordura (27% de gordura e 55% de carboidratos) e baixo carboidrato (39% de gordura e 43% de carboidratos).
"Os participantes do grupo que consumiu menos gordura mostraram menor risco para a doença independentemente da perda de peso", disse a coordenadora do estudo, Barbara Gower, professora de Ciências da Nutrição da Universidade do Alabama em Birmingham. Os resultados foram melhores entre os participantes negros. "O estudo aponta que a qualidade da dieta - não a quantidade - difere no risco do aparecimento do diabetes tipo 2", avalia Gower.
O estudo concluiu que limitar a ingestão de gordura por dia para cerca de 27% da alimentação diária de uma pessoa pode diminuir o risco de diabetes a longo prazo.
Os pesquisadores salientaram que são mínimas as mudanças necessárias no dia a dia. "As porções utilizadas neste estudo foram moderadas e por isso as pessoas propensas ao diabetes poderiam adotar facilmente a dieta com baixo teor de gordura", completou Laura Lee Gorée, co-autora do estudo.

Jejum na dieta pode causar diabetes



Pesquisa feita por médica da USP em ratos mostrou que jejum faz perder peso, mas causa alterações no metabolismo que levam ao desenvolvimento de diabetes e perda de massa muscular

Marco Túlio Pires, do Rio de Janeiro
Jejum: grandes intervalos sem comida pode aumentar a produção de radicais livres que causam diabetes, além de perda de massa muscular
Jejum: grandes intervalos sem comida pode aumentar a produção de radicais livres que causam diabetes, além de perda de massa muscular (iStockPhoto/ThinkStock)
"Descobrimos que os ratos sob regime de jejum produziam cerca de quatro vezes mais radicais livres em relação àqueles sob dieta controlada"
"Os animais que tiveram períodos intercalados de jejum perderam peso, mas pagaram caro: desenvolveram diabetes e perderam massa muscular"
Alicia Kowaltowski, médica e pesquisadora da USP
Péssima notícia para aqueles que estão acostumados a fazer jejum como forma de perder peso. Uma pesquisa apresentada durante a FeSBE 2011 (Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental) , no Rio de Janeiro, mostrou que, em modelos animais, intercalar períodos de jejum e comilança pode causar diabetes, perda de massa muscular e aumentar a produção de radicais livres. A pesquisa foi coordenada pela médica Alicia Kowaltowski, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), e publicada no periódico Free Radical Biology & Medicine.

O grupo de pesquisa de Alicia é especializado em estudar como diferentes dietas afetam o metabolismo energético. A médica explica que, em geral, um rato de laboratório simula o comportamento de uma pessoa que come descontroladamente e não pratica exercícios. "Eles ficam gordões e desenvolvem diabetes porque comem à vontade e não fazem nada o dia todo", conta ao site de VEJA. O problema é que, para algumas pesquisas, um rato obeso e diabético não é o ideal. Nesse casos, é preciso preciso afinar a dieta do animal para que ele fique no peso ideal.

Desde 1935, sabe-se que a redução de calorias na alimentação do rato melhora a saúde do bicho. "Quando reduzimos a quantidade de comida de maneira ordenada, os ratos ganham forma e não desenvolvem diabetes", explica Alicia. Esse controle, contudo, dá trabalho. "Temos que medir a massa de comida diariamente e ir acertando a quantidade para manter o rato no peso adequado."

Preguiça dos pesquisadores — Cientistas da equipe de Alicia, liderados pela doutoranda Fernanda Cerqueira, perceberam que pesquisadores ao redor do mundo estavam utilizando uma técnica alternativa à redução calórica para fazer com que os ratos perdessem peso: o jejum. "É mais fácil: você intercala a dieta do animal com períodos de 24 horas de jejum e não precisa ficar medindo a quantidade de comida", explica Alicia. "A confusão acontece porque os ratos também perdem peso dessa forma. As pessoas pensam que ficar sem comer por muito tempo e reduzir a quantidade de calorias é a mesma coisa."

Para provar que a dieta de redução de calorias é diferente da dieta do jejum, os pesquisadores da USP montaram três grupos de ratos: o primeiro tinha uma dieta de redução de calorias cuidadosamente controlada. Comia todos os dias, mas sempre uma quantidade menor de comida. O segundo grupo fazia jejum de 24 horas entre uma refeição e outra, comendo, assim, uma vez a cada dois dias. No terceiro, de controle, os ratos podiam comer o quanto quisessem. Os bichinhos passaram pela bateria de testes durante nove meses.

