terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pesquisadores identificam genes da longevidade




Sabemos que fatores genéticos e ambientais contribuem para um envelhecimento saudável. Nos países desenvolvidos a expectativa de vida hoje está entre 80 e 85 anos. Fatores ambientais (dieta, exercício regular, fumo etc..) têm um papel importante. Mas o que dizer de famílias onde passar dos 90 ou até dos 100 anos é quase uma regra? Uma pesquisa liderada pelos cientistas Paola Sebastiani e  Thomas Perls da Universidade de Boston, com famílias de centenários, acaba de ser publicada na revista Sciences. De acordo com os pesquisadores, os resultados desse estudo permitirão estimar com 77% de certeza se uma pessoa terá expectativa de vida longa. Se for verdade, ler a palma da mão vai sair de moda.  Temo que muitas ciganas vão perder o ganha-pão……

O estudo foi feito com 1.055 centenários e 1.267 controles
Os pesquisadores partiram da hipótese que pessoas que conseguem viver até idades muito avançadas possuem variantes genéticas que têm um papel importante nessa sobrevida excepcional. Os cientistas identificaram 150 variantes ou SNIPS (single nucleotide polymorphisms) em centenários saudáveis, que poderiam ser usadas para prever se uma pessoa irá viver mais de 90 anos. Além disso, foram identificados 19 marcadores ou “assinaturas genéticas” em pessoas com longevidade excepcional (que vivem mais de 100 anos) que estavam presentes em 90% dos centenários.
Assinaturas genéticas
De acordo com os pesquisadores, essas chamadas “assinaturas genéticas” constituem um novo avanço em relação a genômica personalizada e medicina preditiva. Segundo a Dra. Paola, essa mesma metodologia poderá ser utilizada para prever, de modo mais preciso, o risco de que uma pessoa venha a desenvolver outras doenças complexas como Alzheimer, diabetes, Parkinson ou doença cardiovascular.
Variantes de longevidade são mais importantes que variantes de risco
Outro resultado muito interessante foi a observação que nas pessoas com os genes da longevidade, a presença de variantes que aumentam o risco para doenças cardiovasculares, Alzheimer ou Parkinson por exemplo não tiveram grande influência. Isto é, se você possuir os “genes” que aumentam a chance de você viver muito, os genes de “risco” não vão fazer diferença. Se isso for verdade, deveríamos começar analisando as variantes de longevidade. Se elas estiverem presentes, não precisamos nos preocupar muito com os outros.
Será que as pessoas vão querer se testar? Quais são os prós e os contras?
Todo mundo gostaria de saber que vai viver muito e principalmente de modo saudável. E se não possuirmos os tais “genes” da longevidade? Vamos viver intensamente e gastar tudo o que temos já que não vamos durar muito? Lembro-me do meu pai que brincava que muitos dos seus amigos, já na casa dos 70 anos, diziam-lhe que haviam feito uma economia prevendo que iriam viver no máximo dez anos. E ele perguntava ironicamente: e se você errou a conta e viver mais?
Quais são as outras implicações de saber que você viverá muito?
Além de poder estimar com mais precisão qual deve ser o tamanho do seu pé de meia, posso imaginar várias outras implicações. Por um lado, o seguro de vida deveria dar desconto se você tiver os genes da longevidade. Por outro, para os planos de previdência, os longevos representam um pesadelo. Imagine as pessoas vivendo 30, 40 anos após a aposentadoria. E se amanhã os planos de previdência resolverem exigir testes genéticos para saber se você corre o risco de viver muito? Se você tiver os 77% de chance pagará 700% a mais. Quem mandou herdar esse DNA? Agora, pague por isso. Outra coisa: se você for rico, não conte aos seus herdeiros. A probabilidade de você ter uma morte “acidental” pode aumentar…..
Mas e se o teste revelar que você não possui os genes da longevidade? Será que queremos saber? E você, caro leitor gostaria de ser testado?
Por Mayana Zatz

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