Glossário


  1. Radicais livres
  2. São átomos (ou grupos de átomos) formados quando o oxigênio interage com algumas moléculas em especial. Elas podem criar uma reação em cadeia e causar danos nas células, levando-as à morte ou atrapalhando seu funcionamento correto. Os danos às células podem provocar envelhecimento, câncer e várias outras doenças.
Radicais livres e diabetes  - A primeira coisa que Alicia percebeu nos ratos que faziam jejum foi a alteração no metabolismo da glicose, fonte de energia importante para o organismo. Esse grupo perdeu peso, mas pagou caro: a sensibilidade ao hormônio insulina ficou comprometida e os animais desenvolveram diabetes. Os ratinhos que tiveram a dieta controlada com a redução de calorias e comiam todos os dias não tiveram problemas.

Os resultados intrigaram os cientistas. Por que o animal que faz jejum intermitente fica incapaz de metabolizar a glicose? Alicia sugere uma explicação. "Isso pode acontecer porque a insulina age nas células por meio de um receptor específico, que pode ser danificado pela presença de radicais livres", disse. Ou seja, períodos intercalados de jejum e comilança aumentam a produção de radicais livres, que atacam os receptores de insulina. "Descobrimos que os ratos sob regime de jejum produziam cerca de quatro vezes mais radicais livres em relação àqueles sob dieta controlada".

Massa muscular - As desvantagens do jejum intermitente não param por aí. O grupo que ficou privado de comer não perdeu peso por redução de gordura, de acordo com Alicia. "A quantidade de gordura na barriga dos ratos que fizeram jejum era a mesma do grupo controle, que comia descontroladamente", esclarece a médica. "Os animais que fizeram jejum perderam massa muscular."

Isso quer dizer que os resultados podem ser parecidos em seres humanos? "Não necessariamente, mas a história mostra que o metabolismo energético em animais é muito semelhante ao nosso", explica Alicia. "Por causa da pesquisa com animais sabemos que a redução calórica aumenta a expectativa de vida dos seres humanos. Todo mundo sabe que não se pode comer tudo que vemos pela frente", disse. "Outro exemplo é a dieta rica em gordura, que tanto em seres humanos quanto em animais levam à obesidade e aumentam a incidência de várias doenças".

Futuro - Com a conclusão da pesquisa, outras perguntas surgiram. O grupo agora vai tentar responder por que a dieta intermitente causa perda muscular e aumenta a produção de radicais livres. Alicia não pretende testar os resultados em seres humanos, mas disse que é muito comum outros grupos científicos retomarem o trabalho a partir de certo ponto.
Uma forma de verificar os resultados é consultar o banco de dados de outras pesquisas que incluam o jejum em seres humanos e tenham registros sobre os níveis de glicose e radicais livres dos participantes. "É possível que outros laboratórios se interessem pelos resultados e usam nossas descobertas para testes diretamente com seres humanos", disse.

Comer carne vermelha aumenta risco de diabetes, alerta estudo



O aumento do risco é maior se for consumida carne vermelha processada

Em um futuro próximo, afirma Mironov, as carnes vendidas em supermercados poderão vir de laboratórios e não matadouros
O consumo de carne vermelha aumenta — e muito — o risco de desenvolver diabetes tipo 2 (Ryan McVay)
Os riscos diminuem se a carne vermelha for substituída por frutas secas, carnes brancas, lácteos pobres em gordura ou proteínas de grão inteiro
Comer duas fatias de toucinho, uma salsicha ou uma porção diária de carne vermelha aumenta significativamente o risco de diabetes tipo 2, alertou um amplo estudo feito nos Estados Unidos e publicado esta quarta-feira na versão online da revista American Journal of Clinical Nutrition.
O risco de desenvolver diabetes tipo 2 aumenta 51% se forem consumidas 50 gramas de carne vermelha processada por dia, e 19% se forem ingeridas 100 gramas diárias de carne vermelha não processada, informaram os pesquisadores encarregados da pesquisa. 
Substitutos — No entanto, esses riscos diminuem se a carne vermelha for substituída por frutas secas, carnes brancas, lácteos pobres em gordura ou proteínas de grão inteiro, acrescentaram os especialistas. Se uma pessoa que consome 100 gramas de carne vermelha todos os dias a substituir por frutas secas para obter a mesma quantidade de proteínas, o risco diminui em 17%. Este número aumenta para 23% se forem consumidos cereais integrais.
O estudo, realizado por cientistas da Escola de Saúde Pública de Harvard, é a maior pesquisa do tipo feita até agora. "Claramente, os resultados deste estudo têm implicações na saúde pública, em vista da epidemia crescente de diabetes tipo 2 e do consumo de carnes vermelhas em todo o mundo", disse o autor principal do estudo, Frank Hu.
"A boa notícia é que esses fatores de risco preocupantes podem ser compensados, substituindo a carne vermelha por uma proteína mais saudável", acrescentou Hu, professor de nutrição e epidemiologia.
Epidemia — Os dados utilizados no estudo foram obtidos em um questionário que profissionais da saúde submeteram a mais de 200.000 pessoas nos Estados Unidos. As pessoas estudadas foram acompanhadas entre os 14 e os 28 anos.
A diabetes tipo 2 afeta 350 milhões de adultos em todo o mundo. Nos Estados Unidos, mais de 11% dos adultos maiores de 20 anos - 25,6 milhões - sofrem da doença, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças do país.
Doença crônica que implica elevados níveis de açúcar no sangue, a diabetes tipo 2 é frequentemente causada por obesidade, sedentarismo e hábitos alimentares pouco saudáveis.

Na quantidade certa, queijo e iogurte reduzem o risco de diabetes tipo 2



Consumir o equivalente a 55 gramas de cada alimento pode evitar o surgimento da doença. Outros laticínios, porém, não surtem o mesmo efeito protetor

Queijo
Queijo: alimento, assim como iogurte, pode reduzir risco de diabetes (Creatas Images/Thinkstock)
Segundo um time de pesquisadores europeus, comer queijo e beber iogurte pode reduzir o risco de uma pessoa ter diabetes tipo 2. No entanto, o restante dos laticínios não oferece o mesmo benefício, embora não aumente o risco da doença. Essas conclusões fazem parte de um estudo publicado na edição deste mês do periódico The American Journal of Clinical Nutrition.
Os pesquisadores levaram em consideração dados de mais de 16.000 adultos saudáveis e cerca de 12.000 pessoas com diabetes tipo 2, que responderam a questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida. Ao analisar os efeitos dos laticínios sobre o risco da doença, a equipe concluiu que indivíduos que consomem duas fatias de queijo ou meio pote de iogurte ao dia — ou 55 gramas de cada alimento —, em comparação com aqueles que ingerem menos que isso, têm um risco até 12% menor de terem diabetes. A pesquisa não especificou quais tipos de queijo são melhores para a diminuição desse risco.
De acordo com os autores do estudo, que fazem parte de instituições como a Universidade de Utrecht, na Holanda, embora o queijo tenha gorduras saturadas, ele também contém gorduras que fazem bem à saúde. Por isso, é ideal que não seja consumido em quantidades exageradas. Além disso, os iogurtes possuem bactérias probióticas, microorganismos ‘do bem’ que ajudam no bom funcionamento do organismo e que estão associados a um menor risco de problemas cardiovasculares, o que pode ajudar a compreender o efeito protetor observado pela pesquisa.
Tempero saudável — Outro estudo publicado neste mês também estabeleceu uma relação entre alimentos e um menor risco de diabetes tipo 2. Dessa vez, pesquisadores tailandeses, após acompanharem 240 adultos com predisposição à doença, concluíram que a curcumina, um composto presente no tempero curry, pode evitar o surgimento de diabetes em um indivíduo com alto risco do problema. O trabalho foi divulgado no periódico Diabetes Care.

Amêndoas previnem diabetes e problemas cardíacos



Alimento aumenta sensibilidade à insulina e reduz o mau colesterol, diz estudo

amêndoas
(Goodshoot)
“Uma mudança de dieta é promissora para aqueles que têm riscos de desenvolver diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares"
Michelle Wien, líder do estudo
Item praticamente obrigatório no cardápio das festas de final de ano, a amêndoa tem propriedades que protegem o corpo contra o diabetes tipo 2 e as doenças cardíacas. É o que mostra um estudo americano publicado na última edição do periódico especializado Journal of the American College of Nutrition.
Pesquisadores da Universidade de Medicina e Odontologia de New Jersey tornaram rica em amêndoas a dieta de 65 voluntários, todos adultos e em estado pré-diabético, ou seja, com nível de glicose maior do que o normal e, portanto, com maior risco de desenvolver a doença.
Após a mudança no cardápio, os médicos verificaram nos pacientes um aumento da sensibilidade à insulina, o que melhora o processamento de açúcares pelo corpo. A insulina é o hormônio responsável pela quebra dos açúcares no sangue, deficiente nos organismos dos diabéticos. Os voluntários apresentaram também uma significativa redução dos níveis de LDL, o chamado mau colesterol, no sangue.
Estima-se que existam dez milhões de diabéticos no Brasil. O diabetes tipo 2 responde por 90% a 95% dos casos da doença no mundo. Vítimas dessa doença têm falhas na produção de insulina ou menor capacidade de usar o hormônio para quebrar a glicose e a gordura, transformando-as em energia. Soltas no organismo, glicose e gorduras danificam os órgãos. 
“Uma mudança de dieta é promissora para aqueles que têm riscos de desenvolver diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Ela pode ter influência essencial no desenvolvimento da doença”, declarou a líder do estudo, Michelle Wien, ao jornal britânico Daily Mail